sexta-feira, 19 de agosto de 2011

INCORPORAÇÃO E (IN)CONSCIÊNCIA

Incorporação e (In) Consciência


"Sem noção de responsabilidade, sem devoção à
pratica do Bem , sem amor ao estudo e
sem esforço perseverante em nosso próprio
burilamento moral , é impraticável a
peregrinação libertadora para os Cismos da Vida."
Emmanuel


Há muita discussão sobre a prática e a postura mediúnica. Nesta oportunidade, quero trazer algumas questões relativas ao que o meio espírita convencionou chamar de “Incorporação”. Longe de tentar estabelecer a forma de lidar, ou defender o mais adequado ponto de vista, quero apenas colocar a minha experiência, ainda bastante incipiente, nesta área da prática mediúnica. Antes mesmo de começar o meu relato, quero descrever a maneira como fui me apropriando dessa condição mediúnica. No início, tinha muitos problemas para entender a facilidade com que algumas pessoas relatavam incorporar seus guias e entidades. Mais ainda , por não poder compreender como esse processo de incorporar acontecia , experimentava algumas sensações muito instáveis. Atualmente, aos poucos, venho compreendendo de fato como esse processo - o da aproximação do desencarnado junto ao médium, vai acontecendo. Desde que comecei a observar e experimentar tais sensações, venho percebendo que o processo mediúnico sério é o produto da sintonia que conseguimos estabelecer com o Plano Espiritual e que essa sintonia é essencialmente mental. Pude, aos poucos – e ainda venho sentindo, compreender a importância da nossa condição e disponibilidade para esse trabalho.
Ao resgatar muitas das sensações sentidas por mim, nas fases iniciais posso registrar que estas traziam um forte componente de preocupação e receio e em alguns casos, até de medo. Atualmente, venho compreendendo que todas essas percepções estavam calcadas na relação ainda bastante incipiente que vinha mantendo com o desconhecido. Entretanto, longe de me afastar, esses episódios acabaram por me levar cada vez mais na direção de uma busca que no inicio ainda não tinha muita sustentação, mas, que aos poucos, veio sendo apoiada pelo estudo e tem me disponibilizado cada vez mais para o intercambio mediúnico. Então, acredito que depois de algum tempo já posso perceber que venho conquistando através de certa vivencia, um pouco mais de segurança na lida com os companheiros desencarnados que caminham comigo. Essa vivencia que pode ser identificada através de uma freqüência que começamos por estabelecer acabaram por modelar uma aproximação mais firme e respeitosa com esses amigos muito próximos, separados apenas pela condição de desencarnados.
Percebo também que muitos outros fatores tem me ajudado bastante e acabam por favorecer uma troca equilibrada e um trabalho mais consistente. Um deles, já citado em outras oportunidades é o preparo preliminar para o trabalho propriamente dito. No entanto, quero ressaltar que esse preparo precisa guardar um componente tão importante quanto difícil. Alem de um lado físico – com a alimentação, sexo, bebidas alcoólicas e fumo, essas ultimas totalmente excluídas, há um lado de fundamental importância e para o qual venho me dedicando sistematicamente : é o preparo mental , para o qual ainda encontro alguma dificuldade e com o qual venho me exercitando com o auxílio de algumas técnicas de relaxamento bem simples e que me ajudam a acalmar a mente e os pensamentos.
Uma outra questão bastante importante diz respeito ao local onde me disponibilizo para esse trabalho de troca. Pelo meu entendimento, o local ideal é a Casa Espírita. Sem dúvida, essa é uma questão bastante clara para mim e da qual passo a relatar agora a minha experiência particular. Primeiramente, não estou falando de qualquer casa. Antes de me dedicar ao trabalho de intercambio mediúnico estava freqüentando uma casa por motivos que eu julgava fossem externos a mim e que depois de resolvidos me afastassem totalmente deste espaço. No entanto o apoio e a ajuda que recebemos – eu e minha mãe foram tão importantes não só para o encaminhamento e solução para a questão apresentada - inclusive o entendimento de que o fato tinha a ver comigo, é que decidi começar a tentar compreender todo esse auxilio, e que logo depois que ela desencarnou muito bem assistida espiritualmente, é que comecei a estudar e freqüentar assiduamente a Casa. E é neste ponto que quero fazer a primeira observação. Acredito firmemente que ao chegar a essa casa pude, inicialmente sem perceber, reatar laços espirituais tão fortes que me levaram a percorrer caminhos que julgava nunca fosse capaz. E, assim aos poucos fui me (re)integrando a experiências que estimava , jamais pudessem ser habituais a minha vida . E daí, fui me afeiçoando a tudo que pudesse me ligar a casa, ao estudo e consequentemente ao trabalho e ao aprendizado, do qual até hoje, cerca de 10 anos, me sinto ligado e para o qual quero me dedicar por toda a vida. Em outras palavras, o que quero dizer é que para tudo acontecer de fato precisou haver afinidade e sintonia, dedicação e prazer, ligação e propósito. Consequentemente pude então perceber que foi nesta casa e apenas nesta – nunca havia sentido nenhum interesse anteriormente com nenhuma experiência dessa natureza, é que pude me (re)conhecer espiritualmente e por opção consciente apenas nela é que exercito todas as minhas possibilidades mediúnicas , porque entendo que essa escolha é fruto de uma ação sustentada e despertada pela minha ligação com o Alto.E ao prosseguir com o relato, quero reforçar que a partir daí, fui aos poucos me disponibilizando com os grupos – inicialmente para o estudo e mais posteriormente para o trabalho que começava a aparecer para as minhas acanhadas possibilidades.
Daí em diante, o vinculo foi se robustecendo naturalmente, e a minha disponibilidade aliada a uma disposição até então desconhecida por mim foram crescendo e acabaram por gerar uma rotina de compromissos que venho cumprindo com muita dedicação. Aos poucos fui reorganizando as minhas rotinas e acomodando os meus horários de forma a criar oportunidades e espaços para a minha adaptação aos dias de estudo e trabalho estabelecidos na Casa. Como conseqüência desta escolha, os companheiros surgidos nas turmas de estudo e de trabalho acabaram por se transformar em verdadeiros aliados na jornada que escolhemos juntos trilhar e apresentam-se na maioria das vezes como parceiros fundamentais a esse processo de crescimento compartilhado. Aliado a isso, pude ter a oportunidade de encontrar irmãos disponíveis a tarefa de orientadores que se mostraram desde o inicio e até os dias de hoje atenciosos, cuidadosos e, sobretudo, solidários com a minha condição principiante. E, na medida em que me sentia compelido às novas experiências aos poucos o receio e o medo foram dando lugar a uma natural preocupação de buscar entender mais o que vinha acontecendo. Ao relembrar as diferentes experiências porque passei - do trabalho do apoio, onde pude começar a exercitar a concentração e um estado ainda muito incipiente de vigilância e oração, passando pelo atendimento e orientação nas filas e portas das salas, no exercício carinhoso de receber e compartilhar esperança com os que chegavam, até ao trabalho do passe, hoje realizado por mim, venho neste tempo, percebendo e identificando a aproximação de muitos companheiros desencarnados afinizados com a minha condição e para os quais fui me (re)integrando e (re)aprendendo a reconhecer . Naquelas oportunidades, aos poucos, comecei a observar, nas situações em que começava a me preparar para o trabalho, ainda em casa, a aproximação de sensações que apontavam para o contato com o que até então era desconhecido, mas que me trazia bem estar e satisfação. Nos dias que antecediam as reuniões acabava como que tomado de uma expectativa boa e da certeza de um inicio de comprometimento e disposição que já começavam a me deixar muito envolvido. No entanto, com o passar dos tempos e na medida em que me ligava mais – tanto ao estudo como as oportunidades de trabalho, fui me vendo enredado em experiências que me sinalizavam a aproximação de sensações físicas até então desconhecidas e totalmente descontextualizadas para mim. Preciso abrir neste momento um parêntesis para esclarecer que sempre fui avesso a qualquer tipo de trabalho que me envolvesse nesses propósitos, apesar de toda a minha família – minha mãe e tias fossem sempre envolvidas nestas experiências espiritualistas, resistindo até não poder mais e só cedendo pela dor, o contato com o tema .Hoje posso lembrar muitas das situações – um calor inexplicável numa sala com ar ligado no máximo , dormência nas mãos e por todo o corpo , suores e calores por toda a cabeça , vontade incontrolável de manter os olhos fechados e “ver” cenas completas , sensação de bem estar ou de confusão mental ocorridas quase ao mesmo tempo, perfumes e odores “ouvidos e sentidos” , etc., das quais , desde aquela época até aos dias de hoje , me valho para estabelecer uma forma muito particular para entender o processo identificado por muitos com sendo “Incorporação” , mas que para mim ,aponta para uma “Aproximação” com vinculo e propósito de servir a uma causa e alcançar uma intenção . Reconheço que é um uma maneira muito própria , mas que me ajuda a compreender de fato que todo o processo de interação estabelecido a partir da minha condição mediúnica com a Espiritualidade é fundamentalmente mental . Mais ainda , acredito que para a sua ocorrência deve existir o envolvimento de todas as partes – a minha em me disponibilizar , a dos Amigos Espirituais que precisam estar sintonizados neste propósito , a dos Companheiros de trabalho que estão na mesma situação de dedicação , ao Irmão que chega com fé e aos Mentores da Casa Espírita aliados a determinação do Alto , formando todos uma corrente de luz e de amor a serviço da Seara do Nosso Mestre Jesus.
Para terminar, sem contudo esgotar a questão, venho da minha parte , aos poucos , com muito esforço e dedicação aprendendo a me envolver mais tranquilamente com essa minha condição . Hoje posso dizer que, graças a um amadurecimento natural e uma orientação consistente, as minhas possibilidades de intercambiar com esses amigos queridos – tanto os encarnados quanto os desencarnados, tem me trazido um pouco mais de objetivo a busca que venho empreendendo em me fazer um individuo espiritualmente mais dedicado. Longe de ter achado uma saída para todas as minhas dúvidas, quero apenas apontar que encontrei um caminho no qual estou começando a andar. Mais ainda, já começo a perceber que essa minha jornada pode ser compartilhada com todos os irmãos que venho (re) conhecendo e está sustentada pelo compromisso com a minha melhora e com a Causa do Mestre Amado.


MAFR

sábado, 9 de julho de 2011

SERIE ESCLARECIMENTO

CRIANÇAS ÍNDIGO NÃO EXISTEM


Paulo Henrique de Figueiredo

Uma criação do mercado de auto-ajuda norte-americano confunde pais e professores misturando misticismo e educação.

De vez em quando surge um modismo. Um dos atuais são as crianças índigo. A idéia surgiu entre palestrantes de auto-ajuda norte-americanos.

Criança índigo é uma hipótese criada por Lee Carroll e Jan Tober em suas palestras. Eles leram um livro sobre cores de “auras”, escrito pela espiritualista Nancy Tappe em 1982, no qual a escritora imaginou o surgimento de crianças superdotadas relacionando suas auras com a cor índigo, ou azul-escura.

Carroll e Tober acreditam que esses seres finalmente chegaram. As crianças índigo seriam líderes de uma nova civilização. O mundo será transformado por elas e então surgirá uma nova era. Outro palestrante de auto-ajuda, Robert Gerard, opina: “Os índigos vieram para servir ao planeta, aos pais e aos amigos como emissários do céu e disseminadores da sabedoria. Para mim são emissários do criador“.

A Nova Geração

Mas o que interessa esse tema ao Espiritismo? Desde 1868, os Espíritos anunciaram no livro A Gênese a chegada da uma nova geração. Pode-se considerar a percepção dos norte-americanos quanto a essa mudança a constatação de um fato natural: “A Terra, no dizer dos Espíritos, não terá de transformar-se por meio de um cataclismo que aniquile de súbito toda geração. A atual desaparecerá gradualmente e a nova lhe sucederá do mesmo modo, sem que haja mudança alguma na ordem natural das coisas. A época atual é de transição, assistimos à partida de uma e à chegada da outra“.




Até aqui, tudo bem, mas segundo os escritores que defendem as crianças índigo elas são identificadas como extremamente inteligentes, só que também agem com orgulho, agressividade e prepotência. Na descrição feita pela Doutrina Espírita, conforme descrito em A Gênese, a nova geração se destaca pelo “sentimento inato do bem e nas crenças espiritualistas, o que constitui sinal indubitável de certo grau de adiantamento interior“.

A marca da Nova Geração é a Fraternidade.

A descrição das crianças índigo revela seres com um grande desenvolvimento intelectual, mas com imaturidade emocional ainda maior. Elas não têm paciência com os mais simples, preferem o isolamento, são dispersas, ficam traumatizadas quando erram e frustradas quando suas idéias não são aceitas. A mãe de uma delas descreve: “Desde a pré-escola tinha sido hiperativo, respondia mal aos professores, queria fazer tudo à sua maneira e era manipulador, percebendo a maneira de ser das pessoas e usando isso contra elas“, conta no livro Criança Índigo de autoria de Lee Carroll e Jan Tober.

“Se uma delas é trancada em um quarto, irá rabiscar as paredes e arrancar os tacos ou o carpete do chão. Tornam-se destrutivos“, afirma a espiritualista Nancy Tappe, na mesma obra.

Com o Rei na Barriga

Ryan Maluski é um jovem de 20 anos considerado índigo por Caroll e Tober. “Desde pequeno me senti muito diferente e só. Se quiser uma descrição ainda mais precisa, me sentia como um rei trabalhando como empregado e tratado como escravo“, relata. Quando tinha 2 anos, Ryan visitou o circo com os pais: “Veja os palhaços e os elefantes!”, disse sua mãe bastante animada. Inesperadamente seu filhou lhe virou um tapa no rosto, e continuou a assistir ao espetáculo. O mais incrível é um médico ter repreendido a mãe por ter estimulado a criança. “Da próxima vez, deveria deixá-lo mais à vontade para fazer as coisas ao seu modo“, afirmou (!).

Liberdade e falta de educação são coisas diferentes. Educar significa saber quando dizer não e quando dizer sim. Limites são balizas da educação. Parece que a cultura norte-americana está perdendo completamente essa noção.

Um comentário de Nancy Tappe é surpreendente: “Todas as crianças que mataram colegas de escola ou os próprios pais, com as quais pude ter contato, eram índigos. Trata-se de um novo conceito de sobrevivência. Todos nós possuíamos esse tipo de pensamento macabro quando crianças, mas tínhamos medo de colocá-lo em prática. Já os índigos não têm esse tipo de medo“, relata no livro Criança Índigo.

Uma Proposta Perigosa

Crianças índigo não existem! Em verdade, são espíritos com a missão de superar seu exaltado orgulho, aproveitando as últimas chances neste planeta para mudar de rumo. Os pais devem esclarecer a relativa importância do desenvolvimento intelectual quando a evolução moral é negligenciada. O educador desatento, entregue às falsas idéias sobre crianças índigo, poderá considerar o autoritarismo e malcriação como indício de superioridade. Terrível engano! Agem ainda pior os pais que, obedecendo ao modismo, exibem seus filhos com orgulho, declarando serem índigos. A criança pode até fingir não perceber quando é elogiada. Parece distraída enquanto os pais contam os feitos maravilhosos tomando café com as visitas. Contudo, está atenta, e a tudo observa. Ao perceber que seu comportamento contenta os pais, ela repete e os acentua, condicionando ainda mais seus hábitos presunçosos.

Este é um dos maiores perigos da tese das crianças índigo: quando os pais se deixam manipular pelos filhos, seduzidos pelas habilidades intelectuais precoces, eles estão falhando em sua missão educativa.

Modismos continuarão existindo. De olho nas vendas, autores norte-americanos já inventaram as crianças crystal. E a mais recente descoberta são as rainbow, ou “crianças arco-íris” como ficarão conhecidas em nossas terras se aqui aportarem.

Se lidos esses livros, como todos, é necessário separar o joio do trigo. E sem bom senso para distinguir um de outro, corre-se o risco de ser arrebatado pelo canto da sereia do falso profetismo, como adverte o Evangelho: “Levantar-se-ão muitos falsos profetas que seduzirão a muitas pessoas e, porque abundará a iniqüidade, a caridade de muitos esfriará” (Mateus, 24:11).

A Missão dos Pais

A regeneração do planeta não se dará por uma simples substituição dos espíritos atrasados por superiores vindos do espaço. O mundo futuro “não se comporá exclusivamente de espíritos eminentemente superiores, mas dos que, já tendo progredido, se acham predispostos a assimilar todas as idéias progressistas e aptos a secundar o movimento de regeneração“, completam os Espíritos, também em A Gênese.

Todo pai quer ver em seu filho uma criança especial ou justificar sua frustração diante de crianças difíceis. Isso explica o sucesso dessas idéias. Mas qual criança não é especial? Todas elas nos desafiam a perceber seus valores e distinguir seus defeitos no trabalho da educação. A vida no lar é a oportunidade para pais e filhos compreenderem suas almas. Mas ninguém vira santo do dia para a noite. O começo é uma mudança de propósitos:

“A regeneração da humanidade não exige absolutamente a renovação integral dos Espíritos: basta uma modificação em suas disposições morais. Essa modificação se opera em todos quantos lhe estão predispostos, desde que sejam subtraídos à influência perniciosa do mundo. Assim, nem sempre os que voltam são outros espíritos; são com freqüência os mesmos, mas pensando e sentindo de outra maneira“, conclui Allan Kardec, num dos últimos parágrafos de A Gênese.

E os incrédulos que acham tudo isso motivo de riso? Estes, diante da morte, “viverão, a despeito de si próprios e se verão, um dia, forçados a abrir os olhos“. E com essa frase Kardec encerra o livro.

Crianças de um Mundo Novo

As crianças do mundo regenerado serão espíritos sem preconceitos, criativas, inteligentes e amorosas. Diante de pessoas menos inteligentes agirão com humildade, valorizando-as para que se sintam melhores. Despreocupadas de si mesmas, voltarão sua atenção para auxiliar exatamente os menos capacitados, os reconhecendo como iguais, por terem os mesmos valores em potencial nas almas – as diferenças restringem-se à idade do espírito, alguns são mais velhos e outros mais novos. A atitude dessas crianças será de respeito, esperança e compaixão. Acima de tudo, seu lema será a fraternidade. Seus instrumentos serão caridade, diálogo e senso de justiça.

Fonte: Revista Universo Espírita.

terça-feira, 14 de junho de 2011

SÉRIE CHICO XAVIER

CENTRO ESPÍRITA NA VISÃO DE CHICO XAVIER


"Os centros espíritas devem ser locais de oração, trabalho e estudo. Conhecer o Espiritismo é de fundamental importância, mas, segundo Emmanuel me tem ensinado, esse conhecimento necessita ser traduzido na prática, a começar pelo entendimento entre os companheiros que constituem a equipe de cooperadores da casa. O fenômeno em um tempo de orientação kardecista deve ser acessório e, nunca, sem dúvida, atividade especial".




"Para mim, centro espírita tinha que abrir todo dia, o dia inteiro... Se é hospital, como dizemos, como é que pode estar de portas fechadas?... O centro precisava se organizar para melhor atender os necessitados. O que impede que o centro espírita seja mais produtivo é a centralização das tarefas; existe dirigente que não abre mão do comando da instituição... Ora, de fato, a instituição necessita de comando, mas de um comando que se preocupe em criar espaço para que os companheiros trabalhem, sem que ninguém esteja mais preocupado com cargos do que com encargos..."

"O centro espírita, quanto mais simples, quanto mais humilde, mais reduto do Evangelho. Construções colossais sempre me parecem destituídas de espírito... A Sociedade Espírita de Paris era uma sala de acanhada dimensões: ali imperava o espírito de fraternidade".

"As reuniões nos centros espíritas poderiam ser mais produtivas. Existe dirigente que abre e termina a sessão olhando o relógio... Não posso dar palpite no centro dos outros - Emmanuel me mandaria conservar a boca fechada -, mas a gente fica triste com os centros espíritas que funcionam apenas meia hora durante a semana..."




"Não precisamos esperar a formação de um grupo espírita para recepção de pessoas santas; vão chegar primeiro os mais infelizes; vão contar as mágoas, à vezes até os seus crimes; vêm em busca de amor..."

"Não somos donos do Movimento, a casa espírita não tem donos... Vamos criar oportunidade para o crescimento dos outros. Ninguém precisa anular ninguém... Sobra espaço para as estrelas no firmamento! Todas podem brilhar à vontade..."



"Se um amigo, ou os amigos, não têm paciência conosco, os grupos não prosperam, não frutificam em amor, em esperança, no socorro espiritual..."

"O centro espírita deve ser tocado como uma escola, ou seja, devemos estar dentro dele para aprender... Não é só para a mediunidade, para o passe ou para a desobsessão... Precisamos estudar as lições de Jesus, nas interpretações de Allan Kardec, e vivenciá-las, cuidando de nós mesmos, de nossa necessária renovação íntima..."



Registro feito por Humberto Vasconcelos em artigo publicado no Jornal Espírita de Pernambuco, edição 72

sábado, 21 de maio de 2011

SÉRIE EVANGELHO

O CRISTO VITORIOSO






"Estava ali um homem, enfermo havia trinta e oito anos"

Havia em Jerusalém um tanque chamado Betesda, que, periodicamente, adquiria propriedades curativas, depois que um Anjo, ou Espírito Superior, descia e lhe agitava as águas, magnetizando-as.
Quem entrasse primeiro, uma vez agitadas as águas, ficava curado de qualquer doença.
Era natural, e bem humano, que ali se reunisse uma multidão de enfermos, esperando o momento exato em que o Celeste mensageiro deveria agitar o tanque, em nome das forças do bem.
Bem humana, também, era a disputa que se verificava, um procurando antecipar-se ao outro, pois, como era notório, quem primeiro entrasse ficaria curado.
Entre os doentes, naquele dia, encontrava-se um homem acometido de paralisia havia trinta e oito anos.
Um paralítico no meio de dezenas de paralíticos.
Jesus passava na direção do templo, para as festividades israelitas.
Vendo aquele homem no auge da ansiedade, perguntou-lhe: Queres ser curado?
E, ante a melancólica explicação do paralítico, de que não podia caminhar, diz-lhe o Mestre: Levanta-te, toma o teu leito e anda.
O episódio sugere inúmeras considerações.
É de se notar, em principio, a espontaneidade de Jesus, no interesse por aquele enfermo, cuja atitude não foi igual à de outras personagens beneficiadas pelo Senhor.
Bartimeu, por exemplo, o conhecido cego de Jericó, atraiu a atenção de Jesus com tremendo alarido: "Filho de David, tem misericórdia de mim", insistindo de tal modo que muitos o repreenderam.
E o Divino Amigo, compadecendo-se, restitui-lhe a visão corporal.
De outra vez, um homem coberto de chagas prostrou-se-lhe aos pés, suplicando: "Senhor, se quiseres, podes purificar-me".
A mulher Siro-fenícia, cuja filha fora tomada por um espirito obsessor, pediu tanto a Jesus que a curasse, que os discípulos, irritados, rogavam ao Mestre: "Despede-a, pois vem chorando atrás de nós."
Mas Jesus, exaltando-lhe a fé, atendeu-a.
Com o paralítico do tanque das ovelhas, tudo se passou diferentemente, ele não reconhecera a Jesus, não lhe pedira que o curasse e não sabia que o Mestre por ali andava.
O que desejava, isso sim, era dar o mergulho salvador em primeiro lugar.
Ignorava que o Cristo podia curá-lo com um simples pensamento, com uma simples vibração, com um simples impulso de sua vontade.
Era paralítico e ninguém o conduzia ao tanque, eis a sua resposta, franca e sincera, ao ser interrogado por Jesus.
Por suas palavras, depreende-se que desejava apenas ajuda física: "Senhor, não tenho quem me ponha no tanque, quando a água é agitada, pois quando eu vou, desce outro antes de mim."
Houve então o gesto sublime, espontâneo, generoso, fraternal, divino...
"Levanta-te, toma o teu leito e anda."

O amor de Jesus transcende fronteiras, abrange o universo.
Limitado em suas expressões de fraternidade, pretende o homem, quase sempre, bitolar, medir, estereotipar o amor do Cristo, enclausurar-lhe a misericórdia, esquecido do:
"Tende por templo - O universo
Por imagem - Deus
Por lei - A caridade
Por altar - A consciência"
Situa-o, muita vez, entre as quatro paredes de uma igreja, de uma casa.
O fenômeno, contudo, é compreensivelmente humano e humanamente compreensível.
A irradiação do amor de Jesus envolve todos os seres que evolucionam nos círculos planetários e interplanetários, a não compreensão da excelsitude , da grandeza do Cristo reflete um grau evolutivo, traduz "uma visão".
Onde pulse um coração sincero, aí está Jesus, estendendo braços amigos, mãos generosas, como o fez com o doente do tanque.
Mesmo que esse coração ainda gravite noutros rumos evolutivos, polarizado por outras atrações, far-se-á Jesus presente, embora nem sempre possa ser percebido.
O que importa ao Cristo é curar, salvar, educar, restituir ao homem do mundo o que o homem do mundo perdeu: o endereço de Deus.

O paralítico de trinta e oito anos, simboliza o homem de boa vontade, o homem que levou até o fim a sua cruz, o homem anônimo, cuja alma valorosa se esconde, muitas vezes num corpo imobilizado.
Retrata a multidão de aflitos que o mundo não conhece, mas que o percuciente olhar de Jesus alcança, cheio de amor.
O interesse do Mestre, restituindo-o á dinâmica da vida, representa confortadora retribuição a quantos perlustram com dignidade, os caminhos da Terra, arrostando dificuldades.
A cura do paralítico demonstra que a administração do mundo está, acima de tudo, com o Supremo Poder.
Revela que, dando a cada um segundo as suas obras, milhares de almas retomam a carruagem física, em processos de reajustes e aperfeiçoamento.
É que o Cristo permanece, vitorioso, no leme da embarcação terrestre, desde os primórdios da vida planetária, apascentando, com inexcedível ternura, as ovelhas que o Pai o confiou.


Do livro Estudando o Evangelho
de Martins Peralva
DO BLOG "BRILHE A VOSSA LUZ"

Pensando alto...
Muito oportuna essa passagem para os dias de hoje e para as condições em que vivemos . Até com o Mestre achamos que podemos barganhar e esperamos por respostas imediatas . Diferentes do paralítico achamos sempre que merecemos e queremos o milagre da nossa "cura" sem nenhum esforço da nossa parte . Tratamos da alimentar a nossa fé externa e esquecemos a nossa fé interna que jaz guardada pela nossa vaidade...

mafr

sábado, 7 de maio de 2011

´SÉRIE ESPIRITISMO HISTÓRICO

A notável Yvonne do Amaral Pereira na visão de um dos seus mais destacados biógrafos
Orson Peter Carrara
orsonpeter92@gmail.com


Nosso entrevistado nasceu e mora em Salvador-BA. Bacharel em Direito, advogado, professor universitário e mestrando em Direito Público pela UFBA, é espírita desde a adolescência. Diretor financeiro e coordenador do Departamento de Juventude da Núcleo Espírita Telles de Menezes, na mesma cidade, quatro livros publicados – dois da própria lavra, um organizado e outro psicodigitado – Pedro tornou-se muito conhecido pelo trabalho de pesquisa e divulgação em torno da obra memorável produzida pela médium Yvonne do Amaral Pereira. Percorrendo o país com sua lucidez doutrinária e vibrante oratória, tornou-se um dos maiores disseminadores do conteúdo doutrinário da respeitável médium, ainda desconhecido de muitos espíritas. Suas motivadoras respostas destacam o trabalho da querida Yvonne.


RIE - Por que o interesse na divulgação da obra literária de Yvonne do Amaral Pereira?
Pedro Camilo de Figueiredo Neto - O interesse pelo trabalho da médium Yvonne Pereira surgiu no início de 1999, quando fazia estudos sobre a mediunidade na adolescência. A descobri no livro de meu conterrâneo, Carlos Bernardo Loureiro, intitulado As mulheres médiuns, e desde então me encantei pela sua vida e por sua obra, que me pareceram ricas de bons ensinamentos.


RIE - E o que mais lhe chama a atenção em toda a obra produzida pela médium?
Pedro - Creio que sua fidelidade ao pensamento de Kardec. Yvonne demonstra, em escritos e atitudes, como conhecia bem as bases do Espiritismo e pautava toda a sua produção por essa compreensão. Além disso, suas obras mediúnicas, sobretudo os romances, são verdadeiras pérolas literárias, a ponto de conseguir, com Bezerra de Menezes e Camilo Castelo Branco, por exemplo, a tradução de seus estilos.

RIE- E você considera que este e outros aspectos trazem contribuição para a formação do espírita mais consciente? De que forma?
Pedro - Primeiro, lembrando a necessidade de termos “consciência” de que tudo o que produzimos produz efeitos. Assim, somente nos devemos arrojar naquilo que edifique a coletividade. Depois, pela cautela que possuía, sobretudo com suas próprias produções. Yvonne guardou Memórias de um suicida por 30 anos antes de publicá-lo, o que aconteceu com outros livros, que ficaram guardados cerca de 40 anos. Um motivo só ela possuía: cuidado! Quantos médiuns, na atualidade, precisam aprender com seu exemplo?

RIE - Amplie seus comentários sobre o Memórias de Um Suicida. Quando foi lançado?
Pedro - O livro foi lançado em 1956, trinta anos depois do início de sua recepção. Trata-se de uma obra sem igual, que mereceu elogios vigorosos de Chico Xavier e de André Luiz. Encerra o relato das experiências vividas pelo escritor português Camilo Castelo Branco após seu suicídio, no Portugal de 1890. Além desses relatos, Yvonne Pereira revela que a obra possui a colaboração do Espírito Léon Denis. Segundo ela, Camilo não possuía conhecimentos doutrinários suficientes para as abordagens que o livro requeria. Face a isso, Léon Denis fez a complementação necessária, devendo, com razão, ser considerado um dos seus autores.



RIE - A riqueza da produção literária de Yvonne gerou outras obras, de pesquisa e de referências biográficas, inclusive de sua autoria. Em sua visão pessoal, como você percebe e avalia isso?
Pedro - Avalio como extremamente positivo, por resgatar sua vida e obra para os espíritas da atualidade. Sobre sua vida, temos as obras “Yvonne do Amaral Pereira – o voo de uma alma”, de Augusto M. Freitas, e “Yvonne: a médium iluminada”, de Gérson Sestini, pessoas que a conheceram e contribuem para o resgate de sua vida. De minha parte, escrevi “Yvonne Pereira: uma heroína silenciosa”, um estudo biográfico; “Devassando a mediunidade”, um estudo a partir de conceitos e experiências da médium; e organizei “Pelos caminhos da mediunidade serena”, com entrevistas e outros textos de Yvonne. Creio que é possível produzir mais, graças à fecundidade dos escritos de Yvonne, os mediúnicos e os pessoais.

RIE - Em toda a obra de Yvonne, que detalhe fundamental você destaca para o estudioso espírita?
Pedro - Destacaria a sua dedicação à mediunidade e ao problema da obsessão, que sempre lhe mereceu uma atenção especial. Yvonne se queixava muito que os espíritas não queriam se habilitar para a tarefa de desobsessão, que, em sua opinião, é a tarefa espírita por excelência. Também seu amor pelos suicidas e empenho em sua prevenção. Yvonne fora suicida em outra encarnação e, por esse motivo, trazia esse grave compromisso consigo.




RIE - Para o leitor que nada conhece da médium ou mesmo para quem se aproxima agora do Espiritismo, que livros você indica ao leitor?
Pedro - Para um conhecimento geral, recomendo meu livro, “Yvonne Pereira: uma heroína silenciosa” (risos). Na sequência, “Devassando o invisível” e “Recordações da mediunidade”, para maiores estudos, e “Nas Voragens do Pecado”, “O Cavaleiro de Numiers”, “O drama da Bretanha” e “Amor e ódio” para quem desejar belíssimos romances. As demais obras serão conhecidas à medida das leituras.

RIE - Detalhe conteúdos desses livros que você indicou.
Pedro - Devassando o invisível e Recordações da mediunidade são obras em que a médium abre o seu baú de vivências mediúnicas e se nos apresenta em lições fantásticas! Fatos relativos ao próprio mundo espiritual, o seu relacionamento com Chopin, Bezerra de Menezes, Léon Tolstoi e Victor Hugo, sutilezas de sua psicografia para romances e muito mais pode ser encontrado naquelas páginas. A trilogia Nas voragens do pecado, O cavaleiro de Numiers e O drama da Bretanha encerra três encarnações de Yvonne. São relatos vivos de seus deslizes morais e de como a sua personalidade foi sendo construída, até se tornar a respeitável médium que conhecemos. Romances de altíssima qualidade, que os atuais estão longe de imitar. Amor e ódio é outro romance, que relata o drama de um jovem francês e que, na minha modesta opinião, é um dos livros espíritas que não se pode deserncarnar sem tê-lo apreciado (risos). Todos foram publicados pela Federação Espíritas Brasileira.

RIE - Você não citou o extraordinário livro Dramas da Obsessão. Comente sobre essa obra.
Pedro - Vale citar, também, Dramas da obsessão, obra ditada pelo Espírito Bezerra de Menezes e que contém o relato de dois casos de obsessão acompanhados por ambos, médium e Espírito. Sua riqueza doutrinária é tal que, particularmente, acredito que todo aquele que lide na seara desobsessiva não pode deixar de conhecê-lo e estudá-lo longamente.

RIE - Como Yvonne alcança nível tão expressivo de fidelidade à obra da Codificação de Allan Kardec? Que parâmetros podemos usar para perceber isso?
Pedro - Ela alcança tamanha expressividade se dedicando ao estudo sério e desapaixonado de Kardec. Também as obras de León Denis, Gabriel Dellane e Ernesto Bozzano eram vastamente estudadas. Todos os seus escritos referenciam esses autores, com lucidez e bom senso. Além disso, afirmava ela, a amigos, que lia os cinco livros considerados básicos do Espiritismo pelo menos uma vez por ano. Será preciso indicar mais parâmetros?



RIE - A obra de Yvonne ainda é bastante desconhecida do movimento espírita. O que podemos dizer aos dirigentes, palestrantes e articulistas espíritas para sensibilizá-los na maior divulgação dos excelentes livros produzidos pela médium?
Pedro - Que conhecer as obras de Yvonne Pereira e divulgá-las é materializar as palavras de Emmanuel, quando afirmou que a melhor caridade que se pode fazer ao Espiritismo é divulgá-lo. Yvonne é daquelas espíritas a quem todos devemos admirar, respeitar e conhecer. Quem pretenda enveredar-se pelos labirintos da mediunidade com segurança, depois de conhecer O Livro dos Médiuns e No Invisível, este de Léon Denis, não pode dispensar as obras de Yvonne. Fora disso, qualquer estudo será incompleto.

RIE - E a ligação de Yvonne com o Esperanto, o receituário mediúnico e as correspondências para todo país?
Pedro - Yvonne foi esperantista, embora o tempo reduzido que dedicava ao seu cultivo. Correspondia-se em esperando com pessoas pelo mundo, hábito cultivado também no Brasil, na língua nacional. Pela correspondência, consolou, instruiu e se confraternizou com grande número de pesssoas. Tenho, comigo, mais de noventa páginas e correspondências que ela trocou com um amigo paulista, o escritor Domério de Oliveira, ao longo de vinte anos de amizade. Aliás, essa amizade começou após o Dr. Domério, como era conhecido, publicar na RIE um artigo favorável ao livro Devassando a mediunidade. Sua dedicação à correspondência e aos amigos demonstrava a grandiosidade do seu coração.

RIE - Por favor, faça uma síntese biográfica da médium
Pedro - Yvonne Pereira nasceu em 24 de dezembro de 1900 e desencarnou em 09 de março de 1984. Médium, palestrante e escritora, nos deixou obras psicografadas, como Memórias de um suicida e Ressurreição e vida, bem como livros da própria lavra, como Devassando o invisível e Recordações da mediunidade. Dona de um discernimento singular, pautou sua vida no amor ao próximo e no atendimento espiritual, sobretudo de espíritos suicidas, de quem se compadecia imensamente. Tal a riqueza de sua mediunidade, alguns a chamavam, embora contra a sua vontade, de “Grande Dama do Espiritismo”.

RIE - Suas palavras finais.
Pedro - Quem pretenda ocupar-se seriamente do Espiritismo, não pode dispensar o estudo da mediunidade, tal como prensada e descrita por Kardec, bem como a apreciação de obras como as de Yvonne Pereira. Seguir por esse caminho é garantir, para si e para os demais, fontes seguras e a certeza de guiar-se por estradas que conduzem à iluminação e ao conhecimento verdadeiro.

Nota do entrevistador: Oportuno também sugerir ao leitor a exuberante obra À Luz do Consolador, igualmente publicada pela Federação Espírita Brasileira no final da década de 90, enfeixando artigos publicados pela médium na revista Reformador entre os anos 60 e 80, a maioria deles assinados com o pseudônimo de Frederico Francisco. Além de dados biográficos escritos pela própria Yvonne, a obra é rica doutrinariamente, com orientações claras e inúmeros exemplos da vivência mediúnica da autora. Obra altamente recomendável para a exata compreensão dos postulados espíritas.

DO SITE
CASA EDITORA O CLARIM

www.oclarim.com.br

sábado, 23 de abril de 2011

SÉRIE CINEMA




É UMA BOA DICA , UM LINDO RELATO SOBRE O TRABALHO DE CONSOLO QUE O CHICO FAZIA....

(Tirei a foto do Blog da Cida...)

sexta-feira, 15 de abril de 2011

A PROPÓSITO...

MÉDIUNS E MEDIUNIDADES

Marco Aurélio Faria Rezende

É cada vez mais oportuno que reflitamos sobre as condições em que exercitamos a Mediunidade e nos colocamos na condição de médiuns cristãos. É fundamental que compreendamos a nossa posição de meros intermediários em um processo que transcende à nossa participação e tem a sua gênese na própria evolução espiritual da humanidade . Alguns estudos apontam que a prática mediúnica é na verdade uma das muitas possibilidades que existem de intercâmbio entre os mundos físico,material e suprafísico , sendo em uma determinada época da evolução humana , um fenômeno bem mais comum e natural . Nos dias atuais , já compreendemos que essa questão ainda guarda uma evidente relação com a natureza humana , mas o seu exercício está atrelado à procura que o homem vem experimentandodo seu "eu superior". É uma espécie de retorno a sua condição divina, que ficou perdida na noite dos tempos. A Mediunidade então é o instrumento utilizado por nós para o resgate das conseqüentes relações que viemos vivenciando ao longo de sucessivas experiências na Matéria e que acabaram por embotar o nosso espírito no caminho da luz .

Daí então , venho internalizando melhor a minha condição de encarnado em processo de constante aprendizado e resgate do endividamento espiritual. É essa a nossa verdadeira situação evolutiva . Portanto , se como conseqüência dessa condição , estamos experimentando mais ou menos ostensivamente a nossa possibilidade no campo mediúnico,temos que tratar de usar a ocasião e empreendermos todo esforço com o nosso melhor. Afinal , esta é uma oportunidade de trabalho e de confiança , dada pelo Nosso Pai , que deve ser usada exclusivamente como um instrumento de aprimoramento da nossa condição moral .Longe de nos qualificar , essa condição caracteriza a nossa imperfeição ainda renitente .Se a usamos adequadamente , essa circunstancia pode apressar ou abreviar a liquidação de faltas passadas .E , no final , os primeiros beneficiados dessa empreitada somos nós mesmos . É como se tivéssemos em condição de liberdade para retomar o nosso caminho na estrada do Bem , trabalhando no Bem .

No entanto , precisamos crer que até para essa oportunidade, o Nosso Pai é extremamente misericordioso. Quando estamos verdadeiramente comprometidos com a nossa tarefa no campo mediúnico , usando a boa vontade , o estudo e a responsabilidade necessários , estamos preenchendo a nossa parcela no plano de trabalho planejado por e para nós no mundo espiritual . E como conseqüência, acabamos por favorecer mais especial e permanentemente a (re)ligação com nossos Amigos Espirituais que orientam e guiam a nossa caminhada mediúnica com ordem, segurança e eficiência .Em contrapartida a essa ajuda – consistente e precisa , precisamos estabelecer seriedade nas nossas ações .



No que me diz respeito , venho desenvolvendo , já há algum tempo , essa experiência de forma a colocar verdade e disposição a serviço da minha condição mediúnica. Primeiramente , já aprendi e venho exercitando que existe toda uma pré-condição a ser observada para o trabalho que deve começar muito antes do dia em que ele se realiza efetivamente . É fundamental toda uma preparação que inclui desde a alimentação , ressaltando a total exclusão à bebida e ao fumo ,que não fazem parte do meu consumo, até ao cuidado com leituras e situações de extrema emoção e conflito , pelo menos dois dias antes do dia do trabalho. Ainda dentro desse aspecto , é muito importante que tenhamos postura física adequada considerando principalmente a nossa aparência , o vestuário que utilizamos e as condições de limpeza e higiene com que nos apresentamos .

Para o trabalho mediúnico , tenho observado ser de grande ajuda o desenvolvimento do autodomínio das nossas atitudes . Tenho percebido ser de grande ajuda que comecemos a experimentar algumas sensações, reconhecer certas impressões e identificar determinadas reações tão comuns à vivência mediúnica ,afim de que alcancemos a autocrítica fundamental para o exercício mediúnico responsável. Desta forma , podemos compreender mais claramente que a responsabilidade pelo trabalho que estamos empreendendo é exclusivamente nossa ,não cabendo neste caso , sob nenhuma hipótese,a tentativa de buscar imputar alguma carga ao Plano Espiritual .Devemos ter sempre em mente que temos o domínio completo de nossas ações e atitudes e que o trabalho mediúnico é encargo nosso e , quando realizado de forma responsável tem sempre a orientação de Nosso Pai . Portanto , é imperioso o cuidado que devemos ter com a qualidade das mensagens que podemos "transmitir", das vidências que podemos "narrar" e das incorporações que podemos "receber". Nesse processo , a nossa condição é de intermediário crítico e consciente , conforme nos oriente André Luiz em psicografia de Chico Xavier na obra "Domínios da Mediunidade" .

Já podemos também afirmar que Mediunidade é efetivamente sintonia e que essa sintonia guarda relação direta com todas as nossas ações – veladas e reveladas no dia-a-dia da nossa vida.. Ou seja , construímos essa sintonia em cada dia , no convívio que estabelecemos em todas as nossas relações – em casa , na vizinhança , no trabalho e não somente na Casa Espírita , na hora do trabalho de atendimento na hora da reunião pública . Longe de ser bom ou obsessor , o irmão que se aproxima de nós , o faz por afinidade , estabelecendo conosco um acordo mútuo e recíproco . Logo , está em nós – só em nós , alimentar ou afastar essa combinação . Só nós podemos identificare distinguir a natureza e o propósito dessa aproximação . Se já compreendemos assim , podemos fazer as nossas escolhas fundamentados na oração e na vigilância dos nossos pensamentos, no estudo constante e sistematizado da nossa Doutrina , no respeito às orientações recebidas e com humildade permanente em nossas atitudes e ações .

Ao terminar , acredito verdadeiramente que se firmamos o compromisso de exercitar a prática mediúnica , devemos fazê-lo de forma ordenada , segura e eficiente . Por isso , julgo ser vital a busca de um único grupo espírita que tenha a nossa total confiança , afim de que possamos educar as nossas possibilidades no campo da Mediunidade com a necessária garantia do uso dessas possibilidades no uso da prática do Bem e sob a orientação de Irmãos Espirituais de elevada condição moral .

Mafr.

sábado, 9 de abril de 2011

PENSANDO EM REALENGO...

PEDINDO PELA MISERICÓRDIA

APESAR DE TUDO, TEMOS QUE RESPONDER A TODO ESSE MAL COM O BEM, PEDINDO QUE A MISERICÓRDIA DO NOSSO PAI ENVOLVA A TODOS COM O SEU AMOR....



MUITOS SÃO OS DESIGNIOS DO SENHOR. ALGUNS, NÓS COMO ESPIRITAS, JÁ SABEMOS, COMO A EXISTENCIA DO ESPIRITO ETERNO, A REENCARNAÇÃO E A LEI DE CAUSA E EFEITO - TODAS DADAS A NÓS PARA A NOSSA EVOLUÇÃO. MAS TEMOS O LIVRE ARBITRIO...
ASSIM FEITO, QUEM DE NÓS PODE JULGAR E SABER O QUE LIGAVA E AINDA LIGARÁ ESSES ESPIRITOS? TEMOS APENAS QUE PEDIR A MISERICORDIA DO PAI PARA TODOS NÓS...

terça-feira, 15 de março de 2011

SÉRIE CIÊNCIA...

Fenômenos espíritas e suas consequências filosóficas
Cairbar Schutel


Publicado na RIE em julho de 1934/O Clarim

Os fatos espíritas manifestam-se, hoje, em toda a parte; eles constituem uma voz que parte de todos os pontos do globo e repercute, de quebrada em quebrada, despertando o homem da letargia e animando-o a marchar, desassombradamente, pela estrada da espiritualidade que conduz à Vida Eterna. Pode-se dizer que não há uma só cidade do mundo, uma só aldeia, ainda nos mais longínquos recantos do planeta, em que manifestações extraordinárias não sejam verificadas, com a admiração de uns, e má vontade e repulsa de outros. Nos meios humildes, como na alta sociedade, nas zonas científicas, como entre os elementos clericais, os fenômenos espíritas de caráter ostensivo se constituíram a grande luz que vem iluminar aos homens o porto de salvamento. Não há uma só família que não conte um fato “extranormal” com ela ocorrido.
Isso vem nos provar que os fenômenos espíritas têm um caráter verdadeiramente providencial. E nem de outro modo pode-se ver esses fatos ostensivos, espontâneos, independentes de toda a vontade humana e de todos os poderes terrestres, fatos, digamos de passagem, que assinalam uma inteligência superior às inteligências da terra, cheia de previsão, de concisão e altamente científica.
Quem ler com atenção os relatos das sessões de materializações, de moldagens, de apports, de fotografias, testemunhadas por homens como William Crookes, Russel Wa-llace, Oliver Lodge, Paul Gibier, César Lombroso, Ernesto Bozzano e centenas de outros sábios de responsabilidade moral e científica, não pode negar o grande valor moral e científico dessas manifestações, fenômenos tão transcendentes que todos esses sábios unidos – físicos, químicos, fisiologistas, anatomistas, etc., são incapazes de os reproduzir em sua mínima parte.
Em vista disso, poderão esses fatos serem recebidos como ocorrências simplesmente anormais, sem uma causa-mestre que tem intuitos superiores, determinativos a um fim moral e de alta relevância espiritual?


Materialização de katie king

Certamente não se pode concluir que um efeito inteligente deixe de ter, a seu turno, uma causa inteligente e um intuito qualquer, digno da nossa observação, do nosso estudo e da nossa meditação. Todos os fenômenos da vida intelectual, ainda os mais rudimentares, têm uma causa e um objetivo, como verificamos na vida dos seres que povoam o nosso mundo. Não se acende uma luz sem que um fator não se mova, um intermediário não apareça e não se veja o fim a que aquela luz se destina.
A fenomenologia espírita, verificada em todas as épocas e em todos os países, por todas as gerações que viveram neste mundo, tem sido, em todos os tempos, o princípio básico da fé que dignifica o ser humano.
Antigamente, devido à deficiência da inteligência para julgar as coisas espirituais, ela foi atirada para a classe das coisas sobrenaturais, e os “espertos” que tomaram a si a missão de guiar os homens guardaram-na na “urna dos milagres” para, mais comodamente, manterem o seu domínio sobre as massas.
Os filósofos e os sábios, adstritos a uma psicologia retardatária que havia cristalizado todos os seus métodos de ensino, não puderam compreender o alcance desses fatos que só eram recebidos, religiosamente, pelos filhos do povo.
Percorrendo a obra dos estudos fisiológicos, embora desde tempos idos os fenômenos psíquicos tivessem larga extensão, ficamos na obscuridade sobre a existência ou não existência da alma, o que prova que a antiga psicologia não fornecia aos sábios de então os elementos precisos para a resolução do maior de todos os problemas que deve resolver a sorte do destino humano.



As Mesas Girantes

Foi preciso que novas mentalidades viessem desbravar o campo do Animismo, forçando, depois, as barreiras do sobrenatural e do mistério, para que a luz raiasse nos horizontes, e um novo método de estudo desse criação à Psicologia Experimental, que estendeu a sua área às regiões inexploradas da alma humana, nesta fase da vida, alongando a sua ação ao mundo ultrassensível que nos rodeia e para onde teremos que ir.
E, desse estudo experimental, chegou-se à conclusão dos intuitos morais e científicos dos fenômenos psíquicos, base fundamental do Ani-mismo e do Espiritismo, que se acham em íntima ligação com todas as ciências, dando-lhes um cunho superior de progresso, completando-as com as novas verdades que vêm tirá-las das dificuldades em que se acham, para resolverem certos problemas, cuja obscuridade veda a sua ação progressiva na perfeição das gentes, na evolução de todos os conhecimentos que devem constituir e proporcionar o bem-estar dos povos. Oferecendo a todos as insígnias inconfundíveis da alta Moral Cristã, com todos os En-sinos filosóficos do seu Instituidor, os fenômenos espíritas, parte integrante da Revelação sobre a qual Jesus disse haver fundado a sua Igreja, são, de fato, as demonstrações claras, legíveis e palpáveis da Imortalidade, única base verdadeira da Fé, do Amor e da Sabedoria.
Sem os fatos, não há religião, nem ciência que possa prevalecer. À química se pede reações; à matemática, números; à física, leis de equilíbrio. Para merecer o nome de ciência, é preciso que se demonstre esta ou aquela com provas positivas.
Os fenômenos psíquicos, não há, absolutamente, dúvida, trazem à destra a luz que ilumina e a verdade que salva. Só por eles, podemo-nos convencer da sobrevivência espiritual, ou seja, da sobrevivência individual e, consequentemente, dos nossos deveres para com os nossos semelhantes e para com Deus.
As consequências filosóficas dos fatos espíritas trazem-nos, como contribuição de progresso e bem-estar, leis olvidadas pelos homens e destinadas a estabelecerem na Terra o reinado da Fraternidade, sob a Pa-ternidade de Deus.
Não queiram os nossos adversários transviar os objetivos da Feno-menologia Espírita, atribuindo-lhes teorias malsãs que não se coadunam com os seus fatos. Lembre-se bem de que todas as teorias aventadas para darem explicações dos fenômenos caíram por terra por insustentáveis.


Médium Peixotinho doando ectoplasma para Materialização

“Os fatos são persistentes” – como disse o Prof. Lombroso e, em face dos fatos, o investigador perspicaz e inteligente há de verificá-los de natureza anímica e de natureza espírita, mas, sejam uns ou sejam outros, nenhuma explicação eles podem ter, sem a existência da alma e sua sobrevivência à morte do corpo carnal. Essa é a verdade que ninguém, com bons fundamentos, ousará contestar.

terça-feira, 8 de março de 2011

SERIE PRA PENSAR

CHICO XAVIER NA SAPUCAÍ JAMAIS PODERÁ SER UM ENREDO DA RAZÃO

Sem querer ser “fiscal do Espiritismo” (como costumam dizer os espíritas “bonzinhos de carteira funcional e crachá”) e ditar regras de falsos purismos e extemporâneos sermões embebidos de ladainhas, não nos omitiremos em comentar a reportagem veiculada pelo jornal O Globo, assinada pelo repórter Rafael Galdo, noticiando que a escola de samba Unidos do Viradouro trará, neste ano de 2011, um carro alegórico contendo a imagem do Francisco Cândido Xavier. Tal iniciativa é para fugir do convencional, a fim de voltar ao Grupo Especial, consoante afirma o carnavalesco Jack Vasconcelos. Nesse projeto que homenageia Momo, uma das apostas da escola de samba é um setor inteiro, no fim do desfile, dedicado ao “espiritismo”(!?). No enredo “Quem sou eu sem você”, Jack fará, no último carro, uma homenagem ao Médium de Pedro Leopoldo. Chico será representado por uma escultura (em que aparecerá psicografando) cercada por 60 componentes, alguns deles “espíritas”(!?), que farão uma performance de “mediunidade” (!?). Todo espírita estudioso sabe que nenhum espírito[a] equilibrado, em face do bom senso que deve presidir a existência das criaturas, pode fazer a apologia da loucura generalizada, que adormece as consciências, nas festas carnavalescas. (1) Por essa razão, consterna-nos o fato de ver ligado a festas profanas o tema “Espiritismo”, assim como a personalidade impoluta de Chico Xavier. A dita matéria afirma que a diretoria da Federação Espírita Brasileira estaria de acordo com tal projeto, desde que nenhum “preceito do espiritismo seja desrespeitado na apresentação da vermelho e branca”. A diretoria da FEB através do seu Portal na Internet “declara que respeita o direito de todos os que, no uso de sua liberdade de ação, agem no mesmo sentido de colocar a mensagem consoladora e esclarecedora dos ensinos espíritas ao alcance e a serviço de todas as pessoas, onde elas se encontrem, orientando, todavia, para que esse trabalho seja sempre feito preservando os seus valores éticos e doutrinários.”
Esse comportamento light, estilo “lava as mãos” é desconsertante.
Divulgar a Doutrina Espírita é um ato de caridade para com ela, entretanto, divulgá-la através desse meio não se “preserva os seus valores éticos e doutrinários” e é, sem dúvida, deturpá-la em suas bases, causando incalculáveis prejuízos morais, com grande responsabilidade vinculada. Não há como compreender a "neutralidade" da diretoria da FEB, até porque há incompatibilidade total e absoluta entre os objetivos do folguedo momesco e os postulados da Doutrina dos Espíritos. A origem do carnaval remonta as teias primitivas de um passado remoto que devemos, por impulso evolutivo, abandonar urgentemente. O termo carnaval é oriundo de uma festa romana e egípcia em homenagem ao Deus Saturno, quando carros alegóricos (a cavalo) desfilavam com homens e mulheres. Eram os carrum navalis, daí a origem da palavra "carnaval". Há quem interprete a palavra conforme as primeiras sílabas das palavras da frase: carne nada vale. Como festa popular, poderia ser um acontecimento cultural plausível, não fossem os excessos cometidos em nome da alegria.
Acompanhar a espetacularização da imagem de Chico Xavier, de André Luiz e de tantos outros irmãos queridos nossos, que tanto contribuíram e contribuem com seus ensinamentos sublimes, aliadas a uma festa que é a própria apologia às piores viciações do ser humano, é o que podemos chamar de cúmulo do paradoxo entre a teoria e a prática Espírita. Por essas razões, recomenda o Espírito André Luiz para "afastar-nos de festas lamentáveis, como aquelas que assinalam a passagem do carnaval, inclusive as que se destaquem pelos excessos de gula, desregramento ou manifestações exteriores espetaculares, pois a verdadeira alegria não foge da temperança.” (2)
Estudos demonstram que durante os delírios e farras dos carnavalescos, para cada 100 casais que caem juntos na folia, setenta terminam a noite brigados (cenas de ciúme etc.); que, desses mesmos 100 casais, posteriormente, sessenta sucumbem ao adultério, cabendo uma média de trinta para os homens e trinta para as mulheres ; que, de cada 100 pessoas (homens e mulheres indistintamente) no carnaval, pelo menos setenta se submetem espontaneamente a coisas que normalmente abominam no seu dia a dia, como álcool, entorpecentes etc. Dizem ainda que tudo isso decorre do êxtase atingido na “grande festa”, quando o símbolo da “liberdade” e da “igualdade”, mas também da orgia e depravação, somadas ao abuso do álcool, levam as pessoas a se comportarem fora do seu normal. O Espírito Emmanuel adverte: "Ao lado dos mascarados da pseudo-alegria, passam os leprosos, os cegos, as crianças abandonadas, as mães aflitas e sofredoras. (...) Enquanto há miseráveis que estendem as mãos súplices, cheios de necessidades e de fome, sobram as fartas contribuições para que os salões se enfeitem." (3)
Na ribalta dos carros alegóricos, os obsessores "influenciam os incautos que se deixam arrastar pelas paixões de Momo, impelindo-os a excessos lamentáveis, comuns por essa época do ano, e através dos quais eles próprios, os Espíritos, se locupletam de todos os gozas e desmandos materiais, valendo-se, para tanto, das vibrações viciadas e contaminadas de impurezas dos mesmos adeptos de Momo, aos quais se agarram." (4)
"É lamentável que na época atual, quando os conhecimentos novos felicitam a mentalidade humana, fornecendo-lhe a chave maravilhosa dos seus elevados destinos, descerrando-lhe as belezas e os objetivos sagrados da Vida, se verifiquem excessos dessa natureza [CARNAVAL] entre as sociedades que se pavoneiam com os títulos da civilização.” (5) Os foliões inveterados alegam que o carnaval é um extravasador de tensões, liberando as energias (?!) Ora!... transbordador de tensões é a capacidade de se arregaçar as mangas e colaborar em regime permanente (sem ôba-ôba) na recuperação das vítimas das cidades serranas do Rio de Janeiro, destroçadas pelas chuvas recentes). É verdade! No período carnavalesco, não encontramos diminuídas as taxas de agressividade e as neuroses. O que se vê é um verdadeiro somatório da violência urbana e de infelicidade familiar. As estatísticas registram como consequências do "reinado de Momo", por exemplo, gravidezes indesejadas e a consequente proliferação de abortos provocados, acidentes automobilísticos, aumento da criminalidade, estupros, suicídios, incremento do uso de diversas substâncias estupefacientes e de alcoólicos, assim como o surgimento de novos viciados, disseminação das doenças sexualmente transmissíveis (inclusive a AIDS) e as ulcerações morais, marcando profundamente certas almas desavisadas e imprevidentes.
Os três dias de folia, assim, poderão se transformar em três séculos de penosas reparações. É bom pensarmos um pouco nisto: o que o carnaval traz ao nosso Espírito? Alegria? Divertimento? Cultura? Será que o apelo de Momo faz de nós homens ou mulheres melhores? Edifica o nosso Espírito? Muitos espíritas, ingenuamente, julgam que a participação nas festas de Carnaval, tão do agrado dos brasileiros, nenhum mal acarreta à nossa integridade fisiopsicoespiritual. No entanto, por detrás da aparente alegria e transitória felicidade, revela-se o verdadeiro atraso espiritual em que ainda vivemos pela explosão de animalidade que ainda impera em nosso ser. É importante lembrá-los de que há muitas outras formas de diversão, recreação ou entretenimento disponíveis ao homem contemporâneo, alguns verdadeiros meios de alegria salutar e aprimoramento (individual e coletivo) para nossa escolha.
Não vemos, por fim, outro caminho que não seja o da "abstinência sincera dos folguedos", do controle das sensações e dos instintos, da canalização das energias, empregando o tempo de feriado do carnaval para a descoberta de si mesmo, o entrosamento com os familiares, o aprendizado através de livros e filmes instrutivos ou pela frequência a reuniões espíritas, eventos educacionais, culturais ou mesmo o descanso, já que o ritmo frenético do dia-a-dia exige, cada vez mais, preparo e estrutura físico-psicológicos para os embates pela sobrevivência.
Em síntese, se o carnaval é uma ameaça ao bem-estar social, nós espíritas temos muito a ver com ele, porque uma das tarefas primordiais de nossa Doutrina é a de lutar por dispositivos de preservação dos valores mais dignos da sociedade, sem que se violente, obviamente, o direito soberano do livre-arbítrio de cada um, mas não nos esquecendo que no carnaval sempre ocorre obsessão (espiritual) como resultado da invigilância e dos desvios morais. Somente poderemos garantir a vitória do Espírito sobre a matéria se fortalecermos a nossa fé, renovando-nos mentalmente, praticando o bem nos moldes dos códigos evangélicos, propostos por Jesus Cristo e não esquecendo os divinos conselhos do Mestre: "Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito na verdade está pronto, mas a carne é fraca''.(6)

Jorge Hessen
http://jorgehessen.net

Referências bibliográficas:

(1) Xavier , Francisco Cândido. Sobre o Carnaval, mensagem ditada pelo Espírito Emmanuel, fonte: Revista Reformador, Publicação da FEB fevereiro/1987
(2) Vieira, Waldo. Conduta Espírita, ditado pelo Espirito André Luiz, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2001, cap.37 "Perante As Fórmulas Sociais"
(3) Xavier , Francisco Cândido. Sobre o Carnaval, mensagem ditada pelo Espírito Emmanuel, fonte: Revista Reformador, Publicação da FEB fevereiro/1987
(4) Pereira, Ivone. Devassando o Invisível, Rio de Janeiro: cap. V, edição da FEB, 1998
(5) Pereira, Ivone. Devassando o Invisível, Rio de Janeiro: cap. V, edição da FEB, 1998
(6) Mt 26:41

sábado, 12 de fevereiro de 2011

SÉRIE ENCONTROS

ENTREMÉDIUNS





Você sabe como surgiu o Entremédiuns?
Por Carlos Zanandreis


Entremédiuns é um encontro anual, em sua 13ª edição, que, como todos os anos, terá a presença de oradores conhecidos do movimento espírita e espiritualista, apresentações artísticas, livraria e muito mais. A programação você fica conhecendo aqui.

Mas você sabe como surgiu o evento? E o nome Entremédiuns?


Um desdobramento, um sonho, um encontro


Robson Pinheiro
O médium Robson Pinheiro — idealizador do Entremédiuns e fundador da Universidade do Espírito de Minas Gerais e das instituições que a compõem —, em um momento de desdobramento, certa vez participou de um encontro com outros médiuns, entre eles João Nunes Maia.



Robson salienta que foi recebido com a seguinte frase: “Seja bem-vindo entre médiuns!”. Posteriormente receberia orientações para a realização de um encontro, a fim de promover discussão e divulgação de temas atuais e de grande importância, sob a ótica espírita, numa perspectiva plural, cosmopolita e de espiritualidade, respeitando todas as formas de manifestação da fé. Lembrou-se então da frase com que foi recebido “entre médiuns” e daí nasceu o encontro, que aconteceu pela primeira vez em 1998 e a cada ano vai escrevendo mais uma página de sua história.

O evento é promovido pela Universidade do Espírito de Minas Gerais — organização espírita, com foco na formação da consciência livre — e conta com a participação de voluntários das instituições que a compõem: Sociedade Espírita Everilda Batista, Clínica Holística Joseph Gleber, Aruanda e Casa dos Espíritos Editora.

Saiba mais:

http://www.everildabatista.com.br/

http://www.casadosespiritos.com.br/

http://casaespiritos.blogspot.com/

http://www.robsonpinheiro.com.br/

sábado, 29 de janeiro de 2011

SÉRIE PRA PENSAR...

BIG BROTHER BRASIL
(Luiz Fernando Veríssimo)


Que me perdoem os ávidos telespectadores do Big Brother
Brasil (BBB), produzido e organizado pela nossa distinta
Rede Globo, mas conseguimos chegar ao fundo do poço...A
décima primeira (está indo longe!) edição do BBB é uma
síntese do que há de pior na TV brasileira. Chega a ser
difícil,... encontrar as palavras adequadas para qualificar
tamanho atentado à nossa modesta inteligência.
Dizem que em Roma, um dos maiores
impérios que o mundo conheceu, teve seu fim marcado pela
depravação dos valores morais do seu povo, principalmente
pela banalização do sexo. O BBB é a pura e suprema
banalização do sexo. Impossível assistir, ver este
programa ao lado dos filhos. Gays, lésbicas, heteros...
todos, na mesma casa, a casa dos “heróis”, como são
chamados por Pedro Bial. Não tenho nada contra gays, acho
que cada um faz da vida o que quer, mas sou contra safadeza
ao vivo na TV, seja entre homossexuais ou heterosexuais. O
BBB é a realidade em busca do IBOPE...

Veja como Pedro Bial tratou os participantes do BBB. Ele
prometeu um “zoológico humano divertido” . Não sei se
será divertido, mas parece bem variado na sua mistura de
clichês e figuras típicas.

Pergunto-me, por exemplo, como um jornalista,
documentarista e escritor como Pedro Bial que, faça-se
justiça, cobriu a Queda do Muro de Berlim, se submete a ser
apresentador de um programa desse nível. Em um e-mail que
recebi há pouco tempo, Bial escreve maravilhosamente bem
sobre a perda do humorista Bussunda referindo-se à pena de
se morrer tão cedo.

Eu gostaria de perguntar, se ele não
pensa que esse programa é a morte da cultura, de valores e
princípios, da moral, da ética e da dignidade.
Outro dia, durante o intervalo de uma
programação da Globo, um outro repórter acéfalo do BBB
disse que, para ganhar o prêmio de um milhão e meio de
reais, um Big Brother tem um caminho árduo pela frente,
chamando-os de heróis. Caminho árduo? Heróis?

São esses nossos exemplos de
heróis?
Caminho árduo para mim é aquele
percorrido por milhões de brasileiros: profissionais da
saúde, professores da rede pública (aliás, todos os
professores), carteiros, lixeiros e tantos outros
trabalhadores incansáveis que, diariamente, passam horas
exercendo suas funções com dedicação, competência e
amor, quase sempre mal remunerados..

Heróis, são milhares de brasileiros que
sequer têm um prato de comida por dia e um colchão decente
para dormir e conseguem sobreviver a isso, todo santo
dia.
Heróis, são crianças e adultos que
lutam contra doenças complicadíssimas porque não tiveram
chance de ter uma vida mais saudável e digna.
Heróis, são aqueles que, apesar de
ganharem um salário mínimo, pagam suas contas, restando
apenas dezesseis reais para alimentação, como mostrado em
outra reportagem apresentada, meses atrás pela própria
Rede Globo.

O Big Brother Brasil não é um programa
cultural, nem educativo, não acrescenta informações e
conhecimentos intelectuais aos telespectadores, nem aos
participantes, e não há qualquer outro estímulo como, por
exemplo, o incentivo ao esporte, à música, à criatividade
ou ao ensino de conceitos como valor, ética, trabalho e
moral.

E ai vem algum psicólogo de vanguarda e
me diz que o BBB ajuda a "entender o comportamento
humano". Ah, tenha dó!!!
Veja o que está por de
tra$$$$$$$$$$$$$$$$ do BBB: José Neumani da Rádio Jovem
Pan, fez um cálculo de que se vinte e nove milhões de
pessoas ligarem a cada paredão, com o custo da ligação a
trinta centavos, a Rede Globo e a Telefônica arrecadam oito
milhões e setecentos mil reais. Eu vou repetir: oito
milhões e setecentos mil reais a cada paredão.

Já imaginaram quanto poderia ser feito
com essa quantia se fosse dedicada a programas de inclusão
social: moradia, alimentação, ensino e saúde de muitos
brasileiros?
(Poderiam ser feitas mais de 520 casas
populares; ou comprar mais de 5.000
computadores!)
Essas palavras não são de revolta ou
protesto, mas de vergonha e indignação, por ver tamanha
aberração ter milhões de telespectadores.
Em vez de assistir ao BBB, que tal ler um
livro, um poema de Mário Quintana ou de Neruda ou qualquer
outra coisa..., ir ao cinema..., estudar... , ouvir boa
música..., cuidar das flores e jardins... , telefonar para
um amigo... , visitar os avós.. , pescar..., brincar com as
crianças... , namorar... ou simplesmente dormir.

Assistir ao BBB é ajudar a Globo
a ganhar rios de dinheiro e destruir o que ainda resta dos
valores sobre os quais foi construída nossa sociedade.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

ANALISANDO OS FATOS...

Catástrofe no Rio de Janeiro: o uso do solo urbano em questão


Como acontecem todos os anos, as notícias sobre catástrofes que envolvem centenas de vítimas das enchentes e inundações, voltam a ganhar as principais manchetes da mídia nacional e internacional. E, novamente os holofotes se voltam para a cidade maravilhosa, que há poucos dias vivia o drama e a trama da ocupação do Complexo do Alemão, num confronto entre as forças armadas e os chefes da indústria do narcotráfico.

No ano passado, a população mundial assistiu atônita a uma catástrofe de grandes proporções, que vitimou milhares de pessoas, o terremoto do Haiti. Porém, se computarmos apenas as vítimas relacionadas às enchentes e inundações da última década no Brasil, veremos que o número é assustador, superando [e muito] à tragédia do Haiti. E, o pior de tudo, é que elas se repetem todos os anos no período das chuvas. É interessante notar que a mídia utiliza toda a dosagem de sensacionalismo possível para vender as notícias. Veja a afirmação que a TV trouxe como destaque em um de seus noticiários mais badalados: “especialistas afirmam que a tragédia do Rio de Janeiro está relacionada com o uso incorreto do solo urbano”. E, o noticiário continua: “os moradores que habitam as áreas de risco devem abandonar suas casas imediatamente”.

Não é preciso ser especialista para perceber que o problema das enchentes e inundações, não somente no Rio, mas em 90% das cidades brasileiras está diretamente relacionado à gestão, uso e manejo incorretos do solo urbano. Os moradores devem abandonar suas casas e ir para onde? Morar debaixo das marquises, pontes e viadutos? Eles não habitam esses locais porque escolheram ou gostam, mas pelo fato de terem sido segregados dos espaços habitáveis das cidades brasileiras. Em sua maioria, são pessoas trabalhadoras que vivem em condições de penúria e extremo sofrimento. Mereciam, pelo menos, um mínimo de respeito por parte das autoridades e do poder público, que na maior parte das vezes, estimulam e até promovem a especulação imobiliária no país.

Na esmagadora maioria das cidades brasileiras [médias e grandes] o problema das enchentes e inundações vem aumentando, quase que de forma exponencial, ano após ano e não se toma nenhuma medida eficaz para a prevenção das catástrofes e minimização do sofrimento das pessoas [extremamente carentes, em sua maioria] que habitam as periferias pobres das cidades. Na verdade, o conjunto das cidades brasileiras, salvo raras exceções, cresce sem quaisquer formas de planejamento urbano e ambiental. Crescem à revelia da especulação imobiliária e dos ditos pousios sociais, vulgarmente conhecidos por “terrenos de engorda”. O solo urbano está a serviço daqueles que detém o poder político e econômico nas cidades. À população carente das periferias sobram os interstícios inabitáveis, as áreas de risco e as lacunas do sofrimento.

Realizar um planejamento urbano efetivo e eficaz significa adotar políticas de prevenção. Significa realizar estudos aprofundados das características do solo urbano, elaborar diagnósticos que levem em consideração a topografia, o relevo, a vegetação, o clima, as vertentes, os aspectos geológicos e geomorfológicos dos terrenos, a existência dos corpos d’água e suas bacias de drenagem e inundação. Nenhum desses fatores foi levado em conta na ocupação do solo urbano na região serrana do Rio de Janeiro. Não é o lucro que deve determinar o planejamento do uso e ocupação do solo urbano, mas a análise do conjunto de fatores e características que devem ser observados visando à ocupação e manejo corretos deste solo.

Por fim, esta série de fatores deve ser observada se existir, de fato, a preocupação com as populações das periferias pobres das cidades. O poder público, em todas as esferas, deve tomar medidas efetivas objetivando o correto planejamento das ações que visem à gestão, uso e manejo do solo urbano. Caso, contrário, todos os anos devemos nos preparar para o agravamento desta problemática e, ao mesmo tempo, devemos também nos preparar para contar as centenas e milhares de vítimas e de mortos em nosso país. Esta é uma realidade que não pode ser mascarada e, muito menos escondida.



(*) escritor; graduado em Geografia pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU); mestre e doutorando em Educação também pela UFU; professor da Universidade de Uberaba (Uniube)
machado04fonseca@gmail.com

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

É HORA DE RECOMEÇAR....

Consórcio Intermunicipal une Nova Friburgo, Teresópolis e Petrópolis


Foi assinado nesta segunda-feira, 17, pelos prefeitos de Nova Friburgo, Dermeval Barboza Moreira Neto, de Teresópolis, Jorge Mario Sedlacek e de Petrópolis, Paulo Mustrangi, protocolo de intenções formalizando a criação do Consórcio Intermunicipal pela reconstrução das três cidades da Região Serrana devastadas pelo temporal do dia 12 de janeiro. A união dos três municípios, que já vinha sendo articulada desde o final de 2009, com vistas ao desenvolvimento socioeconômico e ambiental, foi agilizada em função da calamidade pública instalada nas três cidades. O objetivo é integrar ações coordenadas, estabelecer cooperação técnica e científica e elaborar projetos visando à captação de recursos para a reconstrução dos três municípios, mobilizando as esferas estadual e federal de governo, a iniciativa privada e organismos internacionais.

O lançamento do Consórcio Intermunicipal reuniu em Teresópolis, nesta segunda-feira, autoridades estaduais e federais, como os secretários de Estado Rodrigo Neves (Assistência Social e Direitos Humanos), Júlio Lopes (Transporte) e Christino Áureo (Agricultura), os deputados estaduais Nilton Salomão, Marcos Vinicius, Olney Botelho, Rogério Cabral e Sabino, além dos senadores Francisco Dornelles e Lindberg Farias.

“Precisamos desse compromisso coletivo para trabalhar de forma unida a fim de ter força de articulação pela reconstrução das três cidades”, destacou o prefeito de Teresópolis, Jorge Mario, eleito presidente do Consórcio Intermunicipal. “Fomos vítimas da maior calamidade natural do país dos últimos anos. As cidades devem continuar trabalhando em parceria”, frisou o prefeito Dermeval Neto, de Nova Friburgo. “Esse consórcio vai além da situação atual. Vamos trabalhar para reerguer as três cidades para que a população recupere a sua autoestima”, conclamou Paulo Mustrangi, prefeito de Petrópolis.

O Consórcio Intermunicipal será sediado inicialmente em Teresópolis e a gestão será realizada através de reuniões itinerantes nos três municípios, de acordo com a demanda apresentada por cada um. A gestão será exercida por cada prefeito, por um período de oito meses cada um, iniciando-se pelo prefeito de Teresópolis, Jorge Mario. De outubro de 2011 a maio de 2012, a presidência será do prefeito Paulo Mustrangi, de Petrópolis, e de maio a dezembro de 2012 será do prefeito Dermeval Neto, de Nova Friburgo. Pelo cronograma de implantação, até o dia 20 de fevereiro acontecerão a aprovação legislativa do Consórcio, sua legalização e instalação física, bem como contratação de técnicos. A partir de 21 de fevereiro estão previstos a inauguração, o início das operações e a instalação de gabinetes no Rio de Janeiro e em Brasília.

Autoridades oferecem apoio

O senador Francisco Dornelles externou o seu apoio irrestrito ao que classificou de grande movimento social, que visa contornar os problemas que atingem os municípios da Região Serrana. “Parabenizo os prefeitos Jorge Mario, Paulo Mustrangi e Dermeval Neto pela criação do consórcio, pois sem organização não atingiremos os objetivos que queremos. Contem comigo nesse esforço para a recuperação dessa região tão querida e importante para todo o Brasil”.

O senador Lindberg Farias também se colocou à disposição dos três municípios. “Montei uma base em Brasília para fazer a ponte entre os prefeitos e os ministros da equipe da presidente Dilma. Foram publicados decretos liberando R$ 7 milhões para Teresópolis, mais R$ 7 milhões para Petrópolis e R$ 10 milhões para Nova Friburgo. Assessores do Governo Federal vão auxiliar os municípios na liberação imediata desses recursos”, informou.

Representando o governador Sérgio Cabral, o secretário Estadual de Assistência Social, Rodrigo Neves, anunciou que já foram destinadas 200 toneladas de alimentos, água, material de limpeza e higiene para os municípios da Região Serrana, atingidos pelo temporal do último dia 12. “Também está acertada com a Conab mais sete mil cestas básicas. Esse auxílio humanitário vai acontecer pelo tempo que for necessário”, garantiu.

Citando que a Secretaria Estadual de Agricultura está disponibilizando 60 máquinas para sete municípios da Região Serrana, usadas na reabertura dos acessos às comunidades rurais para o salvamento de pessoas e a normalização do escoamento da produção agrícola, o Secretário Christino Áureo adiantou que estão sendo providenciadas medidas para a obtenção de recursos visando à liquidação das dívidas dos produtores rurais.

Num depoimento emocionado, o Prefeito Dermeval Neto falou do episódio das crianças que receberam os bombeiros e voluntários cantando o Hino Nacional, numa escola municipal que serve de abrigo no Alto do Floresta, localidade muito atingida pela catástrofe. Apesar de estarem há dias sem água e comida, os pequeninos demonstraram que ainda é possível ter fé e esperança, reconstruindo, com dignidade, uma nova Nova Friburgo.
Postado por SECOM PREFEITURA DE NOVA FRIB
URGO



Hemorio: O órgão da Secretaria de Estado de Saúde e Defesa Civil fez um apelo para que a população doe sangue. O Hemorio fica na Rua Frei Caneca, nº 8, no Centro do Rio. Diariamente das 7h DF às 18h DF, inclusive em sábados, domingos e feriados. Para ser um candidato à doação, o voluntário deve ter entre 18 e 65 anos, pesar mais de 50 quilos, estar bem de saúde e levar um documento oficial de identidade com foto. Mais informações podem ser obtidas através do Disque-Sangue (0800-282 0708), que esclarece dúvidas e agenda o horário de doação no Hemorio com hora marcada.

Polícia Militar: Todos os batalhões da PM do Rio também estão funcionando com centros de doações. O material arrecadado será encaminhado ao 12º BPM (Niterói), de onde será enviado para as áreas afetadas.

Estádios: A Secretaria Estadual de Esporte e Lazer montou postos de recolhimento de material nos estádios do Maracanãzinho (das 8h DF às 20h DF, portão 12) e do Caio Martins (das 8h DF às 20h DF, pelo portão principal na Avenida Roberto Silveira, em Icaraí.

Ministério Público: O MP estadual também está recebendo doações. Elas podem ser feitas na portaria do edifício-sede, na Avenida Marechal Câmara 370, Centro, das 10h DF às 17h DF, de segunda a sexta-feira.

Secretaria de Assistência Social - Está com bases montadas em Petrópolis, Teresópolis e Friburgo. A doações podem ser feitas nos seguintes locais: Sede da Fundação da Infância e Adolescência, Rua Voluntários da Pátria 120, em Botafogo; FIA Niterói, Rua General Castrioto 589, Barreto; Petrópolis, Rua General Osório 12, 2º piso, Centro; Teresópolis, Rua Josafá Cupelo 390, Bairro de Fátima; Friburgo, Avenida Julius Antônio Thuller 480, Olaria
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