Primórdios do Movimento Espírita no Brasil
Juvanir Borges de Souza
Palestra proferida na Conferência Espírita Brasil-Portugal,
realizada em Salvador (BA), de 16 a 19 de março de 2000.
A história do Espiritismo no Brasil é muito rica de fatos, de personagens e de realizações. Um vasto documentário esparso está à espera de quem o reúna e aprecie, com sensibilidade e conhecimento.
Ao contrário do que ocorreu nos países da Europa, nos quais os movimentos oriundos da Nova Revelação cresceram rapidamente, nas primeiras décadas que se seguiram aos trabalhos da Codificação, para depois estacionarem ou fenecerem, o Movimento Espírita no Brasil cresceu continuamente, apesar das muitas vicissitudes que teve de enfrentar.
II
É interessante observar que, antes do advento do Espiritismo, com a primeira edição de “O Livro dos Espíritos”, em Paris, em 1857, já existiam idéias irradiadas a partir de 1847-1848, nos Estados Unidos, com os fenômenos de Hydesville.
III
Os primeiros experimentadores da mediunidade, no Brasil, saíram dos cultores da homeopatia, com os médicos Bento Mure, francês, aqui chegados em 1840, que aplicavam passes em seus clientes e falavam em Deus, Cristo e Caridade, quando curavam.
José Bonifácio, o patriarca da Independência, cultor da homeopatia, é também dos primeiros experimentadores do fenômeno espírita.
Em 1844, o Marquês de Marica publicou um livro com os primeiros ensinamentos de fundo espírita divulgados no Brasil (Reformador de 1944, p. 207).
IV
Entretanto, o grupo mais antigo que se constituíra no Rio de Janeiro, para cultivar o fenômeno espírita, foi o de Melo Morais, homeopata e historiados, por volta de 1853, conforme registrado em Reformador de 1o. de Maio de 1883.
Freqüentavam esse grupo o Marquês de Olinda, o Visconde de Uberaba e outros vultos do Império.
Os fenômenos das mesas girantes são noticiados pela primeira vez no Brasil em 1853, pelo jornal O Cearense.
V
Assim, quando “O Livro dos Espíritos”, em sua edição original francesa, chegou ao Brasil, encontrou meio favorável ao seu entendimento e divulgação, especialmente na elite social da Capital do Império.
VI
Em 1860 surgiram os dois primeiros livros espíritas em português: “Os tempos são chegados” do professor Casimir Lieutaud, francês radicado no Rio de Janeiro, e “O Espiritismo na sua expressão mais simples”, tradução do professor Alexandre Canu, cujo nome só aparece na terceira edição, em 1862.
VII
Em 1863 o Espiritismo já era comentado com seriedade.
O Jornal do Commercio, o maior órgão da imprensa da Capital do Império de então, publicava em 23 de setembro, artigo favorável à nova Doutrina.
No ano de 1865, surge a primeira contestação de espíritas a comentários desfavoráveis ao Espiritismo, O Diário da Bahia, de Salvador, transcrevera artigo extraído da Gazette Médicale. Esse artigo, desfavorável e mordaz, assinado pelo Dr. Déchambre, foi contestado pelos Drs. Luís Olímpio Teles de Menezes, José Álvares do Amaral e Joaquim Carneiro de Campos, em réplica publicada em 28 de setembro de 1865, artigo que mereceu comentários favoráveis de Allan Kardec na Revue Spirite (vol. 8, pág. 334).
VIII
Os primeiros centros espíritas nos moldes preconizados por Kardec surgem na Bahia (Grupo Familiar do Espiritismo), no Rio de Janeiro e em outros Estados, a partir de 1865.
IX
Em 1869 é editado em Salvador O Eco d’Além-Túmulo, “Monitor do Espiritismo no Brasil”, sob a direção de L. O. Teles de Menezes, que teve efêmera duração.
X
Em novembro de 1873 funda-se em Salvador, Bahia, a Associação Espírita Brasileira, continuação do Grupo Familiar de Espiritismo.
Alguns membros dessa Associação fundaram, em 1874, em Salvador, o Grupo Santa Teresa de Jesus.
XI
A 2 de agosto de 1873 é fundada a Sociedade Grupo Confúcio, primeira entidade jurídica do Espiritismo no Brasil, com estatutos impressos, amplamente noticiada na imprensa nacional e estrangeira.
Nomes como os dos Drs. Siqueira Dias, Silva Neto, Joaquim Carlos Travassos, Casimir Lieutaud, Bittencourt Sampaio fizeram parte dessa sociedade, cuja divisa era “Sem caridade não há salvação”.
A esse Grupo, de curta existência de menos três anos, deve o Espiritismo no Brasil: a primeira tradução das obras de Kardec, por Joaquim Carlos Travassos (Fortúnio); a primeira assistência gratuita homeopática; a primeira revelação do Espírito Guia do Brasil – o Anjo Ismael.
XII
Vale a pena rememorar, para a edificação das novas gerações, as previsões de Ismael, em rara e eloqüente mensagem de transcendente significação no Grupo Confúcio, eis que ela resume a orientação espiritual no que diz respeito à missão do Brasil:
“O Brasil tem a missão de cristianizar. É a Terra da Promissão. A Terra de todos. A Terra da fraternidade. A Terra de Jesus. A Terra do Evangelho...
Na Era Nova e próxima, abrigará um povo diferente pelos costumes cristãos. Cumpre ao que ouve os arautos do Espaço, que convocam os homens de boa-vontade para o preparo da Nova Era, reconhecer em Jesus o chefe espiritual. Com o Evangelho explicado à luz do Espiritismo, a moral de Jesus, semeada pelos jesuítas e alimentada pelos católicos, atingirá a sua finalidade, que é rejuvenescer os homens velhos, que aqui nascerão ou para aqui virão de todos os pontos do Globo, cansados de lutas fatricidas e sedentos de confraternidade. A missão dos espíritas no Brasil é divulgar o Evangelho em espírito e verdade. Os que quiserem cumprir o dever, a que se obrigaram antes de nascer, deverão, pois, reunir-se debaixo deste pálio trinitário: Deus, Cristo e Caridade.
Onde estiver esta bandeira, aí estarei eu, Ismael.”
XIII
Ao Grupo Confúcio seguiu-se a Sociedade Espírita “Deus, Cristo e Caridade”, fundada em março de 1876, com programação francamente evangélica cumprida até 1879.
Mas, cindida a Sociedade, passou a denominar-se Sociedade Acadêmica, em processo de seleção natural e de acordo com as inclinações dos elementos humanos. Uma ala da entidade, tendo à frente Bittencourt Sampaio, Antônio Luiz Sayão e Frederico Junior, destacou-se para fundar a “Sociedade Espírita Fraternidade”, em 1880.
A “Fraternidade” subsistiu com a orientação evangélica até transformar-se em “Sociedade Psicológica”, desaparecendo em 1893.
Observe-se a definição de rumos, com a preocupação de alguns adeptos desavisados, suprimindo o qualificativo “Espírita” e substituindo-o por “Acadêmica” e “Psicológica” nas duas Sociedades.
Em 6 de agosto de 1880 era criada, em Campos, Estado do Rio de Janeiro, a Sociedade Campista de Estudos Espíritas.
XXIV
É criado em janeiro de 1881, na cidade de Areias, São Paulo, o Grupo Espírita Areense, que lançou, no mesmo ano, o jornal União e Crença.
É no ano de 1881 que o Espiritismo é perseguido pela polícia, pela primeira vez, sendo proibidas as sessões da “Sociedade Acadêmica Deus, Cristo e Caridade”, a Sociedade de maior prestígio à época.
XV
Em 6 de setembro de 1881, instalou-se, no Rio de Janeiro, o primeiro Congresso Espírita do Brasil, do qual resultou o Centro da União Espírita do Brasil, dentro da Sociedade Acadêmica.
XVI
Ainda em 1881, a 21 de novembro, instalou-se no Rio de Janeiro a “Associação Amor e Caridade”; em março de 1882, a “Sociedade Espírita Allan Kardec” e em setembro de 1882 o “Grupo Espírita Santo Antonio de Pádua”.
XVII
Augusto Elias da Silva, fotógrafo português radicado no Rio de Janeiro, observando as difíceis condições para se fazer a defesa do Espiritismo pela imprensa, contra os ataques impiedosos e insultuosos do Catolicismo, a religião oficial do Estado, funda, em 21 de janeiro de 1883, o jornal Reformador.
Esse órgão, que recebeu o apoio de espíritas militantes de grande prestígio na época, como Bezerra de Menezes e o Major Francisco Raimundo Ewerton Quadros, procedeu à análise serena e segura de uma Pastoral católica que pregava o ódio aos espíritas.
Por essa época já existia várias Sociedades Espíritas na Capital do Império e em algumas províncias.
XVIII
Em 2 de janeiro de 1884 é fundada a Federação Espírita Brasileira. A iniciativa coube a Augusto Elias da Silva, que recebeu o apoio de Ewerton Quadros, Xavier Pinheiro, Fernandes Figueira, Silveira Pinto e outros.
Instalada a novel Sociedade, com a eleição da primeira diretoria, uma das primeiras resoluções foi a incorporação do órgão Reformador à nova Sociedade.
É interessante frisar que, apesar de sua denominação – Federação – não contava a instituição com nenhuma filiação de qualquer outra entidade, inicialmente.
Torna-se, pois, evidente, que os objetivos da Sociedade, no campo federativo, projetava-se no futuro, sendo seus fundadores os instrumentos de uma planificação maior da Espiritualidade.
XIX
Ainda em 1883, surge em Campos (no atual Estado do Rio de Janeiro), em fevereiro, a “Sociedade Espírita Concórdia” e em outubro do mesmo ano, em Macaé, a “Sociedade Espírita Luz Macaense”.
O “Grupo Ismael” (Grupo de Estudos Evangélicos do Anjo Ismael), célula de ligação entre os trabalhadores dos dois planos da vida, funciona desde 15 de julho de 1880, fundado por Antônio Luiz Sayão e Bittencourt Sampaio. Dele fizeram parte Bezerra de Menezes, Frederico Junior, Domingos Filgueiras, Pedro Richard, Albano do Couto e muitos outros companheiros provindos de diversos núcleos.
Acedendo Bezerra de Menezes em aceitar a presidência da Federação em 1895, o “Grupo Ismael” acompanhou o apóstolo do Espiritismo no Brasil, apoiou-o na direção da Casa e integrou-se nela, até os dias atuais.
XX
Alguns grupos espíritas da Capital aderiram à Federação, a partir de 1885, como o “Grupo Espírita Menezes” (Reformador de 15-2-1885) e elementos prestigiosos na sociedade fluminense: o Dr. Francisco de Menezes Dias da Cruz, homeopata, o Dr. Castro Lopes, filólogo e escritor, e vários outros.
XXI
Mas o fato de maior significação nos arraiais espiritistas foi, sem dúvida, a adesão ao Espiritismo do eminente político, médico e católico, Dr. Adolfo Bezerra de Menezes Cavalcanti, perante um auditório de 2.000 pessoas, no salão de honra da Guarda Velha, no dia 16 de agosto de 1886.
A impressa registrou o acontecimento, o telégrafo levou a notícia às Províncias, a Federação recebeu muitas adesões e os círculos católicos agitaram-se.
De novembro de 1886 a dezembro de 1893, Bezerra escreveu ininterruptamente, aos domingos, sob o pseudônimo de Max, os célebres artigos sobre o Espiritismo, no jornal O Paiz, o mais lido no Brasil, na época.
Ao mesmo tempo que escrevia, Bezerra pregava a união dos espíritas e concitava os confrades à harmonia e à fraternidade.
É, por isso, considerado o campeão da unificação do Movimento Espírita, com base na união e na tolerância entre os espíritas.
XXII
Em meados de fevereiro de 1889, previamente anunciado pela Espiritualidade, o Espírito Allan Kardec viria “fazer uma análise da marcha da doutrina no Rio de Janeiro, dirigindo-se a todos os espíritas”.
Através do notável médium Frederico Junior, da Sociedade Fraternidade, Kardec ofereceu as conhecidas “Instruções” para o Movimento Espírita de então.
XXIII
Bezerra de Menezes vê na Federação, nos anos de 1888-89, então sob sua presidência, a organização ideal onde se poderia unificar o Movimento Espírita. Por isso nela instalou, em 1889, o Centro da União Espírita do Brasil, com a aprovação dos grupos espíritas então existentes no Rio de Janeiro.
Mas a união dos espíritas não foi conseguida, apesar dos esforços de Bezerra e do apelo do Espírito Allan Kardec.
Prevalecia a divergência entre “místicos” e “científicos”.
XXIV
Em São Paulo, Batuíra fundara, em 1890, o maior núcleo espírita do País, com sede própria, e um órgão de divulgação, o Verdade e Luz, de grande tiragem. Deu seu apoio à Federação e tornou-se o representante dela em São Paulo.
XXV
Em maio de 1887, foi fundada em Porto Alegre (Rio Grande do Sul) a Sociedade Espírita Rio Grandense.
XXVI
Em fevereiro de 1890 surge em Maceió, Alagoas, o Centro Espírita das Alagoas.
XXVII
Em 1890, o Dr. Polidoro Olavo de São Thiago trouxe à Federação Espírita Brasileira uma iniciativa feliz: a criação da Assistência aos Necessitados, em moldes espíritas.
E o Dr. Pinheiro Guedes, em 1890, incorporou à pequena biblioteca da FEB um acervo importantíssimo de livros sobre todos os ramos do conhecimento.
XXVIII
Proclamada a República em 1889, em 1890 surge o novo Código Penal, no qual o Espiritismo era enquadrado como transgressão à lei, em alguns de seus dispositivos dúbios.
O fato serviu para que os espíritas de todas as tendências se unissem contra tais dispositivos, do que resultou a explicação do autor do Código, Dr. Antônio Batista Pereira, de que tais disposições não atingiam o Espiritismo filosófico, religioso, moral, educativo, mas o espiritismo criminoso, expressão infeliz então usada.
XXIX
Em compensação, o grande acontecimento que favoreceu o Espiritismo, como também a todas as religiões praticadas no Brasil, foi a Constituição Republicana, de 24 de fevereiro de 1891, que constituiu o Estado leigo, sem os liames que o ligavam à Igreja Católica Romana.
XXX
Já por essa época fundavam-se, por todos os Estados brasileiros, núcleos espíritas.
Em 1892 era fundada em Natal, Rio Grande do Norte, a Sociedade Natalense de Estudos Espíritas.
Em maio de 1893 surgiu, na Bahia Amor e Caridade.
Nesse mesmo ano funda-se em Cuiabá, Estado de Mato Grosso, a Sociedade Espírita Cristo e Caridade, com seu órgão A Verdade.
Em 1894 é criado em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, o Grupo Espírita Allan Kardec.
Em outubro de 1894 instala-se em Lavras, Estado de Minas Gerais, o Centro Espírita Luz e Caridade.
Em julho de 1897 instalou-se e, Cáceres, Mato Grosso, o Grupo Espírita Apóstolos de Cristo e da Verdade.
Nesse mesmo ano de 1897 é organizada a Livraria da FEB, por abnegados espíritas.
XXXI
Bezerra de Menezes, aceitando a presidência da Federação Espírita Brasileira, é empossado em 3 de agosto de 1895.
Começa uma nova fase para a Instituição, cuja influência se estende por todo o território nacional.
Em 1897 são transferidos à Federação os direitos autorais, para a língua portuguesa, de todas as obras de Allan Kardec, fato de suma importância para a difusão da Doutrina Espírita no Brasil.
XXXII
Os inimigos e dissidentes internos do Movimento Espírita no Brasil sempre se firmaram no divisionismo, no personalismo, no despreparo e nas interpretações pessoais de determinados adeptos e nas vaidades individuais, em contraposição aos princípios doutrinários.
Desde os primórdios do Espiritismo esses fatores estiveram presentes no seio de seus movimentos, por toda parte. No Brasil não seria diferente.
Já os inimigos externos são conhecidos por suas atuações, desde meados do século XIX, no Brasil: a) o positivismo, de grande influência nos primórdios da República; b) o materialismo, opositor permanente; c) a classe clerical obscurantista.
XXXIII
Enquanto a Europa recebeu o Espiritismo nas suas expressões fenomênicas e experimentais, não excluindo a remuneração pelos trabalhos mediúnicos, o que desvirtua o caráter e a índole da Doutrina Espírita, no Brasil cultiva-se o Espiritismo em seus múltiplos aspectos, mas com ênfase nos seus aspectos morais-religiosos, com base no Evangelho de Jesus.
A expressão “Pátria do Evangelho”, usada pelo Espírito Humberto de Campos em seu livro, é a reafirmação desse fato.
Para combater a tendência desagregadora do Movimento, de parte de alguns adeptos, o grande remédio é a transformação interior do espírita, através da educação do pensamento pela Mensagem do Evangelho do Cristo.
A grande tarefa a ser realizada pelo Movimento, antes da reforma das instituições, é a regeneração moral do espírita, para que suas instituições reflitam seu progresso individual e coletivo.
XXXIV
Desaparecendo Bezerra de Menezes do cenário dos encarnados, em 11 de abril de 1900, após quatro anos e meio de intenso trabalho de persuasão, de paciência e de exemplificação, deixava consolidada a Federação Espírita Brasileira, com a orientação doutrinária que as administrações posteriores seguiriam.
Ficaram superadas as divergências internas, o academicismo, para cuidar-se do estudo sério da Doutrina e do Evangelho, com o fortalecimento dos sentimentos de solidariedade e de fraternidade.
Findara o século, desencarnara o ínclito timoneiro, mas as bases da grande obra da união entre os espíritas ficaram delineadas.
É certo que um dos objetivos de Bezerra e de seus seguidores – a unificação de todas as entidades espírita em torno de uma instituição representativa dos ideais de fraternidade entre os espíritas – não pudera concretizar-se.
A união pela harmonia e coesão preconizada por Allan Kardec nas célebres mensagens de 1889 só seria conseguida quase meio século depois, em 1949.
XXXV
O sucessor de Bezerra de Menezes na presidência da FEB, um jovem de 30 anos, Leopoldo Cirne, seguiu o roteiro de seu antecessor, reajustando pormenores impostos pelas circunstâncias.
Em 1901, procedeu-se à revisão dos Estatutos, com inovações de alto interesse para o Movimento Espírita, destacando-se a filiação das instituições espíritas de todo o Brasil aos quadros da Federação Espírita Brasileira, com vistas à unificação, sob a forma federativa, plenamente aprovada na prática.
Multiplicaram-se desde então os atos de adesão, sem prejuízo da autonomia administrativa e patrimonial das entidades adesas – Centros, Grupos, Uniões, Federações – de todo o vasto território do País continental.
XXXVI
A 3 de outubro de 1904, a FEB organizou um intenso programa de três dias, comemorativo do centenário de nascimento de Allan Kardec.
O convite dirigido a todas as entidades espíritas do País foi bem recebido.
Reuniram-se na então Capital da República os representantes de Centros e Sociedades Espíritas do Amazonas, Alagoas, Bahia, Espírito Santo, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo, além das Casas Espíritas da Capital Federal.
O ponto mais importante desse Congresso foi o congraçamento geral e a aprovação das “Bases de Organização Espírita”, documento que passou a orientar a marcha do Movimento Espírita de nosso País, até nossos dias.
O desenvolvimento do Movimento, sua expansão com a criação de inúmeras Instituições Espíritas, tornou-se notório, desde então.
As “Bases” preconizaram a criação de uma Instituição na Capital de cada Estado brasileiro, a qual ficaria incumbida de filiar os Centros e Associações estaduais, formando assim, com a FEB, uma rede de entidades fortalecidas na solidariedade e na fraternidade, sob a inspiração e a égide da Doutrina Espírita.
As obras de Allan Kardec, em edições especiais e populares, foram publicadas pela FEB nesse mesmo ano de 1904.
XXXVII
No período de 1905 a 1930, continuou expandindo-se o Movimento Espírita, por todo o Brasil, com a criação de Grupos, Centros e Federações nos Estados, além de periódicos espíritas, para a divulgação da Doutrina.
Queremos destacar, nesse período, dois fatos importantes, dentre os inúmeros acontecimentos ocorridos:
O primeiro foi a mensagem, de alta significação, recebida em 9 de março de 1920, do Espírito de Verdade, que se manifestou através do Anjo Ismael, pelo médium Albino Teixeira, então secretário da FEB.
Nela está prevista a missão do Brasil, antecedendo as páginas proféticas do Espírito Humberto de Campos em “Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho”, como se pode observar no pequeno trecho abaixo transcrito:
“A Árvore do Evangelho, plantada há dois mil anos na Palestina, eu a transplantei para o rincão de Santa Cruz, onde o meu olhar se fixa, nutrindo o meu espírito a esperança de que breve ela florescerá estendendo a sua fronde por toda a parte e dando frutos sazonados de amor perdão.”
(Grifos nossos.)
O segundo fato foi a convocação de uma “Constituinte do Espiritismo” para se reunir no Rio de Janeiro, idéia escrúxula pelo seu próprio conteúdo, que não vingou. Mas do encontro resultou a criação da Liga Espírita do Brasil, que se propôs a filiar Centros Espíritas em âmbito nacional, em trabalho semelhante e concorrente ao da FEB, dividindo o Movimento.
A Liga Espírita do Brasil subsistiu por mais de duas décadas, transformando-se em entidade estadual com o “Pacto Áureo”, em 1949.
XXXVIII
Era chegado o tempo de ampliar a divulgação da Doutrina Espírita pelo livro e pela imprensa.
Impunham-se novas traduções das obras da Codificação e de clássicos do Espiritismo.
A essa tarefa gigantesca dedicaram-se espíritas de escol, dentre os quais destacamos a figura de Guillon Ribeiro, o grande presidente da FEB no período de 1930 a 1943.
Suas traduções primorosas das obras de Allan Kardec continuam sendo as melhores na língua vernácula.
Inúmeras outras obras clássicas da Doutrina foram traduzidas para o português.
Ao mesmo tempo, a FEB cogitava da montagem de uma oficina gráfica própria para a edição das obras espíritas, o que conseguiria, por etapas, a partir de 1939.
XXXIX
A partir de 1930 o Movimento Espírita Brasileiro, que desde os fins do século XIX contou com médiuns notáveis, como Frederico Júnior, João Gonçalves do Nascimento, Bittencourt Sampaio, Zilda Gama, Albino Teixeira, e muitos outros, vê surgir o mais notável medianeiro do século XX: Francisco Cândido Xavier.
Sua primeira obra psicografada, lançada pela FEB em 1932 – “Parnaso de Além-Túmulo” – causou verdadeiro impacto nos meios culturais brasileiros. Essa obra de poetas brasileiros. Essa obra de poetas brasileiros e portugueses desencarnados, sui generis, confundiu os céticos e agraciou os adeptos e simpatizantes do Espiritismo.
O moço humilde de Pedro Leopoldo começava sua missão de médium espírita e de homem, que se prolongaria até nossos dias, contribuindo de forma extraordinária para que a Doutrina Espírita e o Evangelho de Jesus fossem divulgados de forma correta, persistente, admirável.
Emmanuel, André Luiz, Humberto de Campos e uma plêiade de Espíritos de escol lançaram-se a um trabalho de longo curso junto aos homens, de esclarecimentos e de fraternidade através do livro espírita.
XL
Em julho de 1944, a viúva de Humberto de Campos, D. Catarina Vergolino de Campos, ingressou em juízo com uma ação declatória contra a Federação Espírita Brasileira e o médium F. C. Xavier, visando a obter, por sentença judicial, a declaração de que a obra literária do Espírito Humberto de Campos era ou não brilhante escritor. O interesse era, no fundo, utilitarista, tendo em vista os direitos autorais.
A decisão judicial foi justa, precisa, e estabeleceu uma diretriz segura para a questão da psicografia, declarando a autora carecedora da ação, com ganho de causa para a Federação e o médium.
XLI
Autores espirituais como Emmanuel e André Luiz têm importância muito grande no desdobramento da Codificação Espírita, pelo fato de suas obras esclarecerem e complementarem as obras básicas da Doutrina Espírita, sem prejuízo ou contraposição dos princípios fundamentais da Terceira Revelação.
Sínteses históricas da Terra e do Brasil, ensaios sociológicos, romances históricos, comentários evangélicos à luz do Espiritismo e, a partir de 1943, toda a série de André Luiz, iniciada com “Nosso Lar”, enriqueceram extraordinariamente a literatura espírita no Brasil, que se vai expandindo para além-fronteiras em inúmeras traduções para diversas línguas.
XLII
Fato que não poderíamos deixar de mencionar nesta pequena resenha é o da instalação, em 1948, do Departamento Editorial da FE$B.
Já que a Espiritualidade realizava sua parte, fazendo chegar aos homens as lições mais belas, claras e úteis através de livros de grande importância para o esclarecimento e edificação da Humanidade, era necessário que alguém cuidasse da parte que competia aos encarnados.
O Presidente Wantuil de Freitas cuidou de dotar a FEB de uma editora à altura das necessidades.
Posteriormente, outras editoras seguiram o exemplo, ampliando-se enormemente a capacidade de editoração de livros, revistas e jornais no Movimento Espírita nacional.
XLIII
Não obstante o lado positivo do Movimento em constante expansão, o divisionismo no seu seio continuava, alimentado pelo personalismo, pelas vaidades e pelas interpretações infelizes da Doutrina.
Mas muitos espíritas estavam atentos à necessidade da união fraterna e da unificação do Movimento.
Surge então a oportunidade do entendimento entre correntes diversas, representadas por espíritas conscientes de seus deveres perante a Doutrina.
A ocasião para esse entendimento ocorreu no mês de outubro de 1949, por ocasião da realização de um Congresso da Confederação Espírita Pan-Americana.
Após tentativas de aproximação dos responsáveis por diversos segmentos do Movimento Espírita de diversos Estados brasileiros, encontram-se todos na sede da Federação Espírita Brasileira no Rio de Janeiro, no dia 5 de outubro de 1949.
Esse encontro, que ficou que ficou conhecido como a Grande Conferência Espírita do Rio de Janeiro, posteriormente denominado “Pacto Áureo”, pelos seus resultados e importância, é um marco decisivo na história do Espiritismo no Brasil, pelas suas conseqüências, pelas suas disposições e sobretudo pelo induzimento à concórdia, à fraternidade, ao trabalho útil, à tolerância, à solidariedade entre os cultores de uma Doutrina Superior, que precisa ser entendida em sua verdadeira índole e finalidade e que induz os homens aos sentimentos do Amor e da Justiça.
XLIV
Entendemos que os primórdios do Movimento Espírita no Brasil poderiam ser situados nos primeiros anos do Espiritismo em nossa Pátria, nos meados do século XIX.
Mas poderiam ser entendidos também em face de determinados acontecimentos marcantes.
Preferimos esta última hipótese, escolhendo o “Pacto Áureo” como o fato inconfundível que divide duas fases do Movimento.
Revista Reformador - Nº 2053 - Abril de 2000
ESSE É UM ESPAÇO PRA DEBATES E IDÉIAS COM SELEÇÃO CRITERIOSA DE TEXTOS , ARTIGOS E RESENHAS DE VALOR INTERESSANTE ACERCA DE ASSUNTOS GERAIS RELACIONADOS AO ESPIRITISMO E OS DIVERSOS CAMPOS DO CONHECIMENTO QUE FAZEM INTERFACE COM A VIDA...
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
PRA ESTUDAR...
Jornal O CLARIM
Obsessão e Consciência
Redação
Kardec, em “O Livro dos Médiuns”, questão 237, esclarece que a obsessão é o domínio que alguns Espíritos logram adquirir sobre certas pessoas.
A palavra obsessão – afirma o codificador – é, de certo modo, um termo genérico, pelo qual se designa esta espécie de fenômeno, cujas principais variedades são: a obsessão simples, a fascinação e a subjugação.
Cairbar Schutel, em “Conversando sobre Mediunidade”, capítulo VIII, nos fornece subsídios para reflexão sobre a consciência que se tem ou não no que diz respeito à obsessão simples, cujos dados, além de elementos de estudo, contêm informações que podem nos ajudar em nosso cotidiano cristão, em apoio às orientações de Kardec.
Pode-se – diz Cairbar – dividir a obsessão simples em:
1. Simplesmente involuntária
2. Voluntária consciente
3. Involuntária consciente
4. Involuntária inconsciente
Na obsessão simplesmente involuntária (1), a pessoa não deseja ser obsidiada mas, por alimentar algum sentimento negativo, abre uma brecha que é aproveitada por Espíritos inferiores para obsidiá-la. Conscientizada a respeito, modifica sua postura mental e se liberta.
Na obsessão voluntária consciente (2), a pessoa tem consciência de seus pensamentos negativos, sente a presença do obsessor e permite a obsessão, aceitando a situação passivamente.
Na obsessão involuntária consciente (3), a obsessão principia de maneira não desejada. Sendo a pessoa cientificada de que está obsidiada, mantém o seu livre arbítrio voltado a pensamentos negativos, assumindo conscientemente o risco da situação. Pode vir a ser fascinada ou subjugada sem o perceber.
Na obsessão involuntária inconsciente (4), a pessoa não quer ser obsidiada mas, nutrindo pensamentos negativos, sentimentos inferiores e atitudes malsãs, torna-se presa de entidades inferiores, sem que disso tenha ciência.
Vê-se, portanto, que a conscientização que a pessoa tenha, ou venha a ter, do domínio que sua mente está sofrendo por parte de Espíritos malfazejos, pode ajudá-la a libertar-se desse processo, se tiver vontade firme na direção do bem, direcionando seu livre-arbítrio nesse sentido.
O Evangelho de Jesus é guia seguro nessa direção, representando roteiro de luz para todos.
À luz da Doutrina Espírita, sabe-se que somos influenciados pelos Espíritos permanentemente e que essa influência é muito maior do que alguns podem imaginar, sendo ela positiva ou não conforme a sintonia em que cada um se coloca.
E, a sintonia, tem a ver com os sentimentos vivenciados no dia a dia.
Exercitar, pois, os bons sentimentos, como a humildade, a fé, a caridade, o amor, é fator fundamental para se manter harmonia com os Espíritos benfazejos.
No relacionamento com o próximo, a solidariedade e a fraternidade são elementos decisivos nesse contexto.
Pode-se, assim sendo, prevenir simbioses mentais de baixa frequência vibratória, tanto quanto interrompê-las.
Nem sempre a pessoa consegue, sozinha, resolver a questão.
Ao propósito de mudança de hábitos para melhor, ou seja, do esforço no campo da reforma íntima, a ajuda da Casa Espírita pode auxiliar a pessoa no processo da desobsessão, seja no esclarecimento do atendimento fraterno, seja no apoio das palestras e passes, seja, sobretudo, pela ação mais ostensiva dos benfeitores espirituais.
Matão, 8 de Outubro de 2009
P.S. É MUITO IMPORTANTE QUE POSSAMOS REFETIR SOBRE ESSE TEMA QUE É BEM INTERESSANTE E PRECISA SER MUITO COMPREENDIDO POR TODOS NÓS . O ENTENDIMENTO ACERCA DESTE TEMA É FUNDAMENTAL PARA O NOSSO DIA-A-DIA NA CASA MEDIÚNICA...
terça-feira, 6 de outubro de 2009
"SOBRE...
Na Saúde, na Doença
André Luiz
Em toda circunstância, trate a própria saúde, prevenindo-se da doença com os recursos encontrados em você mesmo.
Cada dia é novo ensejo para adquirirmos enfermidade ou curar nossos males.
O melhor remédio, antes de qualquer outro, é a vontade sadia, porque a vontade débil enfraquece a imaginação e a imaginação doentia debilita o corpo.
Doença do corpo pode criar doença da alma e doença da alma pode acarretar doença do corpo.
Vida atribulada nem sempre significa vida bem vivida.
Conquanto a existência em torno possa mostrar-se febricitante e turbilhonaria, resguarde-se contra as intempéries emocionais no clima íntimo do próprio ser, ajudando e servindo com alegria aos menos felizes, na certeza de que o enfermeiro diligente conserva a integridade mental, muito embora convivendo, dia a dia, com dezenas de enfermos em grandes desequilíbrios.
Somos parte integrante da farmácia do nosso próximo.
Observe as reações que a sua presença provoca no semelhante e pacifique aqueles com quem convive, não só pela palavra, mas até meso pela aparência e pelas atitudes, pois com a simples aproximação funcionamos como tranqüilizadores ou excitantes de quem nos cerca, aliviando ou agravando os seus padecimentos físicos e morais...
Muitas doenças nascem da suspeita injustificável.
Seja sincero com você e com os ouros na apreciação de sintomas que se reportem a desajustamentos orgânicos, tratando de assuntos dessa natureza, sem alarde e sem exagero.
O maior restaurador de forças é a consciência reta que asserena as emoções.
Se o leito de dor é agasalho imposto ao seu corpo enfermo, lembre-se de que a meditação é santuário invisível para o abrigo do Espírito em dificuldade e que a prece refunde e sublima as energias da alma.
Doença é contingência natural, inevitável às criaturas em processo de evolução; por isso, esforce-se por abolir inquietações quanto a problemas de saúde física, atendendo ao equilíbrio orgânico e confiando na vontade superior.
Do livro O Espírito da Verdade. Psicografia de Francisco Cândido Xavier.
André Luiz
Em toda circunstância, trate a própria saúde, prevenindo-se da doença com os recursos encontrados em você mesmo.
Cada dia é novo ensejo para adquirirmos enfermidade ou curar nossos males.
O melhor remédio, antes de qualquer outro, é a vontade sadia, porque a vontade débil enfraquece a imaginação e a imaginação doentia debilita o corpo.
Doença do corpo pode criar doença da alma e doença da alma pode acarretar doença do corpo.
Vida atribulada nem sempre significa vida bem vivida.
Conquanto a existência em torno possa mostrar-se febricitante e turbilhonaria, resguarde-se contra as intempéries emocionais no clima íntimo do próprio ser, ajudando e servindo com alegria aos menos felizes, na certeza de que o enfermeiro diligente conserva a integridade mental, muito embora convivendo, dia a dia, com dezenas de enfermos em grandes desequilíbrios.
Somos parte integrante da farmácia do nosso próximo.
Observe as reações que a sua presença provoca no semelhante e pacifique aqueles com quem convive, não só pela palavra, mas até meso pela aparência e pelas atitudes, pois com a simples aproximação funcionamos como tranqüilizadores ou excitantes de quem nos cerca, aliviando ou agravando os seus padecimentos físicos e morais...
Muitas doenças nascem da suspeita injustificável.
Seja sincero com você e com os ouros na apreciação de sintomas que se reportem a desajustamentos orgânicos, tratando de assuntos dessa natureza, sem alarde e sem exagero.
O maior restaurador de forças é a consciência reta que asserena as emoções.
Se o leito de dor é agasalho imposto ao seu corpo enfermo, lembre-se de que a meditação é santuário invisível para o abrigo do Espírito em dificuldade e que a prece refunde e sublima as energias da alma.
Doença é contingência natural, inevitável às criaturas em processo de evolução; por isso, esforce-se por abolir inquietações quanto a problemas de saúde física, atendendo ao equilíbrio orgânico e confiando na vontade superior.
Do livro O Espírito da Verdade. Psicografia de Francisco Cândido Xavier.
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
SÉRIE PRA PENSAR...
A RESPONSABILIDADE DOS MÉDIUNS
(*)
Vejam as reflexões deste espirito acerca de tema tão importante. Vamos pensar sobre?
As reuniões espíritas de intercâmbio espiritual prestam o valioso serviço de possibilitar o equilíbrio psicofísico de certas criaturas que, devido à sua faculdade mediúnica de alta sensibilidade psíquica, sofrem assédio constante por parte dos espíritos desencarnados que desejam comunicar-se para expandirem os seus males ou queixas e serem esclarecidos das dúvidas e confusões que ainda se encontram.
Esses espíritos desencarnados encontram-se na mesma situação confusa do indivíduo que, na Terra seja transferido, de repente, para um país estrangeiro, cujo idioma, hábitos, costumes e ambientes são completamente diversos daquele onde ele viveu durante toda a vida. Ou seja: embora não sendo cego, nem surdo ou mudo, ele encontra-se impossibilitado de manifestar as suas emoções e entender o que lhes dizem os habitantes desse outro país. Faz-se, pois, mister serem esclarecidos ainda mediante a palavra humana e no ambiente do próprio mundo onde viveram.
Então, os trabalhos das sessões espíritas devem ser ampliados cada vez mais, pois além de constituírem um veículo de socorro eficaz aos espíritos que se encontram perturbados, é também uma forma de desenvolver a mediunidade dos assistentes ou participantes que possuem essa faculdade.
No tocante ao médium, devemos lembrar que ele não é um missionário, na acepção exata da palavra. Salvo raras exceções, o médium é um espírito devedor, comprometido com o seu passado. Assim, a sua faculdade mediúnica é um ensejo de reabilitação concedido pelo Alto, no sentido de acelerar a sua evolução espiritual. Portanto, além de dar cumprimento aos deveres inerentes à dita faculdade, terá de enfrentar também as contingências que a vida impõe a todos, pois os problemas que lhe dizem respeito só podem ser solucionados e vencidos mediante a luta e não pela ajuda dos seus guias, pois estes somente ajudam os seus pupilos quando eles fazem jus pelo esforço próprio.
A sua faculdade mediúnica não é privilégio, nem o isenta das vicissitudes e das exigências educativas da vida humana. Em conseqüência, a saúde ou a doença não dependem especificamente da pessoa ser ou não ser médium. O espírito que já renasce na Terra comprometido com o serviço mediúnico, que o ajudará a reduzir o fardo cármico do seu passado delituoso, deve cumprir o programa que ele mesmo aceitou no espaço.
Quando o médium se empenha em dar fiel cumprimento à sua tarefa mediúnica e enfrenta as adversidades da vida com estoicismo e resignação, neste caso, no plano espiritual há sempre uma equipe de espíritos beneméritos que o amparam a fim de lhe tornar mais fácil vencer os obstáculos da sua jornada. Porém, quanto a sua função de “ponte viva” entre o setor invisível e o mundo material, é grande a sua responsabilidade, pois além de tratar-se de um encargo que ele mesmo aceitou antes de reencarnar, a mediunidade é um ministério ou contribuição de esclarecimento destinada a esclarecer as consciências, sendo, pois, um serviço a favor da própria humanidade.
A função do médium assemelha-se à do carteiro, o qual, embora seja a peça de menor destaque na correspondência entre os homens, caso ele se recuse a cumprir a função de entregar as mensagens aos destinatários, semelhante negligência constitui uma falta bastante grave. Em tais condições, desde que se rebele contra a sua obrigação ou se escravize a vícios e paixões que prejudiquem e inutilizem a sua tarefa mediúnica, então será vítima dos espíritos das sombras e, por sua culpa, enfraquece o serviço libertador do Cristo.
No entanto, o médium laborioso e desinteressado, disposto a vencer todos os obstáculos, conseguirá transpor todos os empecilhos do mundo e até os que estão em si próprio.
Ramatís
Do livro “Elucidações do Além”
Psicografia de Hercílio Maes
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
SÉRIE PRA PENSAR...
Falta de fé
Conta-se que um alpinista, desejoso de superar mais e mais desafios, resolveu, depois de muitos anos de preparação, escalar o pico mais alto da América do sul: o Aconcágua.
E porque queria a glória só para si, decidiu fazer a escalada sozinho, sem nenhum companheiro.
No dia marcado lá estava ele ao pé da cordilheira dos Andes, onde iniciaria a difícil subida.
O que ele não esperava era que a neblina lhe dificultasse a marcha, mas isso foi inevitável.
E como o alpinista não tinha se preparado para acampar, foi subindo, com a disposição de alcançar o topo. Foi ficando cada vez mais tarde até que escureceu completamente. Não se via absolutamente nada. Não havia lua nem estrelas, só a escuridão como o breu.
Quando o alpinista estava há apenas cem metros do topo, pisou numa pedra falsa, escorregou e caiu... Foi caindo numa velocidade vertiginosa e nada mais enxergava do que a escuridão à sua volta.
Sentia uma terrível sensação de estar sendo sugado pela força da gravidade.
Continuou caindo até que sentiu um puxão forte que quase o partiu pela metade...
Como todo alpinista experimentado, havia cravado estacas de segurança com grampos, e amarrado uma corda comprida na cintura.
Naqueles momentos de silêncio, suspenso no ar, em completa escuridão, pensou em Deus e resolveu lhe pedir ajuda.
Oh, meu Deus, me ajude!
De repente, ouviu uma voz grave e profunda que parecia lhe falar nas profundezas da alma: o que você quer de mim, meu filho?
Salve-me por favor, respondeu mentalmente.
E a voz insistiu: você acredita mesmo que eu possa lhe salvar?
Eu tenho certeza, meu Deus. Falou o alpinista desesperado.
Então corte a corda que o mantém pendurado, recomendou a voz.
O homem ficou por um momento em silêncio e depois se agarrou à corda com todas as suas forças.
Conta, a equipe de resgate, que no outro dia o alpinista foi encontrado morto, congelado, agarrado com as duas mãos na corda que o mantinha suspenso, há apenas dois metros do chão...
O que ocasionou a falta de fé daquele alpinista, foi a falta de visão.
Se o sol estivesse clareando à sua volta, ele perceberia que cortando a corda estaria a salvo, mas isso não aconteceu.
Comparando a claridade do sol com a luz do conhecimento, entenderemos porque a nossa fé é ainda vacilante.
Quando iluminamos a fé com a luz da razão, ela se torna tão firme que nada nem ninguém nos poderá tirá-la.
E se é balizada pelo conhecimento se torna capaz de transportar montanhas e remover qualquer obstáculo, porque deixa de ser uma crença vaga, para ser uma convicção inabalável.
Assim, quando buscamos estudar e compreender as leis que regem a vida, como a imortalidade da alma, por exemplo, adquirimos uma segurança tão firme que nem a morte do corpo físico nos abala, por termos a certeza de que apenas saímos do corpo, sem sair da vida.
***
Graças à fé inabalável na vida após a morte, foi que os primeiros cristãos se entregaram ao martírio louvando a Deus em cânticos de gratidão...
Foi pela confiança integral no pai, que Jesus se entregou totalmente ao sacrifício, sem mágoa nem culpa, de modo a ensinar-nos que a fé é a ponte divina por onde transitaremos de nossa pequenez na direção da liberdade total e grandiosa, em nossa escalada para Deus.
Equipe de Redação do Momento Espírita, com base em história de autoria ignorada.
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
DR LUIS DA ROCHA LIMA
SEJAS FORTE
(Esta linda Mensagem ,que deve servir de estímulo para todos nós , foi dirigida ao nosso Irmao Luiz , de sua Mãe , Maria da Paz)
Você está no justo meio que é preciso, adaptado à tua evolução espiritual e se mais avanças neste caminho, mais aumentarão tuas responsabilidades e mais te será dado o trabalho a desenvolver e cargas espirituais a suportar.
Não desanimes e prossigas retamente, por que há um vasto campo de ação diante de ti. É preciso que tu saibas te manter no lugar e cumprir tua missão. Cada ser na Terra está exatamente no lugar que deve estar. Não abandones o trabalho que tu começaste. Tu deves continuar a alimentar o espírito; é um trabalho importante, porque é preciso formar o individuo e prepará-lo a receber de novo.
Não consideres a carga pesada, nem fiques preocupado pela vida de todos os dias – quando souberes estar à altura de teu papel, tudo se aplanará. Não tema os obstáculos do caminho, mas aprenda a enfrentá-los; então tu poderás constatar que o caminho é longo, diante de ti e , que a luz, nele, brilha!
Guardas sempre a sinceridade no teu coração e que um grande sentimento de amor te anime, constantemente, quando tu tiveres diante de teus irmãos. Sejas forte e nada temas.
Tua mãe,
MARIA DA PAZ. ”
Mensagem recebida às 6:35 horas da manhã do dia 4/1/1957:
terça-feira, 18 de agosto de 2009
SÉRIE PRA PENSAR...
A DOR E A DOENÇA PENSADAS A PARTIR DO EVANGELHO DE JOÃO
Esta semana recebi do Clube de Arte o livro "O Caminho , a Verdade e a Vida " do Wilson Cerqueira , um estudo sobre o Evangelho de João. Apesar do autor dizer que esse é um livro que não se deve ser lido de uma vez , servindo para a meditação , não estou conseguindo parar. Por isso trago agora algumas questões...
Logo no começo o autor traz a discussão o Capitulo 11 do Evangelho de João , sobre a Ressurreição de Lázaro com reflexões muito interessantes . A primeira delas ,aponta para o caráter da intervenção de Jesus , apos a chamada de uma das irmãs de Lázaro - ele tinha duas , Marta , a que vai procurá-lo e Maria , que fica junto ao irmão imobilizada pela dor da perda .E esse já é o primeiro aspecto . Para o autor ,nesses comportamentos podem ser observados diferentes formas de enfrentamento da perda . O primeiro , que não se deixa imobilizar porque esta carregado de fé e o segundo , que se deixa amarrar pelo imobilismo sem solução.
Como nós enfrentamos as nossas perdas?
Voltando a falar sobre a intervenção de Jesus , podemos lembrar inicialmente das palavras dele dirigidas a Marta: "Esta enfermidade não é para a morte , mas sim para a glória de Deus , a fim de que o Filho seja por ela glorificado". Ao discorrer sobre o episódio , o autor ressalta a condição moral de Jesus e do seu natural poder Divino. Mas é nessa hora que o assunto mais nos interessa : o autor fala que o Mestre necessitava realizar prodígios para despertar a fé naqueles corações , já que essa exigencia tocava o grau evolutivo e de compreensão do homem daquela época .
No nosso caso , com estamos ? Como vemos essas questões , tão presentes no nosso dia-a-dia ?
Já falando sobre a doença e a dor , o autor nos traz importantes reflexões . Para ele , esses processos apesar de trazerem consumação e aniquilamento do corpo fisico não trazem a verdadeira morte. A dor , nas palavras do autor , " é a alavanca propulsora que te movimentará em direção do Criador, inquirindo-te sobre a a tua vida interior , sobre o teu modo de voda , levando-te a procurar o fio perdido da fé raciocinada em Cristo e das boas realizações".
Vamos pensar sobre isso?
quarta-feira, 29 de julho de 2009
SÉRIE PRA PENSAR...
Sobre a Confiança e a Amizade
Nestes últimos dias venho pensando um pouco mais profundamente sobre estas questões tão importantes para a nossa vida de relação. Talvez seja mesmo verdade que o nosso pensamento sempre conduz a nossa ação para o que nos aflige, preocupe ou incomode. Acho até que esta seja uma estratégia de sobrevivência para o enfrentamento das questões da nossa vida e que podem nos levar a escolha de um caminho, de uma atitude ou uma ação que precisamos tomar em relação a uma determinada situação que estamos vivendo.
Para falar de Amizade e Confiança, precisamos falar da Vida, tanto no seu sentido mais ampliado como no seu sentido mais intimo, mais pessoal. É muito difícil externar sentimentos e impressões que guardamos dentro de nós e formam o arcabouço e a sustentação das nossas relações de vida. Desde sempre, crescemos e vemos crescer em nós algumas atitudes que acabam por moldar a forma e a maneira como somos, como nos mostramos e como somos vistos. Ao fazermos as nossas escolhas, estamos orientando as nossas preferências e os nossos caminhos, a cor que gostamos, a roupa que odiamos, o nosso time de coração e até os nossos amigos. E é o conjunto dessas coisas que constroem a maneira como vemos e nos relacionamos com o mundo que habitamos.
São as nossas atitudes que nos dirigem pra os lugares em que estamos e para as pessoas que convivemos.E mais ainda, são os nossos sentimentos que nos fazem escolher no nosso caminho, os lugares e as pessoas que gostamos. Assim, acho que vamos estabelecendo a nossa rede de amigos, os lugares que gostamos, os cheiros e os aromas que nos dão prazer, as flores e as frutas que mais gostamos, e vamos construindo os nossos afetos – e os desafetos também e aprendemos a conservar as nossas lembranças. Longe de ser piegas, penso que esse processo é ao mesmo tempo comum a todo mundo e particular a cada um de nós. Acredito que é dessa maneira que construímos a nossa individualidade e desenvolvemos as nossas afinidades.
Só assim, podemos experimentar as diferentes situações que se apresentam para nós. Se conhecemos um pouco a nossa condição e criamos em torno de nós uma ambiência favorável , estaremos valorizando todo o esforço que naturalmente tivermos de empreender para o alcance desse estado em nós e no nosso caminho . Por isso, penso ser de grande importância e valor a conquista da Confiança e da Amizade em todas as nossas relações. Precisamos cultivar esses sentimentos com os nossos familiares - vejam como é fundamental essa prática dentro de casa, entre os que compõem um núcleo familiar, com os nossos colegas de trabalho - com a parceria e a integração fortalecendo um propósito comum e entre os verdadeiros amigos – trazendo a cumplicidade e a parceria para o convívio.
Mas, a questão que ora tem me feito pensar é a seguinte: Como agir quando a desconfiança começa a aparecer? Se estamos nos esforçando para deixar (re) nascer em nós o homem novo, como devemos nos comportar? Será que essa não é uma oportunidade para experimentarmos em nós o que apontamos para os outros? Porque será que nos incomodamos tanto na posição de traídos? São respostas difíceis – e em muitas vezes, até nem estamos preparados para recebê-las. De qualquer forma, é sempre bom pensar sobre essa(s) questão (ões). Vamos lá, então....?
sábado, 25 de abril de 2009
SOBRE O CULTO NO LAR...
O Culto do Evangelho no Lar
artigo publicado na revista “Reformador”, Ed. FEB
JAQUELINE S. LEAL FONSECA
“Orar em família é ver derramar-se sobre ela o cálice aurífico dos céus, acondicionando-nos nesse imenso bojo de ventura que o Cristo traz a visitar-nos.” – Tereza de Brito (1)
Conta-nos o Espírito Neio Lúcio (2), pela psicografia de Francisco C. Xavier, que Jesus, quando se asilava provisoriamente na casa de Simão Pedro, percebendo que o teor das conversações já descambava para a improdutividade, tomou das Sagradas Escrituras e, após colocações simples, por meio das quais trouxe à realidade daqueles Espíritos a importância do instituto doméstico, desenrolou os Escritos Divinos e convidou os familiares de Simão à palestra edificante e à meditação.
Iniciava-se o primeiro culto cristão no lar.
Mas, o que é o Culto do Evangelho no Lar?
Segundo André Luiz, na obra Desobsessão (3), trata--se de “estudo da Doutrina Espírita, à luz do Evangelho do Cristo e sob a cobertura moral da oração”.
O Culto do Evangelho no Lar (CEL) é o momento semanal em que, beneficiando-nos da companhia dos nossos familiares que comungam dos mesmos princípios religiosos que nós, podemos elevar o nosso pensamento ao Mais Alto através da prece reconfortante e do estudo e debate de problemas corriqueiros, do âmbito familiar ou social, à luz do Evangelho de Jesus decodificado pelo Espiritismo. É “a festiva oportunidade de conviver algumas horas com os Espíritos de Luz que virão ajudar-te nas provações purificadoras, em nome daquele que é o Benfeitor vigilante e Amigo de todos nós ”. (4)
Bom, mas para que serve o CEL?
André Luiz, no livro Conduta Espírita (5), diz que “quem cultiva o Evangelho em casa, faz da própria casa um templo do Cristo.”
Em primeiro lugar, podemos colocar o que os Espíritos nos dizem com relação às bênçãos familiares que podem ser recolhidas desta prática cultivada em várias religiões, que é a da leitura e interpretação dos textos do Evangelho.
Os momentos de culto são dedicados exclusivamente ao reduto doméstico. Portanto, ali os seus componentes estão à vontade para discutir suas dores e seus problemas, as dificuldades vividas no dia-a-dia e interpretá-las à luz da Doutrina Espírita. É um momento de intimidade, de troca de boas vibrações e de bons sentimentos, é um momento em que a Espiritualidade Amiga se destaca para acompanhar aqueles Espíritos que estão em luta juntos, na romagem carnal, a fim de que eles possam recolher os melhores benefícios daqueles minutos.
Orando juntos, segundo a nossa querida Tereza de Brito, no livro Vereda Familiar (6), nós nos utilizamos “das formidáveis bênçãos que movimentamos para o equilíbrio e para a presença da luz em nosso cenário doméstico”. Então, podemos concluir que o CEL contribui para a manutenção do equilíbrio e da paz doméstica.
Joanna de Ângelis, no livro Florações Evangélicas (7), coloca que, mesmo num ambiente familiar conturbado, em que existe a evidente reunião de Espíritos não afinados, quando se institui a presença de Jesus naquele lar, esta “(...) produz sinais evidentes de paz, e aqueles que antes experimentavam repulsa pelo ajuntamento doméstico descobrem sintomas de identificação, necessidade de auxílio mútuo.”
Durante o CEL, a família restaura suas forças despendidas ao longo da semana, enquanto eleva o padrão vibratório da casa, unificando os laços familiares por terem a oportunidade de partilhar conhecimentos e dores.
E no Âmbito Espiritual, qual a repercussão do CEL?
André Luiz, no livro Os Mensageiros (8), cap. 37, conta-nos que, após presenciar o CEL de D. Isabel, uma devotada companheira de Nosso Lar que ainda estava encarnada, cuidando de três filhos, e cujo marido a amparava e guardava o seu lar do Plano Espiritual, foi para o jardim de sua casa e observou curiosa cena. Ameaçava tempestade e, naquele momento, entidades de aspecto desagradável, algumas com formas até um tanto quanto aterradoras, arrastavam-se para sua direção, mas quando se aproximavam, recuavam, amedrontadas. Intrigado, perguntou ao seu Mentor, Aniceto, a razão daquela fuga repentina, como se tivessem aquelas entidades se encontrado com algo aterrorizante.
Aniceto, com toda a sua paciência e amor, disse a André Luiz que aqueles irmãos eram os “seres vagabundos da sombra”, que procuravam asilo nos dias de tormenta, porque ainda muito ligados às sensações grosseiras da carne, e por isso, os aguaceiros os incomodavam tanto quanto a nós encarnados. Disse que eles buscavam preferencialmente as casas de diversão noturna, sendo que as residências abertas também eram por eles penetradas, porque as viam como que da mesma matéria que lhes constituía o perispírito.
Aumentando, ainda, os conhecimentos de André Luiz, complementou Aniceto:
“Toda vez que se ora num lar, prepara-se a melhoria do ambiente doméstico. Cada prece do coração constitui emissão eletromagnética de relativo poder. Por isso mesmo, o culto familiar do Evangelho não é tão-só um curso de iluminação interior, mas também processo avançado de defesa exterior, pelas claridades espirituais que acende em torno. O homem que ora traz consigo inalienável couraça. O lar que cultiva a prece transforma-se em fortaleza, compreenderam? As entidades da sombra experimentam choques de vulto, em contato com as vibrações luminosas deste santuário doméstico, e é por isso que se mantêm a distância, procurando outros rumos...” (Destaque nosso.)
Joanna de Ângelis diz, em seu livro Messe de Amor (9), página “Jesus Contigo”, que nós distendemos da nossa casa a luz do Evangelho para o “mundo atormentado”. E diz, ainda mais, que a casa que ora beneficia a rua inteira, e que num prédio, um único apartamento em que haja CEL é capaz de iluminar todo o edifício.
Portanto, para que resguardemos o nosso lar dos Espíritos salteadores e vagabundos das Trevas, formando barreiras vibratórias capazes de os isolar, e para que possamos distender aos nossos irmãos que sofrem os benefícios que colhemos com a prece, mantenhamos o Culto do Evangelho.
E como podemos fazê-lo?
Joanna de Ângelis, na mesma página (10), fala-nos: “Prepara a mesa, coloca água pura, abre o Evangelho, distende a mensagem da fé, enlaça a família e ora.”
Todavia, indispensável que tomemos das palavras de Jesus como base para os comentários principais da noite.
André Luiz, no livro Os Mensageiros (11), cap. 35, conta--nos o que assistiu no Culto do Evangelho em casa de D. Isabel.
Disse o nosso Benfeitor Amigo que, primeiramente, a filha mais jovem proferiu a prece, ao que se seguiu que a filha mais velha leu uma página instrutiva consoladora e, logo após, uma nota triste do noticiário comum. Quando a leitura acabou, D. Isabel abriu o Novo Testamento, como se estivesse procedendo ao acaso, mas, em verdade, André Luiz viu que o marido de Isabel, do Plano Espiritual, intervinha diretamente na abertura do Livro Sagrado, ajudando a focalizar o assunto da noite.
E D. Isabel leu um versículo do Evangelho e o comentou, com o amparo de um Benfeitor Espiritual que a inspirava, fazendo alusão ao que a filha mais velha lera como página inicial e ao episódio triste do jornal leigo.
No livro Renúncia (12), romance mediúnico ditado por Emmanuel ao nosso querido Chico Xavier, Alcíone, protagonista da citada obra, em Culto do Evangelho na casa de seu pai, contara que quando vivia sob tutela do Padre Damiano e de sua mãe, na Espanha, “nunca nos reunimos no culto doméstico sem suplicar o socorro da inspiração divina” e que liam “apenas um versículo de cada vez e esse mesmo, não raro, fornecia cabedal de exame e iluminação para outras noites de estudo.” Dá agora para perceber por que Emmanuel escreveu quatro livros* comentando apenas um versículo de cada vez, em cada leitura edificante que fazemos...
Podemos, assim, concluir que, ao colocarmo-nos confortavelmente em torno da mesa com copos de água pura, a fim de que seja devidamente fluidificada, podemos proferir uma prece simples, e proceder à leitura de página edificante, de um recorte de jornal ou alguma reportagem de revista, além do versículo do Novo Testamento para que possamos, através dele, elucidar o que lemos previamente.
Contudo, podemos utilizar-nos dos recursos literários disponíveis na Doutrina Espírita, quais sejam: livros cujas páginas ou mensagens são lidas antes da prece inicial; leitura e comentários de O Evangelho segundo o Espiritismo ou do Novo Testamento; livros infantis que poderão ser utilizados por aqueles que têm filhos pequenos, dando-lhes, assim, o ensejo de participação ativa no CEL, lendo eles próprios alguma passagem de um livro infantil edificante, que conte alguma história do seu dia-a-dia na escola e que tenha a ver com o tema da noite, além do contato com o conhecimento espírita e a moral cristã contida no Evangelho de Jesus.
Ao final, que seja proferida a prece de agradecimento.
E não podemos esquecer de fixar um horário e um dia da semana específicos para o mister, o qual não deverá ser burlado nem relegado ao esquecimento. Joanna de Ângelis, na já citada página do livro Messe de Amor (13), é clara ao nos informar: “Não demandes a rua, nessa noite, senão para os inevitáveis deveres que não possas adiar.
Demora-te no Lar para que o Divino Hóspede aí também se possa demorar.” (Destaque nosso.)
É importante frisar que o CEL não é um momento para manifestações mediúnicas, salvo em situações extremas, em que se faça necessário a um Mentor Espiritual dar algum recado mais importante. Apesar de o CEL beneficiar alguns companheiros desencarnados que, porventura, estejam em nossa casa ou sejam trazidos até ela para se beneficiarem dos ensinamentos da noite, como exemplifica André Luiz no livro Entre a Terra e o Céu14, é muito importante que nos abstenhamos de dar passividade a Espíritos sofredores no âmbito doméstico, por ser medida de resguardo do lar, que não possui os aparatos devidos para as medidas de socorro necessárias a esses irmãos. Que os nossos companheiros desencarnados em sofrimento se manifestem na reunião mediúnica do Centro Espírita, que é a sua clínica de psicoterapia em grupo, sob a égide dos ensinamentos de Jesus.
Mas, e se só eu em casa sou espírita? Então não há CEL na minha casa?
Tereza de Brito, por intermédio de José Raul Teixeira, no livro Vereda Familiar (15), fala que “caso os seus familiares não concordem, por serem adultos e pensarem de maneira diferente, não se iniba. Ore e vibre com Jesus você sozinho, seja nos seus aposentos de dormir ou em alguma parte da casa onde você possa recolher-se por alguns momentos.” E se nos lembrarmos de que Joanna de Ângelis disse que podemos beneficiar um prédio inteiro, uma rua toda, o que não faremos àqueles que não participam do CEL mas vivem sob o mesmo teto que nós! “Se os teus se negarem compartir o ministério a que te propões, a sós, reservadamente na limitação de tua peça de dormir, instala a primeira lâmpada do estudo evangélico e porfia...” 16
Em contrapartida, diz que não devemos assim proceder quando temos filhos sob nossa tutela: “Se, todavia, os teus filhos estiverem, ainda, sob a tua tutela, não creias na validade do conceito de deixá-los ir, sem religião, sem Deus... Como lhes dás agasalho e pão, medicamento e instrução, vestuário e moedas, oferta-lhes, igualmente, o alimento espiritual (...)”.
Nós somos responsáveis pelos nossos tutelados e responderemos se, por acaso, eles falharem por omissão nossa. É nosso dever levar a eles uma educação moral com base na Lei Natural, que é a Lei de Deus, contida no Evangelho de Amor que o Cristo nos legou. Portanto, eles têm que participar do CEL, preferencialmente desde bem pequenos, quando já comecem a ensaiar o entendimento das coisas, para que se habituem à rotina semanal e para que incorporem tal hábito, levando-o, a posteriori, ao íntimo de seus futuros lares.
E afinal, é importante mesmo que o espírita faça o CEL todas as semanas, ou basta só freqüentar o Centro e ler os livros doutrinários?
Por vezes, o espírita desavisado, em especial quando pouco estuda as obras da Codificação e complementares, acha que, para que seu lar esteja devidamente protegido dos ataques dos Espíritos levianos e zombeteiros, basta que esteja cumprindo sua “escala” semanal no Centro Espírita e que, antes de dormir, faça a sua prece.
Entretanto, é importante, imprescindível mesmo, que todo espírita faça o CEL, independentemente do número de vezes que compareça ao Centro Espírita, porque a sua prática significa a proteção que o lar necessita contra as investidas das trevas. É mediante o CEL que o nosso lar adquire aquelas barreiras magnéticas mencionadas por André Luiz no cap. 37 de Os Mensageiros 17, citadas anteriormente. É através do CEL que colhemos os benefícios de apaziguamento das animosidades no lar, o aumento da cordialidade entre os que vivem sob o mesmo teto, a força necessária para resolver os problemas familiares de difícil solução, o estreitamento dos laços de consangüinidade.
Vale ressaltar que, independentemente do número de membros da família que ora unida, o importante, e que realmente dá valia às potencialidades magnéticas e vibratórias do Culto do Evangelho no Lar, é a boa intenção na sua prática, é a verdadeira ligação com os Mentores Espirituais, é a freqüência na sua realização e a mudança de atitude dentro de casa, que muito contribuirão para que se mantenha o clima de paz e harmonia que se segue aos minutos de leitura do Evangelho.
Instituamos o Culto do Evangelho em nossos lares, cuidando de nossos filhos para que lhes seja dado o devido encaminhamento religioso, o “pão da vida” de que Jesus nos falou, aquele que realmente nos sacia a fome de luz. E levemos aos irmãos que ainda não o cultivam a informação dos benefícios que ele proporciona, ensinando-os, ajudando-os nos dois ou três primeiros cultos, para que, assim, mais famílias possam recolher as luzes que nós já começamos a receber.
Referências Bibliográficas:
1 TEIXEIRA, José Raul. Vereda Familiar. Pelo Espírito Tereza de Brito. 3. ed. Niterói: Ed. Fráter, 1995. 134 p., cap. 25, p. 99.
2 XAVIER, Francisco Cândido. Jesus no Lar. Pelo Espírito Neio Lúcio. 22. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1997. 213 p., cap. 1.
3 _______. Desobsessão. Pelo Espírito André Luiz. 15. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1995. 248 p., cap. 70, p. 239.
4 FRANCO, Divaldo Pereira. S.O.S. Família. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. 8. ed. Salvador: LEAL, 1998. 158 p., cap. Estudo Evangélico no Lar, p. 63.
5 XAVIER, Francisco Cândido. Conduta Espírita. Pelo Espírito André Luiz. 19. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1996. 155 p., cap. 5, p. 33.
6 Op. cit., cap. 25, p. 99.
7 FRANCO, Divaldo Pereira. Florações Evangélicas. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. 3. ed. Salvador: LEAL, 1987. 192 p., cap. 3, p. 20.
8 XAVIER, Francisco Cândido. Os Mensageiros. 37. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2001. 268 p., cap. 37.
9 FRANCO, Divaldo Pereira. Messe de Amor. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. 6. ed. Salvador: LEAL, 1993. 166 p., p. 162, cap. 59.
10 Idem, ibidem.
11 XAVIER, Francisco Cândido. Os Mensageiros, 37. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2001, cap. 35.
12 ________. Renúncia. Pelo Espírito Emmanuel. 23. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1994. 464p., 2a parte, cap. III, p. 333.
13 FRANCO, Divaldo Pereira. Messe de Amor, cap. 59, p. 163.
14 XAVIER, Francisco Cândido. Entre a Terra e o Céu, 19. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2001, cap. VI, p. 37.
15 Teixeira, José Raul. Vereda Familiar, cap. 24, p. 96.
16 Op. cit.. cap. Estudo Evangélico, p. 62.
17 XAVIER, Francisco Cândido. Os Mensageiros, 37. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2001, cap. 37.
SÉRIE PRA PENSAR...
Necessário e
Supérfluo
715. Como pode o homem conhecer o limite do necessário?
“Aquele que é ponderado o conhece por intuição. Muitos só chegam a conhecê-lo por experiência e à sua própria custa.”
716. Mediante a organização que nos deu, não traçou a Natureza o limite das nossas necessidades?
“Sem dúvida, mas o homem é insaciável. Por meio da organização que lhe deu, a Natureza lhe traçou o limite das necessidades; porém, os vícios lhe alteraram a constituição e lhe criaram necessidades que não são reais.”
717. Que se há de pensar dos que açambarcam os bens da Terra para se proporcionarem o supérfluo, com prejuízo daqueles a quem falta o necessário?
“Olvidam a lei de Deus e terão que responder pela privações que houverem causado aos outros.”
Nada tem de absoluto o limite entre o necessário e o supérfluo. A Civilização criou necessidades que o selvagem desconhece e os Espíritos que ditaram os preceitos acima não pretendem que o homem civilizado deva viver como o selvagem. Tudo é relativo, cabendo à razão regrar as coisas. A Civilização desenvolve o senso moral e, ao mesmo tempo, o sentimento de caridade, que leva os homens a se prestarem mútuo apoio. Os que vivem à custa das privações dos outros exploram, em seu proveito, os benefícios da Civilização. Desta têm apenas o verniz, como muitos há que da religião só têm a máscara.
Resumo
O homem ponderado conhece o limite do necessário por intuição, mas muitos só chegam a conhecê-lo por experiência e à sua própria custa. Sendo insaciável, os vícios lhe alteram a constituição e criam necessidades que não são reais. Os que açambarcam os bens da Terra para se proporcionarem o supérfluo, com prejuízo daqueles a quem falta o necessário, olvidam a lei de Deus e terão que responder pelas privações que houverem causado aos outros.
Comentários
Grande parte dos sofrimentos que experimentamos advém não da falta do necessário, mas porque nos lamentamos de não possuir o supérfluo. Compreender a diferença entre o que é necessário e o que é supérfluo não é matéria exclusiva dos compêndios espíritas. Leiam a respeito algumas citações de autorias variadas:
“Compra não o que consideras oportuno, mas o que te falta; o supérfluo é caro, mesmo que custe apenas um soldo.” (Catão, Citado em Sêneca, Cartas a Lucílio)
“A utilidade mede a necessidade: e como avalias o supérfluo?” (Sêneca)
“Os bens supérfluos tornam a vida supérflua.” (Píer Pasolini, Scritti Corsari)
“Sabei escusar o supérfluo, e não vos faltará o necessário.” (Marquês de Maricá, Máximas)
“Todo o Mal Provém não da Privação, mas do Supérfluo.” (Fernando Namora)
“A economia significa o poder de repelir o supérfluo no presente, com o fim de assegurar um bem futuro e sobre este aspecto representa o domínio da razão sobre o instinto animal.” (Thomas Atkinson)
“O supérfluo, com o tempo, torna-se numa coisa muito necessária.” (George Buffon)
“A lei seca da arte é esta: 'Ne quid nimis', nada além do necessário. Tudo o que é supérfluo, tudo aquilo que podemos suprimir sem alterar a essência é contrário à existência da beleza.” (Ortega y Gasset)
“A sabedoria da natureza é tal que não produz nada de supérfluo ou inútil.” (Copérnico)
Voltando ao aspecto espírita de nosso estudo, acrescentamos dois textos de Emmanuel a respeito do necessário e do supérfluo:
Supérfluo
Por toda parte na Terra, vemos o fantasma do supérfluo enterrando a alma do homem no sepulcro da provação.
Supérfluo de posses estendendo a ambição…
Supérfluo de dinheiro gerando intranqüilidade…
Supérfluo de preocupações imaginárias abafando a harmonia…
Supérfluo de indagações empanando a fé…
Supérfluo de convenções expulsando a caridade…
Supérfluo de palavras destruindo o tempo…
Supérfluo de conflitos mentais determinando o desequilíbrio…
Supérfluo de alimentação aniquilando a saúde…
Supérfluo de reclamações arrasando o trabalho…
No entanto, se o homem vivesse de acordo com as próprias necessidades, sem exigir o que ainda não merece, sem esperar o que não lhe cabe, sem perguntar fora do propósito e sem reprovar nos outros aquilo que ainda não retificou em si mesmo, decerto a existência na Terra estaria exonerada da grande maioria dos tributos que aí se pagam quase diariamente à perturbação.
Se procuras no Cristo o mentor de cada dia, soma as tuas possibilidades no bem, subtrai as próprias deficiências, multiplica os valores do próprio serviço e divide o amor para com todos, a fim de que os que te cercam aprendam com a vida o que convém realmente à própria segurança.
O problema da felicidade não está em sermos possuídos pelas posses humanas, quaisquer que elas sejam, mas em possuí-las, com prudência e serenidade, usando-as no bem para os semelhantes, que resultará sempre em nosso próprio benefício.
Alija o supérfluo de teu caminho e acomoda-te com o necessário à tua paz. Somente assim encontrarás em ti mesmo o espaço mental indispensável à comunhão clara e simples com o nosso Divino Mestre e Senhor. (Do livro Plantão da Paz, Cap. 12, psicografia de Francisco Cândido Xavier)
No bem de todos
“Sejam vossos costumes sem avareza, contentando-vos com o que tendes, porque ele disse: não te deixarei, nem te desampararei.” — PAULO (Hebreus, 13.5).
Encarna-se e reencarna-se o Espírito na Terra, a fim de aperfeiçoar-se no rumo das Estâncias Superiores do Universo.
Não te encarceres, assim, nos tormentos do supérfluo que a avareza retém, como sendo recurso indispensável à vida, na cegueira com que inventa fantasiosas necessidades.
O dono do pomar não comerá dos frutos senão a quota compatível com os recursos do estômago.
O atacadista de algodão vestirá uma camisa de cada vez.
Entretanto, o cultivador e o negociante serão abençoados nos Céus se libertam os valores que administram, em louvor do trabalho que dignifica, da educação que eleva, da beneficência que restaura ou da fraternidade que sublima.
Atendamos aos deveres que as circunstâncias nos atribuem, acalentando ideais de melhoria, mas aprendamos a contentar-nos com o que temos, sem ambicionar o que não possuímos, em matéria de aquisições passageiras, a fim de conquistarmos, sem atritos desnecessários, os talentos que nos faltam.
Ainda não se viu homem no mundo, cercado de tesouros infrutíferos, que se livrasse, tão-somente por isso, das leis que regem o sofrimento e a enfermidade, a velhice e a morte.
Respeitemos os princípios divinos do bem para todos.
Confiemos, trabalhando.
Caminhemos, servindo.
“Não te deixarei, nem te desampararei”— disse-nos o Senhor.
Sim, o Senhor jamais nos deixará, nem nos desamparará, mas, se não queremos experiências dolorosas, espera naturalmente que não nos releguemos à ilusão, nem lhe desprezemos a companhia. (Do livro Palavras de vida eterna, cap. 142, psicografia de Francisco Cândido Xavier)
Aos que quiserem aprofundar um pouco mais sobre esse assunto:
SOUZA, Juvanir Borges de. Tempo de transição. 3 ed. Rio de Janeiro: FEB, 2002. Cap. 5 (Necessário e supérfluo), p. 50.
XAVIER, Francisco Cândido & VIEIRA, Waldo. O espírito da verdade. Por diversos Espíritos. 14. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2003. Cap. 1 (Problemas do mundo - mensagem do Espírito Bezerra de Menezes), p. 15-16.
sábado, 18 de abril de 2009
SOBRE A CURA
A Cura , por MIRAMEZ
São várias as maneiras pelas quais se processa a cura dos enfermos. Nos casos operados por Jesus e os apóstolos, foram curas instantâneas, nas quais, como por encanto, as enfermidades desapareciam rapidamente. Para essa operação, é preciso grande saber espiritual, conhecer os fundamentos da vida do enfermo e, por vezes, modificar algo em sua mente, afim de que ele mude o modo de pensar e de agir. A enfermidade é a fermentação de muitas existências vividas desregradamente; é a resposta, a conseqüência. Por isso, a dor, em certas circunstancias, é a própria cura. Os duros padecimentos são indícios de elevação de alma, porque ela já começou a pagar os débitos passados, pelo guante da enfermidade.
O enfermo, ao ser curado, abre-se como a flor ligada ao caule e os seus centros de força ativam toda a sua sensibilidade, de maneira a facilitar a absorção dos fluidos doados pelo operador. Em muitos casos, Jesus já dizia “A tua fé te curou”. Isso porque determinados enfermos fazem o trabalho quase por si próprios. Assim a fé é de muita importância em toda a nossa vida .Quando existe fé, na cura a distancia, de cuja operação curativa o enfermo não participa, e por vezes, ignora por se encontrar inconsciente, o operador se desdobra, de modo impressionante em todas as direções do saber, para encontrar a equação desejada, ou seja, a cura. Examina pela clarividência, o tipo de doença, suas causas e busca no grande manancial divino elementos para substituir os que já estão cansados e gastos . Observa e ativa os pontos energéticos do corpo e da alma, faz transfusão imediata de força vital, serena a mente adoentada e acomoda nos seus mais sensíveis departamentos, idéias favoráveis à cura. Pensamentos positivos, alegria de viver e uma grande paz caem na sua consciência profunda. Aí o doente favorece o trabalho, como se fosse submeter-se a uma operação e como se relaxasse na mesa de cirurgia, pelas bênçãos da anestesia completa. Mas, tudo isso ocorre em minutos, dependendo da elevação do Espírito encarregado da cura e, em muitos casos, do tipo de enfermo. A variação é infinita. Entra em ação, como já falamos, a lei do carma.
Há forças desconhecidas que se interpõem às curas imediatas. Não é muito repetir que o Evangelho não pode deixar de nos acompanhar em todo esse trabalho. Ele é a força de Deus que faz a cura se eternizar, pois traduz os princípios das leis. Todos os desequilíbrios orgânicos e psíquicos são a não observância dos preceitos divinos. No entanto, ainda existem muitas coisas no campo da cura que os homens não estão preparados para conhecer. O tempo, na dinâmica do progresso, vai revelar essas coisas gradativamente, a todas as criaturas, na Terra e fora dela.
Existem muitos métodos de curar, desde a mastigação de ervas entre os índios às mais sofisticadas invenções no reino de Hipócrates, desde os xaropes de longa vida na área iniciática, à medicina homeopática, fundada por Samuel Hahnemann, nas concentradas gotas de energismo curativo, desde as benzeções dos camponeses com ramos específicos, à flora medicinal, desde as massagens dos antigos egípcios às famosas agulhadas orientais, desde os sopros dos Pais Iogues, aos passes nos templos espíritas. Enfim, há um sem número de modalidades de curas, por todos os ângulos que podemos imaginar E hoje, há muitas pessoas se curando pela alimentação; no entanto, todas as curas mencionadas e as de que não precisamos falar carecem da força do (nosso) pensamento, cuja energia é transmutada naquilo que dispusemos a transformar, pela luz do coração.
Pedimos licença a todos os curadores, encarnados ou desencarnados, para dizer que toda cura divina nasce da energia sublimada que vem de Deus, passando pelas mãos santas de Nosso Senhor Jesus Cristo. Como está comprovada, as mãos que tocam os enfermos de qualquer natureza e que curam instantaneamente, por trás delas estão as do Mestre dos mestres. Somente Ele sabe transformar a luz de Deus, para restabelecer a harmonia orgânica dos homens.
(*) Este material foi retirado do livro Francisco de Assis psicografado por João Nunes Maia e ditado pelo espírito Miramez, Editora Espírita Cristã Fonte Viva.
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
SÉRIE CAMINHANDO...
Reforma Íntima
Grupo Espírita Seara do Mestre
A Doutrina Espírita esclarece a respeito da transformação moral que deve ser operada em nós mesmos. Somos todos iguais perante Deus, nosso Criador. Ele nos dá a oportunidade, através de inúmeras encarnações, de modificar o nosso interior, pois possuímos o gérmen divino que dormita em nossos corações.
É imprescindível uma mudança de dentro para fora, sendo necessário identificar todos os sentimentos negativos, como o orgulho, o egoísmo. Vigiar pensamentos, atos e atitudes. A reforma é lenta e gradativa e exige persistência. Através da leitura de bons livros, de palestras edificantes, do estudo que nos eleva espiritualmente, da busca do conhecimento e esclarecimento, vamos nos auto-conhecendo para proporcionar a colocação de valores positivos em nossas vidas.
Necessário se faz, ainda, julgarmos a nós próprios, ignorar os defeitos alheios, empregar o perdão, aniquilar com a maledicência, exercitar a caridade, anular as ofensas.
Nosso modelo e guia é Jesus, que há dois mil anos veio nos mostrar a melhor forma de caminhar até a perfeição, ensinando-nos a amar a Deus e aos nossos irmãos como a nós mesmos.
Muitas vezes, a dor nos bate à porta. Trata-se de uma alerta de que algo em nós não está de acordo com a Justiça Divina. São ocasiões que nos oportunizam melhorias mais intensas.
Também através da convivência com a nossa família e amigos observaremos a ocorrência de mudanças, num exercício diário de despertar virtudes e dominar más tendências.
Grande auxílio, nesse fim, nos proporciona a oração. Quando feita com fé e vibração, ela nos liga ao Pai Celeste e torna receptivos coração e mente às energias que fortalecem o espírito. Além disso, deixa-nos em sintonia com benfeitores espirituais que nos auxiliam na busca do bem viver, estimulando o amor, esse sublime sentimento que conduz à felicidade, à paz interior e à harmonia.
Neste mundo de provas e expiações, onde nos deparamos com inúmeras dificuldades e desentendimentos, sejamos tal qual uma pequena luz, a irradiar esperança, fé, otimismo, alegria. Aprendamos a valorizar as pequenas maravilhas que Deus nos oferece todos os dias, incondicionalmente...
E quem sabe, a partir de agora, cultivaremos melhor aqueles gestos tão simples, mas tão poderosos e importantes: as palavras de gentileza, a saudação jovial e vibrante, o aperto de mão firme e o abraço caloroso, o permanente sorriso no rosto, aberto e sincero...
Evitemos queixas e lamentações, respondendo sempre aos cumprimentos com um "Eu vou bem!". Pois, apesar de eventuais dificuldades, na qualidade de filhos de Deus, possuímos enorme força interior, capaz de vencer qualquer desafio. Dispomos de amparo e de infinitas bênçãos divinas, basta saber ver e direcionar a nossa vontade.
Ao acordar pela manhã, agradeçamos a oportunidade de recomeçar tudo outra vez, de corrigir, de acertar, de melhorar! Mentalizemos bons propósitos para o dia que inicia. E à noite, agradeçamos por tudo o que passou, bons ou difíceis momentos. É importante fazer uma avaliação diária de nossas atitudes. Assim, com o desejo sincero da reforma íntima, vamos trocando valores negativos por positivos.
Através de nossa conduta moral elevada, com nosso exemplo, influenciaremos os que estão a nossa volta, sendo instrumentos de Jesus a transmitir os seus ensinamentos, que são todos de amor.
A única maneira de nos unirmos a Deus é com a auto-reforma. Ele espera pacientemente cada um de nós, sem violentar nosso livre-arbítrio, para que atinjamos a perfeição, a felicidade absoluta, e nos unamos em uma grande e fraterna família universal.
Aproveitemos as oportunidades presentes para apressar nossa evolução, através de melhoria íntima. Nosso Pai sempre nos dá novas chances, mas nunca iguais a estas. Na encarnação atual essa pode ser a última oportunidade, e talvez amanhã não haja mais tempo. Portanto, não adiemos a felicidade para amanhã!
Boletim Informativo Seara - Ano II Nº 15 Fevereiro de 2000
sábado, 14 de fevereiro de 2009
SÉRIE DEPOIMENTO...
SAUDADE É O AMOR QUE FICA...
De um médico oncologista do Recife.
No início da minha vida profissional, senti-me atraído em tratar crianças, me entusiasmei com a oncologia infantil. Tinha, e tenho ainda hoje, um carinho muito grande por crianças. Elas nos enternecem e nos surpreendem com suas maneiras simples e diretas de ver o mundo, sem meias verdades. Nós médicos somos treinados para nos sentirmos "deuses". Só que não o somos! Não acho o sentimento de onipotência de todo ruim, se bem dosado. É este sentimento que nos impulsiona, que nos ajuda a vencer desafios, a se rebelar contra a morte e a tentar ir sempre mais além. Se mal dosado, porém, este sentimento será de arrogância e prepotência, o que não é bom. Quando perdemos um paciente, voltamos à planície, experimentamos o fracasso e os limites que a ciência nos impõe e entendemos que não somos deuses.
Somos forçados a reconhecer nossos limites! Recordo-me com emoção do Hospital do Câncer de Pernambuco, onde dei meus primeiros passos como profissional. Nesse hospital, comecei a freqüentar a enfermaria infantil, e a me apaixonar pela oncopediatria. Mas também comecei a vivenciar os dramas dos meus pacientes, particularmente os das crianças, que via como vítimas inocentes desta terrível doença que é o câncer. Com o nascimento da minha primeira filha, comecei a me acovardar ao ver o sofrimento destas crianças. Até o dia em que um anjo passou por mim. Meu anjo veio na forma de uma criança já com 11 anos, calejada porém por 2 longos anos de tratamentos os mais diversos, hospitais, exames, manipulações, injeções e todos os desconfortos trazidos pelos programas de quimioterapias e radioterapia. Mas nunca vi meu anjo fraquejar. Já a vi chorar sim, muitas vezes, mas não via fraqueza em seu choro. Via medo em seus olhinhos algumas vezes, e isto é humano! Mas via confiança e determinação. Ela entregava o bracinho à enfermeira e com uma lágrima nos olhos dizia: faça tia, é preciso para eu ficar boa.
Um dia, cheguei ao hospital de manhã cedinho e encontrei meu anjo sozinho no quarto. Perguntei pela mãe. E comecei a ouvir uma resposta que ainda hoje não consigo contar sem vivenciar profunda emoção. Meu anjo respondeu: - Tio, às vezes minha mãe sai do quarto para chorar escondido nos corredores. Quando eu morrer, acho que ela vai ficar com muita saudade de mim. Mas eu não tenho medo de morrer, tio. Eu não nasci para esta vida! Pensando no que a morte representava para crianças, que assistem seus heróis morrerem e ressuscitarem nos seriados e filmes, indaguei: - E o que a morte representa para você, minha querida? - Olha tio, quando agente é pequena, às vezes, vamos dormir na cama do nosso pai e no outro dia acordamos no nosso quarto, em nossa própria cama não é? (Lembrei que minhas filhas, na época com 6 e 2 anos, costumavam dormir no meu quarto e após dormirem eu procedia exatamente assim.) - É isso mesmo, e então? - Vou explicar o que acontece, continuou ela: Quando nós dormimos, nosso pai vem e nos leva nos braços para o nosso quarto, para nossa cama, não é? - É isso mesmo querida, você é muito esperta! - Olha tio, eu não nasci para esta vida! Um dia eu vou dormir e o meu Pai vem me buscar. Vou acordar na casa Dele, na minha vida verdadeira!
Fiquei "entupigaitado". Boquiaberto, não sabia o que dizer. Chocado com o pensamento deste anjinho, com a maturidade que o sofrimento acelerou, com a visão e grande espiritualidade desta criança, fiquei parado, sem ação. - E minha mãe vai ficar com muita saudade minha, emendou ela. Emocionado, travado na garganta, contendo uma lágrima e um soluço, perguntei ao meu anjo: - E o que saudade significa para você, minha querida? - Não sabe não, tio? Saudade é o amor que fica!
Hoje, aos 53 anos de idade, desafio qualquer um a dar uma definição melhor, mais direta e mais simples para a palavra saudade: é o amor que fica! Um anjo passou por mim... Foi enviado para me dizer que existe muito mais entre o céu e a terra, do que nos permitimos enxergar. Que geralmente, absolutilizamos tudo que é relativo (carros novos, casas, roupas de grife, jóias) enquanto relativizamos a única coisa absoluta que temos, nossa transcendência.
Meu anjinho já se foi, há longos anos. Mas me deixou uma grande lição, vindo de alguém que jamais pensei, por ser criança e portadora de grave doença, e a quem nunca mais esqueci. Deixou uma lição que ajudou a melhorar a minha vida, a tentar ser mais humano e carinhoso com meus doentes, a repensar meus valores. Hoje, quando a noite chega e o céu está limpo, vejo uma linda estrela a quem chamo "meu anjo, que brilha e resplandece no céu." Imagino ser ela, fulgurante em sua nova e eterna casa. Obrigado anjinho, pela vida bonita que teve, pelas lições que ensinaste, pela ajuda que me deste. Que bom que existe saudades!
O amor que ficou é eterno.
Rogério Brandão
Médico oncologista clinico
RC Recife - Boa Vista D4500
Cremepe 5758"
APOMETRIA É ESPIRITISMO?
ESCLARECIMENTOS À LUZ DOS ENSINAMENTOS KARDECIANOS
Vitor Ronaldo Costa
“Que faz a moderna ciência espírita? Reúne em corpo de doutrina o que estava esparso; explica, com os termos próprios, o que só era dito em linguagem alegórica; poda o que a superstição e a ignorância engendram, para só deixar o que é real e positivo. Esse o seu papel”. (1)
Certa feita, alguém nos interpelou: “— Apometria é Espiritismo?” E eu retruquei: “— Depende do ângulo pelo qual se analise o assunto. Em nosso modo de ver, a Apometria enquadra-se perfeitamente no elenco de atividades espíritas.” Semelhante resposta tem a sua razão de ser, e aqui nos propomos a dirimir qualquer controvérsia a respeito.
O Espiritismo, por definição, é uma doutrina abrangente e evolutiva; portanto, situação bem diversa das demais religiões, quase sempre eivadas de dogmas, práticas exteriores e obediência cega aos pontífices infalíveis.
O termo doutrina pode ser definido como o conjunto de princípios que servem de base a um sistema religioso, político, filosófico, científico, entre outros.
A seu turno a proposta kardeciana assevera: O Espiritismo é, ao mesmo tempo, uma ciência de observação e uma doutrina filosófica. Como ciência prática ele consiste nas relações que se estabelecem entre nós e os Espíritos; como filosofia, compreende todas as conseqüências morais que dimanam dessas mesmas relações. Podemos defini-lo assim: O Espiritismo é uma ciência que trata da natureza, origem e destino dos Espíritos, bem como de suas relações com o mundo corporal. (2)
Muito sabiamente ao conceituar o Espiritismo, Allan Kardec logo de início o rotulou de ciência de observação, qualificação que nos autoriza a lançar mãos de artifícios experimentais, mesmo que “sui generis”, com o objetivo de devassar a realidade espiritual que nos cerca e nos interpenetra. Essa é a razão pela qual o codificador nos alerta: A Ciência propriamente dita é, pois, como ciência, incompetente para se pronunciar na questão do Espiritismo: não tem que se ocupar com isso e qualquer que seja o seu julgamento, favorável ou não, nenhum peso poderá ter. (3)
A ciência acadêmica tem por escopo a investigação dos fenômenos materiais, aqueles que se manifestam nos limites do nosso universo matemático. Todavia, a ciência espírita, ao se utilizar do instrumental mediúnico e das propriedades do magnetismo humano, revela-nos a realidade da dimensão extra-física e descortina, portanto, novos horizontes para a medicina integral. Por isso, admitimos que a explanação aqui feita se reveste de uma certa relevância, caso queiramos entender o significado de espiritismo-ciência, com vistas à inserção em seu contexto experimental do capítulo referente à Apometria.
Por sua vez, a Apometria nada mais é do que um conjunto de técnicas magnéticas aplicadas sobre o médium afeito às tarefas desobsessivas, com a finalidade de induzir o sonambulismo artificial, de tal modo, que ele possa interagir mais facilmente com os desencarnados, reconhecer os mentores, localizar os obsessores, vislumbrar as patologias complexas na própria tessitura perispirítica dos enfermos e identificar os pormenores das paisagens astrais.
Diríamos, então, que a Apometria, a exemplo da mediunidade, do passe magnético e de tantas outras expressões de reconhecida utilidade em nosso movimento, inclui-se no rol das atividades espíritas e dessa maneira deve ser reconhecida. Aliás, a bem da verdade, as inúmeras tarefas exercidas nas casas espíritas se multiplicam de acordo com os objetivos pretendidos pelas instituições, mas só devem merecer o título de atividade espírita se subordinadas aos critérios éticos que alicerçam a doutrina, inferência óbvia, impossível de ser refutada
Ora, ao elaborar a sua conceituação, Kardec não especifica o que deve ou não ser considerado Espiritismo, pois a complexidade científica da doutrina e a multiplicidade de tarefas enobrecidas agregadas ao seu contexto, de acordo com a Lei do Progresso, ampliam-se constantemente. Contudo, um pormenor permanece soberano: o aspecto ético das citadas atividades. O Espiritismo será aquilo que fizermos dele. E a sua excelência como doutrina libertadora dependerá única e exclusivamente do bom senso e da honestidade de propósitos de seus profitentes.
Desse modo, mais uma vez, gostaríamos de bem frisar as particularidades que se devem destacar no conceito kardeciano de Espiritismo. O primeiro deles envolve a prática experimental implícita na própria atividade mediúnica. Por se tratar de ciência de observação, o Espiritismo se vale de métodos e de técnicas experimentais próprias, que variam de acordo com as pretensões e objetivos a serem alcançados pelos pesquisadores. O segundo aspecto diz respeito ao componente filosófico-moral derivado dessas mesmas práticas, e, aí, incluem-se as soberanas diretrizes evangélicas.
Pois bem. O exercício disciplinado da mediunidade, a transmissão de bioenergia através das mãos, as preces e irradiações à distância, a água magnetizada e a aplicação das técnicas apométricas devem ser entendidos na conta de atividades espíritas, caso se efetivem em plena consonância com os postulados doutrinários: gratuidade, vontade de ajudar os semelhantes e interação afetiva com os bons Espíritos. Eis aí a chave da questão. Assim, admite-se que tais práticas, por si sós, não se caracterizam como espíritas, pois algumas são de uso corriqueiro em outras religiões, a exemplo do exercício mediúnico e da imposição das mãos. Contudo, se dispensadas evangelicamente em instituições espíritas, tornam-se consagradas e devidamente incluídas no rol das atividades espíritas. Por extensão de raciocínio, aceitamos a existência da música, do teatro, do cinema e da literatura espíritas, caso essas expressões culturais enalteçam os aspectos positivos da vida e contribuam para a elevação da dignidade humana. Isso, para que se tenha uma idéia de quantas atividades podem ser exercitadas em nosso âmbito doutrinário, com o objetivo de levar o estímulo renovador e o conhecimento maior às criaturas abatidas que nos batem as portas.
Cremos que, agora, após essas breves digressões, nos sintamos aptos a responder na íntegra a pergunta inicialmente formulada. Apometria é Espiritismo? “A nossa experiência no assunto aliada aos ideais de fidelidade à causa nos mostram tratar-se de excelente atividade espírita, desde que praticada por dirigentes capacitados, médiuns devidamente esclarecidos e dispensada gratuitamente em ambiente espírita, em prol dos sofredores de ambos os lados da vida.” Concluindo diríamos: Atividades Espíritas são todas aquelas que envolvem o espírito com o amor fraterno e Universal para a transformação do homem e da humanidade.
Dr. Vitor Ronaldo é autor de “Desobsessão e Apometria – Análise à Luz da Ciência Espírita”, recentemente lançada pela Editora O Clarim. Trata-se de uma proposta com enfoque absolutamente doutrinário, destinada aos espíritas estudiosos, especialmente, aqueles que se dedicam às lides desobsessivas. O assunto é tratado de uma forma simples, objetiva, sem misticismos, crendices nem fantasias inaceitáveis.
Bibliografia:
(1) KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Conclusão, item VI. 13ª ed. de bolso. Brasília-DF, FEB, 2007. pág. 518
(2) ___________. O que é o Espiritismo. Preâmbulo. 15ª ed. , Rio, FEB, 1973.
(3) ___________. O Livro dos Espíritos. Introdução, item VII. 13ª ed. de bolso. Brasília-DF, FEB, 2007. pág. 35
Postado por Sérgio Vencio às Quinta-feira, Fevereiro 12, 2009 0 comentários
SÉRIE PARA ESTUDO...
JESUS E OS FLUIDOS- por Jacob Melo
“A qualidade desses fluidos lhe conferia (a Jesus) imensa força magnética, secundada pelo incessante desejo de fazer o bem.” – Allan Kardec, in.: A Gênese, Cap. XV, item 2 – Superioridade da natureza de Jesus.
Embora com destaque especial no Ocidente, também é conhecido e respeitado no Oriente. Sendo, a nosso ver, o maior e mais evoluído Espírito que já passou pela Terra, Jesus possuía a superlatividade em praticamente todos seus sentidos e percepções. Daí, d’Ele os melhores exemplos de amor e humildade, de perseverança e renúncia, de sabedoria e ação, de cura de corpos e de almas. Seu nome traz impregnada a força de sua vida — curta em extensão, incomensurável em profundidade. O registro de sua passagem pela Terra, ainda que mesclado de interesses os mais diversos e tendo sofrido as mutações e adaptações patrocinadas pelos mais variados narradores, tradutores e historiadores, continua preservando toda a pujança de uma doutrina de exemplo e ação, amor e coragem.
Tamanho o brilho de Jesus que muitas religiões o igualam a Deus. Decorre tal fato, assim percebo, tanto do reconhecimento de sua inigualável força moral quanto por seus feitos ainda incomparáveis — popularmente tidos por milagres.
É exatamente nesses "milagres" que vamos encontrar um Jesus profundo conhecedor das leis Naturais. Não apenas daquelas leis que estão limitadas ao saber da época ou mesmo de hoje, porém da intimidade, extensão e sutileza de tudo e todos fenômenos fluídicos (por “fluídicos” queremos nos referir aos reflexos e às influências do psiquismo humano e do mundo espiritual sobre o mundo dos fluidos). Evidências disso não faltam...
Quando Ele falava que a fé definiria a cura de determinada enfermidade (Mc 10, 46-52), induzia o paciente à mobilização de todo potencial fluídico (anímico) próprio em seu próprio benefício. — Com certeza, nessas ocasiões Ele coadjuvava no processo através da emissão de sutilíssimos e penetrantes fluidos, posto que oriundos de um Ser Harmônico.
Ordenando que ficassem curados (Mc 1, 40-42), os enfermos de toda espécie recebiam vigorosos potenciais fluídicos de reparação, vindo seus organismos a participarem de monumentais transformações, tamanha a profundidade e o alcance daqueles fluidos. — Sem dúvida, esses fluidos eram orientados por uma vontade que sabia, por uma determinação que “queria”, de fato, fazer... e que fazia.
O poder de ação magnética de Jesus se patenteava máxime em vitalidade quando determinava que aquele que parecia morto retornasse à vida (Lc 8,49-56). — Na momentânea ou aparente quebra do circuito vital, onde os princípios vitais demoravam-se na execução ou registravam dificuldade em fazer seus papéis de conectores entre os reinos do Espírito com o da Matéria, o fluxo magnético do Mestre ampliava os campos magnéticos e seus potenciais de atração do paciente, favorecendo, quase que instantaneamente, ao pronto restabelecimento do circuito chamado vida.
Sob seu comando, Espíritos em situações infelizes, Espíritos obsessores em violentos processos de vingança e ódio (Mt 8, 28-34), simplesmente se acalmavam, retirando-se da zona de percepção de suas vítimas. — É quando fica mais evidente que à força fluídica Ele impunha sua irresistível força moral, a qual potencializava a primeira.
Situação excepcional foi registrada quando a mulher hemorroíssa (Mt 9, 20-22), vencendo a multidão que o cercava e, mesmo estando, acreditamos, extremamente debilitada, já que perdia sangue há mais de 12 anos, conseguiu tocar-lhe as vestes; na ocasião, não apenas aquela criatura obteve a cura imediata e definitiva quanto Jesus, mesmo cercado, tocado e apalpado por inúmeros que o rodeavam, registrou que d’Ele saíra “uma virtude”, vindo a perguntar: “Quem me tocou?”. — Só grandes doadores fluídicos têm condições de doação expontânea, com efeitos tão positivos, quando uma “fonte” carente dele se acerca de maneira “atrativa, assimilativa” (atração magnética por assimilação, onde, no dizer de Kardec, as moléculas mal-sãs são substituídas pelas sãs). E, mais que isso, só detentores da prática e do conhecimento dos campos fluídicos, tanto em suas feições de exteriorização quanto de usinagem (produção fluídica), conseguem detectar, mormente em situações complexas quanto a ocorrida com a hemorroíssa, o circuito usinagem-doação fluídica, ali representado pela “extração de uma virtude”.
Mas, ao contrário do que quase sempre lembramos, nem só de “resultados positivos” foi registrada a ação fluídica de Jesus em nosso meio. (Colocamos entre aspas o termo “resultados positivos” porque pretendemos destacar a relatividade da expressão, já que nem sempre o que achamos seja o melhor e o mais correto realmente o é e vice versa; até porque o efeito a curto prazo nem sempre coincide ou corrobora com suas conseqüências no longo prazo).
Nesse enfoque, analisemos apenas duas dessas situações que muito têm intrigado alguns.
Quando Jesus curou o cego de Betsaida (Marcos, 8, 22-26), notamos que não houve, ao contrário de outras vezes, uma instantaneidade na ação fluídica, pelo menos no nível do que a maioria esperava. Embora pretendendo deixar reflexões para muitos outros campos, a Jesus foi levado um cego (o que sugere que o cego não queria ver) para ser “tocado”. Depois, passou argila (arreia da rua) com saliva (do próprio Jesus) sobre os olhos do deficiente que, abrindo-os, ainda via “vultos humanos como se árvores fossem”, ao que foi preciso o Senhor acrescentar “nova imposição das mãos”. Ficam as perguntas: Teria o fluido de Jesus fraquejado na ocasião? Não seria uma demonstração da necessidade da fé como um dos importantes móveis do sucesso das curas? Não estaria Jesus testando a confiança dos assistentes? Ou não quereria Ele apenas deixar claro que muitas outras formas e técnicas de cura existem? Dentre tantas indagações, ressalta que o Carpinteiro de Nazaré tinha total domínio da ação fluídica de que era detentor. Evidencia-se tal conclusão quando, ao final da operação, percebe-se que, mesmo a contragosto, o cego voltou a ver. Como Jesus nunca desprezava uma oportunidade de registrar mais e novos ensinamentos à humanidade, com certeza aproveitou-se do estado de refratareidade do cego para demonstrar que, mesmo a contragosto do paciente, a força fluídica, quando bem direcionada, supera qualquer barreira ou obstáculo.
Quando Jesus ressuscitou mortos, conforme falamos acima, deixou patente a dimensão de seu domínio sobre o mundo fluídico, mas é no exemplo da figueira ressequida (Mt 21, 18-22) que o Maior Nazareno se supera (força de expressão apenas), até porque é neste exemplo que Ele mais foge dos padrões daquilo que chamamos de “resultado positivo”. O que os tradutores vulgarmente chamam de “maldição da figueira improdutiva” demonstra o quanto Ele sabia manipular os fluidos, qualquer que fosse o sentido. Sabendo que, por magneticamente incompatíveis, haveria instabilidade magnética entre os fluidos d’Ele emanados e objetivamente direcionados e o circuito vital da planta posteriormente ressequida, deixou notável demonstração da lei dos fluidos, os quais sofrem interferência de ordem moral, mas que, nem por isso, deixam de ser físicos, são anímicos mesmo. Significa dizer que, num exemplo de convite ao homem à perseverança e à frutificação positiva perene e não apenas sazonadamente, sempre restam observações valiosas para estudos noutros terrenos, como o fluídico. — Ressalte-se ainda que Ele, no caso, demonstrava pretender ressaltar a extensão de sua força fluídica pois, numa outra passagem (Lc 13, 6-9), O reencontramos fazendo uma parábola sobre uma figueira estéril, à qual Ele recomenda se espere mais um ano, mesmo já fazendo três que ela não produzia frutos e, caso no período não venha a dar figos, só então seja cortada (e não amaldiçoada).
Vemos muitas pessoas condenando outras com a pecha de “mau-olhado”, a elas atribuindo personificações inferiores. Na verdade, os portadores desse “poder” magnético, que fazem murchar plantas, aniquilar animais e adoecer crianças, nada mais são que pessoas dotadas de potenciais fluídico-magnéticos de grave incompatibilidade com reinos inferiores ou mais sensíveis. São criaturas que, reconhecidamente, têm o poder de exteriorização de consistentes campos fluídicos. O mal está no não direcionamento a algo positivo, no não condicionamento de uma vontade firme, na falta de uma estrutura de moral nobre e de uma vivência da auto-doação e da ajuda desinteresseira.
Da mesma maneira que Jesus, fonte do amor entre os seres, pôde, com seus fluidos, atuar numa planta de maneira desintegrante, os que possuem mau-olhado ou campos fluídicos muito densos e/ou incompatíveis a ponto de interferirem negativamente junto a outrem, também podem redirecionar seus potenciais, suas usinas fluídicas e seus campos vitais para o sentido do bem comum, da ajuda ao próximo.
Observações no dia-a-dia demonstram que pessoas portadoras de tais características magnéticas, quando se propõem a ajudar através da transmissão do passe ou da doação fluídica consciente e responsável, respaldada na reforma moral e no desejo sincero de fazer o bem, conseguem obrar verdadeiros milagres, para os outros e, por conseqüência, para si mesmas.
A questão, pois, como tão bem aprendemos e apreendemos com Jesus, é de controle, educação e direcionamento. Para tanto, necessário estudar, fundamental praticar, indispensável amar.
Parafraseando o que disseram os Espíritos da Codificação, também nestes casos, “Jesus é o nosso modelo e guia”.
Nota: De cada caso, apenas registrei uma das citações de O Novo Testamento a fim de não tornar maçante a leitura.
Jacob Melo é autor dos livros "A cura da depressão pelo magnetismo", "Manual do passista", "Há coisas boas por todos os lados"entre outros.
sábado, 7 de fevereiro de 2009
Ética , Estética e Comportamento : Uma contribuição para a Construção do Pensamento e da Ação no interior do Movimento Espírita .
Atitude Doutrinária, Hierarquia (In)Formal e Postura (Des)Comprometida
É muito comum de se observar narrativas efetuadas no interior dos grupos espíritas que ainda evidenciam um forte componente hierárquico no discurso de alguns de seus membros, sutilmente fundado na implícita supremacia que, no entendimento destes, o Espiritismo exerce sobre as demais Religiões e, por conseqüência, dos espíritas sobre as demais pessoas. Isso sempre é um tema polêmico nos grupos. No entanto, alguns sustentam que a simples autodenominação de uma condição espírita ou o conhecimento de todos os preceitos evangélicos, se estes não forem aplicados diariamente de nada adianta . Assim, a superioridade dada pelo suposto esclarecimento doutrinário, de nada vale, na visão de alguns membros, se não estiver associada a uma responsabilização moral maior, como a exigência de um programa de reforma íntima.
Ainda que a referência central da nossa exposição seja a Doutrina Espírita e os seus adeptos e os argumentos invocados devam gravitar à volta desse referencial, os enunciados e as argumentações colocados aqui como válidos oferecem simplesmente um ponto de vista pessoal à discussão. Nesse caso, pensamos e trazemos a nossa contribuição, que está construída e carregada da nossa vivencia e de alguma experiência frente às questões que se apresentam ao nosso olhar. Em outras palavras, não temos nenhuma pretensão ou autoridade de apresentar ou esgotar assunto de tamanha relevância no interior do nosso Movimento. Acreditamos meramente que podemos contribuir com essa reflexão com alguns argumentos que estão fundados na nossa prática como médium e trabalhador no Movimento Espírita.
Primeiramente, acreditamos que na Prática Espírita, as relações estão fortemente sustentadas por um sistema de organização formal aparentemente igualitário, onde a sua estruturação hierárquica é implícita. No meu modo de ver, isso quer dizer que o uso e o modo de expressão verbal – a fala e a palavra, por exemplo, são frutos de uma cooptação individual praticada no interior dos pequenos grupos. É interessante perceber que essa ação, na maior parte das vezes privilegia aspectos pouco claros de ponderação, ficando simplesmente entre a simpatia ou o favorecimento pessoal cabendo aos outros participantes ter o entendimento do seu lugar nos grupos de que participam. Nestas oportunidades, pouco conta a trajetória no Espiritismo, as referências morais de cada um, e em muitos casos valem mais alguns interesses particulares em detrimento de eventuais avanços coletivos, que em algumas oportunidades deixam de ser alcançados muito em nome de uma disfarçada disciplina que acaba por controlar moralmente (?) os eventuais destaques não-autorizados dentro do grupo.
São posturas que acabam por desconsiderar em muitas ocasiões a fala e a ação de muitos companheiros que não receberam o aval e o consentimento para se expressarem em nome do grupo. Para reforçar essas atitudes, também é muito comum encontrarmos no meio um argumento bastante forte no que diz respeito à conduta, a postura e a atitude que não podem ser questionadas. É o que chamamos tempo de serviço ou de freqüência, geralmente ininterruptos . Freqüentemente, os irmãos que se utilizam desta postura colocam-se como detentores de uma grande vivencia – e em algumas vezes o são, conhecedores de toda a Doutrina e na maior parte das vezes não se sentem mais estimulados a troca, a crítica e ao estudo tão necessários a transformação de sua conduta diária, por se acharem acima da discussão e da reflexão necessárias ao dia-a-dia do Movimento. Essas são , sem dúvida , atitudes que reforçam o autoritarismo ao invés da autoridade e em muitas vezes enfraquecem a construção de um senso critico revelador com vistas ao favorecimento de atitudes verdadeiramente comprometidas com o Evangelho no seu aspecto mais renovador.
Longe de questionarmos simplesmente essas atitudes , pensamos que é de fundamental importância que reflitamos sobre elas em qualquer espaço de relação . Acreditamos mesmo , que antes de tudo estas posturas devam ser vistas com respeito e bom senso e sobretudo tratadas com ordem e tolerância. Confiamos que , mais ainda no Centro Espírita , devemos nos empenhar para compreender que todos os esforços devem ser colocados e toda contribuição neste sentido deva ser fortemente valorizada para o alcance de um natural estado de disciplina. Ainda mais porque cremos que a necessária disciplina no interior dos grupos espíritas é principalmente de ordem moral e espiritual, em todos os seus aspectos e da grande pureza de propósitos dos seus membros. Podemos então pensar nas nossas atitudes , refletindo sobre a natureza de cada uma delas , especialmente as que praticamos no interior dos espaços espíritas – sem perdermos de vista as relações do nosso dia-a-dia , já que estamos nos avaliando do ponto de vista do interior do Movimento .
Precisamos verificar se as nossas ações e atitudes estão verdadeiramente voltadas para o serviço e a oração . Apesar de não precisar de maiores esclarecimentos, é importante demarcar que não estamos fazendo nenhuma apologia à contemplação desmedida , mesmo porque não acreditamos nesta postura para o espírita comprometido . Estamos falando do compromisso com a Causa e com a Casa que abraçamos e trazemos a alegoria da oração como sinal de comunhão que defendemos entre iguais com o Divino. Sem dúvida, devemos aprofundar verdadeiramente as nossas atitudes nesta direção e para tal, precisamos nos valer dos exemplos e dos ensinamentos dos que nos antecederam na gênese e na constituição da nossa Doutrina e principalmente no reconhecimento do esforço desprendido pelos fundadores da nossa história e da nossa origem . Esta valorização é , sem dúvida de importância vital para o nosso fortalecimento pessoal e coletivo e nos levará naturalmente a um aprofundamento do entendimento da nossa real condição no grupo que pertencemos . Assim , reconheceremos de fato a nossa identidade e falaremos sobre uma realidade que nos pertence e nos liga verdadeiramente a um ideal comum . Ao agirmos assim, deixaremos de lado a postura acomodada e pouco crítica, porque a nossa expressão estará carregada do nosso compromisso.Ao optarmos por esse caminho, precisaremos estar prontamente alimentados pelo estudo e pelo discernimento que as nossas atitudes com o esclarecimento preciso puder nos oferecer. Acreditamos que só desta forma a nossa postura e o nosso compromisso estarão verdadeiramente a serviço do trabalho que nos aguarda.
Em outras palavras, só a confiança verdadeira nos princípios que sustentam a nossa Doutrina é que nos trará o entusiasmo necessário para o trabalho com equilíbrio . É assim que deixaremos de lado e até abandonaremos as “misturas”, os conceitos “místicos” e “estranhos” que estão levando o Espiritismo a se distanciar casa vez mais de sua essência. É com esse foco que deveremos sustentar o trabalho a ser encarado. Nesta oportunidade, deveremos analisar com muito respeito e consideração todas essas idéias novas, separando o que pode ser verdadeiramente considerado para a Doutrina Espírita. Longe de nos mantermos afastados do progresso e do avanço da Ciência, devemos ter muita deferência com o esforço empreendido por Kardec e pelos Espíritos da Codificação, lembrando do grande trabalho executado na construção de toda a base espírita. Lembremos que o próprio Kardec, orientado pelos Espíritos Superiores, colocou-nos que a Doutrina ainda não estava fechada e pronta, que nós poderíamos aceitar novas contribuições, principalmente as que fossem trazidas pela Ciência e pela própria Espiritualidade, desde que utilizássemos o mesmo tratamento e o mesmo rigor empregado na época da Codificação. Então, só precisamos analisar todas as contribuições que nos chegam à luz das bases da Doutrina - essa é a chave, para verificarmos a sua utilidade e inclusão nas bases da Codificação. Mas é preciso muito cuidado, rigor e seriedade nessa empreitada. É necessário extrema compreensão, esclarecimento e, sobretudo muito coragem, já que em todas as ocasiões , para garantir a seriedade e o discernimento do nosso trabalho e conseqüentemente da Doutrina , precisaremos seguir rigorosamente as orientações dos Espíritos Codificadores que nos alertam que é melhor rejeitarmos dez verdades que assumirmos uma mentira .
Uma outra questão que também precisa ser considerada por nós diz respeito a grande importância que ainda continua sendo dada ao fenômeno espírita no interior do Movimento. Devemos nos lembrar que a Doutrina está alicerçada no tripé Filosofia-Ciência-Religião e que a Mediunidade é instrumento e oportunidade para resgate e superação de provas . Sabemos também que a intercomunicação entre espíritos de diferentes planos e elevações é fato já há bastante tempo naturalmente comprovado e muito mais comum do que a nossa condição pode perceber e alcançar . Mais ainda , já deveríamos estar compreendendo e aceitando mais serenamente esses episódios que são em essência , exemplos da grande misericórdia do Alto . Precisamos efetivamente avançar da condição do encantamento que o fenômeno pode nos trazer para passarmos a experimentar as conseqüências efetivas destes no nosso processo de renovação espiritual . É o próprio Evangelho que nos alerta para a nossa condição espírita , fazendo alusão com a parábola do semeador que nos mostra as diferentes maneiras de nos valermos dos ensinamentos trazidos pelo Mestre Jesus para a nossa vida. Sem dúvida , devemos empreender em nós todo esforço para nos colocarmos fora do grupo dos que , como a semente que caiu sobre os pedregulhos e não germinou , escutam , mas ainda consideram a palavra do Cristo , letra morta. O nosso empenho deve ser então o de , longe de desqualificar os fenômenos e as comunicações , tirar deles a condição de fato curioso , de episódio brilhante e espetacular , para colocá-los como verdadeiras oportunidades de renovação da fé e do verdadeiro trabalho de união que pode resultar de um esforço compartilhado por muitos.
Por último , mas sem a ambição de esgotar essas reflexões, devemos alimentar em nós uma postura de paz. A partir de sempre e em todas as oportunidades - e a Casa Espírita é mais uma dessas oportunidades , precisamos criar , manter e sustentar em torno de nós um permanente estado de bem-estar . É nosso compromisso desenvolvermos em nós e compartilharmos com todos que se aproximam de nós as nossas melhores virtudes . Nesta linha de raciocínio , podemos citar Leonardo Boff em uma de suas proposições , quando nos aponta os caminhos que podem nos levar ao desenvolvimento de uma atitude e de um comportamento baseado na hospitalidade para com todos com os quais cruzarmos e não apenas com os que nos cercam. Precisamos demonstrar uma boa vontade incondicional com todos e com tudo . Devemos afastar a malicia e a suspeita e trabalhar com boa vontade para assim , colaborarmos na construção de algo bom para todos. É a boa vontade que nos levará a cooperação e nos colocará na condição de iguais. Neste caminho , aprenderemos a acolher generosamente , sem preconceitos , deixando de lado eventuais diferenças que possam nos afastar .Assim,naturalmente veremos no outro , um companheiro, um irmão ,uma irmã ,componentes da mesma família – a nossa grande e verdadeira família e reunidos na mesma Casa - o nosso Planeta Terra. Como conseqüência , (re) aprenderemos a ver e escutar mais atentamente , porque o faremos mais com o coração e com o sentimento e em muitas vezes o outro não precisará usar palavra alguma , porque se expressará também com o coração .E é dessa forma de escutar que poderemos apreender, incorporar, completar e enriquecer mais naturalmente em nossa identidade a renovação e o crescimento tão necessário em nós .Somente a partir desse diálogo, abriremos os caminhos para a construção de novas experiências baseadas na vivencia de todos nós. E dessas novas experiências poderão surgir novas maneiras de fazer e aparecer , de reconstruir e trocar novos valores que estarão sustentando em nós a passagem para o Divino e o Sagrado.
Para tal,no nosso dia-a-dia , precisamos resgatar naturalmente a dignidade , o respeito, a solidariedade , o cuidado , a participação, a transparência e a não-violência nas nossas relações cotidianas , deixando de lado os nossos interesses particulares e priorizando o que for importante para todos .Dessa maneira , compreenderemos que essas nossas atitudes não nos trarão perdas , mas sim uma responsabilidade consciente , fruto de uma nova relação e de um projeto coletivo de vida. Esse é sem dúvida o grande salto que precisamos dar para incorporar verdadeiramente a nossa condição espírita cristã ao nosso projeto coletivo de vida . Lembremo-nos que a nossa evolução enquanto indivíduos está diretamente ligada a nossa evolução espiritual e essa à evolução planetária . E é só assim que estaremos efetivamente , pela nossa condição e responsabilidade , dando a nossa parcela de esforço para a evolução planetária . Afinal , como nos ensinam os nossos Amigos Superiores , precisamos verdadeiramente agir como espíritos imortais , mas precisamos sobretudo transformar essa convicção em ação , coerência e propósito.
Marco Aurélio Faria Rezende/mafr...
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