quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

UM OLHAR SOBRE A MEDIUNIDADE

Um olhar sobre a Prática Mediúnica: algumas considerações feitas no calor de uma vivência em construção no campo da Mediunidade.


Esta é uma discussão que vem sendo bastante desenvolvida nas Casas Espíritas entre os médiuns e dirigentes de grupo . Longe de esgotar a questão , quero apenas trazer algumas reflexões pertinentes ao tema na dupla condição de trabalhador em uma Casa Espírita e em um grupo de Apometria.Para começar quero colocar que na minha modesta experiência não observei nenhum campo de conflito entre as duas práticas espíritas. Muito pelo contrário , apesar de duas experiências distintas , estou podendo apreender e desenvolver a minha vivencia mediúnica de maneira bastante proveitosa.
Geralmente, nas duas experiências - são equipes distintas , reunimo-nos esperando que os nossos Amigos Espirituais se apresentem para o trabalho de assistência e/ou tragam os espíritos que vão ser atendidos. Na maior parte das situações tem-se uma mínina idéia do que vai acontecer , bem como o tipo de espíritos – encarnados ou desencarnados que vamos tratar.Essa condição nos é dada pelo acúmulo das situações já vividas nos grupos e principalmente pela nossa condição mediúnica. O atendimento se dá basicamente com a utilização de passes e tratamentos específicos , sendo utilizados recursos mediúnicos da psicofonia , da clarividência e da clariaudiência e eventualmente em cada oportunidade , de acordo com a situação é estabelecido com o espírito um dialogo doutrinador fundamentado na ética cristã ,sempre com a intenção de fazer com que este possa repensar as suas atitudes e retomar o seu caminho evolutivo. Esse diálogo costuma ser apoiado pelos orientadores espirituais de cada um dos grupos e no caso do surgimento de alguma entidade "hostil", o coordenador/doutrinador conta com sua condição moral para manter a ordem. No caso da manifestação de um obsessor declarado começa o trabalho de convencimento tentando a modificação das suas atitudes com argumentos cristãos (perdoar, amar o próximo, etc.). Neste caso , a meta a ser alcançada visa o recolhimento e encaminhamento desse(s) espírito(s) que estava(m) junto a um encarnado ou não com a devida orientação e esclarecimento.
Esclarecemos que quando falamos em obsessão, nos reportamos aos espíritos que vivem nas diversas regiões do mundo dos espíritos, e as ações que eles exercem sobre os encarnados, como também sobre os desencarnados. Sabemos também que a obsessão pode ser de encarnado para encarnado, como de encarnado para desencardo.Já como autobsessão,entendemos as ações que a própria criatura, encarnada exerce sobre si própria. Por processo de culpa, remorso, medo, rebeldia...
Prosseguindo nas minhas observações , acredito - é necessário de se frisar, que o bom resultado dos nossos trabalhos – nos dois grupos, depende da habilidade dos nossos coordenadores/doutrinadores e dos seus conhecimentos no que diz respeito à doutrina espírita e de suas particularidades no decorrer dos trabalhos e da assistência espiritual que a nossa sintonia pode alcançar. No caso , o coordenador/doutrinador acaba por se transformar em um bom advogado do Cristo, um mediador, e, com uma argumentação correta e precisa, dentro dos princípios evangélicos, vai convencendo os conflitantes a mudar, a se reconciliar. É importante que todos nós possamos nos manter sempre atualizados nos estudos e que principalmente, durante os trabalhos, vibremos no mesmo diapasão, para que tenhamos uma boa sintonia com o mundo espiritual e uma boa sincronia de pensamentos afim de que possamos colher bons frutos nas tarefas realizadas e somar mais conhecimentos para futuras experiências. Penso que nós - os trabalhadores do mundo encarnado, devemos preservar sempre o próprio equilíbrio particular. Entretanto, encontramos continuamente algumas dificuldades no nosso trabalho mediúnico . E não poderia ser diferente .
Agora ,falarei especialmente da minha condição para o trabalho tanto no Grupo de Apometria como no Grupo de Passes . Para vencer tais dificuldades procuro seguir alguns procedimentos. É fundamental manter permanente estado de prece e vigília individual e coletivamente afim de que todos nós estejamos em sintonia mediúnica .Tal propósito serve para que passemos ,uns aos outros, o apoio e a segurança necessários aos processos de “incorporação”, dos níveis de consciência e ao suporte que receberemos do plano espiritual.
Ao chegar no ambiente do trabalho , retomo a minha preparação propriamente dita. Cabe aqui um parêntesis para esclarecer que esse processo já se (re) iniciou em casa com os cuidados básicos necessários – leitura,alimentação ,etc. Dirijo o meu pensamento a Deus na condição de filho querido pedindo que a sua Misericórdia possa sustentar o trabalho que irá acontecer. Prosseguindo, peço licença ao nosso Mestre Jesus , na certeza do seu apoio e presença.Já com os pensamentos mais acalmados chamo à presença do nosso grupo o Mentor de nossa Casa e em especial o meu Amigo Espiritual , e , na confiança das suas presenças ,vou afastando todos os pensamentos estranhos ao trabalho.Aos poucos ,mais tranqüilo vou sendo “levado” pelo ritmo da minha respiração e com a ajuda do meu pensamento à tranqüilidade da minha mente.Neste ritmo ,vou deixando de lado as questões mais particulares , soltando a minha mente e o meu corpo e começo a “sentir” sutilmente a presença dos meus Amigos Espirituais. Em princípio pode parecer muito fácil, mas é muito complicado.
No inicio das minhas experiências , em muitas oportunidades, a ansiedade e o medo me assolavam a mente , e , me sentia muito inseguro . Atualmente, ainda persistem muitos desses sentimentos , mas aos poucos , vou aprendendo a confiar em mim , nos meus Amigos e na Casa Espírita . Pela nossa sintonia podemos chegar às vibrações necessárias ao trabalho que precisamos realizar.É o nosso pensamento que constrói a nossa ação. Por isso ,nós devemos exercitar o nosso pensamento sempre no Bem para que tenhamos sustentação e companhia na ocasião do desenvolvimento do trabalho mediúnico. Venho procurando , na medida do possível, identificar os distintos níveis de Consciência (nunca tinha lido nada sobre isso!). Isso é muito importante para que possamos “interpretar” quem é o corpo espiritual que está ali se apresentando e o que ele vai dizer, quem ele é, etc.Tal conhecimento pode apontar também mais claramente o que é produto da nossa mente e o que não é ; tenho observado e considerado que tal domínio não aparece de uma hora para a outra, por isso é interessante que eu - o médium , vá experimentando e (re) conhecendo em mim , cada nível de consciência, para que eu possa identificar as diversas situações em que terei de lidar e reconhecer espíritos com um grande esquecimento ou com grande bloqueio mental e que não conseguirão definir o seu nome e a sua história.
A literatura aponta que para facilitar a identificação podemos usar a seguinte técnica: o corpo astral tem uma grande ligação com o chacra cardíaco, e o médium vai sentir no cardíaco uma palpitação ou então uma ardência maior. Nos casos de incorporação de Mental Inferior, percebemos uma diferença de sensação no chacra laríngeo e, no frontal para Mental Superior. É claro que essa diferença é percebida com a vivência. Não podemos confundir pesado com energias negativas, que são coisas diferentes. Assim , na medida em que começamos a nos familiarizar com o trabalho – quer seja na “incorporação” ou no desdobramento anímico , por exemplo , podemos perceber quando se inicia a aproximação.Ainda a respeito das sintonias e vibrações , é importante perceber que cada um de nós pode “sentir” as sintonias e vibrações de forma diferente das que foram explicitadas acima , e que cada um de nós pode desenvolver a sua própria forma de “sentir” as “incorporações” , já que isso não é uma regra pois, em mediunidade existem muito mais exceções do que regras.
Uma outra questão bem importante diz respeito à Mistificação.Nós precisamos aprender a identificar e perceber uma Mistificação.Porém é importante que saibamos que para isso é fundamental o equilíbrio. Portanto e, se por um motivo ou outro estivermos passando por dificuldades interiores, devemos ter a humildade de registrar a nossa incapacidade eventual. Lembremo-nos da nossa condição limitada e que Mediunidade não combina com Vaidade.Devemos ter claro que a nossa participação nestas condições pode nos levar a mistificar uma “incorporação” mascarada pelo animismo.
Em cada oportunidade que o trabalho me apresenta surgem situações bem diferentes uma das outras .E isso é bem interessante de ressaltar , já que nesses casos aparecem muitas vezes , questões que precisam ser trabalhadas em mim. Daí , é que percebo o quanto é misericordiosa a Providência Divina.No atendimento prestado aparentemente ao outro , acabamos por nos aproximar dos nossos problemas .E isso só acontece somente naqueles níveis em que estivermos preparados para percebê-los. A maior parte dessas questões tem se apresentado sob a forma de episódios de convivência e relação entre irmãos – encarnados e/ou desencarnados , ligados a um passado e/ou presente , na busca da construção dos seus futuros.São , via de regra , casos de obsessão , perdão, vítimas , ódio , mágoas e ressentimentos entre um ou mais espíritos. Nestes casos , surge a necessidade do trabalho espiritual no qual somos usados e que são realizados pelos irmãos desencarnados. No decorrer deste tempo tenho percebido que as pessoas de um modo geral estabelecem dentro e fora de si um entendimento, afirmando e repetindo que tem certos problemas , quer sejam psíquicos ou psicológicos, ou mesmo físicos, que não podem ser mudados, e que de tanto pensarem e falarem, a respeito do assunto acabam somatizando algo mais grave e de difícil solução. Algumas até já possuem o merecimento para melhorar, entretanto, devido à falta de fé em si e de empenho vão continuar sofrendo. Assim,vejo o quanto a Doutrina Espírita dá suporte a nossa melhora e é importante subsidio a nossa mudança de comportamento para que se afastem de nós os maiores sofrimentos.No entanto ,vejo , que os sentimentos negativos e as baixas vibrações são empecilhos ao avanço do trabalho espiritual. Essa situação se expressa pela camuflagem dos próprios níveis de consciência feita por obsessores ou amigos de regiões negativas ligados aos irmãos que chegam a Casa Espírita, dificultando a ocorrência e a evolução do tratamento. Por isso , a importância da ambiência da Casa e da preparação cuidadosa que somos orientados a fazer para o trabalho alcançar bom termo.
É desta forma que consigo compreender a maneira como os nossos Amigos Espirituais esperam contar com a nossa responsabilidade para o trabalho e a tarefa que abraçamos . Tenho sentido que, se estamos preparados e conscientes das nossas possibilidades , podemos permitir a aproximação de espíritos que precisam da ajuda necessária as suas transformações , que ainda não retomaram a devida conscientização do mundo espiritual, que estão longe de suas verdadeiras mudanças, que ainda precisam resgatar vivencias e experiências perdidas , que ainda se encontram em níveis rebelados , que não se deixam ser atraídos para o diálogo, e que ainda permanecem apegados aos seus traumas e problemas. Esses irmãos ainda vivem contidos nas suas dificuldades , nos seus remorsos, nos seus medos e ódios. Devido as suas inseguranças e incertezas essas criaturas relutam em mudar. É nesta hora que me percebo sujeito de muitas dessas dificuldades e que longe da perfeição , estou tendo a chance de ver no outro a minha situação potencializada num futuro que só a mim interessa manter afastado. É nessa condição igual - de trabalhador e irmão que devemos colocar o nosso olhar e a nossa ação para com esses espíritos , garantindo o nosso melhor propósito e a mais especial atenção pautados no amor incondicional.
Tenho aprendido que nós devemos ter a consciência da importância do nosso trabalho mediúnico em todos os níveis e que o uso dessa nossa capacidade a serviço do Bem pode significar tanto para nós quanto para muitos espíritos um (re) início do aprendizado e da retomada das nossas transformação e evolução espiritual . Além disso , nunca é demais reforçar, também, que o nosso comportamento é fator importante para a doutrinação ou convencimento do espírito principalmente porque o exemplo é fator fundamental para a mudança.
Um outro ponto importante que tenho podido vivenciar é quanto ao esforço que devemos empreender para manter a vibração necessária ao fortalecimento do nosso grupo . Toda vez que vibramos ciúme, inveja, medo, desconfiança, vaidade etc. , somos candidatos perfeitos para atrair forças deletérias e negativas tanto para cada um de nós quanto para o grupo que compomos.Precisamos compreender a nossa condição mediúnica e aceitá-la e trabalhá-la da melhor maneira que pudermos. A Mediunidade não pode ser compreendida por nós como moeda de troca na nossa negociação com Deus . Se assim entendemos , estaremos fadados ao fracasso. Devemos acreditar primeiramente que Deus é nosso Pai Amado e nós somos seus filhos queridos .Como conseqüência disso ele nos quer a todos de maneira igual ,sem privilegiar a nenhum, de seus filhos.
A minha experiência também tem me levado a compreender que , se compomos determinados grupos e vivenciamos determinadas situações , nestas ocasiões somos levados a utilizar cada um de nós , os nossos talentos – produtos das nossas vivencias , do nosso aprendizado , da nossa formação, da nossa profissão ,das nossas tendências ,etc. , na nossa vida . Agora , se acreditamos que as nossas experiências se acumulam nas nossas diversas vidas , podemos compreender que a nossa condição mediúnica também é conseqüência dessas nossas vivências e oportunidades . Daí ,chego à conclusão que se cada um experimenta uma determinada aptidão mediúnica , essa condição é para uso e fortalecimento individual e coletivo . Essa questão – a da composição dos grupos e a harmonia entre os seus componentes é de vital importância para o trabalho . Percebo que o contrário pode trazer conseqüências muito ruins , acarretando muitas vezes, algum prejuízo individual e coletivo. Se nos deixamos levar por sentimentos mesquinhos , estaremos abrindo pela invigilancia a porta para aproximações nefastas ao trabalho . Na prática,o que pode acontecer são dificuldades de concentração, cansaço e até dores físicas após os trabalhos, em conseqüência dos desgastes de energia que o médium não pôde suprir decorrentes da sua baixa vibração.Quando saímos do trabalho com dores, podemos inferir que as energias negativas foram deixadas por sofredores - encarnados e desencarnados ou nós mesmos. Tenho aprendido que com o trabalho que podemos realizar – apoiado e orientado pelos nossos Amigos Espirituais , essas energias são naturalmente drenadas e transmutadas na proporção direta do nosso amor e da pureza de propósitos que trazemos no coração.Além disso, experimentamos em nós o nosso próprio resgate e nos curamos das nossas próprias mazelas.
Para terminar , acredito também que podemos desenvolver certas dificuldades no exercício do nosso mandato mediúnico causadas pela falta de estudo ou conhecimento do assunto tratado.Nessas situações, podemos passar por algum bloqueio na ocasião da “incorporação” ou da aproximação dos nossos Amigos Espirituais , não conseguindo acessar e/ou interpretar os sinais que recebemos , por total desconhecimento da forma com tratar e/ou ajudar no encaminhamento das necessárias resoluções. Por entender firmemente que Mediunidade é sintonia , compreendo que para o alcance desse propósito é necessário além de uma boa sintonia para a aproximação de bons Amigos Espirituais e uma boa harmonia entre os componentes do nosso grupo, já levantados por mim , a prática do estudo sistemático que qualifique positivamente a nossa intenção no trabalho.A nossa atuação não pode estar fundada apenas na obra que os nossos Amigos Espirituais puderem apresentar. Só se aproximam de nós , os nossos semelhantes .Atraímos para a nossa companhia os iguais a nós . Assim , se queremos aproveitar da melhor forma a oportunidade que recebemos através do trabalho mediúnico , precisamos nos preparar para esse trabalho .E ,não poderia ser de outra maneira , temos que investir na melhoria do nosso entendimento para o progresso das nossas ações. Por experiência própria , tenho podido entender um pouco mais das muitas questões estudadas, porque venho conseguindo observá-las no trabalho prático nos grupos em que participo e assim obtenho pouco a pouco , alguma qualidade , nas minhas investidas no campo da Mediunidade.É apenas o começo (ou será recomeço?) de uma nova (?) relação.Falo assim , entendendo que é dessa maneira que começo a apurar mais as características da minha condição mediúnica desenvolvendo-as , sempre com a ajuda dos Amigos Espirituais e companheiros encarnados pacientes e abnegados que contribuem pacientemente com a minha evolução no trabalho. E assim , tento tirar e aproveitar de todas as situações de aprendizado o que for possível , porque entendo que dessa forma , estarei aproveitando de maneira mais oportuna , na condição em que me encontro , o auxilio e a assistência que venho recebendo no trabalho a que me proponho realizar.

Marco Aurélio Faria Rezende

2 comentários:

amicaelo disse...

Muito bom o seu texto. Aliás, gostaria de encontrar aqui mais textos de sua autoria, em vez de apenas citações de outros autores. Não que estas sejam menos importantes, mas um blog com artigos pessoais é bem mais interessante e gera audiência cativa. Vovê escreve muito bem !!! Parabéns e um grande abraço.

"DIÁRIO DE BORDO" disse...

obrigado amigo!
mas escrever não é muito fácil...demora pra sair boa coisa...mas vou me esforçar.
um abração pra vc !