domingo, 18 de abril de 2010

SÉRIE "O CLARIM"

Abril no Espiritismo
Octávio Caúmo Serrano

Habitualmente os Centros Espíritas comemoram no dia 18 de abril o lançamento da primeira edição de “O Livro dos Espíritos”, obra que deu corpo de doutrina ao Espiritismo. No mês, porém, há outras datas importantes que valem a pena ser relembradas.
No dia 1 de abril de 1858, menos de um ano depois do lançamento da obra básica, o codificador Allan Kardec criou a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, deixando clara a importância do estudo espírita para aqueles que realmente desejassem compreender as mensagens do Plano Superior.
Foi o primeiro núcleo criado para estudo e discussão das revelações recém-chegadas e que mereciam ser mais bem compreendidas.
No dia 29 de abril de 1864, mais uma importante data de abril, Kardec lançava o terceiro livro da codificação, sucedendo “O Livro dos Espíritos” e “O Livro dos Médiuns”, de 1861. Tratava-se do livro “Imitação do Evangelho” que, a partir da terceira edição, passou a chamar-se “O Evangelho Segundo o Espiritismo”.
É provavelmente o livro mais lido e conhecido entre os espíritas, usado inclusive na prática do Evangelho no Lar e também recomendado para a oração diária que deve ser um hábito de todas as pessoas.
De nossa parte, defendemos que é um livro para também ser estudado, porque é um manancial de boas maneiras e um código de bem viver.
Ele foi escrito muito bem estruturado. Depois de um extraordinário prefácio assinado pelo Espírito de Verdade e uma bem feita introdução, constam do livro vinte e oito capítulos, sendo o último uma coletânea como sugestão de preces espíritas.
Em cada capítulo temos o enunciado clássico da Bíblia (Novo ou Velho Testamento), a explicação de Kardec para o referido texto e a orientação ou depoimentos de Espíritos que exprimem seus conselhos ou experiências vividas quando encarnados na Terra para servir-nos de alento ou advertência.
Esse livro, como que encomendado pelo Espírito de Verdade, enfatiza o cunho religioso do Espiritismo. Em contato de Kardec com o Espírito Guia em 9 de agosto de 1863, assim se manifestou o orientador: “Aproxima-se a hora em que terás de apresentar o Espiritismo como ele é realmente, mostrando a todos onde se encontra a verdadeira doutrina ensinada pelo Cristo. Aproxima-se a hora em que, diante do Céu e da Terra, terás de proclamar o Espiritismo como a única tradição verdadeiramente cristã e a única instituição verdadeiramente divina e humana. Ao te escolherem, os Espíritos conheciam a solidez de tuas convicções e sabiam que a tua fé, qual um muro de aço, resistiria a todos os ataques.” (1)
Eis porque “O Evangelho Segundo o Espiritismo” trata apenas da moral do Cristo, desprezando rituais, dogmas, o que faz com que não conflite com as demais religiões.
O Espiritismo não veio para combater as outras doutrinas, mas para ser um suporte a mais para o entendimento do Evangelho de Jesus por todas as criaturas.
Agradecemos a Allan Kardec por estas belas datas de abril!

Matão, 18 de Abril de 2010
http://www.oclarim.com.br

(1) O ESE – Edicel – 3ª edição de 1987 – Notícia sobre o livro.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

AÇÃO E ATITUDE

"Não te detenhas , portanto. Não admitas que a incerteza ou o temor te imobilizem o passo. Vale-te das horas e auxilia sempre , sem ostentação de virtude, sem reclamação ,sem alarde , e a vida entesourará as tuas migalhas de amor , delas formando a tua riqueza imperecível na bem-aventurança espiritual" (Emmanuel)



Sempre é tempo de agir e de fazer . Por mais que a nossa dificuldade seja muito grande , ela nunca deve imobilizar a nossa ação. Em todo momento , sempre é momento de estender a mão e de abrir o coração a quem precisa . Mesmo que seja só para ouvir . Mesmo que seja só para abraçar . Mesmo que seja só para segurar na mão. Tem horas que a intenção e o afeto podem caminhar juntos na direção do afago e do carinho . Em muitas oportunidades , temos a oportunidade de nos disponibilizarmos para algumas atitudes que , sempre são benvindas para quem está precisando . As atitudes mais valiosas são as mais simples , as que se cercam de solidariedade e de fraternidade , de amor e de carinho . O Amor só precisa do amor para ser alimentado . Para ficar forte , a nossa ação só precisa fortaleçer a esperança . Para a esperança se espalhar é necessário apenas a disposição do servir . Para tudo isso acontecer só precisamos acreditar , uns nos outros e , principalmente na nossa capacidade de amar sem condições nem limites. Que Deus , o Nosso Pai , nos abençõe a todos...

domingo, 4 de abril de 2010

SOBRE A PÁSCOA...




Visão Espírita da Páscoa
06/04/2006


Marcelo Henrique

Eis-nos, uma vez mais, às vésperas de mais uma Páscoa. Nosso pensamento e nossa emoção, ambos cristãos, manifestam nossa sensibilidade psíquica. Deixando de lado o apelo comercial da data, e o caráter de festividade familiar, a exemplo do Natal, nossa atenção e consciência espíritas requerem uma explicação plausível do significado da data e de sua representação perante o contexto filosófico-científico-moral da Doutrina Espírita.

Deve-se comemorar a Páscoa? Que tipo de celebração, evento ou homenagem é permitida nas instituições espíritas? Como o Espiritismo visualiza o acontecimento da paixão, crucificação, morte e ressurreição de Jesus?

Em linhas gerais, as instituições espíritas não celebram a Páscoa, nem programam situações específicas para “marcar” a data, como fazem as demais religiões ou filosofias “cristãs”. Todavia, o sentimento de religiosidade que é particular de cada ser-Espírito, é, pela Doutrina Espírita, respeitado, de modo que qualquer manifestação pessoal ou, mesmo, coletiva, acerca da Páscoa não é proibida, nem desaconselhada.

O certo é que a figura de Jesus assume posição privilegiada no contexto espírita, dizendo-se, inclusive, que a moral de Jesus serve de base para a moral do Espiritismo. Assim, como as pessoas, via de regra, são lembradas, em nossa cultura, pelo que fizeram e reverenciadas nas datas principais de sua existência corpórea (nascimento e morte), é absolutamente comum e verdadeiro lembrarmo-nos das pessoas que nos são caras ou importantes nestas datas. Não há, francamente, nenhum mal nisso.

Mas, como o Espiritismo não tem dogmas, sacramentos, rituais ou liturgias, a forma de encarar a Páscoa (ou a Natividade) de Jesus, assume uma conotação bastante peculiar. Antes de mencionarmos a significação espírita da Páscoa, faz-se necessário buscar, no tempo, na História da Humanidade, as referências ao acontecimento.

A Páscoa, primeiramente, não é, de maneira inicial, relacionada ao martírio e sacrifício de Jesus. Veja-se, por exemplo, no Evangelho de Lucas (cap. 22, versículos 15 e 16), a menção, do próprio Cristo, ao evento: “Tenho desejado ansiosamente comer convosco esta Páscoa, antes da minha paixão. Porque vos declaro que não tornarei a comer, até que ela se cumpra no Reino de Deus.” Evidente, aí, a referência de que a Páscoa já era uma “comemoração”, na época de Jesus, uma festa cultural e, portanto, o que fez a Igreja foi “aproveitar-se” do sentido da festa, para adaptá-la, dando-lhe um novo significado, associando-o à “imolação” de Jesus, no pós-julgamento, na execução da sentença de Pilatos.

Historicamente, a Páscoa é a junção de duas festividades muito antigas, comuns entre os povos primitivos, e alimentada pelos judeus, à época de Jesus. Fala-se do “pesah”, uma dança cultural, representando a vida dos povos nômades, numa fase em que a vinculação à terra (com a noção de propriedade) ainda não era flagrante. Também estava associada à “festa dos ázimos”, uma homenagem que os agricultores sedentários faziam às divindades, em razão do início da época da colheita do trigo, agradecendo aos Céus, pela fartura da produção agrícola, da qual saciavam a fome de suas famílias, e propiciavam as trocas nos mercados da época. Ambas eram comemoradas no mês de abril (nisan) e, a partir do evento bíblico denominado “êxodo” (fuga do povo hebreu do Egito), em torno de 1441 a.C., passaram a ser reverenciadas juntas. É esta a Páscoa que o Cristo desejou comemorar junto dos seus mais caros, por ocasião da última ceia.

Logo após a celebração, foram todos para o Getsêmani, onde os discípulos invigilantes adormeceram, tendo sido o palco do beijo da traição e da prisão do Nazareno.

Mas há outros elementos “evangélicos” que marcam a Páscoa. Isto porque as vinculações religiosas apontam para a quinta e a sexta-feira santas, o sábado de aleluia e o domingo de páscoa. Os primeiros relacionam-se ao “martírio”, ao sofrimento de Jesus – tão bem retratado neste último filme hollyodiano (A Paixão de Cristo, segundo Mel Gibson) –, e os últimos, à ressurreição e a ascensão de Jesus.

No que concerne à ressurreição, podemos dizer que a interpretação tradicional aponta para a possibilidade da mantença da estrutura corporal do Cristo, no post-mortem, situação totalmente rechaçada pela ciência, em virtude do apodrecimento e deterioração do envoltório físico. As Igrejas cristãs insistem na hipótese do Cristo ter “subido aos Céus” em corpo e alma, e fará o mesmo em relação a todos os “eleitos” no chamado “juízo final”. Isto é, pessoas que morreram, pelos séculos afora, cujos corpos já foram decompostos e reaproveitados pela terra, ressurgirão, perfeitos, reconstituindo as estruturas orgânicas, do dia do julgamento, onde o Cristo, separá justos e ímpios.

A lógica e o bom-senso espíritas abominam tal teoria, pela impossibilidade física e pela injustiça moral. Afinal, com a lei dos renascimentos, estabelece-se um critério mais justo para aferir a “competência” ou a “qualificação” de todos os Espíritos. Com “tantas oportunidades quanto sejam necessárias”, no “nascer de novo”, é possível a todos progredirem.

Mas, como explicar, então as “aparições” de Jesus, nos quarenta dias póstumos, mencionadas pelos religiosos na alusão à Páscoa?

A fenomenologia espírita (mediúnica) aponta para as manifestações psíquicas descritas como mediunidades. Em algumas ocasiões, como a conversa com Maria de Magdala, que havia ido até o sepulcro para depositar algumas flores e orar, perguntando a Jesus – como se fosse o jardineiro – após ver a lápide removida, “para onde levaram o corpo do Raboni”, podemos estar diante da “materialização”, isto é, a utilização de fluido ectoplásmico – de seres encarnados – para possibilitar que o Espírito seja visto (por todos). Igual circunstância se dá, também, no colóquio de Tomé com os demais discípulos, que já haviam “visto” Jesus, de que ele só acreditaria, se “colocasse as mãos nas chagas do Cristo”. E isto, em verdade, pelos relatos bíblicos, acontece. Noutras situações, estamos diante de uma outra manifestação psíquica conhecida, a mediunidade de vidência, quando, pelo uso de faculdades mediúnicas, alguém pode ver os Espíritos.

A Páscoa, em verdade, pela interpretação das religiões e seitas tradicionais, acha-se envolta num preocupante e negativo contexto de culpa. Afinal, acredita-se que Jesus teria padecido em razão dos “nossos” pecados, numa alusão descabida de que todo o sofrimento de Jesus teria sido realizado para “nos salvar”, dos nossos próprios erros, ou dos erros cometidos por nossos ancestrais, em especial, os “bíblicos” Adão e Eva, no Paraíso. A presença do “cordeiro imolado”, que cumpre as profecias do Antigo Testamento, quanto à perseguição e violência contra o “filho de Deus”, está flagrantemente aposta em todas as igrejas, nos crucifixos e nos quadros que relatam – em cores vivas – as fases da via sacra.

Esta tradição judaico-cristã da “culpa” é a grande diferença entre a Páscoa tradicional e a Páscoa espírita, se é que esta última existe. Em verdade, nós espíritas devemos reconhecer a data da Páscoa como a grande – e última lição – de Jesus, que vence as iniqüidades, que retorna triunfante, que prossegue sua cátedra pedagógica, para asseverar que “permaneceria eternamente conosco”, na direção bussolar de nossos passos, doravante.

Nestes dias de festas materiais e/ou lembranças do sofrimento do Rabi, possamos nós encarar a Páscoa como o momento de transformação, a vera evocação de liberdade, pois, uma vez despojado do envoltório corporal, pôde Jesus retornar ao Plano Espiritual para, de lá, continuar “coordenando” o processo depurativo de nosso orbe. Longe da remissão da celebração de uma festa pastoral ou agrícola, ou da libertação de um povo oprimido, ou da ressurreição de Jesus, possa ela ser encarada por nós, espíritas, como a vitória real da vida sobre a morte, pela certeza da imortalidade e da reencarnação, porque a vida, em essência, só pode ser conceituada como o amor, calcado nos grandes exemplos da própria existência de Jesus, de amor ao próximo e de valorização da própria vida.

Nesta Páscoa, assim, quando estiveres junto aos teus mais caros, lembra-te de reverenciar os belos exemplos de Jesus, que o imortalizam e que nos guiam para, um dia, também estarmos na condição experimentada por ele, qual seja a de “sermos deuses”, “fazendo brilhar a nossa luz”.

Comemore, então, meu amigo, uma “outra” Páscoa. A sua Páscoa, a da sua transformação, rumo a uma vida plena.

terça-feira, 30 de março de 2010

SÉRIE OPINIÃO

Espiritismo e Vida


O Espiritismo, meus irmãos, é a luz que verte do Alto na grande noite da Humanidade, para nos apontar o caminho na escuridão.

O Espiritismo, é Jesus de volta, que nos vem convidar a reflexões muito profundas a respeito do que somos - Espíritos imortais - de como estamos - corpos transitórios - e para onde vamos - na direção da pátria, conscientizando-nos que a lei que deve viger em todas as nossas atitudes é a lei de amor. Este amor, porém, que é lei natural e está em todo o Universo, porque é a lei do equilíbrio.

Quando, realmente, nos deixarmos penetrar pela proposta de Jesus, quando legitimamente nos permitirmos mimetizar pelo Seu dúlcido olhar, feito de misericórdia e de compaixão, uma nova conduta se estabelecerá em nossas vidas, e aprenderemos, por fim, a seguir com equilíbrio pela estrada libertadora.

O Espiritismo, anunciado pelo Mestre, chega na hora predita para atender o rebanho aturdido que, tresmalhado, aguarda o cajado do Bom Pastor.

Ele veio, meus filhos, e convocou-nos a uma nova ordem de pensamento e de conduta. A Sua voz, de quebrada em quebrada, chegou até estes dias, para que tivéssemos um roteiro de segurança, para não mais incidirmos ou reincidirmos nos delitos a que nos vinculamos.

Da primeira vez, iludidos, fascinados, atormentados, deformamos-lhe os ensinamentos, adaptando-os aos nossos interesses escusos. Mas Ele não cessou de nos enviar embaixadores encarregados de recordar-nos Seu amor inefável até quando Allan Kardec nos trouxe desvelado, o Evangelho para vestir nossa alma com a luz mirífica das estrelas.

Tenhamos cuidado com a prática espírita!

O Consolador não se deterá, mesmo que os homens coloquem pelos caminhos impedimentos à sua marcha, dificuldades ao processo evolutivo, porque Cristo vela!

O Espiritismo, meus filhos, é doutrina dos Espíritos para os homens. Espíritos, por sua vez reencarnados, comprometidos com a instalação na Terra do reino do amor, da justiça e da caridade.

Tende tento!

Meditai profundamente na palavra de ordem e de razão que deflui do Evangelho vivo e, se por certo, estais sendo chamados para o rebanho, esforçai-vos para atender ao convite, e lutai até o sacrifício para serdes escolhidos.

Recebeis farta messe de luz; distribuí-a pelo mundo estróina.

Sois aquinhoados com o conhecimento libertador; passai-o adiante através da voz eloqüente dos vossos atos e pela palavra austera dos vossos sentimentos.

Jesus espera! Como nós confiamos nEle e Lhe pedimos apoio, Ele confia em nós, e nos pede fidelidade.

Os Espíritos amigos, vossos anjos guardiães e companheiros de jornada, aqui estamos para sustentar-vos nos testemunhos, para dar-vos força, para que possais vencer com idealismo, de maneira estóica.

Não adieis o momento de ajudar, não procrastineis a hora de servir e, integrados na falange do bem, cantai, cantai ao Senhor, mesmo que lágrimas escorram pelos vossos olhos e dores macerem vossos corações.

Cantai um hino de júbilo e de liberdade, demonstrando que na cruz os braços estão abertos para afagar, dando testemunho que pode aquilatar o valor de quem ama.

Que o Senhor de bênçãos vos abençoe, e que a paz prossiga convosco, suavizando vossas lutas e dores!

São os votos do servidor humílimo e paternal de sempre,

Bezerra de Menezes

Mensagem psicofônica obtida pelo médium Divaldo Pereira Franco, ao término da
conferência pública no Grupo Espírita André Luiz, no Rio de Janeiro,
na noite de 24 de agosto de 2000

domingo, 28 de março de 2010

SÉRIE PRA PENSAR...

Pensando sobre a Condição Mediúnica



" Digamos , antes de tudo , que a mediunidade é inerente a uma disposição orgânica , de que qualquer homem pode ser dotado , como de ver , de ouvir , de falar . Ora , nenhuma há de que o homem , por efeito de seu livre arbítrio , não possa abusar , e se Deus não houvesse concedido , por exemplo , a palavra senão aos incapazers de proferirem coisas más , maior seria o número dos mudos do que o dos que falam. Deus outorgou faculdades ao homem e lhe dá a liberdade de usá-las , mas não deixa de punir o que delas abusa. Se só aos mais dignos fosse concedida a faculdade de comunicar com os Espíritos , quem ousaria prtende-la? Onde , ao demais , o limite entre a dignidade e a indignidade? A mediunidade é conferida sem distinção , a fim de que os Espíritos possam trazer a luz a todas as camadas , a todas as classes , ao pobre como ao rico ; aos retos para os fortificar no bem , aos viciosos para os corrigir . Não são esses últimos os doentes que necessitam de médico? (...) A mediunidade não implica necessariamente relações habituais com os Espíritos Superiores . É apenas uma aptidão para servir de instrumento mais ou nenos dúctil aos Espíritos , em geral . O bom médium , pois , não é aquele que comunica facilmente , mas aquele que é simpático aos bons Espíritos e somente deles tem assistencia. Unicamente neste sentido é que a excelencia das qualidades morais se torna onipotente sobre a a mediunidade " (O Evangelho Segundo o Espiritismo , Allan Kardec , Cap XXIV - A candeia debaixo do Alqueire : Não são os que gozam saúde que precisam de médico.)


Mais Claro? Acho que não precisa , né?

quinta-feira, 25 de março de 2010

SÉRIE PARA PENSAR



"No espaço aparentemente vazio há um nexo, uma vida eterna, que une tudo quanto existe no Universo - tanto animado quanto inanimado - uma onda de vida que flui através de tudo o que existe."
Paramahansa Yogananda em Onde Existe Luz.

terça-feira, 16 de março de 2010

SÉRIE ENTREVISTA


Tinha medo e dormia com a luz acesa", diz Ângelo Antônio



Ângelo Antônio fala sobre seu novo trabalho no cinema
Foto: Thyago Andrade e Tony Andrade/AgNews

No ar como o Davi de Cama de Gato, Ângelo Antônio vive mais uma vez o desafio de interpretar um personagem bonzinho sem cair na chatice. No cinema, depois do sucesso de 2 Filhos de Francisco (2005), ele se prepara para e estreia do aguardado Chico Xavier - O Filme, onde é ninguém menos do que o famoso médium quando jovem.

Você faz mais um personagem bonzinho. Os atores falam que é bom viver o vilão. É difícil fazer o bom sem ser chato?

Eu acho. Lembra do Dorgival, de Duas Caras? Era bom de fazer, apesar de achar um absurdo algumas coisas que ele falava. Era divertido, o vilão dá essa possibilidade. Mas hoje em dia tem tanta maldade na vida que é bom passar coisas boas.

Como está sua expectativa para a estreia, em abril, de Chico Xavier - O Filme, em que você vive o médium?

Quanto mais perto chega, maior ela fica. Precisamos de histórias boas, de uma pessoa com ética bacana, espiritualidade, humanidade, generosidade. É importante reviver esse ser humano exemplar.

Você tem religião ou fé?
Tive formação católica, mas hoje me interesso pelas religiões em geral: budismo, hinduísmo, zen. Não conheço todas, mas me interesso. E o espiritismo, por causa do Chico. Pude conhecer um pouco de sua ética e vida cotidiana.

Como você se preparou para viver o Chico? Todo mundo fala da semelhança do Nelson Xavier com ele... (Nelson vive o médium mais velho)

A semelhança deles é impressionante. Faço o Chico que ninguém conhece, essa é a dificuldade. O Chico de peruca, óculos escuros, é a imagem que a gente tem dele. Basicamente, pesquisei no livro do Marcel (Souto Maior, autor As vidas de Chico Xavier, livro em que o filme se baseia) e O Evangelho Segundo o Espiritismo. Também fui para a terra dele, onde ele nasceu, conhecer as pessoas que conviveram com ele.

Você também se aproximou do filho adotivo de Chico Xavier, o Eurípedes...
Sim, e tudo isso me ajudou na preparação. Ganhei muito por ensaiar com o sapato do Chico, vestir a camisa dele, que uso até hoje, e passar seu perfume. Entrei no quarto dele e fiquei sentindo aquele lugarzinho. Perguntei do perfume ao filho dele e ele me deu um pouco. Coloquei em vidros menores e dei para o Nelson e para o Mateus (Costa), que vive o Chico pequenininho.

O que essa proximidade da história do Chico lhe trouxe?
Eu tinha uma tia que era espírita e, quando eu era criança, ela me levava para o centro e aquilo me arrepiava, me levava para um imaginário. O difícil e interessante foi que, no começo, voltou tudo. No início desse processo de ir ao centro espírita para o filme, eu tinha um pouco de medo, dormia com a luz acesa. Nossa... vai mexer com isso, vai para o centro! (risos)

Aconteceram coisas que pareciam sobrenaturais?

Algumas. Tive um sonho que depois, de certa forma, aconteceu. Sonhei que estava com o Nelson Xavier numa mesa, com duas pessoas de branco, e estava desenrolando um turbante da cabeça. Depois, um amigo me levou para um encontro do Daime com a umbanda. Quando cheguei lá, vi praticamente a mesma cena do sonho. E tinha um cara com esse turbante.

Você tomou o Daime (bebida utilizada em rituais sagrados)? Como foi?
Tomei. Era Daime com umbanda, teve muita incorporação do meu lado. Eu só sei que a minha perna uma hora começou a vibrar igual a de outras pessoas, fiquei com receio e larguei.

E foi a primeira vez?

Não, já tinha tomado outra vez, foi uma viagem fantástica... Estava tentando entender como era a psicografia do Chico com a minha mãe, fazendo um exercício. Porque existem três tipos de psicografia: uma em que você é possuído e não sabe o que está acontecendo, outra em que você sabe o que está acontecendo e sua mão é levada,e a outra que é fluxo da consciência, você sabe o que está acontecendo e sai escrevendo. Eu escrevi uns poeminhas, tenho tudo guardado. Minha mãe falou: 'Vê alguma coisa para mim aí, que tenho problema de intestino'. Chegou uma terceira pessoa, quis ver o que a gente fazia e começou a ler. Até que ela achou um trecho que dizia: "Flor de mamão antes do sol nascer e antes do sol se pôr". E ela falou: "Poxa, isso a gente dava para criança quando tinha dor de barriga". Então, acho que essas sincronias são sinais de que existem mais coisas entre o Céu e a Terra do que a gente imagina.

Como você vê o Chico agora?

Qualquer adjetivo é pouco para resumir o trabalho social que ele fez, todo mundo que alimentou materialmente e espiritualmente, os livros que escreveu sem ganhar um tostão... É impressionante.

O que acontece na fase da vida dele que você interpreta?

É a fase da descoberta da espiritualidade. Ele não sabia o que acontecia, começava a achar, como os outros, que era louco. Ele tem a doença nos olhos, conhece um casal que fala sobre espiritismo para ele pela primeira vez, escreve o primeiro livro.

Bezerra de Menezes, outra história envolvendo espiritismo, foi sucesso de bilheteria. De onde você acha que vem o interesse por esses assuntos?

É um impulso, como comer, sexo... essa abertura que a gente tem para o desconhecido.

Esse caminho de espiritualidade do qual você fala parece bem diferente de um lado que envolve ser ator, famoso, que é o lado do glamour, do ego...
O teatro me levou a tentar entender a alma humana, recuperar a espiritualidade que tinha de criança, fazer uma releitura. O zen fala sobre tentar entender o cotidiano, lidar com as emoções. Isso está ligado e foi deturpado pelo nosso ego, às vezes a gente se perde nesse lado da aparência, mas é um erro. O ator de verdade busca maturidade e conhecimento da alma humana. Se você quer ter sucesso não precisa ser ator, pode entrar para o Big Brother e ficar famoso da noite para o dia.

Mas você se deixa levar?

Olha, até o Chico tinha vaidade, ele usava peruca. Mas falava: "Não sou Chico, sou cisco". A gente é só um pedacinho. Tem que ficar atento para não cair na vaidade.



http://diversao.terra.com.br/gente/noticias/

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

SOBRE O LIVRO E MARCEL...

Biografia que inspirou filme revela dimensão humana do mito
12/02 - 13:42 - Augusto Gomes, iG São Paulo



SÃO PAULO - Usar o livro "As Vidas de Chico Xavier" como base para o roteiro do filme de Daniel Filho foi uma decisão natural. Afinal, a biografia escrita pelo jornalista Marcel Souto Maior é o mais completo relato sobre a vida do médium mineiro, que completaria cem anos no próximo dia 2 de abril. Segundo o autor, a ideia do livro veio depois de uma constatação simples: simplesmente "não havia nenhuma biografia jornalística sobre este mito tão brasileiro e tão poderoso".


Vida de Chico Xavier chega aos cinemas brasileiros no início de abril
Espiritualidade é a nova tendência do cinema brasileiro, diz produtor
Comichões, vozes e intuições dão origem a livros psicografados

"Ao me aproximar de Chico, descobri a outra dimensão, mais humana, deste personagem 'sobrenatural'. Enfim, o Chico de carne e osso, um dos principais líderes religiosos do país, ganhou força", conta. As histórias coletadas por Souto Maior deram origem ao roteiro de "Chico Xavier, o Filme", escrito por Marcos Bernstein ("Central do Brasil" e "Zuzu Angel"). Na entrevista abaixo, ele fala sobre a origem do livro, sua relação com a fé e os encontros com o médium:

iG: Como surgiu a ideia de escrever uma biografia de Chico Xavier?
Marcel Souto Maior: Eu era subeditor do Caderno B do Jornal do Brasil - há 15 anos - quando escrevi uma reportagem sobre a peça espírita "Além da Vida", fenônemo de bilheteria da época, com mais de dois milhões de espectadores. Ao levantar material sobre o tema, entrei em contato com a história de Chico Xavier e fiquei impressionado com alguns dados sobre ele. Chico - na época com pouco mais de 80 anos - tinha escrito mais de 400 livros, vendido mais de 20 milhões de exemplares e doado os direitos autorais a instituições beneficientes. "Os livros não me pertencem. Eu não escrevi nada. Eles - os espíritos - escreveram", ele dizia, enquanto era investigado, perseguido, atacado e idolatrado também. Esta descoberta - de uma história única no Brasil - me levou a outra constatação: não havia nenhuma biografia jornalística sobre este mito tão brasileiro e tão poderoso. Por isso - por interesse jornalístico - decidi contar a história.

iG: Antes de escrever o livro, qual era a imagem que você tinha de Chico?
Marcel Souto Maior: Ainda criança, eu costumava passar férias em Araxá, cidade vizinha a Uberaba, onde Chico morava. Ele era um personagem da minha infância: o homem estranho que falava com os mortos. Uma figura meio "mal-assombrada". Ao me aproximar de Chico, descobri a outra dimensão - mais humana - deste personagem "sobrenatural". O homem que atendia e consolava milhares de famílias enlutadas - às voltas com o desespero de perdas de filhos, por exemplo; o homem que, apesar de pregar a imortalidade do espírito, tinha medo da morte; o homem que se permitiu vaidades como o uso da peruca para "representar melhor" o espiritismo. Enfim, o Chico de carne e osso, um dos principais líderes religiosos do país, ganhou força. Por trás de toda aquela mansidão, havia um homem organizado, rigoroso e obstinado.

iG: E essa imagem é próxima do senso comum a respeito dele?
Marcel Souto Maior: Chico é uma figura controvertida, um mito polêmico, idolatrado por milhões de brasileiros e questionado por outros milhões de céticos. Para muitos brasileiros - a maioria, acho - é um santo. Para outros, uma fraude, ao atribuir a espíritos textos escritos por ele mesmo. Chico para mim foi um homem de fé, que construiu uma trajetória única movido por três sentidos básicos: o sentido de missão (difundir o espiritismo e a caridade no país), o sentido de aceitação (ele agradecia pelas dores e obstáculos que enfrentava e encarava o sofrimento como forma de "resgatar dívidas" e crescer) e o sentido da doação (ele abriu mão de ganhos financeiros, da família, da própria privacidade para se dedicar à sua missão). Estes são traços que não podemos negar a Chico, por mais céticos que sejamos. No fim da vida, Chico dizia: "Graças a Deus aprendi a viver apenas com o necessário." E aos que previam a sua "queda" (desmascarado por fraudes, por exemplo), Chico respondia: "Não vou cair porque nunca me levantei." Se Chico não tivesse fé não teria construído a história que construiu.


iG: Você tinha algum tipo de crença religiosa antes de escrever o livro?
Marcel Souto Maior: Continuo sem religião, infelizmente. Adoraria ter uma fé consolidada, inabalável, mas estou sempre questionando os limites entre este mundo e o "outro". Costumo dizer que, entre o céu e a terra, existe uma caixa preta ainda insondável pra gente: o cérebro. O que é mental? O que é memória genética? O que vem do nosso inconsciente ou de uma dimensão espiritual? Penso nestas questões e sigo questionando, talvez por vício jornalístico. Mas Chico mudou - sim - minha percepção sobre nosso papel no mundo. "Ajuda o outro e você vai estar se ajudando". "Graças a Deus aprendi a viver apenas com o necessário". Estas frases de Chico - e seu exemplo de vida - me marcaram e me transformaram também.

iG: Como foram seus encontros com o Chico Xavier durante as pesquisas para a biografia?
Marcel Souto Maior: Chico tinha mais de 80 anos e sofria com sucessivas crises de angina e pneumonia quando o conheci. O que chamava atenção nele era a maneira como ele recebia, abraçava e consolava as famílias que o procuravam em Uberaba. Com o perdão do lugar-comum, Chico impressionava pela tranquilidade e esperança que conseguia transmitir.

iG: No livro, você conta dois episódios acontecidos durante encontros com Chico Xavier, um em que você chorou compulsivamente e outro em que sentiu a mão queimar. Hoje, como analisa isso?
Marcel Souto Maior: Não consigo explicar. Foram reações "físicas" mesmo, desvinculadas de emoções específicas. O corpo reagiu sem que eu tivesse noção do que estava acontecendo. Isso é estranho e um tanto desconcertante pra quem sempre se viu como cético. Até batizei os dois episódios - Mão Pegando Fogo e Lágrimas Inexplicáveis -, mas não tenho explicações para eles.

iG: Como era o processo de psicografia do Chico Xavier? Tinha algum horário, local ou ritual para acontecer?
Marcel Souto Maior: Chico psicografava sempre que não estava à frente de sessões no centro ou envolvido em outros compromissos como "divulgador" da doutrina espírita. Escrevia num ritmo intenso para cumprir - segundo ele - uma meta estabelecida por seu guia espiritual, Emmanuel. "100 livros para começar", foi o que ele ouviu do mentor no início de seu "mandato mediúnico", como a comunidade espírita define. No início, ainda jovem, os textos "vinham" a qualquer instante e em qualquer lugar. Depois, com o tempo, Chico foi estabelecendo um horário, que variava de acordo com os compromissos de cada dia. Podia ser no meio da tarde ou durante a madrugada.

iG: O filme de Daniel Filho é baseado no seu livro. Você está envolvido de alguma maneira com a adaptação?
Marcel Souto Maior: Conversei com o roteirista Marcos Bernstein algumas vezes e - desde o início, desde o primeiro tratamento - fiquei muito feliz com o caminho escolhido por ele e Daniel para reconstituir a trajetória do Chico. O filme - assim como o livro - não quer doutrinar ninguém. Quem espera uma ode a Chico Xavier vai se surpreender.

iG: Vai haver uma reedição de "As Vidas de Chico Xavier" por causa do lançamento do filme?
Marcel Souto Maior: Vamos lançar sim - pela editora Leya - uma nova edição de Chico, com fotos e histórias inéditas. Outro lançamento, confirmado para março, é o de um foto-livro sobre os bastidores do filme de Daniel Filho. Coletei, com a ajuda da jornalista Patricia Paladino, várias histórias curiosas e surpreendentes que marcaram o dia-a-dia das oito semanas de filmagens. O livro é ilustrado por belíssimas fotos do Ique Esteves.

iG: No livro, você conta que até então nenhum médium havia recebido o espírito do Chico Xavier. Desde a publicação, isso nunca aconteceu?
Marcel Souto Maior: Não. Eurípedes, o filho de criação de Chico, não confirma a autenticidade de qualquer mensagem atribuída a Chico Xavier. Chico teria deixado com o filho - e com duas outras pessoas de sua confiança - três palavras-chaves que deveriam constar da primeira mensagem assinada por ele. Estas palavras ainda não apareceram...

sábado, 13 de fevereiro de 2010

SOBRE AS COMUNICAÇÕES...

Cuidados com as comunicações


10.Fev.2010

"Amados, não creiais a todo espírito, mas provai se os espíritos são de Deus." (1 João,4:1)

Por Julio Capilé*

Desde os tempos apostólicos falava-se em espíritos e ainda mais, orientavam-se os estudiosos a não deixarem-se enganar por espíritos zombeteiros ou maldosos. Estes estão em toda parte e muitos são inteligentes o suficiente para se fazerem passar por espíritos amigos, senão superiores a nos querer orientar no trato com mediunidade e outros afazeres no Centro e em nossas vidas. A mensagem diz para termos cuidados nesse sentido. O seguidor da Doutrina pode receber algum espírito a lhe dar conselhos até para coisas comuns da vida. Faz-se passar por um amigo ou por um espírito de elevação conhecida e que se comunicava ou comunica por médiuns famosos, mas sempre devemos ter cautela, pois quanto mais elevado pareça, mais longe está de nosso grau evolutivo o que pode incentivar nosso ego que facilmente nos pode enganar.
Outro fator que pode originar mensagens enganosas é o afã de receber notícia de entes queridos e de sua situação atual. Mas não é fácil ao espírito comunicar-se. Demanda muito tempo para que tenha condições para isso. Além do mais a ansiedade faz com que a pessoa acredite em qualquer mensagem mesmo que ilógica, pois a saudade não permite testar se é de fato o parente amigo. Ouve-se, emociona-se e aceitam-se suas palavras como verdadeiras.
Também não nos devemos embair por palavras elogiosas que sabemos não merecer. Os brincalhões gostam de afagar nossos defeitos. O vaidoso e o egoísta aceitam elogios facilmente e todos nós não estamos isentos desses defeitos. Tão agradável é receber mensagem com nomes famosos! Mas busquemos a lógica e o grau de veracidade. Os espíritos "de Deus" não se aborrecem com esse nosso cuidado e até incentivam: "É preferível recusar nove verdades a aceitar uma mentira".
E tendo o cuidado de assegurar da veracidade pela essência da comunicação e não pelo título, poderemos divulgar para os que se interessarem. Caso não condiga com a verdade, devemos esquecer e nem comentar, para não valorizar o trabalho do embusteiro. Um dia ele se cansará das futilidades e procurará seguir seu destino em paz. Pode ser que já esteja "no ponto" para amadurecer. Portanto oremos por ele.
Em grupos mediúnicos no qual surgem espíritos de todo grau evolutivo e de intenções variadas, é bom que tenha entre os trabalhadores pelo menos um médium vidente que serve como um raio-x. Vendo o espírito, pode orientar quanto à veracidade da entidade comunicante. Não é muito comum essa mediunidade, mas, as pessoas com a intuição bem desenvolvida, conseguem perceber se o espírito está dizendo a verdade ou não. Além disso, quem dirige sessão mediúnica deve estudar sempre, principalmente sobre mediunidade. Todo cuidado é pouco. Não é que vivamos desconfiando de tudo, mas em sessão de desobsessão temos a obrigação de orientar os sofredores que batem à nossa casa mediúnica, pois que o Espiritismo é feito por eles e para eles. Caridade no trato, bons pensamentos e encaminhamento adequado, são muito importantes para a vida futura do sofredor. Mesmo que seja um impostor a comunicar-se, nossa obrigação cristã é dar-lhe, além dos esclarecimentos necessários, o lenitivo para suas dores. Jesus através de Seus trabalhadores nos ajudará nesse desiderato.

*Médico.
julio.capile@apis.com.br

domingo, 17 de janeiro de 2010

SOBRE O HAITI QUE AINDA É AQUI E EM TODO LUGAR...

A CARIDADE TEM QUE TER CORAGEM MAS NÃO PRECISA TER CARA NEM NOME NEM ENDERÇO...



É REALMENTE MUITO TRISTE VER O QUE ESTÁ ACONTECENDO COM O POVO HAITIANO .ALIÁS NÃO É DE HOJE QUE O SOFRIMENTO DESSE POVO CHOCA O MUNDO E CONSTRANGE A NOSSA AINDA LIMITADE CAPACIDADE DE COMPARTILHAR E DE TER COMPAIXÃO . PARECE MESMO QUE SÓ NOS EMOCIONAMOS COM AS DIFICULDADES DA HEROINA DA NOVELA DAS 8 H OU COM AS NOTÍCIAS QUE PASSAM NO JORNAL NACIONAL . NA MAIOR PARTE DAS VEZES A NOSSA TRISTEZA DURA APENAS O TEMPO EM QUE ESTAS IMAGENS AFRONTAM A NOSSA PAZ E INVADEM A NOSSA SALA . FOI ASSIM NAS ENCHENTES E NOS DESLIZAMENTOS AQUI NO BRASIL E AGORA NA CATÁSTROFE NO HAITI.ESQUECEMOS DE LEMBRAR QUE POR TRÁS DESSAS SITUAÇÕES ESTÃO CAMUFLADAS O ABANDONO AOS NECESSITADOS, A NÃO OPÇÃO DOS PODEROSOS PELA POBREZA , A FALTA DE COMPROMISSO AOS DESASSISTIDOS E A EXPLORAÇÃO DA MISÉRIA. OU SERÁ QUE ESTAS TRAGÉDIAS ACONTECERIAM SE HOUVESSE COMPROMISSO , RESPEITO E SERIEDADE COM A ATITUDE E O EXERCÍCIO NA GESTÃO PÚBLICA . É CLARO QUE A CHUVA E O TERREMOTO SÃO EPISÓDIOS NATURAIS , MAS SEM DÚVIDA NENHUMA , OS MENOS ASSISTIDOS ESTARIAM MAIS ASSISTIDOS SE POR EXEMPLO O HAITI NÃO ESTIVESSE MERGULHADO NESSE CAOS HÁ MUITOS ANOS E A GANÂNCIA E O DESRESPEITO À NATUREZA NÃO FOSSEM PRÁTICAS COMUNS EM LUGARES COMO ANGRA DOS REIS E MUITOS PARAISOS ECOLOGICOS DESTRUIDOS POR NOSSA VOLÚPIA ASSASSINA .ISSO SEM FALAR NO VALE A PENA VER DE NOVO QUE SOMOS OBRIGADOS A ASSISTIR TODO VERÃO NAS ENCOSTAS DE PETRÓPOLIS , TERESÓPOLIS E AFINS E NOS MUNICIPIOS DA BAIXADA FLUMINENSE , CARENTES DE POLÍTICOS HONESTOS QUE NUNCA PENSARAM EM DISCUTIR SERIAMENTE O SUGNIFICADO DO QUE SEJA OCUPAÇÃO RACIONAL DE SOLO E AINDA INSISTEM EM FAZER POLÍTICA DA FORMA MAIS SUJA QUE EXISTE.

E ENTÃO , TEMOS INVARIAVELMENTE DUAS ALTERNATIVAS PARA SOLUCIONAR ESSAS SUGESTÕES : AO POLITICO - AGORA O GESTOR ELEITO -( OLHA O NOSSO VOTO!) , APARECER NA TV , DIZENDO QUE TUDO VAI MUDAR E QUE UMA COMISSÃO VAI TRATAR DE ESTABELECER METAS PARA O USO DA VERBA DESTINADA A RECUPERAÇÃO DO QUE FOI DESTRUÍDO E AO ARTISTA - ATOR , RICO , MODELO , ETC - TORNAR PÚBLICA ALGUMA DOAÇÃO DEMONSTRANDO GRANDE PREOCUPAÇÃO COM A DESGRAÇA . PARECE QUE TANTO PARA O POLÍTICO QUANTO PARA O ARTISTA PRECISA HAVER PÚBLICO PARA - DE NOVO A TV ,APLAUDIR A ATITUDE . E ESSA É A QUESTÃO .

É NECESSÁRIO URGENTEMENTE QUE NOS COMPROMETAMOS COM ESSAS CAUSAS E NA BUSCA DE SOLUÇÕES PARA O SEU ENFRENTAMENTO . MAS NÃO PRECISAMOS DE MÍDIA . GOVERNAR PARA O POLÍTICO - AGORA GESTOR , DEVERIA SER OBRIGAÇÃO. NATURALMENTE A ASSISTENCIA SOCIAL , O TRABALHO , A MORADIA , A SAÚDE , ETC, TUDO ISSO DEVERIA SER POLÍTICA DE ESTADO E NÃO DE GOVERNO . O POLÍTICO DEVERIA TER DIGNIDADE E COMPROMISSO SEM PRECISAR DIZER NA TV . E A AÇÃO DE AJUDA DOS QUE PODEM DAR TAMBÉM PODERIA SER SILENCIOSA E DEMONSTRAR RESPEITO .SERIA DESNECESSÁRIA DIZER OU PUBLICAR , BASTARIA FAZER .ALIAS , AINDA HOJE , DEPOIS DE TANTO VER , AINDA NÃO COMPREENDI PORQUE ESSAS PESSOAS PRECISAM TORNAR PÚBLICO ESSES GESTOS.

PRECISAMOS URGENTEMENTE LEMBRAR NESSA HORA DA LIGAÇÃO QUE AINDA TEMOS COM DEUS E COM O DIVINO QUE ESTÁ LATENTE DENTRO DE NÓS E PEDIR PARA TODOS ESSES IRMÃOS -VITIMAS DESSAS DESGRAÇAS E DOS QUE LUCRAM DE ALGUMA FORMA COM ELAS ,E PARA NÓS , SEMPRE, APENAS UMA COISA : QUE A MISERICORDIA DO PAI CAIA ABUNDANTEMENTE SOBRE O NOSSO PLANETA E NOS FORTALEÇA A TODOS...

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

DA SÉRIE ANDRE LUIZ

Do Livro "Mecanismos da Mediunidade"
NOTA: É MUITO INTERESSANTE ATENTAR SEMPRE PARA A NOSSA RESPONSABILIDADE E DISCIPLINA, SEMPRE!!!!!!!
Do Espírito André Luiz, psicografia de Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira

Efeitos Físicos (II)

DIFICULDADES DO INTERCÂMBIO — Não podemos esquecer que o campo de oscilações mentais do médium — envoltório natural e irremovível que lhe pulsa do espírito — é o filtro de todas as operações nos fenômenos físicos.
Incorporam-se-Ihe ao dinamismo psíquico os contingentes ectoplásmicos dos assistentes, aliados a recursos outros da Natureza; mas, ainda aí, os elementos essenciais pertencem ao médium que, consciente ou inconscientemente, pode interferir nas manifestações.
A exteriorização dos princípios anímicos nada tem a ver, em absoluto, com o aperfeiçoamento moral.
Cumpre destacar, assim, as dificuldades para a manutenção de largo intercâmbio dilatado e seguro, nesse terreno.
Basta leve modificação de propósito na personalidade medianimica seja em matéria de interesse econômico ou de conduta afetiva, para que se lhe alterem os raios mentais. Verificada semelhante metamorfose, esboçam-se-lhe, na aura ou fulcro energético, formas-pensamentos, por vezes em completo desacordo com o programa traçado no Plano Superior, ao mesmo tempo que perigos consideráveis assomam na esfera do serviço a fazer, de vez que a transformação das ondas mediúnicas imprime novo rumo à força exteriorizada, que, desse modo, em certas ocasiões, pode ser manuseada por entidades desencarnadas, positivamente inferiores, famintas de sensações do campo físico.
Em tais sucessos, perturbações variadas podem ocorrer, desencorajando experiências magnificamente encetadas.

MÉDIUM E ASSISTENTES — Todavia, é imperioso anotar que não somente o fulcro mental do médium intervém nas atividades em grupo.
Cada assistente aí comparece com as oscilações que lhe são peculiares, tangenciando a esfera mediúnica em ação, e, se os pensamentos com que interfere nesse campo diferem dos objetivos traçados, com facilidade se erige, igualmente, em fator alternante, por insinuar-se, de modo indesejável, nos agentes de composição da obra esperada, impondo desequilíbrio ao conjunto, qual acontece ao instrumento desafinado numa orquestra comum.
Disso decorrem os embaraços graves para o continuísmo eficiente dos agrupamentos que se formam, na Terra, para as chamadas tarefas de materialização.
Se as entidades espirituais sensatas e nobres estão dependentes da faixa de ondas mentais do médium, para a condução correta das forças ectoplasmáticas dele exteriorizadas, o médium depende também da influência elevada dos circunstantes, para sustentar-se na harmonia ideal.
É por isso que, se o medianeiro tem o espírito parcialmente desviado da meta a ser atingida, sem dificuldade se rende, invigilante, às solicitações dos acompanhantes encarnados, quase sempre imperfeitamente habilitados para os cometimentos em vista, surgindo, então, as fraudes inconscientes, ao lado de perturbações outras de que se queixam, aliás inconsideradamente, os metapsiquistas, pois lidando com agentes mentais, longe ainda de serem classificados e catalogados em sua natureza, não podem aguardar equações imediatas como se lidassem com simples números.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

SÉRIE " O CLARIM "

O ESPÍRITA E A CARIDADE


O espírita estudioso sabe que toda a moral de Jesus está consubstanciada na caridade e na humildade: caridade, que é o contraponto do egoísmo, e humildade, que representa o contraponto do orgulho.
Não há quem não anseie pela felicidade. Entretanto, ela jamais será alcançada sem a presença dessas duas virtudes. Isso porque a felicidade é um estado de espírito e tem a ver com o equilíbrio da mente e do coração, neste mundo e no outro.
Ninguém tem, efetivamente, essa paz de espírito se a consciência lhe cobra ter sido, no relacionamento com o próximo, maquiavélico, falso, dissimulado, insincero, antifraterno.Essa paz interior, entretanto, brota, quando o sentimento de solidariedade, de fraternidade, de amor, é exercitado, de inúmeras maneiras:A paciência com o próximo mais próximo;O amparo à criança e ao idoso;A assistência ao enfermo e ao recluso, e assim por diante.
Cada um tem a sua programação reencarnatória e nela diversas formas de praticar a caridade e a humildade.
Salvar-se, no entendimento espírita, significa bem aproveitar essas oportunidades, saindo-se vencedor nessa programação.Representa caridade e humildade calar-se diante da ofensa e perdoar.
Quem assim age está indo contra o egoísmo e o orgulho.E não é somente com relação ao próximo, mas também em relação a Deus.Quem ama o próximo está amando ao Criador. Quem revolta-se diante do próximo está se revoltando diante do Pai Maior: é como se dissesse, murmurando, “Deus é injusto colocando no meu caminho pessoa ou pessoas que me servem de prova, testando-me continuamente.”
Não se podendo amar verdadeiramente a Deus sem a prática efetiva da caridade em relação ao próximo, a garantia do progresso espiritual e moral reside no seu exercício.
Às vezes ouve-se questionamentos sobre se a filantropia seria caridade ou não.
A filantropia, por definição, significa amor à humildade.Assim sendo, se é caridade o amor ao próximo, é caridade também o amor à humildade (Jesus nos ama, a todos).
Como se sabe sobejamente, pelos ensinamentos espíritas, a caridade pode ser espiritual e/ou material e isso se aplica tanto a uma pessoa em particular como a um grupo maior ou menor de pessoas.
Na programação reencarnatória de todos está presente tanto uma como outra forma de caridade, desde a vida em família como a vida em sociedade.
O que varia de um para outro indivíduo é a particularidade da tarefa, seja em função de prova, de reparação, ou de ambos.No estágio evolutivo em que nos encontramos, ninguém se considerará missionário, no sentido religioso da palavra. Entretanto, quedar indiferente em relação às necessidades do próximo, se se pode de alguma forma ajudar, representa culposa omissão, da qual um dia se haverá de prestar contas.
A Doutrina Espírita, com o seu tríplice e indispensável aspecto, enfatizando a prática da caridade como condição para o desenvolvimento espiritual e moral, mostra o caminho a ser seguido pelos que já a compreendem.
Quanto mais estudo mais é sentida a necessidade da prática da caridade; quanto mais a caridade é praticada mais profundamente é sentido o efeito dessa causa em termos de bem estar espiritual.
Pela análise da essência da mensagem espírita, constata-se que o Espiritismo representa o Consolador, a reviscência do Cristianismo na sua pureza dos primeiros tempos cristãos. Ser espírita verdadeiro e buscar ser verdadeiro cristão.
FONTE: http://www.oclarim.com.br

sábado, 28 de novembro de 2009

SOBRE OS FENÔMENOS...

O maravilhoso e a moderna psicologia

Cairbar Schutel

Publicado na RIE em julho de 1925

O caráter sobrenatural atribuído aos fenômenos psíquicos tem perturbado os pensadores de todos os tempos. Na sua história aparecem as lendas, os encantamentos, os contos de fadas e até sobre ela se assentam os taumaturgos e pseudotaumaturgos de todas as épocas, e os dogmas das religiões sectárias.
O maravilhoso, em sua simples expressão, nada mais é que o transcendentalismo psíquico; a sua origem desaparece na noite das primeiras idades.
As explicações que têm revestido o maravilhoso demonstram muito bem a deficiência do ensino da antiga psicologia, cujo estudo só era facultado na antiguidade a um insignificante número de indivíduos e isso mesmo mediante provas duras de suportar e com a condição de absoluto segredo.
Essa “iniciação”, como chamavam-na, se fazia nos templos e constituía na aprendizagem dos “mistérios”, a apelidada parte esotérica, isto é, a parte dos conhecimentos que se não deviam revelar.
O programa dos ensinos compreendia, no seu estreito limite, as ciências naturais, que abrangiam a alquimia, a magia, o feiticismo, a teurgia (medicina oculta); as ciências abstratas: estudos dos números e dos símbolos; ciências filosóficas: cabala, mitologia; e as chamadas ciências derivadas: artes divinatórias, astrologia, cartomancia (adivinhação pelas cartas), quiromancia (pelas linhas da mão), hidromancia (pela água), ofiomancia (pelas serpentes), lampadomancia (pela chama da lâmpada), catoptromancia (pelo espelho), oneiromancia (pelos sonhos), etc, etc.
Fora dos templos o maravilhoso era cultivado, mas com absoluta reserva devido às leis proibitivas, cuja infração era muitas vezes reparada com a vida.
O terror unido à curiosidade do ignoto atraía as gentes, pelo que se vê nas práticas extravagantes, e o temor-culto do perigo que as forças ocultas pudessem ocasionar às massas deram lugar a leis bárbaras e a constantes perseguições que sofreram os povos de então.
É fácil, pelo exposto, se conceber o nascimento das teorias preconcebidas que, mal estudados os seus fatos, originaram a criação das múltiplas escolas que se mantêm até hoje, entravando os seus diretores a marcha ascensional dos espíritos para a verdade.
Não há dúvida que a preocupação máxima dos gênios era a resolução do problema da existência que deveria se tornar conhecida de todos. Mas em resposta a essa necessidade imperiosa surgiram hipóteses que obscureceram o pensamento dos Mestres, permanecendo pela influência do número que a elas se aliavam.
As escolas surgidas no oriente como no ocidente, emergentes da evolução progressiva da consciência, não fizeram mais do que voltar as suas vistas para o desconhecido e o oculto em virtude mesmo de suscitar esse oculto desconhecido, adeptos e entusiastas.
Debalde os gênios retomavam e seguiam a perturbadora esfinge do maravilhoso que lhes convidava à explicação dos fatos persistentes que requeriam, sem dúvida, uma pesquisa criteriosa e inteligente para a solução do terrível problema, do qual sempre se afastavam às repulsas enervantes do dogma abroquelador e persistente.
Desde Hermes Trimegista, de quem fala José Balsamo, como fundador da escola iniciática do Egito, conforme se nota de sua síntese filosófica exarada na Tábua de Esmeralda, todos os ensinos sobre o maravilhoso não passam de obscuros e problemáticos, que poderiam ser aceitos como artigos de fé, mas nunca como produtos da pesquisa exigente e consciente, do livre exame, de um raciocínio coerente com os fatos e teoria que deles ressalta.
Sejam os mistérios de Ísis, de Mitra, de Delfos, ou o gnosticismo de Simão, o Mago, cujas maravilhas sedutoras foram verberadas por S. Pedro, visto o mau patrimônio onde eram recolhidas, mas que, apesar disso, deram ensejo ao erguimento, em Tiro, de uma escola, onde afluía grande número de prosélitos; seja a demonologia da Idade Média, extensiva aos nossos dias, que desnaturando os fatos inutiliza o método experimental da existência e sobrevivência da alma; sejam as concepções búdicas desnaturadas que deram lugar à criação dos vampiros, dos íncubos, dos súcubos; todas as explicações religiosas só serviram para obscurecer e fanatizar os espíritos.
Enfim, o mundo oculto ou antes os transcendentais fenômenos psíquicos, que se salientam na história de todos os povos, são mais complexos do que aparentam, deixando ver bem claro a ignorância que os homens mantinham de suas causas antes da alvorada espírita iluminar os horizontes do nosso planeta.

* * * *

Só depois do aparecimento dos Princípios Kardecistas, que constituem as obras basilares da Moderna Psicologia, que foi proclamado o estudo experimental do homem na sua tríplice manifestação de Vida — vegetativa, moral e espiritual.
Atirado aos ventos da publicidade “O LIVRO DOS ESPÍRITOS”, apareceu a solução da misteriosa equação que constituía a esfinge admirada pelos povos de então.
Os fenômenos psíquicos, deturpados em sua explicação causal por uns e que pareciam, para outros, produtos da superstição e do fanatismo, apareceram em seu conjunto maravilhoso como sólidos alicerces de uma Ciência, cujo fim é a demonstração experimental da existência da alma e sua imortalidade, por meio de comunicações com aqueles que impropriamente se têm chamado os mortos.
De fato, esses fenômenos que remontam, como dissemos, às tradições dos mais antigos povos, nunca mereceram uma observação sistematizada, fria, analítica que lhes tirasse da região da lenda para o domínio da experimentação científica. Essa foi a tarefa de Allan Kardec que, fazendo uma coordenação lógica de todos os fatos até então dispersos desordenadamente através do passado, de acordo com os que se iam verificando, permitiu observá-los em seu conjunto, como em cada uma das suas partes, oferecendo assim aos experimentadores uma orientação justificada no livre exame, na observação direta para a dedução das considerações doutrinais que decorrem de tais fenômenos. E de todo esse conjunto maravilhoso de fatos, cujos relatos, de decisivas experiências, enchem os anais da Moderna Psicologia, numa raciocinada exegese, aparece a prova positiva e incontestável da Imortalidade, que é o princípio básico, fundamental do Espiritismo.

CASA EDITORA O CLARIM - Matão/SP - Brasil - Fone: (16) 3382-1066 -

domingo, 15 de novembro de 2009

PARA APROFUNDAR....

CARNE VERMELHA E PRÁTICA MEDIÚNICA


TADEU SABÓIA


“E chamando a si as turbas, lhes disse: Ouvi e entendei. Não é o que entra pela boca o que faz imundo o homem, mas o que sai da boca, isso é o que faz imundo o homem”. (Mateus, XV:11).

E respondendo Pedro, lhe disse: Explica-nos essa parábola. E respondeu Jesus: Também vós outros estais ainda sem inteligência? Não compreendeis que tudo o que entra pela boca desce ao ventre, e se lança depois num lugar escuso? Mas as coisas que saem da boca vêm do coração, e estas são as que fazem o homem imundo; porque do coração é que saem os maus pensamentos, os homicídios, os adultérios, as fornicações, os furtos, os falsos testemunhos, as blasfêmias. Estas coisas são as que fazem imundo o homem. O comer, porém, com as mãos por lavar, isso não faz imundo o homem”. (Mateus, XV: 16-20).

A ALIMENTAÇÃO DE CARNE VERMELHA É PREJUDICIAL?

O ato de comer sempre foi motivo de discussão por parte de todos os povos. A abstenção de certos tipos de alimentos era considerada sagrada e tinha variadas finalidades de acordo com o povo, a época, a cultura e a região.

É inegável que uma alimentação equilibrada é fundamental para a nossa saúde. E no tocante a mediunidade o tema “alimentação” deve ser analisado com maior atenção. Um médium consciente de suas responsabilidades e deveres deve ter uma vida equilibrada em todos os aspectos. Com o que come diuturnamente ele deve primar por este mesmo equilíbrio.

Difundiu-se no movimento espírita uma “idéia” de que comer carne vermelha é proibido aos médiuns. Esta “teoria”, oriunda do “misticismo igrejeiro”, segundo José Herculano Pires, ou da contaminação por idéias do orientalismo mágico é um flagrante engano, do ponto de vista científico-doutrinário.

Observemos que Kardec não deixou o tema sem a devida analise e estudo:

A abstenção de certos alimentos, prescrita entre diversos povos, funda-se na razão? “Tudo aquilo de que o homem se possa alimentar, sem prejuízo para a sua saúde, é permitido. Mas os legisladores puderam interditar alguns alimentos com uma finalidade útil. E para dar maior crédito às suas leis apresentaram-nas como provindas de Deus”.
O Livro dos Espíritos, questão nº 721

A alimentação animal, para o homem, é contrária à lei natural? “Na vossa constituição física, a carne nutre a carne, pois do contrário o homem perece. A lei de conservação impõe ao homem o dever de conservar as suas energias e a sua saúde para poder cumprir a lei do trabalho. Ele deve alimentar-se, portanto, segundo o exige a sua organização”.
O Livro dos Espíritos, questão nº 722

A abstenção de alimentos animais ou outros, como expiação é meritória? “Sim, se o homem se priva em favor dos outros, pois Deus não pode ver mortificação quando não há privação séria e útil. Eis porque dizemos que os que só se privam em aparência são hipócritas”.(Ver item 720.)
O Livro dos Espíritos, questão nº 724

As privações voluntárias, com vistas a uma expiação igualmente voluntária, têm algum mérito aos olhos de Deus? “Fazei o bem aos outros e tereis maior mérito”.
O Livro dos Espíritos, questão nº 720

Os povos que levam ao excesso o escrúpulo no tocante à destruição dos animais têm mérito especial? “É um excesso, num sentimento que em si mesmo é louvável, mas que se torna abusivo e cujo mérito acaba neutralizado por abusos de toda espécie. Eles têm mais Temor supersticioso do que verdadeira bondade”.(grifo nosso)
O Livro dos Espíritos, questão nº 736

... Amai, pois, a vossa alma, mas cuidai também do corpo, instrumento da alma; desconhecer as necessidades que lhe são peculiares por força da própria natureza, é desconhecer as leis de Deus. Não o castigueis pelas faltas que o vosso livre arbítrio o fez cometer, e pelas quais ele é tão responsável como o cavalo mal dirigido o é, pelos acidentes que causa. Sereis por acaso mais perfeitos, se, martirizando o corpo, não vos tornardes menos egoístas, menos orgulhosos e mais caridosos? Não, a perfeição não está nisso, mas inteiramente nas reformas a que submeterdes o vosso Espírito. Dobrai-o, subjugai-o, humilhai-o, mortificai-o: é esse o meio de o tornar mais dócil à vontade de Deus, e o único que conduz à perfeição.
O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. V, Item 11

...Como era mais fácil observar a prática dos atos exteriores, do que se reformar moralmente, de lavar as mãos do que limpar o coração, os homens se iludiam a si mesmos, acreditando-se quites com a justiça de Deus, porque se habituavam a essas práticas e continuavam como eram, sem se modificarem.
O Evangelho Segundo o Espiritismo, CAP. VIII, Item 10

Mas não foi só o codificador que deixou bem claro a visão espírita do tema. Vemos que outros orientadores encarnados e desencarnados também mantem um posicionamento coerente. vejamos o que nos orienta André Luiz:

A alimentação, durante as horas que precedem o serviço de intercâmbio espiritual, será leve. Nada de empanturrar-se o companheiro com viandas desnecessárias. Estômago cheio, cérebro inábil. A digestão laboriosa consome grande parcela de energia, impedindo a função mais clara e mais ampla do pensamento, que exige segurança e leveza para exprimir-se nas atividades da desobsessão. Aconselháveis os pratos ligeiros e as quantidades mínimas, crendo-nos dispensados de qualquer anotação em torno da impropriedade do álcool, acrescendo observar que os amigos ainda necessitados do uso do fumo e da carne, do café e dos temperos excitantes, estão convidados a lhes reduzirem o uso, durante o dia determinado para a reunião, quando não lhes seja possível a abstenção total, compreendendo-se que a posição ideal será sempre a do participante dos trabalhos que transpõe a porta do templo sem quaisquer problemas alusivos à digestão.
André Luiz, Desobsessão, Cap.II.

Em entrevista a Revista “0 Mensageiro” o estudioso da mediunidade e medium Raul Teixeira declara:

P: – Como deve ser a dieta alimentar dos médiuns nos dias de trabalho mediúnico?
R: - A dieta alimentar dos médiuns deverá constituir-se daquilo que lhes possa atender às necessidades, sem descambar para os excessos ou tipos de alimentos que, por suas características, poderão provocar implicações digestivas, perturbando o trabalhador e, conseguintemente, os labores dos quais participe. Desse modo, torna-se viável uma alimentação normal, evitando-se os excessivos condimentos e gorduras que, independente das atividades mediúnicas, prejudicam bastante o funcionamento orgânico.

P: – A alimentação vegetariana será mais aconselhável para os médiuns em geral?
R: – A questão da dieta alimentar é fundamentalmente de foro íntimo ou acatará a alguma necessidade de saúde, devidamente prescrita. Afora isto, para o médium verdadeiro não há a chamada alimentação ideal, embora recomende o bom senso que se utilize uma alimentação que lhe não sobrecarregue o organismo, principalmente nos dias de reunião mediúnica, a fim de que não seja perturbado por qualquer processo de conturbada digestão que, com certeza, lhe traria diversos inconvenientes.
A alimentação não define, por si só, o potencial mediúnico dos médiuns que deverão dar muito maior validade à sua vida moral do que à comida obviamente.
Algumas pessoas recomendam que não se comam carnes, nos dias de tarefa mediúnica, enquanto outras recomendam que não se deve tomar café ou chocolate, alegando problemas das toxinas, da cafeína, etc., esquecendo-se que deveremos manter uma alimentação mais frugal, a partir do período em que já não tenha tempo o organismo para uma digestão eficiente.
É mais compreensível, e me parece mais lógico, que a pessoa coma no almoço o seu bife, se for o caso, ou tome seu cafezinho pela manha, do que passar todo o dia atormentada pela vontade desses alimentos, sem conseguir retirar da cabeça o seu uso, deixando de concentrar-se na tarefa, em razão da ansiedade para chegar em casa, após a reunião, e comer ou beber aquilo de que tem vontade.
Por outro lado, a resposta dos espíritos à questão 723 de O Livro dos Espíritos é bastante nítida a esse respeito, deixando o espírita bem à vontade para a necessária compreensão, até porque a alimentação vegetariana não indica nada sobre o caráter do vegetariano. Lembremo-nos que o “médium” Hitler era vegetariano e que o médium Francisco Cândido Xavier se alimenta com carne”.

Não é no intuito de negar o quanto é saudavel o habito de se abster de carnes vermelhas, mas simplismente de mostrar que o fato de ingerirmos este tipo de alimento não nos impede, nem nos dasabilita da prática da mediunidade nos parametros seguros da codificação.

ARTIGO PUBLICADO NO BOLETIM Nº 536 DO GRUPO DE ESTUDOS AVANÇADOS ESPÍRITA. www.geae.inf.br

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

TEMAS DE O REFORMADOR

Editorial
Espiritismo e Educação

(*)Edição de Novembro de 2009

No final do capítulo III do Livro III de O Livro dos Espíritos,1 que trata da Lei do Trabalho (Questões 685-685a), Allan Kardec tece comentários a respeito da importância da educação na formação moral do ser humano, os quais, pela sua permanente atualidade, transcrevemos:

[...] Há um elemento a que não se tem dado o devido valor e sem o qual a ciência econômica não passa de simples teoria: a educação. Não a educação intelectual, mas a educação moral. Não nos referimos à educação moral pelos livros e sim à que consiste na arte de formar os caracteres, àquela que cria hábitos, uma vez que a educação é o conjunto dos hábitos adquiridos. Quando se pensa na grande quantidade de indivíduos que todos os dias são lançados na torrente da população, sem princípios, sem freio e entregues a seus próprios instintos, serão de admirar as consequências desastrosas que daí resultam? Quando essa arte for conhecida, compreendida e praticada, o homem terá no mundo hábitos de ordem e de previdência para consigo mesmo e para com os seus, de respeito a tudo o que é respeitável, hábitos que lhe permitirão atravessar com menos dificuldade os dias ruins que não pode evitar. A desordem e a imprevidência são duas chagas que só uma educação bem entendida pode curar. Eis aí o ponto de partida, o elemento real do bem-estar, a garantia da segurança de todos.

Neste contexto, o Espiritismo nos proporciona as condições necessárias para um processo de constante autoeducação, com a formação de hábitos bons. O estudo metódico dos ensinos espíritas; a prática sistematizada da reunião do Evangelho no Lar; o perseverante trabalho nos núcleos espíritas, atendendo aos que buscam assistência e orientação; assumindo tarefas de ensino espírita às crianças, aos jovens, aos adultos e aos idosos; dedicando-se à difusão do Espiritismo por todos os meios lícitos de comunicação; exercendo a mediunidade dentro dos nobres princípios que o Evangelho inspira; cultivando a solidariedade, a fraternidade e a paciência em todas essas realizações, representam, sem dúvida, ações lógicas e coerentes que atendem à nossa real necessidade de evolução e ajudam outros companheiros de jornada evolutiva a encontrarem motivação, ânimo e compreensão para os naturais desafios que enfrentam.

Desta forma, gradativa e constantemente, vamos substituindo os velhos e infelizes hábitos que possuímos, caracterizados pelo egoísmo e pelo orgulho, por novos e bons hábitos, caracterizados pela maior presença dos ensinos do Evangelho, que nos libertam para níveis mais altos.

1KARDEC, Allan. Ed. Comemorativa do Sesquicentenário. Trad. Evandro Noleto Bezerra. Rio de Janeiro: FEB, 2007.

sábado, 24 de outubro de 2009

SOBRE O PAPEL DO ESPIRITISMO...

Espírita Deve Ser O Nome De Teu Nome


(*) RETIRADO DO SITE MOMEMTO ESPÍRITA
http://www.momento.com.br

Marcelo Garcia

No seu desenvolvimento, o Espiritismo tem passado por diversas fases de uma maneira bastante heterogênea, dependente das especificidades do Movimento Espírita em cada região.


Alguns o tratam com curiosidade desleixada, outros, respeitosa. Há os que o examinam com o especulo da ciência, outros, com o da filosofia. Existem os que buscam respostas para as suas dúvidas; outros, curas para as suas dores. Encontram-se, também, os que querem se apoiar nas propostas da Doutrina para pautarem seu comportamento.


Kardec previu que haveria fases, ao longo do tempo, para o desenvolvimento do Movimento, e dos adeptos, como no trecho que segue:


Três períodos distintos apresenta o desenvolvimento dessas idéias: primeiro, o da curiosidade, que a singularidade dos fenômenos produzidos desperta; segundo, o do raciocínio e da filosofia; terceiro, o da aplicação e das consequências. O período da curiosidade passou; a curiosidade dura pouco. Uma vez satisfeita, muda de objeto. O mesmo não acontece com o que desafia a meditação séria e o raciocínio. Começou o segundo período, o terceiro virá inevitavelmente. O Espiritismo progrediu principalmente depois que foi sendo mais bem compreendido na sua essência íntima, depois que lhe perceberam o alcance, porque tange a corda mais sensível do homem: a da sua felicidade, mesmo neste mundo. Aí a causa da sua propagação, o segredo da força que o fará triunfar. (“O Livro dos Espíritos” – conclusão – item V).


Fica claro, neste trecho, um processo. Não podemos, portanto, estagnar no atender à curiosidade ou ao interesse em compreender as coisas. Devemos ir além. Aliás, isto é o que de fato o Espiritismo pode fazer pelo indivíduo, como vemos nesta passagem:


O objetivo essencial do Espiritismo é o melhoramento dos homens. Não é preciso procurar nele senão o que pode ajudá-lo para o progresso moral e intelectual. (“O Espiritismo em sua expressão mais simples” –item 35)


As pessoas têm diferentes razões para procurar a Doutrina Espírita. Uma parte deseja ver se existe comunicação de espíritos; outra espera fazer contato com familiares mortos; outra, ainda, vem buscar consolo por perdas.


Há quem deseje explicações para questões filosóficas da vida, cura para doenças diversas, quem busque um grupo de convivência ajustado às suas visões de mundo e de ética, entre outros.


Independente da razão pela qual um indivíduo chega ao Centro Espírita, devemos nos lembrar de dar atenção ao que o Codificador chamou de “objetivo essencial do Espiritismo”.


É comum e compreensível que, para parte das pessoas, a Doutrina Espírita não passe de um conjunto de conceitos, que podem nunca ser usados, ou dos quais se lance mão apenas emalgumas circunstâncias.


Foi para esse tipo de atitude que fomos condicionados, quando estávamos na escola.


Treinados para absorver matérias, acumulando-as em blocos na memória, que devem ser acessados com destreza quando somos submetidos a exames.


Muitos, então, têm tendência a tratar o Espiritismo como uma matéria, conceitos que devem ser conhecidos, mesmo que não se entenda exatamente onde se vai aplicá-los ou como o fazer.


Usar a Doutrina Espírita como um conjunto de conhecimentos do qual se lança mão quando diante de um problema é ter uma fonte de consolo; entretanto, isso não aproveita todo o potencial de que a Doutrina Espírita dispõe para revolucionar a vida, modificar profundamente a visão de mundo e, consequentemente, as atitudes.


O Espiritismo deve colaborar com o progresso intelectual e moral das criaturas.


Sabe-se que progredir intelectualmente não é somente aprender coisas novas, mas aprender a pensar e interpretar as coisas de uma maneira mais adequada. Que progredir intelectualmente é desenvolver sabedoria para lidar com a vida e seus desafios de uma maneira consciente e deliberada, fazendo escolhas com conhecimento de causa. É aproveitar o melhor das diferentes circunstâncias, inclusive problemas, mesmo quando não haja solução.


O progresso moral, por sua vez, consiste no desenvolvimento de virtudes, observável na correção do sentimento e da conduta, na substituição dos vícios por atitudes mais saudáveis, no ajustamento às leis divinas.


O verdadeiro Espírita não é o que crê nas manifestações, mas aquele que faz bom proveito do ensinamento dado pelos Espíritos. Nada adianta acreditar se a crença não faz com que se dê um passo adiante no caminho do progresso e que não o faça melhor para com o próximo. (O Espiritismo em sua expressão mais simples – i. 36)


Está muito claro que o progresso não se dá simplesmente por saber o que é certo, mas a partir do momento em que tomamos decisões com base nestas convicções ou, ainda, em que interpretamos os acontecimentos de acordo com estes princípios.


Evidentemente, é útil compreendermos que o sofrimento tem sempre uma razão, no momento em que estivermos desnorteados ou inapelavelmente atados a algo que nos causa desconforto.


Entretanto, certamente seria muito mais útil se, durante o processo, nós estivéssemos cientes do objetivo da vida, atentos às múltiplas oportunidades de aprendermos com os desafios, sensíveis às sugestões dos amigos espirituais, raciocinando de uma maneira corajosa sobre as maneiras de tirar proveito, mesmo do sofrimento.


Pois essas são apenas algumas atitudes que podemos ter quando aproveitamos os ensinamentos dos Espíritos iluminados, oferecidos por meio de milhares de páginas psicografadas ou por intuição direta.




Dignifica, assim, a Doutrina que te consola e liber­ta, vigiando-lhe a pureza e a simplicidade, para que não colabores, sem perceber, nos vícios da ignorância e nos crimes do pensamento.


«Espírita» deve ser o teu caráter, ainda mesmo te sintas em reajuste, depois da queda.


«Espírita» deve ser a tua conduta, ainda mesmo que estejas em duras experiências.


«Espírita» deve ser o nome de teu nome, ainda mesmo respires em aflitivos combates contigo mesmo.


«Espírita» deve ser o claro adjetivo de tua institui­ção, ainda mesmo que, por isso, te faltem as passageiras subvenções e honrarias terrestres. (...)


Guarda-a, pois, na existência, como sendo a tua res­ponsabilidade mais alta, porque dia virá em que serás naturalmente convidado a prestar-lhe contas.

(Emmanuel – “Religião dos Espíritos” – cap. 80)


O pensamento de Emmanuel deixa claro a que ponto a Doutrina Espírita pode penetrar as nossas vidas, modificando-as.


“Espírita deve ser o nome de teu nome”.


Esta afirmação nos permite meditar sobre nossos papéis na vida.


Tendemos a nos identificar com um dos papéis que desempenhamos, por vezes mais do que com o próprio nome, especialmente com o profissional ou o familiar.


A proposta de Emmanuel é que, antes de qualquer papel que desempenhemos, antes mesmo do nosso nome, sejamos reconhecidos por sermos espíritas.


Existe grande distância entre ser pai espírita e ser espírita pai, assim como entre ser médico espírita e espírita médico.


O pai espírita se preocupará em oferecer orientação moral para o seu filho, desejará que ele frequente os grupos de evangelização e tentará sensibilizá-lo sobre a existência de espíritos e a vida após a morte.

O espírita pai, além disso, procurará sempre lidar com o seu filho considerando-o um espírito imortal, cheio de potenciais desenvolvidos e por desenvolver, retornando à jornada após uma série de sucessos e fracassos, ansioso por acertar nos campos em que se equivocou, mostrando, nos pequenos detalhes, de onde veio e para onde deve ir.


O médico espírita usaria o conhecimento espírita que tem quando parecesse interessante, colocaria obsessão entre os seus diagnósticos diferenciais para um paciente com doença mental, por exemplo.


Já o espírita médico olharia para uma pessoa que busca a sua ajuda como um ser interexistente, com provas e condições que ele mesmo pode ter pedido, que está na vida para aprender com essas provas, refletir sobre as conseqüências do que fez e que o colocaram na condição em que se encontra, e assim por diante.


Inúmeros outros exemplos poderíamos dar, do que seria usar a Doutrina Espírita em nossas vidas, e do que seria fazer da Doutrina Espírita parte da nossa vida.


O ponto a que queremos chegar é que o Espiritismo deve ser para nós um paradigma, ou seja, deve ser a baliza sobre a qual avaliamos tudo que acontece.


Não é suficiente olharmos para a vida sob a ótica materialista e usarmos o Espiritismo apenas quando este for conveniente ou quando aquela se mostre por demais incompleta.


Não devemos tratar o Espiritismo como algo a ser aprendido, mas algo a ser vivido, que deve ser compreendido para que possa ser vivido em toda a sua plenitude.


Que a meditação em torno dos ensinos dos espíritos se torne um dínamo, impulsionando as nossas ações num deotropismo incessante. Que não sejam as nobres máximas apenas jóias em uma vitrine, mas combustível pulsante. Que não sirva para exibições elegantes, mas para atitudes ínclitas!


Que a Instituição Espírita não se torne um peripatético palco ou uma universidade fria, mas seja organismo promotor de mudanças sociais, capaz de atender as múltiplas necessidades daqueles que a buscam!


E que o Movimento Espírita não seja apenas um conglomerado de cabeças esclarecidas, mas uma falange de amor!

Marcelo Garcia

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

´PARA PENSAR...

ESPIRITISMO É COISA SÉRIA!

Sei que preciso caminhar muito tempo para dizer que aprendi alguma coisa . E olha que não estou falando só da Doutrina. Cada vez mais , percebo que preciso estar o tempo todo atento para as coisas do mundo e para tudo que aconteçe a nossa volta.Só assim é que posso dizer que estou no caminho.

Para tal, é importante - sempre , o estudo , a leitura e a reflexão.No caso da Doutrina , precisamos estudar muito e toda hora as Obras Básicas , pois elas servem para nos chamar a razão e ao bom senso na prática mediunica . Todo cuidado é pouco para não sermos tentados à fascinação e ao deconhecimento , ao desequilíbrio e as enganações que fatalmente estaríamos sujeitos pela falta do estudo e do permanente estado de oração e vigilância.

O cuidado deve ser sempre nosso , já que somos veiculos e instrumentos do intercâmbio entre os planos espirituais - o que habitamos atualmente e o que já habitamos anteriormente . Devemos entender definitivamente que atraímos para o nosso lado , as companhias que o nosso pensamento chama .E não adiantará nada , pensarmos em Jesus e na Luz , quando estamos no Centro Espírita se no resto dos dias e da semana , esquecemos que ele existe.

As nossas companhias são fiéis ao nosso estado mental . Logo , tudo o que fazemos está diretamente ligado ao nosso comportamento . Por isso o chamado de que ESPIRITISMO É COISA SÉRIA...

Como é possivel a aproximação de Espiritos de Luz , se o nosso pensamento ainda está na escuridão? Como podemos nos comunicar com Entidades Especiais e recebermos mensagens edificantes se verdasdeiramente ainda não alcançamos uma boa sintonia no dia-a-dia das nossa vida? A nossa tarefa é a do esforço permanente e diario , para criarmos em torno de nós -em todas as horas e em todos os momentos , uma atmosfera fávorável para a permanencia da luz em nossa volta.
Assim , e só assim , poderemos , depois de muito chão ,alcançar alguma capacidade de reconhecer verdadeiramente o Caminho da LUZ . Por enquanto, e por muito tempo - ou será vidas?,ainda seremos meros aprendizes das muitas lições que teremos que apreender para nos melhorarmos um pouco...

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

PARA PENSAR...

A Violência na Visão Espírita


do site www.ade-sergipe.com.br
(*) É UMA LEITURA BEM A PROPÓSITO PARA OS NOSSOS DIAS

Jaider Rodrigues e Roberto L.V. de Sousa

“— Não há no Espiritismo, em seu corpo de doutrina, rigorosamente, uma doutrina criminológica que possa explicar a origem da violência. É verdade, todavia, que as suas teses cardeais incidem fundamentalmente, inevitavelmente, sobre algumas teses da Criminologia e da Psicologia Social. Uma delas, por exemplo, é a do criminoso nato. A filosofia espírita afirma que a predisposição criminal, ou a disposição para o acto violento, vem do espírito e não das glândulas, ou de condição instintiva da criatura, o que revelaria uma condição de imperfeição do Criador”.

O que a ciência vê como uma deformação de ordem puramente constitucional ou como instinto primordial do homem, ou, ainda mesmo, como aprendizado ou herança eminentemente cultural, a ciência espirita compreende por outro prisma, porque leva em consideração, sobretudo, os “antecedentes espirituais”, isto é, o conjunto de disposições e tendências do espírito, e não, propriamente, as anomalias e deficiências da constituição somática ou da estrutura psíquica ou social do indivíduo.

O Espiritismo não deixa de conhecer as acções advindas das glândulas ou das pressões sociais e instintivas da criatura. Entretanto, o que ele defende é que nenhum desses factores tem predominância absoluta porque a maior ou menor propensão para a violência depende, principalmente, do grau de atraso ou adiantamento do espírito.

O germe da criminalidade ou da violência está em relação com o estado moral do espírito. As anomalias corporais são instrumentos adequados ao espíritos em determinados tipos de reencarnação, ou seja, há uma evidente correspondência entre a constituição somática e as provas pelas quais a criatura deverá passar.

O Espiritismo, entretanto, não leva suas conclusões ao determinismo absoluto. Em primeiro lugar, porque toda a sua estrutura filosófica-moral parte da premissa da responsabilidade do indivíduo pelos seus próprios actos e, depois, porque a subordinação do indivíduo as influenciações do organismo e das condições sociais estão na dependência da evolução moral do mesmo.

A visão espírita do que seja o livre arbítrio e o determinismo é de fundamental importância para o que pretendemos explicar. Para o Espiritismo, eles são conceitos complementares, porque coexistem em relação ao grau de adiantamento ou não do espírito. Só existe livre-arbítrio quando também está presente a responsabilidade.

A Doutrina Espírita admite o determinismo, mas é importante lembrar que, em sua abordagem, encontraríamos um determinismo “divino”, que é a aquisição do estado de felicidade (uma fatalidade que foi “imposta” a todos nós), e um determinismo “relativo”, em que o espírito recebe suas sanções morais sobre a base de provas e expiações, através da reencarnações sucessivas.

O Espiritismo, no entanto, possui, como um dos seus alicerces doutrinários, o livre-arbítrio, quando podemos ver, na prática, criaturas que conseguem, na razão de seu desenvolvimento espiritual, vencer suas próprias inibições físicas e resistir as pressões do meio onde vivem, sem fugir das experiências do mundo e sem apelar para qualquer meio de fuga.

Sendo assim, a Doutrina Espírita entende o violento como um doente espiritual e não como produto do meio social nem como resultado de uma degenerescência hereditária e, muito menos ainda, como um ser criado com instinto destruidor, do qual ele não pode fugir. Se o indivíduo fosse fruto de seu meio, toda a sociedade bem organizada teria como produto homens de bem. Do mesmo modo, se admitíssemos a tese da hereditariedade, o grau de criminosos numa família oriunda de pais criminosos teria que ser mais elevada do que vemos normalmente.

A tese instintivista, que atribui ao homem um instinto de destrutividade (em que fatalmente o homem iria se destruir), vai de encontro a visão espírita de Deus, já que a presença desse instinto, assim compreendido, não é compatível com a percepção de um Pai de Bondade e Amor.

(...) A Agressividade, lembra-nos Joanna de Angêlis, “reponta desde os primeiros dias de vida infantil e deve ser disciplinada pela educação, na sua nobre finalidade de corrigir e criar hábitos salutares.”

A mais importante terapêutica é a prevenção. Ela exige que todos os adultos busquem o exercício do amor, sob a inspiração da doutrina de Jesus, entendam que precisamos nos moralizar, para que possamos realmente educar as novas gerações e oferecer-lhes um ambiente mais sadio e humano.

Richard Simonetti nos lembra que “quando a contenção da violência deixar de ser um problema policial e se transformar em questão de disciplina do próprio indivíduo; quando a paz for produto não da imposição das leis humanas, mas da observação colectiva das leis divinas, então viveremos num mundo melhor.”

Na realidade, o que observamos nos dias actuais é a leviandade de muitos mestres e educadores imaturos, sem habilitação moral para tais propósitos , ou seja, para a educação de novos indivíduos que aportam na crosta terrestre, facilitando a disseminação da violência e da crença de que esta forma de agir é capaz de resolver os problemas da humanidade.

O homem renovado espiritualmente deverá investir contra a chaga da violência através de sua acção reestruturante da sociedade, buscando suprimir a injustiça social, lutando contra todas as situações que fomentam a miséria económica e instigam o ambiente pernicioso que ora vige, combatendo, acima de tudo, o orgulho, o egoísmo e a indiferença presente no coração de cada um. Nessa visão, o homem entenderá que ninguém pode se omitir sabendo que todo tributo de amor, como a paciência e todo o fruto de luz, como saber, são valiosos tesouros para o futuro na aquisição da paz tão almejada.

Diz o mestre Jesus, em o Sermão da Montanha: “Bem-aventurados os mansos porque eles herdarão a Terra”, numa alusão clara de que só aqueles que vencerem seus impulsos violentos, fazendo-se construtor da paz, terá a oportunidade de habitar a Terra em seu período de regeneração.”


Trecho do trabalho dos Drs. Jaider Rodrigues e Roberto Lúcio Vieira de Souza, intitulado “Visao Psicológica da Violência” publicado no Boletim Médico-Espírita n.° 10.

sábado, 17 de outubro de 2009

VAMOS PENSAR SOBRE...

Espiritismo e Espiritualismo

Celso Martins e Jayme Lobato Soares

Espiritismo
Espiritualismo
Espiritismo, Sincretismo e Cultos Afro-Brasileiros

No item I – Espiritismo e Espiritualismo, da Introdução ao Estudo da Doutrina Espírita, constante de O Livro dos Espíritos Kardec esclarece:

"Para as coisas novas necessitamos de palavras novas, pois assim o exige a clareza de linguagem, para evitarmos a confusão inerente aos múltiplos sentidos dos próprios vocábulos. As palavras espiritual, espiritualista, espiritualismo tem uma significação bem definida; dar-lhes outra, para aplicá-las à Doutrina dos Espíritos, seria multiplicar as causas já tão numerosas de anfibologia. Com efeito, o espiritualismo é o oposto do materialismo; quem quer que acredite haver em si mesmo alguma coisa além da matéria é espiritualista; mas não se segue daí que creia na existência dos Espíritos ou em suas comunicações com o mundo visível.

Em lugar das palavras espiritual e espiritualismo empregaremos, para designar esta última crença, as palavras espírita e Espiritismo, nas quais a forma lembra a origem e o sentido radical e que por isso mesmo tem a vantagem de ser perfeitamente inteligíveis, deixando para espiritualismo a sua significação própria. Diremos, portanto, que a Doutrina Espírita ou Espiritismo tem por princípio as relações do mundo material com os Espíritos ou seres do mundo invisível. Os adeptos do Espiritismo serão os espíritas, ou, se o quiserem, os espiritistas.

Como especialidade O Livro dos Espíritos contém a Doutrina Espírita; como generalidade liga-se ao Espiritualismo, do qual representa uma das fases. Essa a razão porque traz sobre o título as palavras: Filosofia Espiritualista."


--------------------------------------------------------------------------------

Espiritualismo

Doutrina filosófica que admite a existência de Deus e da alma. Contrapõe-se ao Materialismo, que só admite a matéria.

Segundo o Materialismo no ser humano só haveria o corpo físico. Até as funções superiores como a memória, o raciocínio, as emoções, os sentimentos poderiam ser reduzidos a simples reações físico-químicas do sistema nervoso, do sangue, das glândulas internas. O Universo seria formado por acaso e seria explicado dentro das leis das ciências exatas (Matemática, Física, Química, Astronomia etc.). Esta é a tese do Materialismo Filosófico, que não deve ser confundido com o Materialismo Pragmático e Hedonista adotado por aquele que, embora se diga até mesmo religioso, só quer mesmo é gozar os prazeres da vida terrena, nem que seja em cima da miséria alheia.

Todos os religiosos, como aceitam a Alma e Deus, são, por isto mesmo, espiritualistas.

Assim, a pala espiritualista tem significado muito vasto, abrangendo o católico, o protestante, o umbandista, o candomblecista, o israelita ou judeu, o islâmico ou mamometano etc.


--------------------------------------------------------------------------------

Espiritismo

Doutrina filosófica também espiritualista, mas que se diferencia das outras correntes filosóficas por Ter características bem definidas, a saber:

a – concepção tríplice do homem: Espírito – Perispírito – Corpo Físico;

b – sobrevivência do Espírito como individualidade;

c – continuidade da responsabilidade individual;

d – progressividade do Espírito dentro do processo evolutivo em todos os níveis da natureza;

e – comunicação mediúnica disciplinada voltada para o esclarecimento e a consolação de encarnados e desencarnados;

f – volta do Espírito à matéria (reencarnação) tantas vezes quantas necessárias para alcançar a perfeição relativa a que se destina, não admitindo, no entanto, a metempsicose, ou seja, a volta do Espírito no corpo de animal para pagar dívidas, como aceita o Hinduísmo. Conforme o Espiritismo, o Espírito não retroagrada;

g – ausência total de hierarquia sacerdotal;

h – abnegação na prática do bem, ou seja, não se dobra nada por esta ou aquela atividade espírita;

i – terminologia própria, como por exemplo, perispírito, Lei de Causa e Efeito, médium, Centro Espírita, e nunca corpo astral, karma, Exu, Orixá, "cavalo", "aparelho", "terreiro", "encosto", vocábulos utilizados por outras religiões e que não têm cabimento no meio espírita;

j – total ausência de culto material (imagens, altares, roupas especiais, oferendas, velas etc.);

l – na prática espírita não há batismo nem culto ou cerimônia para oficializar casamento;

m – respeito a todas as demais religiões, embora não incorpore a seu corpo doutrinário os princípios e rituais delas;

n – a moral espírita é a moral cristã: "Fazer ao próximo aquilo que dele se deseje".


--------------------------------------------------------------------------------

Espiritismo, Sincretismo e Cultos Afro-Brasileiros


Na obra Africanismo e Espiritismo – Cap. I, Deolindo Amorim afirma:

"Tem-se procurado, aliás sem razão plausível, confundir o Espiritismo com velhas práticas afro-católicas, enraizadas no Brasil desde o período colonial. Argumenta-se, em defesa de tal suposição, que nas práticas africanas se verificam manifestações de espíritos, o que, no entender de muitas pessoas, é suficiente para dar cunho espírita a essas práticas. O raciocínio é mais ou menos este: onde há manifestações de espíritos, há Espiritismo; logo, as práticas fetichistas são também práticas espíritas, porque nelas se faz evocações de espíritos".

"Eis aí uma preliminar discutível. Em primeiro lugar, o que caracteriza o ato espírita não é exclusivamente o fenômeno; em segundo lugar, o Espiritismo (corpo de doutrina organizado por Allan Kardec) surgiu no mundo em 1857, e quando suas obras chegaram ao Brasil, já existia o Africanismo generalizado, principalmente na Bahia."

"Historicamente, como se vê, não é possível estabelecer qualquer termo de comparação, porquanto o Africanismo data da época muito recuada, ao passo que a Doutrina Espírita é do século passado..."(século XIX)

"O Africanismo tem ritual organizado, de acordo com suas tradições seculares, fundadas na crença em divindades peculiares a seu culto, enquanto o Espiritismo não adota ritual de espécie alguma, não tem forma de culto, nem adora divindades. É uma doutrina de base científica, propensa ao método experimental, de cogitações filosóficas muito elevadas, porque trata do destino da alma humana, preparando o homem para a prática do Bem, única estrada que conduz a Deus."

"Muito deve o Brasil ao braço africano, cujo suor, com sacrifício e dedicação, regou os alicerces da prosperidade econômica do país. O africano trouxe para o Brasil os elementos de sua cultura, já muito velha àquele tempo. Deu-se logo a mesclagem cultural, mais esclarecida, atualmente, pelas investigações da Sociologia. Com o tempo, porém, o culto africano começou a desfigurar-se, perdendo as suas linhas originais, em conseqüência d gradativa e inevitável influência do Catolicismo. Fundiram-se, pois, três tipos diferentes na formação do Brasil: europeu, africano e aborígene. Entre os filhos da terra, os aborígenes, não havia uniformidade de usos e costumes, o que não deixa de refletir a forma de culto..."

"O Africanismo perdeu há longo tempo, no Brasil, seus traços primitivos. Formou-se no país uma cultura de fusão, disto resultando o sincretismo religioso: um pouco de Catolicismo, um pouco de Africanismo e um pouco de Espiritismo deturpado pelo misticismo popular."

No Cap. II, o autor, informa:

"Não se discute que o objetivo do culto afro-católico, com todos os seus elementos religiosos e culturais, seja ou não o Bem; mas o que se acentua é que Espiritismo não se identifica nem se confunde com o Africanismo. A prática deste último obedece a prescrições ritualísticas, enquanto a prática espírita dispensa e rejeita qualquer fórmula sacramental, qualquer objeto de culto etc..."

"O Espiritismo encontrou, no Brasil, a preponderância do Africanismo e do Catolicismo, com um fator absolutamente favorável: o baixo nível intelectual das massas, educadas na superstição e sob o influxo da Religião Católica, que lhe imprimiu o apego aos ídolos, aos símbolos etc... Difícil tem sido ao Espiritismo reagir contra a propensão de grande parte de seus simpatizantes para o culto fetichista. Daí muita gente, que desconhece o assunto, que não sabe o que é Espiritismo, dizer que Espiritismo e Africanismo são sinônimos... Eis um erro que precisa ser desfeito. Umbandismo, ou qualquer outra forma de Africanismo não constitui modalidade do Espiritismo.

No Livro O Espiritismo e as Doutrinas Espiritualistas no Cap. III Deolindo Amorim acrescenta:

"Apesar do aspecto comum – o caráter espiritualista – a Umbanda não se configura no corpo da Doutrina Espírita nem o Espiritismo se conforma à organização religiosa da Umbanda. À parte o fenômeno, que é ponto pacífico, devemos considerar os dois movimentos em seus campos adequados, sem confusão nem rivalidade: Umbanda deve ser compreendida como Umbanda e Espiritismo deve ser compreendido como Espiritismo".



A propósito, cabe esclarecer que não existe espiritismo de mesa, alto espiritismo, baixo espiritismo, espiritismo de mesa branca, e outras expressões similares. Existe somente Espiritismo.

Aliás, ficam também esclarecido que a expressão Kardecismo não corresponde à realidade, pois a doutrina não é de Kardec. Allan Kardec organizou, codificou a Doutrina Espírita ou Espiritismo, que lhe foi passada pelos Espíritos encarregados de concretizar entre nós o Consolador prometido por Jesus.


Transcrevemos abaixo pergunta de um céptico e a resposta de Allan Kardec, constante da obra O que é o Espiritismo, que bem esclarece o assunto:

"V. – O senhor tinha razão de dizer que das mesas giratórias e falantes saiu uma doutrina filosófica, e longe estava eu de suspeitar as conseqüências que surgiram de um fato encarado como simples objeto de curiosidade. Agora vejo quanto é vasto o campo aberto pelo vosso sistema.

A.K. – Nisso vos contesto, caro senhor; dais-me subida honra atribuindo-me esse sistema quando ele não me pertence. Ele foi totalmente deduzido do ensino dos Espíritos. Eu vi, observei, coordenei e procuro fazer compreender aos outros aquilo que compreendo; esta é a parte que me cabe.

Há entre o Espiritismo e outros sistemas filosóficos esta diferença capital; que estes são todos obra de homens, mais ou menos esclarecidos, ao passo que, naquele que me atribuís, eu não tenho o mérito da invenção de um só princípio.

Dize-se: a filosofia de Platão, de Descartes, de Leibnitz,; nunca se poderia dizer: a doutrina de Allan Kardec; e isto, felizmente, pois que valor pode ter um nome em assunto de tamanha gravidade?

O Espiritismo tem auxiliares de maior preponderância, ao lado dos quais somos simples átomos."

Leitura complementar:
Espiritismo Básico – Pedro Franco Barbosa – FEB.
O Espiritismo de A a Z – FEB.
Manual e Dicionário Básico de Espiritismo – Ariovaldo Cavarsan e Geziel Andrade – EME.
A Revelação da Chave – Raymundo Rodrigues Espelho – EME.
O Além e o Aquém – Cristóvam Marques Pessoa – EME.
Capítulo do Livro "O Espiritismo ao alcance de todos"

(*) ESTE É UM ARTIGO MUITO INTERESSANTE E SERVE PARA ESCLARECER ALGUMAS CONFUSÕES QUE NORMALMENTE ACONTECEM NO MEIO ESPIRÍTA.VAMOS LER ?