Etnografia da leitura num grupo de estudos espírita
Bernardo Lewgoy
Universidade Federal do Rio Grande do Sul — Brasil
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RESUMO
O espiritismo kardecista é uma religião que confere fundamental importância ao estudo de uma literatura própria, entendida como complemento de uma revelação religiosa. Este artigo, realizado a partir de pesquisa etnográfica num tradicional centro espírita de classe média de Porto Alegre, examina e sistematiza alguns modos pelos quais os adeptos espíritas, estruturados em pequenos grupos, relacionam-se com essa tradição escrita.O grupo é fundamental na formação da identidade dos espíritas em dois aspectos: em primeiro lugar por demarcar pertencimentos internos, traduzidos ou não em diferenças de compreensão doutrinária. Em segundo lugar, é uma das instâncias de construção do expositor espírita, que ali aprende a tirar proveito de fórmulas verbais retiradas de um repertório próprio. Inspirado nas discussões sobre oralidade e escrita e na recente proposta de uma etnografia da leitura (Boyarin, 1993) tentarei mostrar que se a fala dos espíritas é construída como uma oralidade sustentada por textos, há também dimensões informais muito importantes a serem consideradas, que contextualizam e atualizam a relação com os textos sagrados nesse grupo.
Palavras-chave: cultura escrita, espiritismo, etnografia da leitura, oralidade.
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ABSTRACT
Kardecism is a religion which confers great deal of importance to the study of a specific literature, understood as the complement of a religious revelation. This article, based upon an ethnographic research in a traditional middle-class kardecist center in Porto Alegre, examines some ways through which the kardecists, structured in small groups, relate with this literate tradition. The group is fundamental in the spiritualist identity formation for two reasons: it limits the way people belong and identities, converted into differences of doctrine comprehension. Besides, it is one of the instances of construction of the spiritualist presenter, who learns to profit from the reading of texts aiming to place himself as an orator, helped by formulas extracted from a specific repertoire. Inspired by the discussions on orality and literacy and in the recent proposal of an ethonography of reading (Boyarin, 1993) I will try to show that, if the spiritualists' speech is built as orality supported by texts, there are also very important informal dimensions to be considered which contextualize and update these group's relation with sacred texts.
Keywords: ethnography of reading, literacy, oral communication, spiritualism.
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Religião de letrados, o espiritismo kardecista confere um status diferenciado — ao lado da caridade e de suas práticas rituais — à leitura e interpretação de uma bibliografia religiosa própria, que se inicia com a chamada Terceira Revelação ou Codificação de Allan Kardec, e que funciona como fonte de autoridade religiosa e constituição de identidades.1 Socializar-se no espiritismo significa familiarizar-se, estudar, falar bastante sobre os autores e obras canônicas, ou seja, ingressar num universo de debate e reflexão dominado por uma tradição religiosa escrita e letrada, permeado por uma "oralidade secundária" — no sentido de Ong (1982). A par dessa percepção da importância da cultura letrada no espiritismo, observei por um ano e meio um grupo de estudos num tradicional centro espírita, situado num bairro de classe média, próximo ao centro de Porto Alegre. O texto a seguir é uma etnografia da leitura entre espíritas, que segue a inspiração de Jonathan Boyarin (1993) e acompanha uma trajetória de discussão relacionada à "temática da oralidade e da escrita" (Goody, 1987, 1988; Havelock, 1996a, 1996b; Olson, 1997; Ong, 1982) no universo religioso.
Indicações bibliográficas como ritos de autoridade
Para as finalidades de nossa discussão, convém salientar que as indicações bibliográficas que os espíritas me faziam serviram não exatamente para estabelecer um recorte, mas para a própria introdução do pesquisador em campo. Ser iniciado é, em primeiro lugar, receber orientações de leitura, como um principiante, qualquer que seja o pretexto para a aproximação. Há, no espiritismo, uma hierarquização estabelecida que presume não tanto a desigualdade de saberes, mas a desigualdade de esclarecimentos entre os espíritas e os não-espíritas. Quando fui comprar o Livro dos Espíritos pela primeira vez, no posto de venda de livros da Sociedade Espírita Allan Kardec (a mais antiga sociedade espírita de Porto Alegre, de 1894), um senhor advertiu-me que eu deveria comprar as três obras básicas se eu quisesse estudar Kardec, que não adiantava eu comprar só uma porque elas formavam uma unidade.
Essas orientações espontâneas são comuns nesse ambiente, encaradas como um dever daqueles que têm mais tempo de espiritismo. Se a idéia de uma "hierarquia de potencial"2 funcionava como um critério de diferenciação interna entre os espíritas, a "antigüidade na doutrina" também era usada pelos informantes como uma espécie de classificação hierárquica complementar, certamente importante num sistema religioso que tanto valoriza a igualdade entre os participantes.3 Por exemplo, ao questionar uma médium sobre a palestra doutrinária que esta havia proferido, foi-me respondido: "Ora quem sou eu para dar palestra, eu só comentei um trecho do Evangelho." Outra manifestação comum combinava modéstia e auto-identificação de antigüidade: "sem a pretensão de saber alguma coisa, é essa a minha convicção dentro dos meus modestos 28 anos de participação nas hostes do espiritismo".
A despretensão, combinada ao argumento de autoridade "28 oito anos de participação" compõem uma espécie de retórica da humildade, valor de múltiplas implicações na religiosidade espírita. Ela não apenas indica a presença de uma "atitude cristã", associada à prática da caridade, como situa o médium numa posição de dependência e diminuição do eu que favorece a passagem do espírito comunicante.
Quando fazia observações na Livraria Espírita Luz e Caridade, a diretora da livraria manifestou o desejo de conhecer-me. Marcamos no centro espírita numa terça-feira à tarde, quando se realizaria uma palestra doutrinária com passes.
O Instituto Espírita Luz e Caridade, com 65 anos de existência, é um dos centros espíritas mais conhecidos e prestigiados de Porto Alegre. Localizado num bairro de classe média da capital gaúcha, ele conta com dois prédios, divididos segundo a finalidade de uso: no primeiro funcionava o Departamento de Assistência Social, com creche para cerca de cem crianças, atividades de oficina (corte e costura e restauração de móveis) e organização de eventos beneficentes. Na entrada do terreno situava-se o prédio do Departamento Espiritual, onde se concentravam as atividades cotidianas dos freqüentadores da instituição: palestras, passes, atendimento fraterno, preces e irradiações (públicas), desobsessão, grupo de estudos e desenvolvimento mediúnico (privativas). O térreo contava ainda com uma pequena biblioteca e salas para as atividades de pequenos grupos, que ocorriam em datas e horários semanais fixos, respeitando a grande ênfase que os espíritas atribuem à pontualidade.
O centro, austero e despojado em seus tons de cinza e branco, era ornado com quadros de avisos, alguns cartazes, uma estante envidraçada com capas de edições antigas de livros de Allan Kardec, Gabriel Dellane, Camille Flamarion e Rochester — em tudo enfatizava a simplicidade do ambiente.
Após assistir à palestra e receber o passe, fui convidado para uma conversa, regada a chá e bolinhos. Estavam presentes no encontro os senhores Jader e Alberto, ambos diretores do centro, acompanhados de suas esposas, Andréa e Graça. Fui inquirido não apenas sobre meu trabalho, mas também sobre minha relação pessoal com o espiritismo, onde o mero "interesse científico" se afigurava pobre como justificativa. Nesses contatos iniciais eu registrava uma relação inversa à curiosidade de meus pares antropólogos sobre minha escolha de objeto, ainda que a grande questão fosse, para ambos, a de minha possível identidade espírita. Enquanto para os antropólogos assumir uma condição de espírita comprometeria o necessário distanciamento, para os espíritas isso era a condição para o bom entendimento da doutrina, pois "a razão não poderia deslanchar se não andasse de mãos dadas com a fé".
Uma série de provocações foram lançadas durante a conversa, como uma espécie de teste de minhas posições, especialmente quando falavam de Chico Xavier e da impossibilidade de uma pessoa razoavelmente esclarecida não reconhecer a autenticidade de seu trabalho mediúnico. Não afrontando nenhuma das afirmações e sabendo de minha curiosidade em participar de um grupo de estudos e não meramente testemunhar sessões mediúnicas, meus interlocutores enquadraram-me na classificação de simpatizante da doutrina espírita. Como percebi, mais tarde, no grupo se delineava uma contínua expectativa de minha adesão à doutrina, categoria nativa que designa a conversão ao espiritismo e que remete à centralidade da noção de livre-arbítrio nesse sistema religioso, onde a própria aceitação da doutrina não pode prescindir do exame racional de seus postulados, ainda que uma situação de sofrimento ou perda possa ser considerada a motivação inicial para transpor a entrada de um centro espírita.
Fui conduzido à presença de Alberto, um homem de cerca de 50 anos, militar aposentado e dirigente do departamento espiritual do centro. Após o chá, ele perguntou-me sobre minha formação. Sem chance de lhe dar uma explicação maior sobre o teor do trabalho antropológico que desenvolvia, Alberto sentenciou: "O livro mais importante para você ler é A Gênese, de Allan Kardec. Várias das coisas que poderiam te interessar estão aí."
Parecia-me absolutamente inusitada a indicação, tão precisa a partir de tão poucos elementos. Mais tarde, vim a compreender que ele me tratou como alguém que ali fora em busca de uma orientação, dentro do continuum que vai do consolo à instrução. Eu, como antropólogo, não escapava à abrangência dessa certeza. Se o que me impelia a procurar o centro poderia ser o pretexto de uma pesquisa, descartada a alternativa de ser um adversário da doutrina, restava-me o lugar de um "espírita em potencial". Dali para diante, eu iria aprender a doutrina espírita e teria o mesmo tratamento de todos os principiantes, devendo me submeter às normas de funcionamento do grupo. Meus informantes alternavam, assim, curiosidade com relação à pesquisa com uma ascendência de veteranos em face da minha posição de neófito, sempre na expectativa de uma adesão.
Um grupo de estudos espírita
Fui encaminhado ao grupo de Andréa, sua esposa, que se realizava às quintas-feiras, às 18h30. No dia em que lá cheguei, entrei numa sala onde vi cerca de dez pessoas à volta de uma mesa. Expliquei ao coordenador o que eu estava fazendo ali, ao que rapidamente ele me interrompeu afirmando que aquele não era o grupo de Andréa, mas eu poderia ficar ali, se quisesse. Meio constrangido aceitei o convite e, pelo que mais tarde eu entendi, aquela era uma decisão importante e eu não teria a liberdade de ficar alternando entre um grupo e outro grupo. Os grupos não se diferenciavam apenas pelo que eu supunha ser a diferença entre principiantes e adiantados, mas definiam pertencimentos e redes dentro do centro espírita, marcavam identidades, que se processavam principalmente pela filiação a um certo estilo de interpretação da doutrina espírita. O grupo de que participei ostentava um tipo de leitura mais "liberalizante", destacando o cunho social de algumas posições doutrinárias e, esporadicamente, opunha-se ao que consideravam o "conservadorismo" e "visão fechada" do "outro grupo".
Ainda que não houvesse homogeneidade de posições, a participação num determinado grupo de estudos tem uma nítida função identitária no universo espírita.
Certa vez Graça (a esposa do diretor do centro), que participava do "outro grupo", juntou-se a nós para a reunião de estudos. Conhecida por sua capacidade de polarizar e assumir posições bem marcadas, sua presença provocou uma viva reação de Ronaldo, o coordenador, que lhe indagou: "O que é que a senhora está fazendo aqui? O seu lugar é no outro grupo." Mesmo após verbalizado este sentimento de invasão de fronteiras, Graça permaneceu na sessão e Ronaldo terminou por provocar um debate. Discutiu-se a maturidade do povo brasileiro para tomar suas decisões e a confiança que se deveria depositar nos seus governantes. Graça, então, posicionou-se afirmando que
quando o povo, tal como uma criança, não está maduro e tenta assim mesmo agir, a situação acaba numa bagunça, numa desordem; daí porque era necessário um governante com mão firme, como se fosse um pai severo, que tomasse para si a responsabilidade de tomar decisões para o bem daquele povo.
A fala logo foi identificada com a "simpatia pelo autoritarismo", e iniciou-se um debate acirrado, em que a própria existência de um carma coletivo chegou a ser invocada para interpretar a conjuntura brasileira. Sem deixar de reconhecer o interesse implícito do debate, importa ressaltar que, provocado pelo diretor do grupo, ele serviu para explicitar e marcar diferenças para os participantes, atualizando um jogo interno de identidades e pertencimentos dentro do centro.
A relação com as fontes escritas era outro importante caminho de elaboração da identidade do grupo. A filiação a uma determinada exegese da doutrina espírita, em que a ênfase diferencial em determinadas referências, mais especificamente o que vale enquanto complementação às obras básicas, é tão importante quanto o estilo de interpretação realizado.
Tanto Ronaldo quanto seu amigo Aldair — químico, 28 anos de espiritismo — criticavam uma aceitação tida como "deslumbrada" de Emmanuel (o mentor espiritual de Chico Xavier) através de alusões ao que consideravam "frases estereotipadas", como "Emmanuel maravilhoso". Sem negar frontalmente a sua importância, os coordenadores insistiam que essa atitude de deslumbramento era contrária ao sentido do espiritismo, por obscurecer o exame racional das mensagens e induzir ao fanatismo. Os coordenadores alegavam que muita gente se escorava em clichês, sem conhecer direito nem a obra de Kardec, nem a de seus sucessores.
Como que chamando a um retorno às fontes originais da doutrina, Ronaldo afirmou ainda que: "o espiritismo, para nós, é a obra de Kardec mais as obras de Léon Denis e Gabriel Dellane".
O que certamente seria diferente se o indicado como complementação a Kardec fosse Chico Xavier.
As sessões do grupo de estudos ocorriam semanalmente, com uma freqüência média de cerca de dez pessoas. Havia pessoas que se sentavam à volta da mesa e outras que preferiam permanecer numa posição mais periférica, numa segunda fileira de cadeiras. A proximidade dos participantes ao coordenador indicava, antes de tudo, uma disposição de intervir no debate.
Alguns liam os textos e outros ficavam com os olhos fechados, a testa franzida, a cabeça levemente arqueada para baixo e não eram perturbados pelos demais enquanto assim estivessem. O que me parecia uma preparação para o transe era um estado de concentração. Os espíritas acreditam que uma interrupção brusca de situações de concentração ou transe pode acarretar prejuízos físicos e emocionais ao médium.4 Como em outras situações, o médium que se concentra pode estar também objetivando a manutenção de vibrações positivas para o bom andamento da reunião. A prece, como já havia assinalado Cavalcanti (1983), é associada a uma interlocução com o alto: portanto, aquele que se encontra num estado visível, lido pelos demais como tal, é retirado do circuito de interlocutores ratificáveis, por se encontrar num "diálogo" de maior relevância.
Dentro do sistema de crenças espírita, toda atividade ritual demanda uma preparação do ambiente em que encarnados colaboram com desencarnados para uma faxina espiritual do ambiente, que acontece antes da sessão, equilibrando os fluidos presentes. Há sempre necessidade de um tempo entre as diversas atividades, a fim de que esse equilíbrio possa se restabelecer. Por exemplo, o grupo de estudos não funciona no mesmo dia da reunião de desobsessão, pois há o risco de que o ambiente não esteja ainda limpo das presenças espirituais que ocuparam o espaço, por isso a necessidade de um tempo razoável entre uma e outra atividade.
A atividade do grupo de estudos dividia-se em: 40 minutos de leitura e debate de uma passagem do Livro dos Espíritos e pouco mais de uma hora de leitura e debate de uma cartilha didática produzida pela Federação Espírita Brasileira (FEB).5 Com todas as atividades espíritas, a pontualidade era extremamente valorizada, ainda que nem sempre houvesse concordância quanto à sincronia dos relógios. A função do diretor do grupo não se esgotava no encaminhamento da atividade, estendendo-se a observações morais, por vezes de reprovação a atrasos, por vezes comentários sobre os participantes, onde uma a ironia podia se fazer presente. Com o tempo compreendi que a admoestação e a ironia compunham jogos de poder e autoridade que eram constantemente reiterados. Em certa ocasião Ronaldo advertiu Antônia pelo atraso de 15 minutos. Esta médium, muito respeitada no centro, retrucou: "no meu relógio não há atraso, o seu é que deve estar com algum problema".
Como numa sala de aula os participantes do grupo eram levados a compreender que deviam uma espécie de satisfação por seus comportamentos.
As jocosidades e os deboches, ainda que não predominassem, podiam escoar tensões e aludir a rivalidades e diferenças pessoais no interior do grupo. No espiritismo, ainda que se possam fazer comentários sobre atitudes que levem a crer no atraso espiritual de alguém, a regra é não fazer comentários sobre o estágio espiritual de evolução de alguém. O humor é, por vezes, o único caminho para realizar as avaliações mútuas e comparações interpessoais, como no seguinte exemplo: "O Zeca que é o mais evoluído de nós, não tem esse problema dos podres do passado."
Trata-se aqui de uma alusão irônica aos comentários que fluem no centro sobre o comportamento moral e espiritualidade desse médium. A ironia, ao explicitar comentários não-autorizados sobre a evolução espiritual de um colega, funciona como um recurso para inverter no sentido igualitário essa hierarquia presumida: "Isso de problema de casamentos provacionais, que a maioria das pessoas passa, não se aplica ao Clóvis e à Antônia, que são o casal vinte aqui do grupo."
O humor dirigido a esse casal, muito valorizado pela percepção da qualidade de seu vínculo, cumpre a mesma função do exemplo anterior. No entanto, nem sempre a jocosidade é bem recebida. No segundo caso ela foi interpretada como sarcasmo, tendo sido rispidamente respondida por Antônia, dizendo "Não é verdade. Nós também temos os nossos problemas" sem a sinalização verbal do sorriso, quebrando assim o jogo de fala humorístico que havia se instaurado.
Num sistema de valores tão marcado por controles mútuos, por incentivos à extrema responsabilização da expressão e pelo decoro igualitário, é compreensível que, nos debates, seja estimulada a expressão bem marcada de posições por vezes fortes e explicitamente antagônicas, como tantas vezes testemunhei. Por menos importante que pareça, a expressão verbal é sempre carregada de sentido no espiritismo. Por conseqüência, enfatiza-se muito a responsabilidade individual com a linguagem, mas o decoro igualitário interdita a expressão pública de conflitos e diferenças pessoais que não trilhem o caminho da divergência fraterna de opiniões: a expressão verbal é idealmente marcada por um respeito absoluto ao outro e à sua individualidade. Cumpre assinalar também que, nas condições de um grupo que sobrepunha laços de amizade e conhecimento prévio, a sustentação permanente de um ethos de formalidade tornava-se extremamente penosa. Essas jocosidades aludiam eventualmente a diferenças de gênero, status matrimonial, profissão, faixa etária e à política. Expulsas pela porta estreita do igualitarismo kardecista, as diferenças reapareciam por meio de inserções jocosas durante os diálogos.
Não quero passar a impressão que estive alheio a essas tensões, que me remetem à citação que Bárbara Smith (2002) faz de Michael Thompson (1979) sobre os estilos culturais de lidar com monstros:
Por exemplo, algumas pessoas e comunidades parecem caracteristicamente fechar os seus portões para excluir monstros, outras tentam convertê-los, ainda outras estão preparadas para alargar ou rearranjar suas casas para reabsorvê-los e, claro, algumas pessoas e comunidades regularmente vão em frente e os matam. (Thompson apud Smith, 2002, p. 17).
Não sei se eu era considerado um tipo de monstro pelos informantes e se eles têm uma estratégia típica de lidar com monstros além do ritual de desobsessão, onde estes são racionalmente convencidos e docemente doutrinados a seguir os medianeiros espíritas cristãos. Também o monstro da ilegitimidade social e o sentimento de minoria acuada pela opinião dominante parecem estar há décadas afastados dos espíritas, mas a entrada de alguém como um antropólogo sempre pode reacender a memória coletiva da perseguição, ativando os mecanismos reativos da prova e da demonstração da verdade de seu sistema.6
Leitura, diálogo e formação de orador espírita
O esquema da sessão dividia-se em prece de abertura, leitura oral de trecho do capítulo, comentários do coordenador e debate, leitura e debate da cartilha didática e prece de encerramento, feita sempre por um membro do grupo a pedido do coordenador. Também as leituras orais são solicitadas pelo coordenador aos participantes, assim como comentários dos trechos lidos.
O coordenador introduzia os debates e impedia a dispersão em conversas paralelas e corrigia o rumo da discussão quando julgava que havia um desvio do ponto central. Em vista do imperativo de formação do expositor espírita, enfatizava-se a ostentação de um modelo de expressão oral claro e de retórica didática, a ser seguido pelos demais. A fala de Ronaldo era gramaticalmente correta, sem gírias ou maneirismos de linguagem, em tudo enfatizando a presença de um modelo letrado e escolar em sua expressão.
O debate iniciava-se pela leitura oral do Livro dos Espíritos, sendo examinado e discutido parágrafo a parágrafo. Um colega lia a passagem selecionada e o coordenador inquiria se ele, ou outra pessoa desejava comentar o trecho. De qualquer forma, Ronaldo sempre retomava a palavra buscando a generalização, ainda que ela não necessariamente dissesse respeito à análise do trecho. Cada vez que se abrisse o debate, deveria se obter alguma conclusão, assimilada à noção de ensinamento. Por exemplo, discutiu-se um dia uma passagem do Livro dos Espíritos sobre a oposição dos cientistas ao espiritismo. O coordenador iniciou o debate afirmando que "há verdades relativas no texto, pois ele foi escrito há mais de cem anos e há coisas que mesmo os espíritos da época não tinham condições de entender".
Após um breve debate sobre as relações entre ciência e espiritismo, o coordenador pediu para lermos novamente uma frase sobre sociedades na espiritualidade superior:
No mundo dos espíritos também há uma sociedade boa e uma sociedade má; dignem-se, os que daquele modo se pronunciam, de estudar o que se passa entre os espíritos de escol e se convencerão de que a cidade celeste não contém apenas a escória popular.
Pela leitura que eu havia feito da Parte 11 da Introdução do Livro dos Espíritos, concluí que se tratava de uma resposta a determinadas objeções, como corolário de um argumento maior, o de que o espiritismo não pertence à ciência ordinária, mas estaria situado num patamar evolutivo superior. Para o grupo, outras implicações deveriam ser tiradas da discussão. Do que eu julgava ser um argumento de inspiração comteana, o coordenador inferiu platonicamente que
Nosso mundo é uma cópia pobre do que ocorre na espiritualidade superior, tanto em suas faixas mais elevadas quanto nos setores mais baixos, que também são organizados. Ambos atuam sobre nós em equipes (gangues, fortalezas). Na espiritualidade inferior há equipes que se chamam a si próprias de justiceiros, eles atuam em todo o globo, especialmente sobre aquelas pessoas com quem eles supõem ter dívidas com eles, obsessionando-os. Há as equipes de espíritos evoluídos que controlam a liberdade dos menos evoluídos (atrasados), mas respeitam o seu livre-arbítrio, mesmo naqueles casos em que eles atuam por obsessão aos encarnados. Não há interferência direta até por que o crescimento geralmente se dá pela dor e pelo sofrimento, mas depois até agradecemos por isso.
Elvira, outra ativa participante do grupo, interveio dizendo que "a gente vem para ser testado. Tudo está programado pela evolução, para ver como tu agirás para evoluir."
Ao que o coordenador complementou:
É, a gente vem para ser testado — os obstáculos têm origem em nossas vidas passadas ou nessa vida. Depois dos 20 anos, já começamos a ter dívidas acumuladas desta vida. Depois dos 40 ou 50 anos, já começamos a resgatar dívidas acumuladas nesta vida.
Do alto de meu etnocentrismo cartesiano, o encadeamento da argumentação na Introdução do Livro dos Espíritos não se coadunava nem com o comentário isolado de cada parágrafo (ou de pequeno conjunto de parágrafos) nem com a forma como o grupo debatia o texto. Não que o debate estivesse desligado de uma ordenação referida ao texto: pressupunha-se uma continuidade metódica na leitura da obra de Kardec, bem como a incorporação progressiva das verdades contidas no texto. Assim, na semana seguinte, a leitura deveria iniciar exatamente do ponto onde se havia parado na semana anterior. Não se buscava uma incorporação linear de conteúdos, mas uma aplicação prática. A leitura no grupo servia de um pretexto para a discussão, que nunca deveria ser restrita ao texto: este abria o debate, mas não o circunscrevia.
O exercício do comentário visava extrair um ensinamento doutrinário em cada passagem lida. A regra implícita de exegese no grupo de estudos era sempre procurar totalizar, extrair um ensinamento, mesmo que a partir de fragmentos de textos. Numa visão de mundo que não admite a existência do acaso, não há fragmentos reais, eles sempre podem ser recuperados por uma teleologia implícita que cabe ao exegeta desvelar, mas essa exegese presume um método espiritual de abordagem do texto, antes que um conjunto lógico de instruções. Um texto perfeito remeteria à dificuldade de entendimento ao leitor, que não teria tido a capacidade, a humildade ou mesmo a determinação necessária para lograr êxito na interpretação. O máximo que se salientava era a inadequação tópica de uma ou outra afirmação. Como o coordenador enfatizava, "como o Livro dos Espíritos é a doutrina dos espíritos, mesmo a eles não foi permitido saber tudo e sim aquilo que, de acordo com a sua época e o seu grau de evolução eles poderiam entender".
A possibilidade de fazer correções no texto, ainda que abrisse uma janela para a crítica histórica da doutrina, não arranhava a crença na predominância de verdades doutrinárias essenciais. Não havendo uma dúvida metódica de fundo e presumindo-se que o essencial estava estabelecido, simplesmente não fazia sentido insistir numa atitude de dúvida sistemática perante o texto, típica dos céticos e materialistas. Ao seguir os gestos de leitura inaugurados pelo próprio Kardec, na exegese do texto bíblico, as possíveis contradições ou incompreensões eram ou recuperadas pela interpretação alegórica ou subsumidas pela ênfase no sentido espiritual, na totalidade ou no ensinamento principal presente nas linhas ou entrelinhas do texto. O ensinamento, ou sentido espiritual significa que o texto lido é uma ponte que não contém, mas permite o acesso ao conhecimento, se acompanhado da atitude espiritual adequada.7 Nos gestos de leitura dos membros do grupo não era apenas um processo intelectual que estava em curso, mas um crescimento em que o próprio espírito está implicado, seja pela assimilação de conteúdos, seja também pela circulação de vibrações no ambiente, seja ainda pela troca de experiências realizada no grupo.
Um efeito esperado dos ensinamentos adquiridos, como conhecimento com implicações morais e espirituais, era a regeneração ou reforma íntima do indivíduo. A mera erudição, isolada da moralização da conduta, era muito criticada no grupo, de onde se pode compreender as repetidas críticas feitas aos "cientistas" e aos "intelectuais", reprovados por não associarem o seu conhecimento a uma moralidade cristã cuja expressão máxima é fornecida pela revelação espírita.
No grupo era atualizada simultaneamente uma visão moral de indivíduo, como agente moral livre e responsável por suas ações, e outra, associada, em que prevalece um discurso psicologizante sobre o "interno", sobre o indivíduo e suas emoções. A reforma íntima era uma importante vertente de elaboração do interno, como na prece, sendo recuperada na órbita de uma apreciação individualista, que a entronizava como condição de autenticidade das ações externas. Alguns sustentavam a posição do "tudo ou nada": ou a reforma íntima é integralmente levada a cabo ou infirmada pelos pequenos defeitos. Outros, mais liberais, encaravam-na como meta a ser progressivamente atingida apesar dos pequenos defeitos e retrocessos.
Os exemplos eram usados em dois sentidos fundamentais: um era o exemplo de caráter mais técnico, no qual se compartilhavam narrativas de intercâmbio mediúnico, suas dificuldades e soluções, e outro, de caráter moral, que relacionava a doutrina espírita a conjunturas políticas, a exemplos pessoais, a notícias e a fatos do cotidiano.
O comentário de caráter técnico era freqüentemente exemplificado por narrativas orais. Certa vez, comentando o trabalho de doutrinação, Ronaldo contou que:
Numa sessão de desdobramento, uma senhora entrou em contato com um faraó egípcio e seus discípulos, que estavam estacionados há milhares de anos sem evoluir, seguindo-se um trabalho de meses de esclarecimento.
Há nessas narrações o estabelecimento de um jogo especular em que o escrito remete à experiência e vice-versa, num trânsito circular incessante através do debate.
Um segundo recurso retórico freqüentemente utilizado era o da concordância com avanços da ciência, como na afirmação "a descoberta dos cromossomos já estava prevista nos romances de André Luiz".
Esta imagem de ciência poderia ser complementada por uma idealização rousseauniana da natureza, geralmente tida como perfeita em contraste com a "irracionalidade" e o "atraso" das condutas humanas. A notícia do índio queimado por jovens em Brasília provocou o seguinte comentário de Antônia:
Vejam, enquanto a macaca, que é irracional, salvou a criança humana, vejam o que esses meninos fizeram com o índio.Às vezes eu me pergunto se nós não somos as criaturas menos evoluídas deste planeta, que nós ainda teremos muitas encarnações para aprender a lição de Jesus "amai-vos uns aos outros".
O comentário de notícias não apenas elaborava a exegese doutrinária do mundo à luz da doutrina espírita, como atualizava o espiritismo aos dilemas morais e conjunturas que marcavam os participantes.
O trabalho de interpretação de contextos extratextuais à luz da discussão oportunizada pelos textos sagrados tinha várias semelhanças com a escola religiosa judaica em Nova Iorque, discutida por Jonathan Boyarin (1993), apontando para uma característica comum a cursos e seminários de formação religiosa de leigos. Esse é o lugar de uma leitura comunitária e espiritual.
Igualdade doutrinária e hierarquias informais
As narrativas e exegeses efetuadas no grupo evidenciavam ainda o componente hierárquico do discurso dos espíritas, fundado na preeminência do espiritismo sobre as demais religiões e, por conseqüência, dos espíritas sobre as demais pessoas. Isso sempre era um tema polêmico no grupo. Alguns sustentavam que "dizer-se espírita nada garantia, assim como conhecer todos os preceitos evangélicos, se estes não fossem aplicados diariamente". Como explicar a envergadura moral de muitos não-espíritas, de espíritos missionários, como Gandhi ou Madre Teresa de Calcutá, originários das fileiras de outras religiões ou mesmo de pessoas comuns, conhecidas dos membros do grupo, espiritualmente mais elevadas que muitos espíritas? Em alguns momentos levantava-se a questão:
— E se os nossos governantes fossem espíritas? Será que isso não levaria à solução de muitos problemas?
Outro: - Mas declarar-se espírita não é garantia de nada. O sujeito pode ser de qualquer religião. Quantas barbaridades já se fizeram em nome da religião. Não é um governante, mas é dentro de todos nós que se deve promover a mudança.
Assim, a superioridade de esclarecimento de nada valeria, na visão de alguns membros do grupo, se não fosse associada uma responsabilização moral maior, com a exigência de um programa de reforma íntima. Ainda que a referência central fosse a doutrina espírita e os argumentos invocados devessem gravitar à volta desse referencial, os enunciados válidos e os argumentos brandidos davam um colorido fortemente pessoal à discussão. Não estava em questão apenas o aprendizado de um conjunto de conteúdos intelectuais, mas a capacidade de articular a doutrina com o vivido do fiel. Nesse sentido, a autoridade da fala decorria de fatores extradiscursivos — como a credibilidade do falante como médium e trabalhador reconhecido, sua antigüidade no espiritismo — e discursivos, como a articulação dos enunciados, a clareza de sua exposição e a força racional de seus argumentos.
Um jovem casal, com pouco tempo de grupo tendia a monopolizar a palavra, polarizando em todos os debates. Alguns membros mais antigos do grupo se incomodavam com as falas freqüentes dos dois e uma pergunta que se ouvia era "quem é ele?" ou então "de papo ele é muito bom, quero ver na prática", que poderia ser traduzida como "com que direito ele usa a palavra como um interlocutor ratificado dentro deste grupo?" Sendo o espiritismo um sistema formalmente igualitário, a estruturação hierárquica é implícita, o que se estende ao direito de uso e ao modo de expressão verbal, cabendo aos participantes ter o senso de seu lugar nos grupos de que participam. Ali conta mais a trajetória no espiritismo, as referências morais de cada um, do que o que era percebido como verbosidade vazia, através de uma linguagem hierárquica antiintelectualista que controlava moralmente os eventuais brilhos não-autorizados dentro do grupo.
Como nas demais situações no centro espírita, a hierarquia era presente de forma sutil, mas nunca explicitada, por contrariar a ideologia igualitária que permeia esse sistema religioso. Maria Laura Cavalcanti (1983), ao discutir as concepções nativas de indivíduo e pessoa, já havia chamado a atenção para a existência de uma hierarquia de potencial no espiritismo, ao que acrescentei acima a "antigüidade" como variável informal. Importante ainda é a coincidência entre hierarquia e responsabilidade no espiritismo: um respeito hierárquico devido a um médium corresponde a uma expectativa sobre o desempenho de sua função, assim como um maior controle moral sobre a sua vida pessoal.
Como anteriormente colocado, as posições hierárquicas no espiritismo sobrepõem a liderança carismática (implícita na hierarquia de potencial entre os médiuns) e a liderança burocrática (em que o que importa é a responsabilidade funcional do cargo), resultante da tensão entre a valorização diferencial dos médiuns e a ênfase igualitária da organização.
Estando a crítica racional prevista no espiritismo através da noção de "livre-arbítrio", é normal que os debates em torno da superioridade do sistema espírita sejam transpostos para uma hierarquização das diferenças intelectuais entre os homens como uma questão de aceitação da revelação espírita. Ora, como isso implicava numa óbvia dificuldade de assimilação da superioridade de um não-espírita em face de um espírita, esta era sempre passível de ser compensada, em outro plano, pela intransponível desigualdade de esclarecimentos, que reservaria um lugar exclusivo aos espíritas.
Isso converge com as observações de Laplantine e Aubrée (1990), para quem o espiritismo brasileiro é mais relacional e familiar do que o espiritismo europeu, mais centrado na comunicação, e com as conclusões de Sidnei Greenfield (1999), para quem esse familialismo repõe no plano religioso as tradicionais relações clientelísticas da sociedade brasileira. Como em outras instituições que emulam uma doutrina estatal na sociedade brasileira, como a burocracia do serviço público e o exército, uma ideologia marcadamente igualitária é muitas vezes relativizada por hierarquizações oriundas de uma dimensão particularista e personalizada, tão resistente quanto incapaz de justificar-se abstratamente.
Preces e palestras: o orador espírita em ação
Todos os trabalhos espíritas são abertos pela prece, concebida como uma relação direta de elevação e contato com a espiritualidade superior (Cavalcanti, 1983). Enfatizava-se o aprendizado de um timing, de um preciso comportamento lingüístico e de uma determinada atitude corporal. A técnica corporal era conhecida: as pessoas fechavam os olhos e se concentravam, com as mãos sobre a mesa ou em cima das pernas junto aos joelhos, manifestando respeito, humildade, subordinação e elevação. O timing era variável, mas não eram recomendadas preces longas no grupo, perfazendo no máximo um ou dois minutos. A prece era marcada por uma entonação de súplica, pausada, em voz alta e falada na primeira pessoa do plural, o chamado "plural majestático". Eram permitidas improvisações em torno de um molde formular, referido ao objetivo da reunião. Se o estudo estava em pauta, deveria haver frases que falassem disso na prece, ainda que sem um texto predeterminado.
Os termos adotados na prece eram retirados de um repertório de máximas e expressões que sinalizavam "o religioso" por uma analogia com um modelo erudito, onde abundavam expressões compósitas como "campo energético propício", "mercadejávamos" ou "veneranda entidade". Este uso religioso da linguagem está decalcado numa certa visão literária e retórica da expressão verbal, marcada por arcaísmos, predileção por categorias compostas (por vezes de três vocábulos) e o emprego recorrente de máximas morais durante os atos de fala. No caso da prece, há uma certa ordem hierárquica de mediadores que devia ser respeitada, de acordo com a importância atribuída a cada um:
Pedimos a Deus, nosso pai maior, a Jesus, a Allan Kardec e aos amigos espirituais que permitam o sucesso deste momento de meditação e aprendizado, permitindo que um campo espiritual positivo harmonize as nossas energias, sintonizadas no amor, na dedicação ao próximo e no desejo de aprender, e que somente espíritos de luz iluminem os nossos pensamentos neste trabalho tão importante que agora se inicia.
Em primeiro lugar, a prece era oral e coletiva, e podia ser complementada pela recitação grupal de uma prece decorada, como um pai-nosso. Nesse sentido, ela seguia uma estrutura formular aberta, que viabiliza adaptações locais e individuais dentro de um esquema que todos conhecem e manejam. O espiritismo valoriza uma atitude tida e vista como interior, daí a liberdade estimulada de improvisar em torno do tema. A seqüência escalonada de referências era protocolar: não se admita uma elocução do tipo "agradecemos a Deus, aos amigos espirituais e a Jesus", por desrespeitar a ordem hierárquica do maior ao menor.
A prece é um tema de ampla elaboração na literatura e na fala dos espíritas, guardando diferentes conotações além da referência comum de uma disposição espiritual de ligação e diálogo com um plano espiritual superior. Nesse sentido, ela é um importante pólo de reflexão sobre contatos espirituais, comportando diferentes usos e crenças subjacentes. Na prece, o fiel estabelece um contato com o alto, mas dentro da concepção espírita de pessoa (um compósito relacional de forças e entidades atraídas por afinidades e por carmas comuns) ela é concebida como irradiadora de uma espécie de força que atrai espíritos de diversos tipos. Isso tem por conseqüência a produção contínua de um imaginário espírita sobre a prece, que tematiza a sua função e aplicações nas mais variadas circunstâncias. Certa vez Ronaldo afirmou que em meditação havia concluído que sempre que se orar "deve[-se] fazer uma dupla oração, pelo irmão na mesma faixa vibratória, sendo também necessária uma terceira prece, pelos irmãos obsessores, encarnados ou desencarnados".
O coordenador salientou também a importância de orar em voz alta, "senão os espíritos de baixa evolução, que necessitam de som, não escutariam". Abriu-se, então, uma ampla discussão sobre as visões e as práticas de oração dos membros do grupo. Para alguns, a prece não era apenas uma invocação ou reza, mas um estado intuitivo a ser mantido 24 horas por dia. Para outros, isso era dependente do dia e do estado espiritual de cada um, de acordo com o clima que se percebe se faz um tipo de vibração e de prece. Elvira, a participante mais velha do grupo, cerca de 75 anos, relatou que costuma fazer preces pela manhã e à noite, antes de dormir. Certa vez ela achou que estava fazendo preces demais e diminuiu um pouco a quantidade de orações. Elvira relatou então que ficou doente por ter baixado a guarda ("com muitas dores no corpo, fechei os olhos e só via escuridão") e os inimigos espirituais puderam agir. Teve que rezar muito, mas só conseguiu se desvencilhar da enfermidade com a ajuda de uma sobrinha, também médium, que lhe ajudou a fazer uma limpeza na casa.
Outros membros afirmavam que a prece nem necessita de palavras, é mais um estado, um pensamento amoroso que se difunde pelo fluido cósmico universal. Novamente aqui se expressa um conjunto aberto de crenças que caracterizaremos como complexo da prece. Em primeiro lugar, como o espiritismo coloca o pensamento numa posição englobante em relação à linguagem, é compreensível que a prece possa ter eficácia mesmo sem palavras, na forma de um estado.
A referência ao coração introduz um novo elemento no complexo da prece, ligado à concepção espírita de pessoa. O coração simboliza uma disposição ou atitude de fé genuína, que é condição de possibilidade da eficácia das preces. Ou seja, aponta para o uso de uma vontade individual livre não inteiramente identificada com a racionalidade, no sentido de um "fervor espiritual". Os kardecistas acreditam que a fé deve compatibilizar-se com a razão, mas agregam que "a fé sem razão leva ao fanatismo, e a razão sem fé levaria ao materialismo e ao ateísmo". Na tradição cristã ali cultivada, a dimensão do "coração" lembraria a atitude de simplicidade evangélica contra a hipocrisia, a sabedoria contra a ciência sem alma, sendo, portanto, uma instância permanente de endosso, junto com a esfera da caridade, da atitude crítica contra aqueles espíritas concentrados em pesquisas intelectuais.
Isto se coaduna, como já discutimos, com a separação espírita de linguagem, tida como um modo de comunicação dispensável para os espíritos, bastando-lhes o pensamento. A rede de oposições categoriais acionadas (que colocamos sob a rubrica da tensão emblemática espírito versus letra) é também derivada da oposição hierárquica pensamento versus linguagem — expressão da oposição maior espírito versus matéria — em que todo o veículo lingüístico, como uma muleta da ordem da matéria, é apenas um suporte instrumental para a comunicação do pensamento, estando em posição englobada e dependente da atuação deste, que lhe confere valor e sentido.8
A oposição entre prece improvisada versus prece decorada introduz a necessidade de um novo contexto formular. Não se decora uma prece, mas, do contrário, exercitam-se balizas verbais e retóricas, bem como a marcação do tempo e da modulação da voz do oficiante. O aprendiz deve empregar injunções mnemotécnicas que levem em consideração o tom de voz e as recorrências rítmicas e semânticas que ele observa quando da realização da oração pelos veteranos. No grupo, a prece de encerramento era feita por qualquer um dos participantes, sempre a pedido do coordenador, sem um agendamento prévio, a fim de estimular essa construção formular de preces improvisadas. Os principiantes tendiam a fazer preces mais curtas, mas já mantinham a sua estrutura mínima: referência ao tema do estudo, seqüência hierárquica de agradecimentos do espírito de maior hierarquia ao de menor menor hierarquia, atualização do uso especial de linguagem através de vocábulos compostos incomuns na fala corrente, tom de voz modulado para a oração, emprego do plural majestático.
Ainda que a prece não necessite compulsoriamente de palavras, os espíritas consideram-se eticamente imbuídos de levar instrução e consolo aos irmãos encarnados e desencarnados mais próximos da matéria. Como os que estão nesse estágio de evolução ainda precisam de som, a forma lingüística, a reza em voz alta, também se faz necessária. Não há preces obrigatórias ou horários compulsórios para a sua realização, mas os livros espíritas citados pelos membros do grupo são unânimes em recomendar o despertar e o momento antes de dormir como o mínimo recomendado. A reza pela manhã suplica pela harmonia do dia, e a feita à noite — associada à leitura e meditação de trecho do Evangelho — relaciona-se à crença no descolamento do espírito do corpo durante o sono, sujeitando a pessoa a contatos espirituais inusitados e arriscados.
Havia, no grupo, diferenças de estilo e concepções de prece, com nuanças etárias e geracionais. Enquanto os membros mais velhos, como Elvira, tendiam a considerar a prece mais como uma prática codificada, com lugar e horário determinado, os membros mais jovens não operavam essa segmentação, tendo mais simpatia pela percepção da prece como um estado associado à intuição subjetiva do clima, categorizado pela oposição leve versus pesado. Na verdade, esses membros mais jovens conjugavam as duas visões, com uma clara preeminência atribuída à percepção da ubiqüidade da prece, englobando sem suprimir a concepção sustentada pelos mais antigos. Sua leitura enfatizava a vertente anti-ritualista do espiritismo, que inclusive sugeria a possibilidade de "ser espírita fora dos centros" e do próprio movimento espírita. Logo, o grupo registrava variações internas que não eram apenas suas, mas dos espíritas em geral, entre a inevitável codificação da prece em rituais públicos e práticas privadas, de um lado, e sua assimilação difusa a um estado constante e indiferenciado, de outro.
A discussão oral sobre a prece levantou um outro ponto, dificilmente sistematizado na literatura doutrinária. Trata-se de uma oposição entre uma dimensão ética e outra mágica nas práticas de oração. A dimensão ética corresponde a uma espécie de imperativo categórico da prática religiosa espírita: há um dever incondicional de dirigir-se e submeter-se ao plano espiritual superior, sem esperar privilégios ou calcular conseqüências. Na prece realiza-se uma concepção de diminuição da individualidade do médium como condição para a conexão reverente com as forças do alto. No entanto, as representações sobre a eficácia da prece apontam quase sempre para técnicas corporais: qual a atitude mental adequada, como a respiração deve ser conduzida, se há necessidade ou não da voz, etc. Esta fusão das dimensões expressivas e técnicas introduz a dimensão mágica na reflexão dos informantes, ainda que nem sempre explicitamente nomeada. Sendo o contato e a influência dos espíritos um dado permanente em sua visão de mundo e noção de pessoa, a prece necessariamente levará em conta a percepção de uma conjuntura relacional de contatos espirituais para o médium, mas os cursos de ação poderão dirigir-se ora a uma aceitação evangelizadora de todos esses contatos, ora ao emprego técnico ("mágico" num sentido etic) da oração para afastar essas influências. Nesse sentido, a narrativa de Elvira sobre a enfermidade causada pela diminuição do volume das preces é exemplar dessa dimensão mágica, bem como das ambigüidades da concepção de prece para os espíritas.
Por fim, o complexo da prece pode ser aproximado de uma lógica situacional que enfatiza aspectos diferenciados no molde abrangente e flexível de seu sistema de crenças, que faz com que ambas as dimensões, ética e mágica, possam estar presentes para a mesma pessoa, num mesmo momento. Isso permite que as preces sejam conduzidas em forma de diálogo, mais próxima da visão de autenticidade ou do coração, construção simbólica na qual ecoa a tensão teológica espírita entre pensamento (nível elevado, estado interior) e linguagem (nível baixo, formalização exterior).
Além da prece, a palestra doutrinária é um outro domínio de exercício de técnicas retóricas e corporais em que predominava a máxima, espécie de fórmula de múltiplo uso. Trata-se, no entanto, de uma estrutura formular diferente daquela empregada para a improvisação de preces. Enquanto esta se pautava pela improvisação em torno de um tema, seguindo uma determinada estrutura rítmica e semântica, aqui a fórmula torna-se máxima doutrinária. Não é simples descrever a força ilocucionária das máximas na retórica espírita. Elas são uma espécie de ensinamento condensado, que permite a fixação mnemotécnica da doutrina num corpus de frases curtas — por exemplo "viemos ao mundo para ser testados" ou "orai e vigiai", etc. — cumprindo um papel didático, como num sermão. Pode-se ter uma apreensão doutrinária em diversos níveis de aprofundamento, mas o conhecimento dessas máximas e suas explicações constituem o repertório mínimo que o espírita incorpora em sua trajetória religiosa. Além disso, a máxima funciona como um sinalizador verbal, que permite o trânsito de planos discursivos do particular para o geral e vice-versa, do texto ao comentário e deste ao exemplo, à narrativa. No grupo de estudos elas estão em muitas introduções de falas, como as que sublinhamos acima. Mas em palestras doutrinárias elas podem servir de operadores discursivos, preencher brancos na fala e também servir à guisa de conclusão. Toda a socialização no espiritismo é permeada pelo uso de máximas nas falas, como por exemplo
Viemos ao mundo para ser testados
O nosso mundo é uma cópia pobre do mundo espiritual
É pelo sofrimento que se chega à doutrina espírita.
O uso de máximas doutrinárias permitia que cada trecho lido em grupo pudesse ser associado a diversos tipos de atos discursivos, do comentário específico aos depoimentos pessoais, envolvendo intercâmbios mediúnicos, vidas passadas, méritos e faltas, exemplos de "espíritos missionários", etc. Essas operações serviam para costurar os fragmentos discursivos em pequenas totalidades, que condensavam em clichês os princípios fundamentais da doutrina espírita.
A flexão das sentenças no chamado "plural majestático" — a primeira pessoa do plural — também era um dado lingüístico comum ao grupo de estudos e à palestra, juntamente com saudações fraternas, que constituíam as formas verbais próprias a essas situações, no interior de um modus operandi que tomava a expressão escrita como modelo para a fala. Seguindo esse esquema, o palestrante teria a capacidade de discorrer por horas a fio a partir de trechos de livros escolhidos ao acaso. Mas também poderia concluir a qualquer momento, o que nos introduz na segunda característica da inculcação de um habitus oratório no grupo de estudos: o enquadramento da fala ao tempo disponível, ou seja, a formação de um timing discursivo.
A adaptação da fala ao tempo disponível é uma habilidade das mais valorizadas no espiritismo kardecista. Se observarmos uma palestra doutrinária seguida de passe, veremos que os palestrantes sempre conseguem manter-se no tempo disponível, dificilmente passarão o limite de horário ou terminarão muito antes do previsto. A rígida observância de horários obriga os falantes a construir uma estratégia de adaptação ao tempo disponível que é aprendida nos grupos de estudo e tem por base os recursos retóricos aprendidos nos grupos de estudos. Uma palestra planejada lançará mão de um repertório de ensinamentos e máximas, onde o falante usa uma generalização, sinalizando um bloco da palestra, costurando-o à outra, e, ao aproximar-se do final da palestra, terminará recapitulando os pontos principais já enunciados no início da fala. Se é um comentário escolhido "ao acaso",9 funcionará a fórmula do improviso, em que máximas e generalizações vão sendo continuamente costuradas e dissertadas no decorrer do tempo, alimentando um fluxo de discurso constituído não apenas da estrutura tradicional de um "começo-meio-e-fim", mas de vários pequenos "começos-meios-e-fins" em que as fórmulas verbais fazem o papel de partículas aditivas entre os segmentos da fala.
Ao aproximar-se do final do tempo, o expositor relacionará a última conclusão enunciada com o tema principal. Assim, é a estrutura formular oral da retórica espírita, tanto no plano das máximas quanto nas pequenas generalizações discursivas seqüencialmente encadeadas das palestras, que permite que um improviso — lido na ótica nativa através da categoria inspiração10 — obtenha êxito, mantendo-se sempre no tempo disponível.
A eficácia simbólica das palestras espíritas deve-se, em grande parte, à sua legibilidade descontínua, ou seja, à capacidade dos enunciados das máximas sempre se encaixarem no tema geral escolhido ao acaso, mas também às múltiplas chances de uma audiência heterogênea identificar-se e construir um sentido geral com pequenos segmentos da palestra, sem a necessidade de tê-la compreendida por inteiro. Pequenos discursos descontínuos são costurados por um ritmo oratório e semântico contínuo, que permite que aparentes incoerências e ambigüidades no fluxo do discurso sejam percebidas pela audiência como dotadas de uma continuidade semântica maior.11
Isso não significa que todas as palestras reduzam-se a essa descrição, nem que isso forme um modelo exclusivo do espiritismo ou mesmo que possa ser generalizado a todo o universo dos que se reclamam espíritas. Talvez os momentos mais característicos de palestras com esse teor formular sejam os daquelas mais dirigidas a converter simpatizantes do que propriamente falar para adeptos, sobretudo quanto a fala do orador é acompanhada por um fundo musical.
Conclusão
A leitura em comum, seja em voz alta, seja silenciosa, era concebida como uma atividade de múltiplos fins, sempre sujeita à relação com outras inserções do fiel nos diversos espaços e atividades das casas espíritas. O fiel que estuda também dá passes, faz sessões de atendimento fraterno, desenvolvimento mediúnico, doutrina os espíritos na desobsessão, atividades que suscitam questões a serem discutidas no grupo de estudos, a instância interna de elaboração doutrinária mais reflexiva e dialogada do centro espírita. Englobada pelos imperativos de formação prática e ritual do espírita, é compreensível que a exegese no grupo de estudos seguisse uma coerência sutil entre fragmentos lidos em comum e um conjunto doutrinário pressuposto, de forma bem diferente da leitura do lector, valorizada nos quadros universitários (Bourdieu, 1991). Nunca mera aquisição de conhecimentos, o estudo não funciona bem, na visão espírita, se não estiver amparado por uma "inspiração espiritual", uma conexão bem estabelecida e equilibrada com as forças espirituais supostas como presentes a qualquer situação humana. É essa "inspiração espiritual", somada às relações formais e informais de autoridade entre os diversos participantes, que garante a coerência e a reprodução de um sentido ortodoxo a qualquer rumo que um debate possa tomar no grupo de estudos.
Isso nos remete à valorização simultânea da dependência e do livre-arbítrio no espiritismo — para retomarmos os termos da discussão de Cavalcanti (1983) —, em que o intelecto recebe uma valorização ambígua e condicional. Sede simbólica do conhecimento e das decisões individuais, ela está englobada pelo imperativo maior de progresso moral, com a conseqüente introdução de um antiintelectualismo num sistema que tanto valoriza o estudo e o conhecimento.
A leitura e a conversa, no grupo de estudos, salientavam, além da reprodução da "leitura correta", um disciplinamento pela forma que buscava a criação de uma competência retórica, de um habitus lingüístico de orador espírita. Nesse habitus, a conjugação verbal de um discurso descontínuo com um ritmo oratório contínuo, fundamental nas palestras de trechos lidos ao acaso, baseava-se na crença na subordinação do orador a um plano espiritual que inspira suas palavras, e que era indissociável do valor das diferentes práticas de leitura levadas a cabo no grupo de estudos. A leitura espírita remetia também à sedimentação doutrinária operada em sua literatura complementar, que realiza um incessante exercício de comentário e reiteração de seus textos sagrados. Além de remeterem uns aos outros, muitos textos de divulgação espíritas têm uma característica de redundância, funcionam sempre como chaves para a totalidade, resumem, sintetizam e recapitulam os pontos principais do sistema. Numa tradição iniciada pelo próprio Allan Kardec, eles podem ser lidos em diversos níveis de aprofundamento, com propósitos claramente didáticos, desde o manual de iniciação do leigo até o texto mais especializado e especulativo, destinado aos iniciados. A condensação, junto com a inserção do espiritismo na tradição cristã através das genealogias espirituais, fundamenta a sua eficácia simbólica através da uma elasticidade semântica de seu discurso, sempre adaptável às finalidades pragmáticas do auditório. Essa elasticidade semântica do discurso espírita permite, desde a retomada da inspiração bíblica do Novo Testamento, onde os espíritas podem resumir todo o sentido de sua doutrina na citação "ama a teu próximo como a ti mesmo", até discursos altamente especializados, destinados a um público restrito.
A fala e o estudo no grupo de estudos eram essencialmente uma fala e um estudo de convertidos, simultaneamente "ontológica" e "dialógica", para adaptarmos a distinção que Jonathan Boyarin (1993) faz entre o Novo e o Antigo Testamento. Estudava-se e discutia-se não para aceitar ou refutar a doutrina, mas para poder prosseguir o trabalho de iniciação pessoal, participação nas atividades de trabalho do centro espírita e realizar proselitismo.
Referências
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Recebido em 10/05/2004
Aprovado em 01/06/2004
1 O espiritismo kardecista delimita-se pela referência às obras de Kardec, basicamente O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho Segundo o Espiritismo, A Gênese e O Céu e o Inferno, apelidados de o "pentateuco kardequiano" (Kardec, 1982, 1984, 1991a, 1991b, 1997). A denominação "obras básicas" abrange os três primeiros títulos do conjunto, mas por serem consideradas pelos espíritas como formando a base essencial da Codificação, esta formada pelo conjunto da obra de Kardec. O Livro dos Espíritos é a referência básica de leitura para os grupos de estudos, em conjunto com cartilhas didáticas preparadas pela Federação Espírita Brasileira (FEB).
2 Essa idéia foi enunciada por Maria Laura Cavalcanti (1983).
3 As hierarquias de posição na escala evolutiva nunca são objeto de discussão explícita entre os espíritas. Não há uma conversa ou estabelecimento de um ranking evolutivo. Os espíritas são treinados, no entanto, a identificar tendências ao conflito ou atitudes reprovadas como sinais de baixa evolução espiritual.
4 "Quando o médium está concentrado, exteriorizando fluidos naturalmente, qualquer choque que venha afetar o seu sistema nervoso não só o desconcentra como pode ser nocivo à sua saúde. Os que são despertados com violências poderão sofrer acidentes graves pelo choque vibratório e chegar mesmo a desencarnar, em virtude da inibição das forças magnéticas que mantêm o tônus vital orgânico. Quando isso não aconteça poderá sofrer, entretanto, queda de pressão sangüínea; outras desordens aparecerão, pondo o médium em desequilíbrio, ainda que seja por alguns dias." (Toledo, 1993, p. 157).
5 Na cartilha didática, havia textos doutrinários, trechos de livros de Kardec, Emmanuel, André Luiz ou de algum intelectual espírita da FEB. Em cada unidade havia também questões e exercícios propostos, ao modo dos livros didáticos escolares.
6 Desenvolvi alhures (Lewgoy, 2000) a tese de que, condenando formalmente os dogmas e os rituais, o kardecismo ritualiza por outras vias, seja considerando a vida como uma prova, seja considerando o mundo como uma espécie de "escola". Também no centro espírita não há diplomações, batismos de fogo ou provas explícitas para um principiante, a não ser quando assume tarefas específicas como trabalhador da casa, expositor ou médium. O que significa que as provas iniciáticas podem surgir a qualquer momento, de forma espontânea e incisiva.
7 Olson (1997) sustenta que a leitura alegórica e espiritual da Bíblia — aquela que procura um sentido espiritual nas entrelinhas — predominou até a Reforma Protestante, quando surge o impulso que levou à crítica textual, especialmente ligada à separação do texto de suas interpretações.
8 A posição subordinada e instrumental do corpo e da linguagem em relação ao espírito e ao pensamento, no espiritismo, não significa desleixo com os veículos, mas todo um conjunto de preceitos e cuidados: no corpo as interdições de vícios e excessos, na fala um treinamento retórico constante. Retorna aqui a idéia de uma oposição hierárquica, e não equiestatutária entre matéria e espírito. Essa relação permite que se compreenda que, ainda que o mundo espiritual seja modelo e valor para o mundo visível, certas categorias de habitantes do mundo espiritual estão mais próximas da matéria que habitantes do mundo material — de onde uma oposição entre uma espiritualidade superior e uma espiritualidade "inferior".
9 Em verdade, "acaso" não é bem o termo correto. Geralmente o palestrante diz: "Aqui, no Evangelho, nos veio a seguinte passagem…"
10 Perguntando a palestrantes como procediam para fazer uma palestra com trechos escolhidos ao acaso, muitos me falavam que se sentiam transformados quando começavam a falar, explicando que isso só poderia ser uma inspiração do mundo espiritual.
11 Estou aqui desenvolvendo uma idéia de Northrop Frye (1986), aplicada a um outro contexto: a cultura oral caracteriza-se pela conjunção entre a versificação contínua e a prosa descontínua, enquanto que a na cultura escrita verifica-se o inverso.
ESSE É UM ESPAÇO PRA DEBATES E IDÉIAS COM SELEÇÃO CRITERIOSA DE TEXTOS , ARTIGOS E RESENHAS DE VALOR INTERESSANTE ACERCA DE ASSUNTOS GERAIS RELACIONADOS AO ESPIRITISMO E OS DIVERSOS CAMPOS DO CONHECIMENTO QUE FAZEM INTERFACE COM A VIDA...
terça-feira, 15 de abril de 2008
domingo, 23 de março de 2008
“NÃO BASTA QUE EU SEJA ESPÍRITA..."
“Não basta que eu seja espírita .Tenho que parecer espírita”
Marco Aurélio Faria Rezende
"Bem-aventurados os que choram,pois que serão
consolados.Bem-aventurados os famintos
e os sequiosos de justiça ,pois
que serão saciados . Bem-aventurados os
que sofrem perseguição pela justiça , pois que é
deles o reino dos céus.”
(Mateus ,cap. V , vv.5,6 e 10)
Uma das práticas mais sadias que adquiri desde que venho me assumindo espírita cristão é a do estudo do Evangelho em casa com os meus familiares. Primeiramente , quero registrar que não vem sendo muito fácil reunir todas as pessoas da casa – alguns não participam por opção,outros já participaram , estando agora fora e atualmente compomos o nosso pequeno grupo de três encarnados , o que convenhamos , no nosso caso é muita gente , pois houve ocasião em que me reunia apenas com as minhas cadelinhas. Mas não é sobre a disposição dos meus familiares que quero refletir e sim do que estamos estudando nos últimos encontros . Ao invés de abrir ao acaso , preferimos estudar o Evangelho de forma seqüencial e , já há algumas semanas estamos estudando os capítulos que falam das bem-aventuranças . Muito já se falou e escreveu sobre o Sermão do Cristo e portanto não tenho nenhuma pretensão de deitar falação sobre qualquer das partes dessa maravilhosa herança que recebemos . Mas , quero dividir com os meus companheiros esse aspecto bem peculiar do Sermão do Nosso Mestre. Se concordamos que somos herdeiros desse legado divino , somos também responsáveis em trazê-lo para o nosso dia-a-dia , em cada oportunidade que tivermos para praticá-lo. Mais ainda , se estamos tendo essa oportunidade ao longo das muitas encarnações que tivemos , precisamos parar para pensar exatamente sobre esse aspecto. Ou será que achamos que poderemos continuar a (re) encarnar eternamente sem nenhuma necessidade de refletir sobre a questão? Afinal , se já compreendemos que o céu colocado no Sermão é alegórico , se cremos verdadeiramente que a conquista das bem-aventuranças tem exclusivamente a ver com a nossa disposição para alcançá-las ,podemos concluir que é a nossa transformação que nos levará a esse caminho .
Assim , é exatamente por isso que venho acreditando cada vez mais no Sermão do Cristo como o Caminho das Pedras para a nossa tão falada reforma moral. Falamos muito e trabalhamos tão pouco para alcançá-la. Estou falando verdadeiramente . Não vale pensar só no trabalho que realizamos na Casa Espírita . Devemos lembrar que estamos ali pela misericórdia do Nosso Pai e somos os maiores beneficiários dessa nossa ação. Acredito verdadeiramente que é a nossa atitude que nos faz sujeitos da nossa intenção .Por isso vamos falar nas nossas atitudes. Vamos,por exemplo, pensar nos motivos das nossas aflições . Mas , pensemos nas nossas , como as de todos e não somente nas nossas como a minha ou a sua. Será que ainda olhamos com um olhar diferenciado para os nossos irmãos – familiares , amigos , vizinhos e inimigos ? Se ainda não é assim , vejamos. O nosso cuidado e a nossa atenção já são verdadeiramente (?) espíritas quando nos deparamos com as aflições alheias e fazemos clara e calmamente uma imediata correlação com possíveis faltas ou falhas pretéritas ou atuais , mas quando precisamos exercitar em nós a aceitação e a resignação , achamos que não merecemos esse rigor da parte de Nosso Pai . Compreendemos bem, que os nossos irmãos são os únicos responsáveis pelos seus infortúnios , pelas suas desgraças , pelos excessos , pelas vaidades , pela infelicidade familiar , por fraquezas , pelo egoísmo , etc e até por doenças graves . Mas será que são só eles? Será que já praticamos esse entendimento em nós? Ou será que já estamos nos percebendo como seres angélicos? Falamos com tanta clareza e a toda hora que vivemos num mundo de prova e expiação e , no entanto , já somos pretensiosos em nos achar os primeiros escolhidos da Criação Divina para a próxima era planetária. É , somos e nos achamos os máximos .Todos nós. Mas , no entanto esquecemos que a expiação que ainda é comum a todos nós , serve sempre de prova, mas nem sempre a prova é uma expiação . Está no Evangelho . E , no nosso caso serve para nos esclarecer que todos nós estamos na mesma condição evolutiva. Nenhum de nós está em posição de destaque .Muitos de nós , que nos julgamos o máximo , estamos em oportunidade compulsória .
A Bondade Divina está a todo o momento nos orientando para o caminho de volta que empreendemos para a nossa verdadeira casa – a Casa do Pai e tem nos favorecido com o livre-arbítrio , o esquecimento de faltas e dívidas e o consolo das nossas dores. E nós, do alto (?) da nossa condição evolutiva já fazemos assim também com todos os nossos irmãos? Se recebemos de Nosso Pai , a força para a nossa própria melhora ,para o alcance do nosso resgate , porque não podemos fazer também dessa forma com os nossos desafetos?Afinal , se já começamos a nossa transformação , e recebemos todo o estímulo mesmo quando ainda erramos , porque não podemos começar a pensar em fazer o mesmo no nosso dia-a-dia? Afinal , se somos firmes e perseveramos , se alimentamos verdadeiramente a nossa crença e a nossa fé no Nosso Pai , porque não acreditamos também no nosso irmão , independente da sua condição ou vínculo junto a nós?Se nós , quando rogamos pela Providencia Divina , justificamos as nossas falhas e erros pela nossa condição de eternos endividados , porque não consideramos essa mesma condição dos nossos irmãos quando o julgamos e criticamos?Será que estamos exercitando a nossa tolerância? Na verdade , a nossa condição ainda nos impede de ver o outro com o olhar que pedimos ao Nosso Pai que nos ampare. Ainda falta muito, mas temos clareza que precisamos verdadeiramente recomeçar a nossa caminhada.
Para isso , é imperioso que testemos a nossa humildade e o nosso orgulho .Em muitas ocasiões , durante o convívio necessário a nós,somos colocados em prova nessas virtudes. Nesta hora , podemos lembrar , muito a contragosto , das inúmeras situações em que já nos colocamos em posição e condição superior a muito(s) de nosso(s) irmão(s). E mais , em muitas dessas situações acabamos por justificar , quase que naturalmente essa nossa postura tomando por base a nossa vantagem em um ou mais atributos que temos em relação ao(s) outro(s) . Nos dias de hoje , penso eu , se ainda temos essa atitude , rapidamente repensamos a nossa postura porque já começamos a compreender que não temos nem possuímos nenhuma vantagem com relação ao(s) nosso(s) irmão(s) e que a verdadeira riqueza - a que podemos entesourar e que não se perde nunca , cabe no nosso coração. Mas é sempre bom lembrar que já fomos duros e brutos , que a nossa preocupação guardava uma direta relação com a nossa incapacidade de perceber o(s) outros(s) como iguais. Já valorizamos muito a riqueza material , já sentimos muita alegria e orgulho da nossa capacidade de ter em detrimento da nossa possibilidade de ser . Hoje , já começamos a despertar e entendemos que a outra possibilidade - a da generosidade , é mais prazerosa e nos sustentará na caminhada da volta.
É certo que já constatamos que precisamos ultrapassar da condição de espíritas em uma casa espírita para sermos espíritas atuantes . Precisamos parecer espíritas . Precisamos ter atitude espírita. Precisamos utilizar essa nossa condição para o nosso bem e para o bem de todos que nos cercam e que se aproximam de nós. Penso , sem nenhuma atitude piegas , que esse é o nosso verdadeiro propósito daqui para frente . Ou seja , compreendo que ainda precisamos melhorar muito , mas vejo que será assim , nesse exercício de muitos acertos e erros que estaremos colocando a nossa capacidade de cair , mais que levantar ,de perdoar mais que ser perdoado , de ajudar mais que ser ajudado e de fazer mais que cobrar , a serviço da nossa redenção. Acredito também que temos em nós, guardado no fundo as nossas melhores possibilidades. O Evangelho do Cristo nos instrui muito claramente acerca delas : temos que ser puros e simples de coração. E nos alerta da nossa condição de crianças espirituais .É dessa forma que começaremos a resgatar o nosso melhor para assim dividi-lo com o(s) nosso(s) irmão(s) . É assim que deixaremos a nossa condição de transgressores por pensamentos , palavras e atos para experimentarmos a pureza e a simplicidade nas nossas atitudes e no nosso coração. Aprenderemos e valorizaremos muito mais a possibilidade de encontrar em nós mesmos a resposta para as nossas angústias e apreensões e deixaremos de lado a busca externa que fazemos ao Nosso Pai porque o encontraremos dentro de nós .Por enquanto , ainda sentimos essa possibilidade muito distante de nós, mas já identificamos a imperiosa obrigação de nos prepararmos para ir ao seu encontro . Já deixamos muito tempo de lado . Precisaremos fazer mais uso de novas virtudes . Teremos a brandura , a moderação , a afabilidade e a paciência para balizarmos as nossas relações. O nosso ouvir vai estar carregado de comoção . O nosso olhar vai estar impregnado de doçura. As nossas atitudes não terão mais nenhuma violência e não sentiremos nenhuma vontade de explorar o nosso irmão, nem sofreremos por nenhuma injustiça . Aprenderemos a viver no Bem, porque já estaremos cultivando o Bem há muito tempo entre nós . Para tal , precisamos começar agora , já , a responder sempre com o Bem e a desejar sempre o Bem a todo(s) o(s) nosso(s) irmão(s).
Por isso , precisamos começar a praticar mais e melhor atitudes mais positivas . Precisamos (re) aprender a exercitar o perdão e a ter grandeza em nossas ações . Avançaremos no nosso propósito na medida em que começarmos a deixar de lado atitudes mesquinhas carregadas de ego , vaidade e orgulho ferido e trabalharemos em nós a única forma de perdoar – a incondicional. Seremos grandes , nobres e generosos porque seremos humildes . É necessário que (re) iniciemos o nosso caminho sendo mais indulgentes com o(s) nosso(s) irmão(s) , olhando-o(s) mais fraternalmente, deixando que a compaixão e a beneficência inspirem os nossos pensamentos e o nosso coração . Assim , estaremos verdadeiramente sendo mais caridosos com os que nos cercam e procuram e estabeleceremos uma ligação mais profunda com cada um baseada no verdadeiro amor que respeita , cuida , ampara e não cobra. Aprenderemos que quanto mais pensarmos e agirmos assim , mais estaremos atraindo para nós boas vibrações e elevaremos cada vez mais a nossa sintonia.
O Evangelho nos aponta que precisaremos praticar a caridade , tê-la no coração e reparti-la com o próximo , como a fazemos conosco para então podermos dizer que amamos a Deus , o Nosso Pai . Acreditaremos que isso é verdadeiramente possível porque estaremos verdadeiramente comprometidos com essa tarefa – a do nosso progresso ,do progresso do(s) nosso(s) irmão(s) e de todo o planeta . Nós , se pensarmos e agirmos como verdadeiros espíritas , passaremos a incorporar naturalmente no nosso dia-a-dia esses ideais de justiça e renovação ,porque acreditaremos que os mesmos guardam a natureza divina adormecida em nós. Então , passaremos ao entendimento universal ,destruindo as últimas sementes de injustiça , discórdia e desunião . Construiremos , a partir daí uma nova ordem social que estará alicerçada na indulgência , no respeito , na união , e na harmonia geral entre todos nós .
Ao terminar a minha reflexão , penso que a nossa transformação nos levará naturalmente ao encontro da probidade e da igualdade . A nossa defesa se levantará a favor da prática desinteressada da fraternidade , da esperança e da paz . A nossa nova e verdadeira condição nos colocará com sujeitos atuantes e semeadores do Bem pelo Bem . Responderemos - junto com muitos outros , pelo estado renovado das coisas , porque teremos contribuído com o(s) nossos suores e trabalho para tal alcance. Todos nós seremos chamados ditosos , porque trabalhamos no campo sagrado de Nosso Pai . E todos nós , colheremos o produto dos nossos esforços e o colocaremos no banquete preparado pelo Nosso Pai e o compartilharemos entre todos. O Espírito de Verdade nos lembra que é chegada a hora em que Nosso Pai , procede à identificação dos seus servidores mais fiéis , marcando a cada um com o dedo e separando aqueles cujo devotamento é apenas aparente dos mais animosos e ao final cumprir-se-ão estas palavras : “Os primeiros serão os últimos e os últimos serão os primeiros no reino dos céus.” Então , a escolha é nossa . Arregacemos as nossas mãos e vamos (re) começar o trabalho...
mafr.
Marco Aurélio Faria Rezende
"Bem-aventurados os que choram,pois que serão
consolados.Bem-aventurados os famintos
e os sequiosos de justiça ,pois
que serão saciados . Bem-aventurados os
que sofrem perseguição pela justiça , pois que é
deles o reino dos céus.”
(Mateus ,cap. V , vv.5,6 e 10)
Uma das práticas mais sadias que adquiri desde que venho me assumindo espírita cristão é a do estudo do Evangelho em casa com os meus familiares. Primeiramente , quero registrar que não vem sendo muito fácil reunir todas as pessoas da casa – alguns não participam por opção,outros já participaram , estando agora fora e atualmente compomos o nosso pequeno grupo de três encarnados , o que convenhamos , no nosso caso é muita gente , pois houve ocasião em que me reunia apenas com as minhas cadelinhas. Mas não é sobre a disposição dos meus familiares que quero refletir e sim do que estamos estudando nos últimos encontros . Ao invés de abrir ao acaso , preferimos estudar o Evangelho de forma seqüencial e , já há algumas semanas estamos estudando os capítulos que falam das bem-aventuranças . Muito já se falou e escreveu sobre o Sermão do Cristo e portanto não tenho nenhuma pretensão de deitar falação sobre qualquer das partes dessa maravilhosa herança que recebemos . Mas , quero dividir com os meus companheiros esse aspecto bem peculiar do Sermão do Nosso Mestre. Se concordamos que somos herdeiros desse legado divino , somos também responsáveis em trazê-lo para o nosso dia-a-dia , em cada oportunidade que tivermos para praticá-lo. Mais ainda , se estamos tendo essa oportunidade ao longo das muitas encarnações que tivemos , precisamos parar para pensar exatamente sobre esse aspecto. Ou será que achamos que poderemos continuar a (re) encarnar eternamente sem nenhuma necessidade de refletir sobre a questão? Afinal , se já compreendemos que o céu colocado no Sermão é alegórico , se cremos verdadeiramente que a conquista das bem-aventuranças tem exclusivamente a ver com a nossa disposição para alcançá-las ,podemos concluir que é a nossa transformação que nos levará a esse caminho .
Assim , é exatamente por isso que venho acreditando cada vez mais no Sermão do Cristo como o Caminho das Pedras para a nossa tão falada reforma moral. Falamos muito e trabalhamos tão pouco para alcançá-la. Estou falando verdadeiramente . Não vale pensar só no trabalho que realizamos na Casa Espírita . Devemos lembrar que estamos ali pela misericórdia do Nosso Pai e somos os maiores beneficiários dessa nossa ação. Acredito verdadeiramente que é a nossa atitude que nos faz sujeitos da nossa intenção .Por isso vamos falar nas nossas atitudes. Vamos,por exemplo, pensar nos motivos das nossas aflições . Mas , pensemos nas nossas , como as de todos e não somente nas nossas como a minha ou a sua. Será que ainda olhamos com um olhar diferenciado para os nossos irmãos – familiares , amigos , vizinhos e inimigos ? Se ainda não é assim , vejamos. O nosso cuidado e a nossa atenção já são verdadeiramente (?) espíritas quando nos deparamos com as aflições alheias e fazemos clara e calmamente uma imediata correlação com possíveis faltas ou falhas pretéritas ou atuais , mas quando precisamos exercitar em nós a aceitação e a resignação , achamos que não merecemos esse rigor da parte de Nosso Pai . Compreendemos bem, que os nossos irmãos são os únicos responsáveis pelos seus infortúnios , pelas suas desgraças , pelos excessos , pelas vaidades , pela infelicidade familiar , por fraquezas , pelo egoísmo , etc e até por doenças graves . Mas será que são só eles? Será que já praticamos esse entendimento em nós? Ou será que já estamos nos percebendo como seres angélicos? Falamos com tanta clareza e a toda hora que vivemos num mundo de prova e expiação e , no entanto , já somos pretensiosos em nos achar os primeiros escolhidos da Criação Divina para a próxima era planetária. É , somos e nos achamos os máximos .Todos nós. Mas , no entanto esquecemos que a expiação que ainda é comum a todos nós , serve sempre de prova, mas nem sempre a prova é uma expiação . Está no Evangelho . E , no nosso caso serve para nos esclarecer que todos nós estamos na mesma condição evolutiva. Nenhum de nós está em posição de destaque .Muitos de nós , que nos julgamos o máximo , estamos em oportunidade compulsória .
A Bondade Divina está a todo o momento nos orientando para o caminho de volta que empreendemos para a nossa verdadeira casa – a Casa do Pai e tem nos favorecido com o livre-arbítrio , o esquecimento de faltas e dívidas e o consolo das nossas dores. E nós, do alto (?) da nossa condição evolutiva já fazemos assim também com todos os nossos irmãos? Se recebemos de Nosso Pai , a força para a nossa própria melhora ,para o alcance do nosso resgate , porque não podemos fazer também dessa forma com os nossos desafetos?Afinal , se já começamos a nossa transformação , e recebemos todo o estímulo mesmo quando ainda erramos , porque não podemos começar a pensar em fazer o mesmo no nosso dia-a-dia? Afinal , se somos firmes e perseveramos , se alimentamos verdadeiramente a nossa crença e a nossa fé no Nosso Pai , porque não acreditamos também no nosso irmão , independente da sua condição ou vínculo junto a nós?Se nós , quando rogamos pela Providencia Divina , justificamos as nossas falhas e erros pela nossa condição de eternos endividados , porque não consideramos essa mesma condição dos nossos irmãos quando o julgamos e criticamos?Será que estamos exercitando a nossa tolerância? Na verdade , a nossa condição ainda nos impede de ver o outro com o olhar que pedimos ao Nosso Pai que nos ampare. Ainda falta muito, mas temos clareza que precisamos verdadeiramente recomeçar a nossa caminhada.
Para isso , é imperioso que testemos a nossa humildade e o nosso orgulho .Em muitas ocasiões , durante o convívio necessário a nós,somos colocados em prova nessas virtudes. Nesta hora , podemos lembrar , muito a contragosto , das inúmeras situações em que já nos colocamos em posição e condição superior a muito(s) de nosso(s) irmão(s). E mais , em muitas dessas situações acabamos por justificar , quase que naturalmente essa nossa postura tomando por base a nossa vantagem em um ou mais atributos que temos em relação ao(s) outro(s) . Nos dias de hoje , penso eu , se ainda temos essa atitude , rapidamente repensamos a nossa postura porque já começamos a compreender que não temos nem possuímos nenhuma vantagem com relação ao(s) nosso(s) irmão(s) e que a verdadeira riqueza - a que podemos entesourar e que não se perde nunca , cabe no nosso coração. Mas é sempre bom lembrar que já fomos duros e brutos , que a nossa preocupação guardava uma direta relação com a nossa incapacidade de perceber o(s) outros(s) como iguais. Já valorizamos muito a riqueza material , já sentimos muita alegria e orgulho da nossa capacidade de ter em detrimento da nossa possibilidade de ser . Hoje , já começamos a despertar e entendemos que a outra possibilidade - a da generosidade , é mais prazerosa e nos sustentará na caminhada da volta.
É certo que já constatamos que precisamos ultrapassar da condição de espíritas em uma casa espírita para sermos espíritas atuantes . Precisamos parecer espíritas . Precisamos ter atitude espírita. Precisamos utilizar essa nossa condição para o nosso bem e para o bem de todos que nos cercam e que se aproximam de nós. Penso , sem nenhuma atitude piegas , que esse é o nosso verdadeiro propósito daqui para frente . Ou seja , compreendo que ainda precisamos melhorar muito , mas vejo que será assim , nesse exercício de muitos acertos e erros que estaremos colocando a nossa capacidade de cair , mais que levantar ,de perdoar mais que ser perdoado , de ajudar mais que ser ajudado e de fazer mais que cobrar , a serviço da nossa redenção. Acredito também que temos em nós, guardado no fundo as nossas melhores possibilidades. O Evangelho do Cristo nos instrui muito claramente acerca delas : temos que ser puros e simples de coração. E nos alerta da nossa condição de crianças espirituais .É dessa forma que começaremos a resgatar o nosso melhor para assim dividi-lo com o(s) nosso(s) irmão(s) . É assim que deixaremos a nossa condição de transgressores por pensamentos , palavras e atos para experimentarmos a pureza e a simplicidade nas nossas atitudes e no nosso coração. Aprenderemos e valorizaremos muito mais a possibilidade de encontrar em nós mesmos a resposta para as nossas angústias e apreensões e deixaremos de lado a busca externa que fazemos ao Nosso Pai porque o encontraremos dentro de nós .Por enquanto , ainda sentimos essa possibilidade muito distante de nós, mas já identificamos a imperiosa obrigação de nos prepararmos para ir ao seu encontro . Já deixamos muito tempo de lado . Precisaremos fazer mais uso de novas virtudes . Teremos a brandura , a moderação , a afabilidade e a paciência para balizarmos as nossas relações. O nosso ouvir vai estar carregado de comoção . O nosso olhar vai estar impregnado de doçura. As nossas atitudes não terão mais nenhuma violência e não sentiremos nenhuma vontade de explorar o nosso irmão, nem sofreremos por nenhuma injustiça . Aprenderemos a viver no Bem, porque já estaremos cultivando o Bem há muito tempo entre nós . Para tal , precisamos começar agora , já , a responder sempre com o Bem e a desejar sempre o Bem a todo(s) o(s) nosso(s) irmão(s).
Por isso , precisamos começar a praticar mais e melhor atitudes mais positivas . Precisamos (re) aprender a exercitar o perdão e a ter grandeza em nossas ações . Avançaremos no nosso propósito na medida em que começarmos a deixar de lado atitudes mesquinhas carregadas de ego , vaidade e orgulho ferido e trabalharemos em nós a única forma de perdoar – a incondicional. Seremos grandes , nobres e generosos porque seremos humildes . É necessário que (re) iniciemos o nosso caminho sendo mais indulgentes com o(s) nosso(s) irmão(s) , olhando-o(s) mais fraternalmente, deixando que a compaixão e a beneficência inspirem os nossos pensamentos e o nosso coração . Assim , estaremos verdadeiramente sendo mais caridosos com os que nos cercam e procuram e estabeleceremos uma ligação mais profunda com cada um baseada no verdadeiro amor que respeita , cuida , ampara e não cobra. Aprenderemos que quanto mais pensarmos e agirmos assim , mais estaremos atraindo para nós boas vibrações e elevaremos cada vez mais a nossa sintonia.
O Evangelho nos aponta que precisaremos praticar a caridade , tê-la no coração e reparti-la com o próximo , como a fazemos conosco para então podermos dizer que amamos a Deus , o Nosso Pai . Acreditaremos que isso é verdadeiramente possível porque estaremos verdadeiramente comprometidos com essa tarefa – a do nosso progresso ,do progresso do(s) nosso(s) irmão(s) e de todo o planeta . Nós , se pensarmos e agirmos como verdadeiros espíritas , passaremos a incorporar naturalmente no nosso dia-a-dia esses ideais de justiça e renovação ,porque acreditaremos que os mesmos guardam a natureza divina adormecida em nós. Então , passaremos ao entendimento universal ,destruindo as últimas sementes de injustiça , discórdia e desunião . Construiremos , a partir daí uma nova ordem social que estará alicerçada na indulgência , no respeito , na união , e na harmonia geral entre todos nós .
Ao terminar a minha reflexão , penso que a nossa transformação nos levará naturalmente ao encontro da probidade e da igualdade . A nossa defesa se levantará a favor da prática desinteressada da fraternidade , da esperança e da paz . A nossa nova e verdadeira condição nos colocará com sujeitos atuantes e semeadores do Bem pelo Bem . Responderemos - junto com muitos outros , pelo estado renovado das coisas , porque teremos contribuído com o(s) nossos suores e trabalho para tal alcance. Todos nós seremos chamados ditosos , porque trabalhamos no campo sagrado de Nosso Pai . E todos nós , colheremos o produto dos nossos esforços e o colocaremos no banquete preparado pelo Nosso Pai e o compartilharemos entre todos. O Espírito de Verdade nos lembra que é chegada a hora em que Nosso Pai , procede à identificação dos seus servidores mais fiéis , marcando a cada um com o dedo e separando aqueles cujo devotamento é apenas aparente dos mais animosos e ao final cumprir-se-ão estas palavras : “Os primeiros serão os últimos e os últimos serão os primeiros no reino dos céus.” Então , a escolha é nossa . Arregacemos as nossas mãos e vamos (re) começar o trabalho...
mafr.
terça-feira, 18 de março de 2008
ESPIRITISMO E RELIGIÃO
O Espiritismo é uma Religião?
Religião é o culto prestado às divindades e os deveres dos crentes para com elas.
A elas estão associados elementos essenciais, que não fazem parte da doutrina espírita, como os exemplos abaixo indicados:
O espiritismo não tem estrutura hierárquica, nem clerical;
Não tem sacerdotes, nem chefes religiosos;
Não tem templos sumptuosos;
Não adopta cerimónias de espécie alguma;
Não tem rituais;
Não usa vestes especiais;
Não tem qualquer simbologia;
Não utiliza ornamentações associadas a práticas exteriores;
Não tem gestos de reverência, sinais cabalísticos, benzeduras...
Não tem talismãs, defumadouros;
Não usa cânticos nem danças cerimoniosas,
Não utiliza bebidas, oferendas...
Não tem dogmas indiscutíveis;
Não fazem parte do seu vocabulário as palavras - misticismo, sobrenatural, milagre...
(...)
Algumas razões pelas quais o espiritismo vem sendo confundido sendo designado por alguns dos seus adeptos como mais uma religião:
Ignorância nesta matéria;
Desconhecimento doutrinário;
Hábitos pretéritos, enraizados no ser;
Movimentos espíritas internacionais e locais, que adoptaram o termo religião e que, por desconhecimento, são tidos como exemplo/modelo;
A fonte moral sendo Jesus, é indevidamente associada às religiões...
O espiritismo, não diz que fora dele não encontremos a salvação. Afirma sim e faz dessa máxima sua divisa: fora da caridade não há salvação.
Portanto não se encontra na doutrina espírita o proselitismo das religiões e a ânsia na obtenção de adeptos. O respeito para com todas as práticas religiosas é uma característica do espírita.
O Espírito da Verdade avança com outra máxima: Espíritas: amai-vos, espíritas instruí-vos, sublinhando desta forma e mais uma vez as fortes vertentes morais e culturais da doutrina espírita.
Depois deste breve estudo, a doutrina espírita pode ser apreendida na sua verdadeira essência, como uma doutrina de aperfeiçoamento moral, ética - ciência do bem -, do comportamento e do procedimento, decorrente ou consequência da sua filosofia de vida, solidamente apoiada na sua base científica.
Allan Kardec, o codificador, prevendo os rumos a que o movimento tenderia no futuro, profere um discurso com um belo texto, na abertura da Sessão Anual Comemorativa dos Mortos, da Sociedade Espírita de Paris, no dia 1 de Novembro de 1868. A seguir e em jeito de conclusão desta matéria, transcrevemos partes desse elucidativo e eloquente discurso:
"Todas as reuniões religiosas, seja qual for o culto a que pertençam, são fundadas na comunhão de pensamentos; é aí, com efeito, que esta deve exercer toda a sua força porque o objectivo deve ser o desprendimento do pensamento das garras da matéria. Infelizmente, na sua maioria, afastam-se desse princípio, à medida que faziam da religião uma questão de forma."
(...)
"O isolamento religioso, como o isolamento social, conduz o homem ao egoísmo."
(...)
"Religião, é um laço que religa os homens numa comunidade de sentimentos, de princípios e de crenças."
(...)
"O laço estabelecido por uma religião, seja qual for o seu objectivo, é, pois, um laço essencialmente moral, que liga os corações, que identifica os pensamentos, as aspirações e não somente o facto de compromissos materiais, que se rompem, à vontade, ou da realização de fórmulas que falam mais aos olhos do que ao espírito. O efeito desse laço moral é o de estabelecer entre os que ele une, como consequência da comunidade de vistas e de sentimentos, a fraternidade e a solidariedade, a indulgência e a benevolência mútuas." Se assim é perguntarão: o espiritismo é uma religião?"
(...)
"Ora sim, sem dúvida, senhores. No sentido filosófico, o espiritismo é uma religião, e nós glorificamos por isto, porque é a doutrina que funda os elos da fraternidade e da comunhão de pensamentos, não sobre uma simples convenção, mas sobre bases mais sólidas: as mesmas leis da natureza."
(...)
"Por que, então, declaramos que o espiritismo não é uma religião?"
(...)
"Porque não há uma palavra para exprimir duas ideias diferentes, e que, na opinião geral, a palavra religião é inseparável de culto; desperta exclusivamente uma ideia de forma, que o espiritismo não tem. Se o espiritismo se dissesse uma religião, o público não veria aí senão uma nova edição, uma variante, se quiser, dos princípios absolutos em matéria de fé; uma casta sacerdotal com seu cortejo de hierarquias, de cerimónias e de privilégios; não o separaria das ideias de misticismo e dos abusos contra os quais tantas vezes se levantou a opinião pública."
(...)
"Não tendo o espiritismo nenhum dos caracteres de uma religião, na acepção usual do vocábulo, não podia nem devia enfeitar-se com um título sobre cujo valor inevitavelmente se teria equivocado. Eis porque simplesmente se diz: doutrina filosófica e moral..."
Kardec, no livro "O que é o espiritismo" define espiritismo assim: "O espiritismo é ao mesmo tempo uma ciência de observação e uma doutrina filosófica. Como ciência prática, ele consiste nas relações que se podem estabelecer com os espíritos; como filosofia, ele compreende todas as consequências morais que decorrem dessas relações."
É evidente que o significado do vocábulo - religião -, na sua origem, serviria para codificar a nossa ideia (mental) de espiritismo. Mas a linguagem constitui um movimento vivo e, ao longo da história, os diversos vocábulos vão adquirindo uma carga que lhe vai modificando o seu significado original. Assim, às religiões, como atrás foi apresentado, estão agora, associadas variadas práticas e elementos essenciais que não se encontram no espiritismo, pelo que afasta qualquer hipótese de o catalogarmos como mais uma religião.
O assunto tratado, deverá servir não para desunir os espíritas em discussões inúteis ou para debates injustificáveis, mas para situar o espiritismo no contexto universal das ideologias, que vão interpretando a vida.
Retirado do Curso básico de Espiritismo da Associação de Divulgadores do Espiritismo de Portugal - 3.º Caderno - O ESPIRITISMO E AS RELIGIÕES
Religião é o culto prestado às divindades e os deveres dos crentes para com elas.
A elas estão associados elementos essenciais, que não fazem parte da doutrina espírita, como os exemplos abaixo indicados:
O espiritismo não tem estrutura hierárquica, nem clerical;
Não tem sacerdotes, nem chefes religiosos;
Não tem templos sumptuosos;
Não adopta cerimónias de espécie alguma;
Não tem rituais;
Não usa vestes especiais;
Não tem qualquer simbologia;
Não utiliza ornamentações associadas a práticas exteriores;
Não tem gestos de reverência, sinais cabalísticos, benzeduras...
Não tem talismãs, defumadouros;
Não usa cânticos nem danças cerimoniosas,
Não utiliza bebidas, oferendas...
Não tem dogmas indiscutíveis;
Não fazem parte do seu vocabulário as palavras - misticismo, sobrenatural, milagre...
(...)
Algumas razões pelas quais o espiritismo vem sendo confundido sendo designado por alguns dos seus adeptos como mais uma religião:
Ignorância nesta matéria;
Desconhecimento doutrinário;
Hábitos pretéritos, enraizados no ser;
Movimentos espíritas internacionais e locais, que adoptaram o termo religião e que, por desconhecimento, são tidos como exemplo/modelo;
A fonte moral sendo Jesus, é indevidamente associada às religiões...
O espiritismo, não diz que fora dele não encontremos a salvação. Afirma sim e faz dessa máxima sua divisa: fora da caridade não há salvação.
Portanto não se encontra na doutrina espírita o proselitismo das religiões e a ânsia na obtenção de adeptos. O respeito para com todas as práticas religiosas é uma característica do espírita.
O Espírito da Verdade avança com outra máxima: Espíritas: amai-vos, espíritas instruí-vos, sublinhando desta forma e mais uma vez as fortes vertentes morais e culturais da doutrina espírita.
Depois deste breve estudo, a doutrina espírita pode ser apreendida na sua verdadeira essência, como uma doutrina de aperfeiçoamento moral, ética - ciência do bem -, do comportamento e do procedimento, decorrente ou consequência da sua filosofia de vida, solidamente apoiada na sua base científica.
Allan Kardec, o codificador, prevendo os rumos a que o movimento tenderia no futuro, profere um discurso com um belo texto, na abertura da Sessão Anual Comemorativa dos Mortos, da Sociedade Espírita de Paris, no dia 1 de Novembro de 1868. A seguir e em jeito de conclusão desta matéria, transcrevemos partes desse elucidativo e eloquente discurso:
"Todas as reuniões religiosas, seja qual for o culto a que pertençam, são fundadas na comunhão de pensamentos; é aí, com efeito, que esta deve exercer toda a sua força porque o objectivo deve ser o desprendimento do pensamento das garras da matéria. Infelizmente, na sua maioria, afastam-se desse princípio, à medida que faziam da religião uma questão de forma."
(...)
"O isolamento religioso, como o isolamento social, conduz o homem ao egoísmo."
(...)
"Religião, é um laço que religa os homens numa comunidade de sentimentos, de princípios e de crenças."
(...)
"O laço estabelecido por uma religião, seja qual for o seu objectivo, é, pois, um laço essencialmente moral, que liga os corações, que identifica os pensamentos, as aspirações e não somente o facto de compromissos materiais, que se rompem, à vontade, ou da realização de fórmulas que falam mais aos olhos do que ao espírito. O efeito desse laço moral é o de estabelecer entre os que ele une, como consequência da comunidade de vistas e de sentimentos, a fraternidade e a solidariedade, a indulgência e a benevolência mútuas." Se assim é perguntarão: o espiritismo é uma religião?"
(...)
"Ora sim, sem dúvida, senhores. No sentido filosófico, o espiritismo é uma religião, e nós glorificamos por isto, porque é a doutrina que funda os elos da fraternidade e da comunhão de pensamentos, não sobre uma simples convenção, mas sobre bases mais sólidas: as mesmas leis da natureza."
(...)
"Por que, então, declaramos que o espiritismo não é uma religião?"
(...)
"Porque não há uma palavra para exprimir duas ideias diferentes, e que, na opinião geral, a palavra religião é inseparável de culto; desperta exclusivamente uma ideia de forma, que o espiritismo não tem. Se o espiritismo se dissesse uma religião, o público não veria aí senão uma nova edição, uma variante, se quiser, dos princípios absolutos em matéria de fé; uma casta sacerdotal com seu cortejo de hierarquias, de cerimónias e de privilégios; não o separaria das ideias de misticismo e dos abusos contra os quais tantas vezes se levantou a opinião pública."
(...)
"Não tendo o espiritismo nenhum dos caracteres de uma religião, na acepção usual do vocábulo, não podia nem devia enfeitar-se com um título sobre cujo valor inevitavelmente se teria equivocado. Eis porque simplesmente se diz: doutrina filosófica e moral..."
Kardec, no livro "O que é o espiritismo" define espiritismo assim: "O espiritismo é ao mesmo tempo uma ciência de observação e uma doutrina filosófica. Como ciência prática, ele consiste nas relações que se podem estabelecer com os espíritos; como filosofia, ele compreende todas as consequências morais que decorrem dessas relações."
É evidente que o significado do vocábulo - religião -, na sua origem, serviria para codificar a nossa ideia (mental) de espiritismo. Mas a linguagem constitui um movimento vivo e, ao longo da história, os diversos vocábulos vão adquirindo uma carga que lhe vai modificando o seu significado original. Assim, às religiões, como atrás foi apresentado, estão agora, associadas variadas práticas e elementos essenciais que não se encontram no espiritismo, pelo que afasta qualquer hipótese de o catalogarmos como mais uma religião.
O assunto tratado, deverá servir não para desunir os espíritas em discussões inúteis ou para debates injustificáveis, mas para situar o espiritismo no contexto universal das ideologias, que vão interpretando a vida.
Retirado do Curso básico de Espiritismo da Associação de Divulgadores do Espiritismo de Portugal - 3.º Caderno - O ESPIRITISMO E AS RELIGIÕES
O LADO OBSCURO DO ABORTO
O lado obscuro do aborto
Quase passa desapercebido de todos alguns aspectos obscuros sobre o desejo do Governo Federal de pugnar a legalização do aborto no Brasil. Há todo um jogo de encenações, contradições, equívocos e de dados e pesquisas duvidosas favoráveis a essa ou aquela parte. A opinião pública precisa saber a verdade sobre o aborto, para poder se posicionar acerca desse obscuro tema.
O Governo Federal brasileiro usa como argumento principal para a sua propositura para legalizar o aborto a hipótese de que milhares de mulheres morrem, por ano, no Brasil por conta de abortos clandestinos e por causa disso e com “compaixão” delas almeja legalizar o aborto geral para o bem das mulheres. Mas não é bem assim essa história e pode-se considerar defesa subliminar e obscura que acaba levando e dando margem a diversas interpretações e hipóteses. Há muitos interesses obscuros por trás dos países que pugnam pela legalização do aborto no mundo.
Em 22 de janeiro de 1973, nos Estados Unidos, uma equivocada decisão da Suprema Corte de Justiça, liberou o aborto naquela plaga, num episódio que ficou conhecido como o caso “Roe versus Wade”, em que a jovem texana Norman McCorvey – apelidada de Jane Roe – dizia ter sido estuprada. Porém, em 1995, na revista americana “Newsweek” ela revelou que havia mentido para os juízes e que nunca houvera sido violentada. Hoje, arrependida, trabalha no Movimento Pró-Vida para América. Ainda nos Estados Unidos, no dia 10.12.1974, veio à tona o malfadado Relatório Kissinger, que diz, em apertada síntese, que nenhum país conseguirá fazer controle de natalidade se não recorrer ao aborto, o que acabou mostrando o verdadeiro interesse dos governos na legalização do aborto.
Os movimentos pró-vida, também nos Estados Unidos, explodiam as clinicas de abortamento com as pessoas dentro, numa contradição sem fim, pois não se pode lutar pela vida matando as pessoas. Por outro lado, os que defendem o aborto nunca tiveram coragem de mostrar o outro lado da moeda e o mesmo fica como se fosse um “oásis”.
Legalizar o aborto no Brasil não trará nenhum beneficio para as mulheres, pelo contrário, pois o que se tem visto, são mutilações psíquicas e físicas nelas, muitas vezes irreversíveis, e não há nenhuma garantia que essas indigitadas mortes – se é que existem mesmo – irão acabar ou mesmo diminuir com a legalização do aborto, pois o sistema de saúde brasileiro beira o caos.
O Governo Federal quer na verdade fazer o controle de natalidade no Brasil e usa discurso obscuro de “preocupado” com a saúde e a vida das mulheres, quando na verdade, está é usando as mulheres para seu programa de controle populacional. A legislação infraconstitucional penal já disciplina as hipóteses em que o aborto é permitido no Brasil e qualquer lei que generalize essas hipóteses deverá ser considerada inconstitucional. O discurso governamental é sofismático e é preciso que o mesmo diga a verdade para a população sobre suas reais intenções em pugnar o aborto no Brasil.
* LUÍS OLÍMPIO FERRAZ MELO é advogado e psicanalista e apóia o Movimento Nacional em Defesa da Vida – Brasil Sem Aborto
Quase passa desapercebido de todos alguns aspectos obscuros sobre o desejo do Governo Federal de pugnar a legalização do aborto no Brasil. Há todo um jogo de encenações, contradições, equívocos e de dados e pesquisas duvidosas favoráveis a essa ou aquela parte. A opinião pública precisa saber a verdade sobre o aborto, para poder se posicionar acerca desse obscuro tema.
O Governo Federal brasileiro usa como argumento principal para a sua propositura para legalizar o aborto a hipótese de que milhares de mulheres morrem, por ano, no Brasil por conta de abortos clandestinos e por causa disso e com “compaixão” delas almeja legalizar o aborto geral para o bem das mulheres. Mas não é bem assim essa história e pode-se considerar defesa subliminar e obscura que acaba levando e dando margem a diversas interpretações e hipóteses. Há muitos interesses obscuros por trás dos países que pugnam pela legalização do aborto no mundo.
Em 22 de janeiro de 1973, nos Estados Unidos, uma equivocada decisão da Suprema Corte de Justiça, liberou o aborto naquela plaga, num episódio que ficou conhecido como o caso “Roe versus Wade”, em que a jovem texana Norman McCorvey – apelidada de Jane Roe – dizia ter sido estuprada. Porém, em 1995, na revista americana “Newsweek” ela revelou que havia mentido para os juízes e que nunca houvera sido violentada. Hoje, arrependida, trabalha no Movimento Pró-Vida para América. Ainda nos Estados Unidos, no dia 10.12.1974, veio à tona o malfadado Relatório Kissinger, que diz, em apertada síntese, que nenhum país conseguirá fazer controle de natalidade se não recorrer ao aborto, o que acabou mostrando o verdadeiro interesse dos governos na legalização do aborto.
Os movimentos pró-vida, também nos Estados Unidos, explodiam as clinicas de abortamento com as pessoas dentro, numa contradição sem fim, pois não se pode lutar pela vida matando as pessoas. Por outro lado, os que defendem o aborto nunca tiveram coragem de mostrar o outro lado da moeda e o mesmo fica como se fosse um “oásis”.
Legalizar o aborto no Brasil não trará nenhum beneficio para as mulheres, pelo contrário, pois o que se tem visto, são mutilações psíquicas e físicas nelas, muitas vezes irreversíveis, e não há nenhuma garantia que essas indigitadas mortes – se é que existem mesmo – irão acabar ou mesmo diminuir com a legalização do aborto, pois o sistema de saúde brasileiro beira o caos.
O Governo Federal quer na verdade fazer o controle de natalidade no Brasil e usa discurso obscuro de “preocupado” com a saúde e a vida das mulheres, quando na verdade, está é usando as mulheres para seu programa de controle populacional. A legislação infraconstitucional penal já disciplina as hipóteses em que o aborto é permitido no Brasil e qualquer lei que generalize essas hipóteses deverá ser considerada inconstitucional. O discurso governamental é sofismático e é preciso que o mesmo diga a verdade para a população sobre suas reais intenções em pugnar o aborto no Brasil.
* LUÍS OLÍMPIO FERRAZ MELO é advogado e psicanalista e apóia o Movimento Nacional em Defesa da Vida – Brasil Sem Aborto
segunda-feira, 17 de março de 2008
"SLOW DOWN"
PISE NO FREIO...
Nova moda européia: o "slow down" (desacelere)
Irmãos, paz!
Um amigo muito querido enviou-me, ontem, um power point escrito por um argentino que mora e trabalha na Suécia, falando sobre a nova moda européia: o "slow down" (desacelere), que surgiu para se contrapor ao "do it now" (faça já), norte-americano.
Ainda que não goste de termos importados, ambos descrevem bem as duas maneiras de viver da atual raça humana.
No "do it now", somos obrigados a viver tensos, priorizando a quantidade de tudo, informações, produção, dinheiro, valores materiais, etc. "Tempo é dinheiro", aprendemos a ouvir em nossa infância. Hoje, talvez, disséssemos "cada segundo é dinheiro".
Aonde ficou nossa qualidade de vida nesse vórtice vertiginoso no qual se jogou a atual humanidade, tão preocupada com o possuir, com o ter, com o mostrar que se perdeu de si mesma, gerando a energia necessária para que a destruição do planeta tornasse-se uma realidade de agonia aos seres dos outros reinos, vítimas da civilização.
E nem podemos dizer que este é um problema que afeta apenas ao mundo ocidental pois que os países orientais já assumiram para si a forma de capitalizar bens materiais em detrimento das cultura milenar do silêncio interior.
Estamos de tal forma acelerados que o tempo, por si mesmo, acelerou, como esta cientificamente, comprovado.
Acordamos pensando na hora de dormir e dormimos pensando no momento de acordar. Vivemos exaustos, exasperados, desanimados, desesperançados.
A depressão se tornou a coqueluche da humanidade. A moda atual.
Corremos para não perdermos a hora porque estamos com a sensação de estarmos sempre atrasados. Ao corrermos, não vemos o que nos esta em volta. Não modificamos a energia que nos rodeia. Corremos demais, comemos demais, falamos demais, pensamos depressa demais, queremos demais e vivemos de menos, sentimos de menos, amamos menos.
O "fast food" é o almoço de três dentadas (pobre estômago!), que nos leva às academias, aos consultórios de psicólogos e psicanalistas, aos bares e aos guetos das drogas e que nos afasta das famílias, da boa música, do admirar as flores, da leveza do tempo que se vai por si só.
Será isso vida?
Ou será isso prenuncio da morte do "eu".
Por que os anciãos de hoje, com mais de 75 anos, falam de suas infâncias calmas e nós nos sentimos tão infelizes, tão desejosos de termos podido fazer as brincadeiras que eles dizem ter feito? Temos tão mais tecnologia que eles mas eles chegam à idade avançada tão facilmente. Chegaremos nós até os 80?
Independentemente dos avanços da medicina, viver sem qualidade, viver escravos de remédios com tantos efeitos colaterais será viver?
E, ai, no Velho Continente, alguns passam a valorizar exatamente o oposto: faça sua comida devagar, coma devagar, ande devagar, converse com seus familiares, seus amigos, brinque com seu cachorro ou gato, observe a natureza, encante-se com o canto dos pássaros, com a beleza das árvores, das flores, faça imagens engraçadas com as nuvens no céu, sorria de nada e chore como criança. Respire fundo, se estique e espreguice como se não houvessem problemas no mundo.
Mas, sobretudo, mentalize Jesus. Não para pedir . Apenas para sentir em você o eco da energia doce e extraordinária deste Divino Ser.
Sem pressa e sem medo, abra seu coração para que a energia de cura do universo que habitamos possa circular em seus chacras.
Liberte-se de todo e qualquer pensamento que possa impedi-lo de alçar este vôo rumo à liberdade.
Abrace-se com carinho, pois você é seu mestre e depende de você, só de você, para ser feliz.
Olhe para sua família, procurando sentir o quão precioso é o mosaico que a compõe.
Ao comer, agradeça do Sol à Terra e tudo o que nela existe e que propiciou ao alimento chegar até você.
Não desperdice água mas venere-a pois ela é vida.
Não se alimente de animais mortos em tortura. Alimente-se de vegetais altamente energéticos pois absorveram a energia primaz do Sol.
Olhe-se no espelho com carinho, procurando se descobrir.
Jogue fora o relógio.
Viva para ser e não para ter.
Seja feliz!
Mônica de Medeiros, médica cirurgiã formada pela Unicamp e com mestrado na University of Illinois at Chicago. Fundadora e presidente da Casa do Consolador, centro universalista de fundamento cristão e base espírita. A Casa do Consolador responde pela ONG Árvore da Vida que socorre animais em sofrimento e apóia protetores dos mesmos.
TEXTO PESQUISADO NA WEB.
Nova moda européia: o "slow down" (desacelere)
Irmãos, paz!
Um amigo muito querido enviou-me, ontem, um power point escrito por um argentino que mora e trabalha na Suécia, falando sobre a nova moda européia: o "slow down" (desacelere), que surgiu para se contrapor ao "do it now" (faça já), norte-americano.
Ainda que não goste de termos importados, ambos descrevem bem as duas maneiras de viver da atual raça humana.
No "do it now", somos obrigados a viver tensos, priorizando a quantidade de tudo, informações, produção, dinheiro, valores materiais, etc. "Tempo é dinheiro", aprendemos a ouvir em nossa infância. Hoje, talvez, disséssemos "cada segundo é dinheiro".
Aonde ficou nossa qualidade de vida nesse vórtice vertiginoso no qual se jogou a atual humanidade, tão preocupada com o possuir, com o ter, com o mostrar que se perdeu de si mesma, gerando a energia necessária para que a destruição do planeta tornasse-se uma realidade de agonia aos seres dos outros reinos, vítimas da civilização.
E nem podemos dizer que este é um problema que afeta apenas ao mundo ocidental pois que os países orientais já assumiram para si a forma de capitalizar bens materiais em detrimento das cultura milenar do silêncio interior.
Estamos de tal forma acelerados que o tempo, por si mesmo, acelerou, como esta cientificamente, comprovado.
Acordamos pensando na hora de dormir e dormimos pensando no momento de acordar. Vivemos exaustos, exasperados, desanimados, desesperançados.
A depressão se tornou a coqueluche da humanidade. A moda atual.
Corremos para não perdermos a hora porque estamos com a sensação de estarmos sempre atrasados. Ao corrermos, não vemos o que nos esta em volta. Não modificamos a energia que nos rodeia. Corremos demais, comemos demais, falamos demais, pensamos depressa demais, queremos demais e vivemos de menos, sentimos de menos, amamos menos.
O "fast food" é o almoço de três dentadas (pobre estômago!), que nos leva às academias, aos consultórios de psicólogos e psicanalistas, aos bares e aos guetos das drogas e que nos afasta das famílias, da boa música, do admirar as flores, da leveza do tempo que se vai por si só.
Será isso vida?
Ou será isso prenuncio da morte do "eu".
Por que os anciãos de hoje, com mais de 75 anos, falam de suas infâncias calmas e nós nos sentimos tão infelizes, tão desejosos de termos podido fazer as brincadeiras que eles dizem ter feito? Temos tão mais tecnologia que eles mas eles chegam à idade avançada tão facilmente. Chegaremos nós até os 80?
Independentemente dos avanços da medicina, viver sem qualidade, viver escravos de remédios com tantos efeitos colaterais será viver?
E, ai, no Velho Continente, alguns passam a valorizar exatamente o oposto: faça sua comida devagar, coma devagar, ande devagar, converse com seus familiares, seus amigos, brinque com seu cachorro ou gato, observe a natureza, encante-se com o canto dos pássaros, com a beleza das árvores, das flores, faça imagens engraçadas com as nuvens no céu, sorria de nada e chore como criança. Respire fundo, se estique e espreguice como se não houvessem problemas no mundo.
Mas, sobretudo, mentalize Jesus. Não para pedir . Apenas para sentir em você o eco da energia doce e extraordinária deste Divino Ser.
Sem pressa e sem medo, abra seu coração para que a energia de cura do universo que habitamos possa circular em seus chacras.
Liberte-se de todo e qualquer pensamento que possa impedi-lo de alçar este vôo rumo à liberdade.
Abrace-se com carinho, pois você é seu mestre e depende de você, só de você, para ser feliz.
Olhe para sua família, procurando sentir o quão precioso é o mosaico que a compõe.
Ao comer, agradeça do Sol à Terra e tudo o que nela existe e que propiciou ao alimento chegar até você.
Não desperdice água mas venere-a pois ela é vida.
Não se alimente de animais mortos em tortura. Alimente-se de vegetais altamente energéticos pois absorveram a energia primaz do Sol.
Olhe-se no espelho com carinho, procurando se descobrir.
Jogue fora o relógio.
Viva para ser e não para ter.
Seja feliz!
Mônica de Medeiros, médica cirurgiã formada pela Unicamp e com mestrado na University of Illinois at Chicago. Fundadora e presidente da Casa do Consolador, centro universalista de fundamento cristão e base espírita. A Casa do Consolador responde pela ONG Árvore da Vida que socorre animais em sofrimento e apóia protetores dos mesmos.
TEXTO PESQUISADO NA WEB.
sábado, 15 de março de 2008
CRISE NA AMÉRICA DO SUL?
10 DE MARÇO DE 2008 - 21h02
Deu zebra, New York Times!
por Bruno Barbosa (Lobão)*
“É difícil acreditar que no século 21 os governos eleitos democraticamente na Colômbia, Equador e Venezuela falem de guerra”. A partir deste comentário introdutório, o diário norte americano The New York Times, em editorial publicado dia 06 de março de 2008, com o titulo: “a América do Sul está em pé de guerra?” passou a deitar regras, com sua peculiar arrogância, aos membros da OEA e aos paises envolvidos recentemente no conflito gerado pela condenável invasão promovida pela Colômbia ao vizinho Equador.
Seguindo a fórmula adotada pela “grande” mídia burguesa, da qual aliás o NYT é uma das musas inspiradoras, concentrou seus principais esforços em desancar as Farc e o Governo Venezuelano como elementos de instabilidade na América Latina.
Críticos abertos dos movimentos e governos populares, sempre manipulando a noticia, optaram por fazer sumir do noticiário o argumento central do governo venezuelano para enviar tropas para a fronteira com a Colômbia, qual seja, o temor, diante do evidente conluio fascista Bush/Uribe, de desdobramento da crise para dentro do território venezuelano uma vez que a Revolução Bolivariana tem sido o principal desafio aos ditames imperialistas nos Andes. Como diz o ditado, boi que acorda cedo bebe água limpa. Chaves não vacilou em defender seu pais. O resto e má fé da grande mídia, sorridente por prestar seu servido de desinformação. Também tem sido omitido, de forma permanente há quatro décadas, o histórico de lutas das Farc contra a oligarquia colombiana, uma das mais aguerridas, violentas e antidemocráticas do continente, status conquistado entre muitas concorrentes temos que reconhecer.
Neste momento, por estarem construindo uma saída humanitária para a troca de reféns, parece irreversível ter a iniciativa política passado às Farc e aos estados interlocutores, Venezuela, Equador e França. Desesperados, Álvaro Uribe e Bush, perceberam a ameaça representada pela potencial adesão internacional à agenda pacifista e decidiram atacar. Mataram o principal negociador da troca humanitária, o histórico guerrilherio Raul Reyes. A agressão fascista, orquestrada desde a Casa Branca, deixou uma escura nuvem de fumaça que vai muito além das selvas equatorianas, atinge toda a América Latina, com seus sinais de perigo para a estabilidade tanto do continente como para todos os demais paises do mundo. Os EUA perseveram com sua doutrina agressiva de guerra ao terror afrontando a soberania dos povos e o direito internacional.
O Imperialismo Estadunidense estimulou a selvageria de Uribe ciente de que isso representaria, no caso da atual troca de reféns das Farc, uma pública e retumbante trombada no Governo Francês. Num momento em que cresce no mundo um leve ensaio do imperialismo europeu em voltar a disputar a hegemonia mundial. A França de Sarkozy, ansiosa por se tornar referência no continente americano a partir da libertação da senhora Ingrid Betancourt esteve ate agora diretamente envolvida nas negociações com as Farc, mantendo representantes acampados nas selvas equatorianas. Isso a mídia alinhada a Washington não destaca no noticiário. Em seu editorial o NYT nem toca no assunto da participação do Governo Francês no imbróglio tratado na OEA.
O jornalão elenca, pateticamente, sua fórmula para que uns e outros as cumpram imediatamente: todos devem passar a perseguir os guerrilheiros das Farc numa guerra sem fronteiras. Ordena também o NYT que “Equador e Colômbia devem rejeitar a intervenção e manipulação do líder da Venezuela”. Deve o “esquerdista Correa” recusar-se, como se estúpido fosse, a dar ouvidos à Venezuela, único estado que de fato se preparou para ajudar a defender o Equador com homens e armas. Aproveito para perguntar se a França, que tem em Chaves seu principal apoio na libertação de reféns, está sob essa ordem também?
Reeditando o principezinho espanhol, o New York Times determina ainda: “Chávez deve ficar quieto. Quanto mais ele se mete, fica mais fácil de acreditar que as acusações contra ele são verdadeiras.“ De novo daria vontade de rir de tamanha empáfia, querendo calar a voz que na América do Sul mais espreme com genuíno antagonismo os interesses do Imperialismo Estadunidense. Mas na verdade não consigo rir diante de tudo isso, os assassinatos que estes senhores da mídia buscam legitimar por ai me enojam.
Segue o NYT: “Recebemos garantias, na quarta-feira, que a Organização dos Estados Americanos decidiu enviar uma comissão para investigar o ataque e convocou uma reunião de ministros do exterior para analisarem os resultados.” Receberam garantias? É de fazer rir a maneira como abordam a decisão da OEA. Seu Governo, Bush, foi fragorosamente derrotado no debates ocorridos na OEA. Não lhes deram garantias, lhes deram uma derrota diplomática e política. Fracassaram os EUA, e seu apadrinhado Governo Uribe, ao tentar barrar o grito da totalidade dos outros paises membros contra a invasão delinqüente promovida no Equador.
Demonstrando falta de informação, o “grande” jornal NYT, acostumado com uma OEA a serviço dos EUA, chega mesmo a ameaçar Equador e Venezuela com condenação tendo por base afirmações do governo da Colômbia de que possui provas inauditas que demonstram conspirações esquerdistas nos Andes destinadas a... neste momento o NYT não afirma nada, nem lhes convém afinal, pois ai já é o terreno onde a mídia marrom aposta nas subjetividades dos leitores, nas construções que o inconsciente realiza de forma sutil e duradoura, apostando nos efeitos de seu veneno.
Mas, e isso merece grande destaque aqui, o maior fracasso dos EUA esta no fato de que, talvez pela primeira vez na sua história, a OEA atuou com dignidade e independência. Com novos e importantes atores agindo com brilho e construindo consensos em torno de princípios que negam e renegam as doutrinas do fascismo.
Quanto a isso é preciso parabenizar a diplomacia brasileira por sua atuação firme e determinante para o isolamento das posições defendidas pelos EUA/Colômbia. Ao contrário do que pensa o NYT quem recebeu garantias neste processo fomos nós, povos latino-americanos, de que os estados do continente têm espaço para manter suas cabeças erguidas e de que os movimentos sociais devem permanecer alinhados, e vigilantes em seu avanço por justiça, democracia e soberania.
Por fim, pensando melhor sobre a frase introdutória do editorial do NYT que diz “É difícil acreditar que no século 21 os governos eleitos democraticamente... falem de guerra”, acabei concluindo que pode haver ai uma certa mea culpa velada, afinal pensar em guerras de agressão em pleno século 21 é mesmo coisa de ditadura fascista.
*Bruno Barbosa (Lobão), Bacharel em Direito (UFMG)
Deu zebra, New York Times!
por Bruno Barbosa (Lobão)*
“É difícil acreditar que no século 21 os governos eleitos democraticamente na Colômbia, Equador e Venezuela falem de guerra”. A partir deste comentário introdutório, o diário norte americano The New York Times, em editorial publicado dia 06 de março de 2008, com o titulo: “a América do Sul está em pé de guerra?” passou a deitar regras, com sua peculiar arrogância, aos membros da OEA e aos paises envolvidos recentemente no conflito gerado pela condenável invasão promovida pela Colômbia ao vizinho Equador.
Seguindo a fórmula adotada pela “grande” mídia burguesa, da qual aliás o NYT é uma das musas inspiradoras, concentrou seus principais esforços em desancar as Farc e o Governo Venezuelano como elementos de instabilidade na América Latina.
Críticos abertos dos movimentos e governos populares, sempre manipulando a noticia, optaram por fazer sumir do noticiário o argumento central do governo venezuelano para enviar tropas para a fronteira com a Colômbia, qual seja, o temor, diante do evidente conluio fascista Bush/Uribe, de desdobramento da crise para dentro do território venezuelano uma vez que a Revolução Bolivariana tem sido o principal desafio aos ditames imperialistas nos Andes. Como diz o ditado, boi que acorda cedo bebe água limpa. Chaves não vacilou em defender seu pais. O resto e má fé da grande mídia, sorridente por prestar seu servido de desinformação. Também tem sido omitido, de forma permanente há quatro décadas, o histórico de lutas das Farc contra a oligarquia colombiana, uma das mais aguerridas, violentas e antidemocráticas do continente, status conquistado entre muitas concorrentes temos que reconhecer.
Neste momento, por estarem construindo uma saída humanitária para a troca de reféns, parece irreversível ter a iniciativa política passado às Farc e aos estados interlocutores, Venezuela, Equador e França. Desesperados, Álvaro Uribe e Bush, perceberam a ameaça representada pela potencial adesão internacional à agenda pacifista e decidiram atacar. Mataram o principal negociador da troca humanitária, o histórico guerrilherio Raul Reyes. A agressão fascista, orquestrada desde a Casa Branca, deixou uma escura nuvem de fumaça que vai muito além das selvas equatorianas, atinge toda a América Latina, com seus sinais de perigo para a estabilidade tanto do continente como para todos os demais paises do mundo. Os EUA perseveram com sua doutrina agressiva de guerra ao terror afrontando a soberania dos povos e o direito internacional.
O Imperialismo Estadunidense estimulou a selvageria de Uribe ciente de que isso representaria, no caso da atual troca de reféns das Farc, uma pública e retumbante trombada no Governo Francês. Num momento em que cresce no mundo um leve ensaio do imperialismo europeu em voltar a disputar a hegemonia mundial. A França de Sarkozy, ansiosa por se tornar referência no continente americano a partir da libertação da senhora Ingrid Betancourt esteve ate agora diretamente envolvida nas negociações com as Farc, mantendo representantes acampados nas selvas equatorianas. Isso a mídia alinhada a Washington não destaca no noticiário. Em seu editorial o NYT nem toca no assunto da participação do Governo Francês no imbróglio tratado na OEA.
O jornalão elenca, pateticamente, sua fórmula para que uns e outros as cumpram imediatamente: todos devem passar a perseguir os guerrilheiros das Farc numa guerra sem fronteiras. Ordena também o NYT que “Equador e Colômbia devem rejeitar a intervenção e manipulação do líder da Venezuela”. Deve o “esquerdista Correa” recusar-se, como se estúpido fosse, a dar ouvidos à Venezuela, único estado que de fato se preparou para ajudar a defender o Equador com homens e armas. Aproveito para perguntar se a França, que tem em Chaves seu principal apoio na libertação de reféns, está sob essa ordem também?
Reeditando o principezinho espanhol, o New York Times determina ainda: “Chávez deve ficar quieto. Quanto mais ele se mete, fica mais fácil de acreditar que as acusações contra ele são verdadeiras.“ De novo daria vontade de rir de tamanha empáfia, querendo calar a voz que na América do Sul mais espreme com genuíno antagonismo os interesses do Imperialismo Estadunidense. Mas na verdade não consigo rir diante de tudo isso, os assassinatos que estes senhores da mídia buscam legitimar por ai me enojam.
Segue o NYT: “Recebemos garantias, na quarta-feira, que a Organização dos Estados Americanos decidiu enviar uma comissão para investigar o ataque e convocou uma reunião de ministros do exterior para analisarem os resultados.” Receberam garantias? É de fazer rir a maneira como abordam a decisão da OEA. Seu Governo, Bush, foi fragorosamente derrotado no debates ocorridos na OEA. Não lhes deram garantias, lhes deram uma derrota diplomática e política. Fracassaram os EUA, e seu apadrinhado Governo Uribe, ao tentar barrar o grito da totalidade dos outros paises membros contra a invasão delinqüente promovida no Equador.
Demonstrando falta de informação, o “grande” jornal NYT, acostumado com uma OEA a serviço dos EUA, chega mesmo a ameaçar Equador e Venezuela com condenação tendo por base afirmações do governo da Colômbia de que possui provas inauditas que demonstram conspirações esquerdistas nos Andes destinadas a... neste momento o NYT não afirma nada, nem lhes convém afinal, pois ai já é o terreno onde a mídia marrom aposta nas subjetividades dos leitores, nas construções que o inconsciente realiza de forma sutil e duradoura, apostando nos efeitos de seu veneno.
Mas, e isso merece grande destaque aqui, o maior fracasso dos EUA esta no fato de que, talvez pela primeira vez na sua história, a OEA atuou com dignidade e independência. Com novos e importantes atores agindo com brilho e construindo consensos em torno de princípios que negam e renegam as doutrinas do fascismo.
Quanto a isso é preciso parabenizar a diplomacia brasileira por sua atuação firme e determinante para o isolamento das posições defendidas pelos EUA/Colômbia. Ao contrário do que pensa o NYT quem recebeu garantias neste processo fomos nós, povos latino-americanos, de que os estados do continente têm espaço para manter suas cabeças erguidas e de que os movimentos sociais devem permanecer alinhados, e vigilantes em seu avanço por justiça, democracia e soberania.
Por fim, pensando melhor sobre a frase introdutória do editorial do NYT que diz “É difícil acreditar que no século 21 os governos eleitos democraticamente... falem de guerra”, acabei concluindo que pode haver ai uma certa mea culpa velada, afinal pensar em guerras de agressão em pleno século 21 é mesmo coisa de ditadura fascista.
*Bruno Barbosa (Lobão), Bacharel em Direito (UFMG)
terça-feira, 11 de março de 2008
MÉDIUNS E MEDIUNIDADES
Médiuns e Mediunidades
Marco Aurélio Faria Rezende
É cada vez mais oportuno que reflitamos sobre as condições em que exercitamos a Mediunidade e nos colocamos na condição de médiuns cristãos. É fundamental que compreendamos a nossa posição de meros intermediários em um processo que transcende à nossa participação e tem a sua gênese na própria evolução espiritual da humanidade . Alguns estudos apontam que a prática mediúnica é na verdade uma das possibilidades que existem de intercâmbio entre os mundos físico,material e suprafísico , sendo em uma determinada época da evolução humana , um fenômeno bem mais comum e natural . Nos dias atuais , já compreendemos que essa questão ainda guarda uma evidente relação com a natureza humana , mas o seu exercício está atrelado à procura que o homem vem experimentando do seu “eu superior”. É uma espécie de retorno a sua condição divina, que ficou perdida na noite dos tempos. A Mediunidade então é o instrumento utilizado por nós para o resgate das conseqüentes relações que viemos vivenciando ao longo de sucessivas experiências na Matéria e que acabaram por embotar o nosso espírito no caminho da luz .
Daí então , venho internalizando melhor a minha condição de encarnado em processo de constante aprendizado e resgate do endividamento espiritual. É essa a nossa verdadeira situação evolutiva . Portanto , se como conseqüência dessa condição , estamos experimentando mais ou menos ostensivamente a nossa possibilidade no campo mediúnico, temos que tratar de usar a ocasião e empreendermos todo esforço com o nosso melhor. Afinal , esta é uma oportunidade de trabalho e de confiança , dada pelo Nosso Pai , que deve ser usada exclusivamente como um instrumento de aprimoramento da nossa condição moral .Longe de nos qualificar , essa condição caracteriza a nossa imperfeição ainda renitente .Se a usamos adequadamente , essa circunstancia pode apressar ou abreviar a liquidação de faltas passadas .E , no final , os primeiros beneficiados dessa empreitada somos nós mesmos . É como se tivéssemos em condição de liberdade para retomar o nosso caminho na estrada do Bem , trabalhando no Bem .
No entanto , precisamos crer que até para essa oportunidade , o Nosso Pai é extremamente misericordioso. Quando estamos verdadeiramente comprometidos com a nossa tarefa no campo mediúnico , usando a boa vontade , o estudo e a responsabilidade necessários , estamos preenchendo a nossa parcela no plano de trabalho planejado por e para nós no mundo espiritual . E como conseqüência , acabamos por favorecer mais especial e permanentemente a (re) ligação com nossos Amigos Espirituais que orientam e guiam a nossa caminhada mediúnica com ordem, segurança e eficiência .
Em contrapartida a essa ajuda – consistente e precisa , precisamos estabelecer seriedade nas nossas ações . No que me diz respeito , venho tentando desenvolver essa experiência de forma a colocar verdade e disposição a serviço da minha condição mediúnica. Primeiramente , já aprendi e venho exercitando que existe toda uma pré-condição a ser observada para o trabalho que deve começar muito antes do dia em que ele se realiza efetivamente . É fundamental toda uma preparação que inclui desde a alimentação – exclusivamente feita sem carne de qualquer espécie , sendo liberado só o peixe , passando pelas restrições à bebida e ao fumo – no meu caso , sem problemas , até ao cuidado com leituras e situações de extrema emoção e conflito , pelo menos dois dias antes do dia do trabalho. Ainda dentro desse aspecto , é muito importante que tenhamos postura física adequada considerando principalmente a nossa aparência , o vestuário que utilizamos e as condições de limpeza e higiene com que nos apresentamos .
Para o trabalho mediúnico , tenho observado ser de grande ajuda o desenvolvimento do autodomínio das nossas atitudes . Tenho percebido ser de grande ajuda que comecemos a experimentar algumas sensações, reconhecer certas impressões e identificar determinadas reações tão comuns à vivência mediúnica ,afim de que alcancemos a autocrítica fundamental para o exercício mediúnico responsável. Desta forma , podemos compreender mais claramente que a responsabilidade pelo trabalho que estamos empreendendo é exclusivamente nossa ,não cabendo neste caso , sob nenhuma hipótese, a tentativa de buscar imputar alguma carga ao Plano Espiritual .Devemos ter sempre em mente que temos o domínio completo de nossas ações e atitudes e que o trabalho mediúnico é encargo nosso e , quando realizado de forma responsável tem sempre a orientação de Nosso Pai . Portanto , é imperioso o cuidado que devemos ter com a qualidade das mensagens que podemos “transmitir”, das vidências que podemos “narrar” e das incorporações que podemos “receber”. Nesse processo , a nossa condição é de intermediário crítico e consciente , conforme nos oriente André Luiz em psicografia de Chico Xavier na obra “Domínios da Mediunidade” .
Já podemos também afirmar que Mediunidade é efetivamente sintonia e que essa sintonia guarda relação direta com todas as nossas ações – veladas e reveladas no dia-a-dia da nossa vida.. Ou seja , construímos essa sintonia em cada dia , no convívio que estabelecemos em todas as nossas relações – em casa , na vizinhança , no trabalho e não somente na Casa Espírita , na hora do trabalho de atendimento na hora da reunião pública . Longe de ser bom ou obsessor , o irmão que se aproxima de nós , o faz por afinidade , estabelecendo conosco um acordo mútuo e recíproco . Logo , está em nós – só em nós , alimentar ou afastar essa combinação . Só nós podemos identificar e distinguir a natureza e o propósito dessa aproximação . Se já compreendemos assim , podemos fazer as nossas escolhas fundamentados na oração e na vigilância dos nossos pensamentos, no estudo constante e sistematizado da nossa Doutrina , no respeito às orientações recebidas e com humildade permanente em nossas atitudes e ações .
Ao terminar , acredito verdadeiramente que se firmamos o compromisso de exercitar a prática mediúnica , devemos fazê-lo de forma ordenada , segura e eficiente . Por isso , julgo ser vital a busca de um único grupo espírita que tenha a nossa total confiança , afim de que possamos educar as nossas possibilidades no campo da Mediunidade com a necessária garantia do uso dessas possibilidades no uso da prática do Bem e sob a orientação de Irmãos Espirituais de elevada condição moral .
Mafr.
Marco Aurélio Faria Rezende
É cada vez mais oportuno que reflitamos sobre as condições em que exercitamos a Mediunidade e nos colocamos na condição de médiuns cristãos. É fundamental que compreendamos a nossa posição de meros intermediários em um processo que transcende à nossa participação e tem a sua gênese na própria evolução espiritual da humanidade . Alguns estudos apontam que a prática mediúnica é na verdade uma das possibilidades que existem de intercâmbio entre os mundos físico,material e suprafísico , sendo em uma determinada época da evolução humana , um fenômeno bem mais comum e natural . Nos dias atuais , já compreendemos que essa questão ainda guarda uma evidente relação com a natureza humana , mas o seu exercício está atrelado à procura que o homem vem experimentando do seu “eu superior”. É uma espécie de retorno a sua condição divina, que ficou perdida na noite dos tempos. A Mediunidade então é o instrumento utilizado por nós para o resgate das conseqüentes relações que viemos vivenciando ao longo de sucessivas experiências na Matéria e que acabaram por embotar o nosso espírito no caminho da luz .
Daí então , venho internalizando melhor a minha condição de encarnado em processo de constante aprendizado e resgate do endividamento espiritual. É essa a nossa verdadeira situação evolutiva . Portanto , se como conseqüência dessa condição , estamos experimentando mais ou menos ostensivamente a nossa possibilidade no campo mediúnico, temos que tratar de usar a ocasião e empreendermos todo esforço com o nosso melhor. Afinal , esta é uma oportunidade de trabalho e de confiança , dada pelo Nosso Pai , que deve ser usada exclusivamente como um instrumento de aprimoramento da nossa condição moral .Longe de nos qualificar , essa condição caracteriza a nossa imperfeição ainda renitente .Se a usamos adequadamente , essa circunstancia pode apressar ou abreviar a liquidação de faltas passadas .E , no final , os primeiros beneficiados dessa empreitada somos nós mesmos . É como se tivéssemos em condição de liberdade para retomar o nosso caminho na estrada do Bem , trabalhando no Bem .
No entanto , precisamos crer que até para essa oportunidade , o Nosso Pai é extremamente misericordioso. Quando estamos verdadeiramente comprometidos com a nossa tarefa no campo mediúnico , usando a boa vontade , o estudo e a responsabilidade necessários , estamos preenchendo a nossa parcela no plano de trabalho planejado por e para nós no mundo espiritual . E como conseqüência , acabamos por favorecer mais especial e permanentemente a (re) ligação com nossos Amigos Espirituais que orientam e guiam a nossa caminhada mediúnica com ordem, segurança e eficiência .
Em contrapartida a essa ajuda – consistente e precisa , precisamos estabelecer seriedade nas nossas ações . No que me diz respeito , venho tentando desenvolver essa experiência de forma a colocar verdade e disposição a serviço da minha condição mediúnica. Primeiramente , já aprendi e venho exercitando que existe toda uma pré-condição a ser observada para o trabalho que deve começar muito antes do dia em que ele se realiza efetivamente . É fundamental toda uma preparação que inclui desde a alimentação – exclusivamente feita sem carne de qualquer espécie , sendo liberado só o peixe , passando pelas restrições à bebida e ao fumo – no meu caso , sem problemas , até ao cuidado com leituras e situações de extrema emoção e conflito , pelo menos dois dias antes do dia do trabalho. Ainda dentro desse aspecto , é muito importante que tenhamos postura física adequada considerando principalmente a nossa aparência , o vestuário que utilizamos e as condições de limpeza e higiene com que nos apresentamos .
Para o trabalho mediúnico , tenho observado ser de grande ajuda o desenvolvimento do autodomínio das nossas atitudes . Tenho percebido ser de grande ajuda que comecemos a experimentar algumas sensações, reconhecer certas impressões e identificar determinadas reações tão comuns à vivência mediúnica ,afim de que alcancemos a autocrítica fundamental para o exercício mediúnico responsável. Desta forma , podemos compreender mais claramente que a responsabilidade pelo trabalho que estamos empreendendo é exclusivamente nossa ,não cabendo neste caso , sob nenhuma hipótese, a tentativa de buscar imputar alguma carga ao Plano Espiritual .Devemos ter sempre em mente que temos o domínio completo de nossas ações e atitudes e que o trabalho mediúnico é encargo nosso e , quando realizado de forma responsável tem sempre a orientação de Nosso Pai . Portanto , é imperioso o cuidado que devemos ter com a qualidade das mensagens que podemos “transmitir”, das vidências que podemos “narrar” e das incorporações que podemos “receber”. Nesse processo , a nossa condição é de intermediário crítico e consciente , conforme nos oriente André Luiz em psicografia de Chico Xavier na obra “Domínios da Mediunidade” .
Já podemos também afirmar que Mediunidade é efetivamente sintonia e que essa sintonia guarda relação direta com todas as nossas ações – veladas e reveladas no dia-a-dia da nossa vida.. Ou seja , construímos essa sintonia em cada dia , no convívio que estabelecemos em todas as nossas relações – em casa , na vizinhança , no trabalho e não somente na Casa Espírita , na hora do trabalho de atendimento na hora da reunião pública . Longe de ser bom ou obsessor , o irmão que se aproxima de nós , o faz por afinidade , estabelecendo conosco um acordo mútuo e recíproco . Logo , está em nós – só em nós , alimentar ou afastar essa combinação . Só nós podemos identificar e distinguir a natureza e o propósito dessa aproximação . Se já compreendemos assim , podemos fazer as nossas escolhas fundamentados na oração e na vigilância dos nossos pensamentos, no estudo constante e sistematizado da nossa Doutrina , no respeito às orientações recebidas e com humildade permanente em nossas atitudes e ações .
Ao terminar , acredito verdadeiramente que se firmamos o compromisso de exercitar a prática mediúnica , devemos fazê-lo de forma ordenada , segura e eficiente . Por isso , julgo ser vital a busca de um único grupo espírita que tenha a nossa total confiança , afim de que possamos educar as nossas possibilidades no campo da Mediunidade com a necessária garantia do uso dessas possibilidades no uso da prática do Bem e sob a orientação de Irmãos Espirituais de elevada condição moral .
Mafr.
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008
PARA PENSAR...
Para (re) construir uma Vida de Relação baseada na Ética da Compaixão
Ao começar a releitura de um livro extraordinário de Sua Santidade , o Dalai Lama intitulado “Uma Ética para o Novo Milênio”, pude observar as inúmeras possibilidades que temos em nós de pensarmos na (re) construção das nossas relações em valores baseados essencialmente no cultivo do amor e da compaixão.Entretanto , ao primeiro olhar , podemos imaginar que nos dias atuais , é quase impraticável considerar a possibilidade de participar e compartilhar as nossas questões até com os nossos mais íntimos amigos. Há por toda a parte um total clima de desconfiança entre as pessoas ,o que acaba por gerar suspeita em todas as nossas relações mais básicas.Mas, se nos esforçamos e passamos a acreditar na possibilidade da melhora e da transformação , podemos investir aos poucos no enriquecimento da qualidade da nossa vida e , devagar , seremos capazes de (re) começar o nosso caminho de relação.Aos poucos , experimentaremos , a possibilidade real de compartilhar e dividir alegria e felicidade ,dor e sofrimento. Em princípio, pode não parecer muito fácil – e não é mesmo , porque teremos que resgatar em nós alguns valores e sentimentos que fazemos absoluta questão de esconder.Normalmente , a nossa convivência é pautada pelas relações que estabelecemos ao longo das nossas vidas . Em cada uma dessas situações podemos constituir vínculos que nos ligam a outras pessoas para o resto das nossas vidas . Aí é que se firmam alguns graus de amizade ou até de uma relação mais íntima que pode caminhar para um convívio mais estreito , diário e doméstico. É muito comum dedicarmos aos nossos amigos o que temos de melhor.E sendo assim , compartilhamos todo tipo de sentimento com esses escolhidos – às vezes ,até com certa dificuldade , mas tentamos repartir todas as nossas emoções com um grau até muitas vezes elevado demais de confiança.
Como conseqüência, ganhamos a certeza da amizade e reforçamos cada vez mais os laços que nos ligam a esses amigos de forma incondicional e indiscriminada.Mas aí é que começo a levantar algumas questões. A primeira delas diz respeito à natureza dessa relação e os seus naturais desdobramentos . Será que não é muito fácil lidar apenas com quem confiamos e convivemos? Será que pode ser diferentes?Será que só temos que demonstrar afeto , carinho ou amizade exclusivamente aos nossos melhores amigos? Se somos criaturas em constante processo de melhora e transformação e precisamos buscar um caminho de mudança , porque não nos abrimos para novas situações de convivência? Será que só é importante o cultivo do amor e da compaixão entre os que convivem conosco , familiares e amigos mais íntimos? Penso que assim é muito fácil.Acredito que a nossa grande meta deve ser à busca do cultivo do amor e da compaixão incondicional e universal . A nossa meta permanente deve ser à busca da afirmação de uma cultura de fraternidade entre todos nós – desde os nossos amigos até aos que chamamos de inimigos.É claro que essa idéia – que pode se transformar em ação , depende fundamentalmente de nós e está diretamente relacionada com a nossa possibilidade de (re) estabelecer um caminho crescente de conquista interna para ser compartilhado com todos que nos cercam . Entretanto , é ai é que está a nossa grande tarefa . Essa experiência será inicialmente vivida por nós de maneira distinta.A minha idéia é a de fortalecer os vínculos mais íntimos de amizade e relação já existentes e , aos poucos, provar novas situações de relação e convívio com os nossos desafetos aonde poderemos demonstrar mais empatia , mais paciência e mais tolerância na (re) condução das nossas amizades e criar permanentemente em nós um sentimento de familiaridade para ser repartido com todos que se aproximarem do nosso convívio.
Assim , aos poucos poderemos estabelecer uma nova possibilidade de convivência entre todos que nos cercam e nos buscam , baseada na compaixão, na empatia , na igualdade e no respeito fundamental à diferença.Contudo , tenho claro que esse não é um programa de vida muito fácil. Pelo contrário , acredito que é um projeto pra ser construído durante toda(s) a(s) nossa(s) vida(s).São os estágios que estamos experimentando para o nosso desenvolvimento espiritual.E, nessa condição de aprendizes , estamos (re)vivendo todos os dias as nossas oportunidades de melhora e transformação.E, só depende de nós , cultivarmos nas nossas relações , os nossos melhores sentimentos – com todos os seres que nos cercam , inclusive com os que podem nos ferir .
A nossa (re) tomada de consciência deve priorizar o aperfeiçoamento das nossas mais íntimas emoções.Acredito firmemente que o caminho para a nossa transformação está fundamentado na nossa conduta diária e cotidiana.Se estivermos desenvolvendo o nosso potencial de maneira estável e continua, poderemos nos transformar em sujeitos mais compassivos e mais generosos , não só com os mais próximos e amigos , mas também com os mais afastados , os mais necessitados e os mais desprovidos . Assim , estaremos experimentando a nossa possibilidade de superação da parcialidade e poderemos (re) conhecer em nós a capacidade de resgatar a afeição, o perdão, a bondade , a compaixão e o amor nas nossas relações , e entender que nenhum desses sentimentos são artigos de luxo , sendo responsáveis por nos levar naturalmente a uma conduta mais respeitosa e ética na(s) nossa(s) vida(s).
Marco Aurélio Faria Rezende
Ao começar a releitura de um livro extraordinário de Sua Santidade , o Dalai Lama intitulado “Uma Ética para o Novo Milênio”, pude observar as inúmeras possibilidades que temos em nós de pensarmos na (re) construção das nossas relações em valores baseados essencialmente no cultivo do amor e da compaixão.Entretanto , ao primeiro olhar , podemos imaginar que nos dias atuais , é quase impraticável considerar a possibilidade de participar e compartilhar as nossas questões até com os nossos mais íntimos amigos. Há por toda a parte um total clima de desconfiança entre as pessoas ,o que acaba por gerar suspeita em todas as nossas relações mais básicas.Mas, se nos esforçamos e passamos a acreditar na possibilidade da melhora e da transformação , podemos investir aos poucos no enriquecimento da qualidade da nossa vida e , devagar , seremos capazes de (re) começar o nosso caminho de relação.Aos poucos , experimentaremos , a possibilidade real de compartilhar e dividir alegria e felicidade ,dor e sofrimento. Em princípio, pode não parecer muito fácil – e não é mesmo , porque teremos que resgatar em nós alguns valores e sentimentos que fazemos absoluta questão de esconder.Normalmente , a nossa convivência é pautada pelas relações que estabelecemos ao longo das nossas vidas . Em cada uma dessas situações podemos constituir vínculos que nos ligam a outras pessoas para o resto das nossas vidas . Aí é que se firmam alguns graus de amizade ou até de uma relação mais íntima que pode caminhar para um convívio mais estreito , diário e doméstico. É muito comum dedicarmos aos nossos amigos o que temos de melhor.E sendo assim , compartilhamos todo tipo de sentimento com esses escolhidos – às vezes ,até com certa dificuldade , mas tentamos repartir todas as nossas emoções com um grau até muitas vezes elevado demais de confiança.
Como conseqüência, ganhamos a certeza da amizade e reforçamos cada vez mais os laços que nos ligam a esses amigos de forma incondicional e indiscriminada.Mas aí é que começo a levantar algumas questões. A primeira delas diz respeito à natureza dessa relação e os seus naturais desdobramentos . Será que não é muito fácil lidar apenas com quem confiamos e convivemos? Será que pode ser diferentes?Será que só temos que demonstrar afeto , carinho ou amizade exclusivamente aos nossos melhores amigos? Se somos criaturas em constante processo de melhora e transformação e precisamos buscar um caminho de mudança , porque não nos abrimos para novas situações de convivência? Será que só é importante o cultivo do amor e da compaixão entre os que convivem conosco , familiares e amigos mais íntimos? Penso que assim é muito fácil.Acredito que a nossa grande meta deve ser à busca do cultivo do amor e da compaixão incondicional e universal . A nossa meta permanente deve ser à busca da afirmação de uma cultura de fraternidade entre todos nós – desde os nossos amigos até aos que chamamos de inimigos.É claro que essa idéia – que pode se transformar em ação , depende fundamentalmente de nós e está diretamente relacionada com a nossa possibilidade de (re) estabelecer um caminho crescente de conquista interna para ser compartilhado com todos que nos cercam . Entretanto , é ai é que está a nossa grande tarefa . Essa experiência será inicialmente vivida por nós de maneira distinta.A minha idéia é a de fortalecer os vínculos mais íntimos de amizade e relação já existentes e , aos poucos, provar novas situações de relação e convívio com os nossos desafetos aonde poderemos demonstrar mais empatia , mais paciência e mais tolerância na (re) condução das nossas amizades e criar permanentemente em nós um sentimento de familiaridade para ser repartido com todos que se aproximarem do nosso convívio.
Assim , aos poucos poderemos estabelecer uma nova possibilidade de convivência entre todos que nos cercam e nos buscam , baseada na compaixão, na empatia , na igualdade e no respeito fundamental à diferença.Contudo , tenho claro que esse não é um programa de vida muito fácil. Pelo contrário , acredito que é um projeto pra ser construído durante toda(s) a(s) nossa(s) vida(s).São os estágios que estamos experimentando para o nosso desenvolvimento espiritual.E, nessa condição de aprendizes , estamos (re)vivendo todos os dias as nossas oportunidades de melhora e transformação.E, só depende de nós , cultivarmos nas nossas relações , os nossos melhores sentimentos – com todos os seres que nos cercam , inclusive com os que podem nos ferir .
A nossa (re) tomada de consciência deve priorizar o aperfeiçoamento das nossas mais íntimas emoções.Acredito firmemente que o caminho para a nossa transformação está fundamentado na nossa conduta diária e cotidiana.Se estivermos desenvolvendo o nosso potencial de maneira estável e continua, poderemos nos transformar em sujeitos mais compassivos e mais generosos , não só com os mais próximos e amigos , mas também com os mais afastados , os mais necessitados e os mais desprovidos . Assim , estaremos experimentando a nossa possibilidade de superação da parcialidade e poderemos (re) conhecer em nós a capacidade de resgatar a afeição, o perdão, a bondade , a compaixão e o amor nas nossas relações , e entender que nenhum desses sentimentos são artigos de luxo , sendo responsáveis por nos levar naturalmente a uma conduta mais respeitosa e ética na(s) nossa(s) vida(s).
Marco Aurélio Faria Rezende
terça-feira, 12 de fevereiro de 2008
SOBRE O FUTURO...
O que o futuro nos reserva
Jomar Morais
Uma das características marcantes de nossa época é a velocidade fantástica em que se produzem conhecimentos e tecnologias capazes de mudar profundamente todos setores da civilização. Na tradição judaico-cristã, e acostumamo-nos a conviver com profecias que, não raro, apontavam para um "fim de mundo" ou um dos tempos" ao mesmo tempo espetacular e catastrófico, coisa que ao longo dos séculos atemorizou tantas mentes e deu margem a tantas fantasias. Ao observarmos o cenário da Terra, neste final de milênio, no entanto, constatamos a enorme distancia a que estacionaram da realidade dos dias atuais os profetas apocalípticos ou os seus muitos intérpretes. Ficaram para trás também os exercícios de ficção da era moderna e muitas projeções apoiadas em cálculos científicos que pareciam tão seguras e infalíveis.
Sim, num mundo onde apenas 50 anos - os últimos 50 anos - acumulou-se mais conhecimentos do que em toda a trajetória do homem na Terra, anunciar o que estar por acontecer tornou-se algo cada vez mais difícil e temeroso. Grandes empresas americanas, por exemplo, gastam anualmente cerca de 200 bilhões de dólares com consultores e analistas, inclusive físicos e matemáticos convocados a obter dos computadores uma imagem, ainda que pálida do porvir. Tudo o que conseguiram, até agora, foram alguns acertos pífios e vários erros monumentais. Como o velho paradigma newtoniano-cartesiano, mecanicista, já não funciona 100%
quando aplicado aos sistemas complexos da atualidade, parece claro que o futuro deixou de ser uma simples extrapolação do passado. Apesar disso, decifrar o amanhã ou, no mínimo, preparar-se para atuar em um mundo sob o signo da mutação tornou-se detalhe fundamental tanto na área dos negócios quanto em outros campos de atividade, inclusive o da religião.
Não poderia ser diferente com o Espiritismo. Quais as possibilidades do movimento espírita em meio ao processo de globalização? O que nós, espíritas, podemos ou devemos fazer para assegurar a continuidade da divulgação doutrinária, em condições de fidelidade aos propósitos do Cristo e da Espiritualidade Superior? Como o Espiritismo pode contribuir para levedar a massa das grandes mudanças com o fermento do Evangelho, a fim de que entremos em uma era de transformação moral? São perguntas que nos fazemos, às vezes perplexos, diante dos novos desafios.
Obviamente não disponho de respostas definitivas para questões tio importantes em face da conjuntura mundial. Atrevo-me, porém, a apresentar algumas reflexões nesse sentido, para o que se faz necessário tecer, antes, rápidas considerações sobre a globalização e sua compatibilidade com o ideal evangélico e com a Doutrina dos Espíritos.
Novos paradigmas - Convencionou-se chamar de globalização ao processo econômico de ampliação de mercados, com integração produtiva e circulação global de capitais. Isso é muito pouco. A globalização abrange também a padronização de uma série de atitudes e comportamentos em escala mundial e a intensificação das relações sociais num ambiente em que acontecimentos locais são modelados e alterados por eventos globais e vice-versa.
Vários fatores contribuíram para o surgimento dessa nova situação, entre eles o desenvolvimento dos sistemas informatizados, a expansão da tecnologia de telecomunicações, as novas tecnologias de produção, a queda em 50% no custo dos transportes nos últimos 15 anos, a emergência de novos países industriais e - não se pode desconhecer a influência cultural dos Estados Unidos no resto do mundo.
A convergência de tais fatores determinantes produziu uma cena mundial surpreendente:
- Notícias dão volta em torno do planeta em segundos
- Cerca de 1 trilhão de dólares transitam diariamente entre os continentes através de transferencias eletrônicas no mercado financeiro
- Novos produtos são fabricados simultaneamente em vários países
- Em 25 anos, o comércio mundial explodiu, passando de 557 bilhões de dólares para 6 trilhões de dólares ao ano.
- O mercado assumiu papel preponderante na estruturação da vida política e social sobrepondo-se a fronteiras e aos Estados nacionais.
Uma nova ordem mundial vai-se instalando e mudanças radicais em diversas áreas:
Na Economia – desregulamentação, privatização e flexibilização de mercados, acirramento da competição, supremacia do marketing e da inovação e concentração de capitais.
Na Política – reforma da ordem jurídico-política, redução do Estado, fortalecimento das organizações não governamentais e estabelecimento progressivo de uma sociedade civil global e democrática.
Na área Social – padronização das preferencias, principalmente na classe média; concentração de renda, fim do emprego estável, valorização da capacidade de comunicar e produzir em equipe, criar prever e intuir.
Na área Cultural – interação entre o local e o global, o particular e o universal; descentralização, segmentação e pluralismo circulação mundial de idéias e objetos culturais
Na área Ambiental - visão holística do homem, introdução do conceito de desenvolvimento sustentável abordagem ambiental como uma questão global.
Evangelho e Espiritismo - A globalização é processo, é caminhada e, como tal, também abriga riscos e desvios, alguns dos quais já são bem visíveis, a merecer correção urgente. Três exemplos: a excessiva concentração de renda com algumas conseqüências sociais perversas, o tráfico internacional de drogas e a crise de valores éticos alimentada pelo culto ao consumismo como um fim em si mesmo. Não há como negar, contudo, que ela tem favorecido o desenvolvimento econômico, o saneamento ambiental, a democratização política com a ampliação e respeito aos direitos humanos e a melhoria das relações entre os povos.
A globalização, reconhecem alguns sociólogos, resulta de forças materiais e espirituais. Reverter agora a humanidade à fase de isolamento nacional afetaria o desenvolvimento de tecnologias, desorganizaria a produção e acarretaria custos econômicos, sociais e culturais bem maiores do que os dos atuais vícios do processo.
Considerada a sua irreversibilidade a esta altura dos acontecimentos, surge então a grande pergunta: a globalização e a mensagem do ,Cristo são incompatíveis?
Acho que não.
O Evangelho foi o maior movimento de que se tem notícia em direção à integração dos povos, mediante a prática da lei de amor. Aí, aliás, reside uma das grandes diferenças entre os paradigmas religiosos do Judaísmo e do Cristianismo. Os judeus reverenciavam um deus antropomórfico e nacional, que ele, era seu povo predileto e desprezava os demais. Jesus revelou-nos o Deus Pai, que ama a toda a humanidade. Marcos (16:15) nos apresenta um Jesus universal e integrador. "Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura", e recomendou o Cristo redivivo segundo os registros do evangelista.
Esse mesmo traço universalista iria a marcar 18 séculos depois a presença entre nós do Consolador prometido por Jesus. As manifestações mediúnicas que nos proporcionam a Doutrina Espírita, no século XIX, não estavam limitadas a m pequeno grupo de médiuns ou iniciados, tampouco a uma cidade ou país. Pipocaram em várias partes, com a mesma clareza e coerência de ensinamentos que levaram o codificador Allan Kardec a destacar a universalidade dos ensinamentos como uma das principais características da Terceira Revelação. Vale lembrar que o alicerce doutrinário do Espiritismo representa a síntese de conhecimentos milenares das grandes religiões, integrando dessa forma povos e crenças de diversos pontos do planeta.
A visão kardequiana da nova era, da Terra elevada ao estágio de mundo de regeneração, é a de uma humanidade irmanada, acima dos estados nacionais. e consciente de sua relação com o cosmo. Não é o planeta do bem absoluto, mas o da prevalência da ética, da transparência nas relações entre os homens. É impressionante a antevisão de Kardec, há mais de 140 anos, e com ela coincide com os novos paradigmas
da atualidade, em especial o paradigma ecológico.
Vale também lembrar que Kardec deixou claro qual o campo de contribuição do Espiritismo à construção dessa nova era, evitando transformá-lo em panacéia para males que cabe ao homem resolver com o concurso da ciência e da técnica. Em A Gênese (cap. XVIII, item 25), assevera o codificador: "O Espiritismo não cria a renovação social; a madureza da humanidade é que fará dessa renovação uma necessidade. Pelo seu poder moralizador, por suas tendências progressistas, pela amplitude de suas vistas, pela generalidade das "questões que abrange, o Espiritismo é mais apto do que qualquer outra doutrina a secundar o movimento de regeneração".
É bom não perdermos de vista essas guias ao considerarmos a atuação do movimento espírita no mundo globalizado.
Vantagens e riscos - Algumas condições e situações geradas pela conjuntura mundial favorecem - e
muito - a divulgação doutrinária e a expansão do movimento espírita. O maior relacionamento entre países e povos, as facilidades de comunicação e transporte e o acesso universal às tecnologias de informação é certamente o fator preponderante. Há cinqüenta anos, por exemplo, o médium e tribuno Divaldo Franco percorria roteiros empoeirados em automóveis precários, locomotivas "Maria Fumaça" e até sobre jumentos. Conseguia ir pouco além de seu Estado Natal, a Bahia. Nos últimos anos, percorreu 52 países, pregando o Espiritismo para auditórios os mais diversos e através dos meios de comunicação de massa.
Em que pese a mistura de joio e trigo, das iniciativas sérias e dos interesses comerciais nem sempre éticos, é fato que há em todo o mundo uma busca acentuada de conteúdos espirituais pelo homem moderno. perplexo e ansioso ante conhecimentos e mudanças e que não consegue processar. O abalo dos velhos paradigmas, com o questionamento das "verdades" oficiais e acadêmicas, abriu caminho para o crescimento das fontes alternativas de conhecimento, entre elas o Espiritismo, hoje respeitado em círculos nos quais até há pouco era alvo de chacota.
É óbvio que nas circunstancias atuais, a Doutrina Espírita deverá interagir com outros conhecimentos de forma mais freqüente e imprevisível, o que nos coloca diante de variáveis que constituir-se em fator de enriquecimento da Doutrina e fortalecimento do movimento espírita ou em ameaças ao saudável desempenho da tarefa que nos foi confiada pela Espiritualidade.
Estamos preparados para empreender a divulgação da Doutrina Espírita dentro de novas condições globais? Eis a questão.
Em janeiro passado lancei esta pergunta para Divaldo Franco, após um workshop do médium em Natal RN. Divaldo não dissimulou sua preocupação. Ele acha que é melhor avançar nesse caminho com cautela, cuidando antes de investir na formação de trabalhadores, capacitando-os a entender e ensinar a Doutrina. Só partir para um novo passo após consolidar o anterior, pensar na qualidade do que vamos mostrar ao mundo e como vamos mostrar. Atitudes precipitadas podem resultar em prejuízos também em escala global.
Sábias palavras que não fazem mal a ninguém, nem mesmo ao mais entusiasta empreendedor do campo da divulgação espírita. A propósito, a divulgação e a prática do Espiritismo jamais deveriam ser dissociadas da ética cristã, e por isso nos remete a velha questão : propaganda ou ou difusão? Se quisermos tocar apenas os sentidos, induzir as pessoas ao "consumo" do Espiritismo, em busca de "milagres" ou de "novidades" que lhos abrandem momentaneamente a ansiedade, então poderemos aderir ao estilo raidoso e nem sempre honesto da propaganda. Se buscamos esclarecer, despertar consciências, certos de que trabalhamos com espíritos eternos, então haveremos de persistir na difusão séria e equilibrada dos princípios doutrinários, ainda que por todos os meios modernos de comunicação e com a utilização de técnicas que facilitem a compreensão e fixação dos ensinamentos, sem banalização ou deturpações.
A própria administração do movimento espírita exige cautela quanto à adoção de novas técnicas de gerenciamento por que aqui, como em tudo quanto diz respeito ao Espiritismo, a ética do Evangelho deve dar o tom. Não há dúvida de que precisamos aperfeiçoar estruturas administrativas pesadas, arcaicas, que impedem a agilidade do movimento, mas será que tudo o que é "verdadeiro" e eficaz numa empresa vale para o movimento espírita? A empresa moderna deve ser ágil e flexível, adaptando-se constantemente às expectativas e exigências do consumidor. Tom Peters, um dos gurus empresariais da era da globalização, sugere que as corporações admitam passar por uma revolução a cada semestre. O Espiritismo deve submeter-se às expectativas e exigências das massas ou educar o homem para o progresso moral? Empresas buscam resultados, lucros, quase sempre a curto ou médio prazos. O Espiritismo trabalha na perspectiva da eternidade. Não é mesmo um desafio fácil modernizar o movimento espírita sem descaracterizar o Espiritismo.
Quanto à interação da Doutrina Espírita com outras filosofias e disciplinas científicas, o bom senso nos pede agir sem preconceitos, porém com prudência. Costumamos repetir com Allan Kardec, em A Gênese: "Caminhando de par com o progresso, o Espiritismo jamais será ultrapassado porque se novas descobertas lhe demonstrassem estar em erro, ele se modificaria nesse ponto. Se uma verdade nova se revelar, ele a aceitará". É isso mesmo e não tem nada a ver o espírita mostrar-se receoso com descobertas e experiências científicas, a exemplo da ainda polemica clonagem. Mas vamos devagar com o andor.
É que ainda o bom senso de Kardec que nos avisa, em A Gênese: "O Espiritismo não estabelece como princípio senão o que se acha evidentemente demonstrado ou o que ressalta logicamente da observação. Entendendo-se com todos os ramos da economia social, aos quais dá o apoio das suas próprias descobertas, assimilará sempre as doutrinas progressivas, de qualquer ordem que sejam, desde que hajam assumido o estado de verdades práticas".
Vivemos um período de efervescência de experimentos, hipóteses e teorias, muitos dos quais são contraditados por outros estudos ainda quando são alvo da divulgação barulhenta da mídia. Que tal, então, encará-los com cautela até que o novo conhecimento esteja sedimentado e comprovado com todo o rigor da ciência?
Nesse campo temos algo a aprender com o Stanislav Grof, c pai da Psicologia Transpessoal. em sua avaliação da postura da ciência ante os fenômenos mediúnicos. Diz ele: "Até que a ciência ocidental moderna seja capaz de oferecer explicações plausíveis para todas as observações referentes a fenômeno como experiências espíritas e memórias de vidas passadas. os conceitos encontrados na literatura mística e ocultista devem ser encarados como superiores à abordagem atual da maioria dos cientistas ocidentais, que ou não conhecem fatos ou os ignoram".
A Codificação Kardequiana continua atualizada - em que pese alguma defasagem quanto à terminologia - e até agora nenhum de se pontos basilares foi sequer arranhado por algum conhecimento produzido no nosso século. A abertura do movimento espírita para o mundo deve se processar sem complexo de inferioridade, com segurança e sem os vícios do intelectualismo esnobe, arrogante, que subestima os valores morais, com o que tentando compensar, assim, nossas limitações na área do amor, da fraternidade.
Viver Jesus é e será sempre a melhor maneira de atestar a validade da doutrina espírita em seu campo primordial de ação: o da reforma moral da humanidade. Viver a espiritualidade em oposição aos valores materialistas, tantas vezes cultivados até em nome da religião. Qualquer adaptação às mudanças conceituais e tecnológicas do mundo globalizado, a meu ver, deve considerar esse detalhe que em suma, é a essência do ideal que cultivamos e com o qual esperamos melhorar o mundo.
E-mail: extrabr@summer.com.br
Jomar Morais
Uma das características marcantes de nossa época é a velocidade fantástica em que se produzem conhecimentos e tecnologias capazes de mudar profundamente todos setores da civilização. Na tradição judaico-cristã, e acostumamo-nos a conviver com profecias que, não raro, apontavam para um "fim de mundo" ou um dos tempos" ao mesmo tempo espetacular e catastrófico, coisa que ao longo dos séculos atemorizou tantas mentes e deu margem a tantas fantasias. Ao observarmos o cenário da Terra, neste final de milênio, no entanto, constatamos a enorme distancia a que estacionaram da realidade dos dias atuais os profetas apocalípticos ou os seus muitos intérpretes. Ficaram para trás também os exercícios de ficção da era moderna e muitas projeções apoiadas em cálculos científicos que pareciam tão seguras e infalíveis.
Sim, num mundo onde apenas 50 anos - os últimos 50 anos - acumulou-se mais conhecimentos do que em toda a trajetória do homem na Terra, anunciar o que estar por acontecer tornou-se algo cada vez mais difícil e temeroso. Grandes empresas americanas, por exemplo, gastam anualmente cerca de 200 bilhões de dólares com consultores e analistas, inclusive físicos e matemáticos convocados a obter dos computadores uma imagem, ainda que pálida do porvir. Tudo o que conseguiram, até agora, foram alguns acertos pífios e vários erros monumentais. Como o velho paradigma newtoniano-cartesiano, mecanicista, já não funciona 100%
quando aplicado aos sistemas complexos da atualidade, parece claro que o futuro deixou de ser uma simples extrapolação do passado. Apesar disso, decifrar o amanhã ou, no mínimo, preparar-se para atuar em um mundo sob o signo da mutação tornou-se detalhe fundamental tanto na área dos negócios quanto em outros campos de atividade, inclusive o da religião.
Não poderia ser diferente com o Espiritismo. Quais as possibilidades do movimento espírita em meio ao processo de globalização? O que nós, espíritas, podemos ou devemos fazer para assegurar a continuidade da divulgação doutrinária, em condições de fidelidade aos propósitos do Cristo e da Espiritualidade Superior? Como o Espiritismo pode contribuir para levedar a massa das grandes mudanças com o fermento do Evangelho, a fim de que entremos em uma era de transformação moral? São perguntas que nos fazemos, às vezes perplexos, diante dos novos desafios.
Obviamente não disponho de respostas definitivas para questões tio importantes em face da conjuntura mundial. Atrevo-me, porém, a apresentar algumas reflexões nesse sentido, para o que se faz necessário tecer, antes, rápidas considerações sobre a globalização e sua compatibilidade com o ideal evangélico e com a Doutrina dos Espíritos.
Novos paradigmas - Convencionou-se chamar de globalização ao processo econômico de ampliação de mercados, com integração produtiva e circulação global de capitais. Isso é muito pouco. A globalização abrange também a padronização de uma série de atitudes e comportamentos em escala mundial e a intensificação das relações sociais num ambiente em que acontecimentos locais são modelados e alterados por eventos globais e vice-versa.
Vários fatores contribuíram para o surgimento dessa nova situação, entre eles o desenvolvimento dos sistemas informatizados, a expansão da tecnologia de telecomunicações, as novas tecnologias de produção, a queda em 50% no custo dos transportes nos últimos 15 anos, a emergência de novos países industriais e - não se pode desconhecer a influência cultural dos Estados Unidos no resto do mundo.
A convergência de tais fatores determinantes produziu uma cena mundial surpreendente:
- Notícias dão volta em torno do planeta em segundos
- Cerca de 1 trilhão de dólares transitam diariamente entre os continentes através de transferencias eletrônicas no mercado financeiro
- Novos produtos são fabricados simultaneamente em vários países
- Em 25 anos, o comércio mundial explodiu, passando de 557 bilhões de dólares para 6 trilhões de dólares ao ano.
- O mercado assumiu papel preponderante na estruturação da vida política e social sobrepondo-se a fronteiras e aos Estados nacionais.
Uma nova ordem mundial vai-se instalando e mudanças radicais em diversas áreas:
Na Economia – desregulamentação, privatização e flexibilização de mercados, acirramento da competição, supremacia do marketing e da inovação e concentração de capitais.
Na Política – reforma da ordem jurídico-política, redução do Estado, fortalecimento das organizações não governamentais e estabelecimento progressivo de uma sociedade civil global e democrática.
Na área Social – padronização das preferencias, principalmente na classe média; concentração de renda, fim do emprego estável, valorização da capacidade de comunicar e produzir em equipe, criar prever e intuir.
Na área Cultural – interação entre o local e o global, o particular e o universal; descentralização, segmentação e pluralismo circulação mundial de idéias e objetos culturais
Na área Ambiental - visão holística do homem, introdução do conceito de desenvolvimento sustentável abordagem ambiental como uma questão global.
Evangelho e Espiritismo - A globalização é processo, é caminhada e, como tal, também abriga riscos e desvios, alguns dos quais já são bem visíveis, a merecer correção urgente. Três exemplos: a excessiva concentração de renda com algumas conseqüências sociais perversas, o tráfico internacional de drogas e a crise de valores éticos alimentada pelo culto ao consumismo como um fim em si mesmo. Não há como negar, contudo, que ela tem favorecido o desenvolvimento econômico, o saneamento ambiental, a democratização política com a ampliação e respeito aos direitos humanos e a melhoria das relações entre os povos.
A globalização, reconhecem alguns sociólogos, resulta de forças materiais e espirituais. Reverter agora a humanidade à fase de isolamento nacional afetaria o desenvolvimento de tecnologias, desorganizaria a produção e acarretaria custos econômicos, sociais e culturais bem maiores do que os dos atuais vícios do processo.
Considerada a sua irreversibilidade a esta altura dos acontecimentos, surge então a grande pergunta: a globalização e a mensagem do ,Cristo são incompatíveis?
Acho que não.
O Evangelho foi o maior movimento de que se tem notícia em direção à integração dos povos, mediante a prática da lei de amor. Aí, aliás, reside uma das grandes diferenças entre os paradigmas religiosos do Judaísmo e do Cristianismo. Os judeus reverenciavam um deus antropomórfico e nacional, que ele, era seu povo predileto e desprezava os demais. Jesus revelou-nos o Deus Pai, que ama a toda a humanidade. Marcos (16:15) nos apresenta um Jesus universal e integrador. "Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura", e recomendou o Cristo redivivo segundo os registros do evangelista.
Esse mesmo traço universalista iria a marcar 18 séculos depois a presença entre nós do Consolador prometido por Jesus. As manifestações mediúnicas que nos proporcionam a Doutrina Espírita, no século XIX, não estavam limitadas a m pequeno grupo de médiuns ou iniciados, tampouco a uma cidade ou país. Pipocaram em várias partes, com a mesma clareza e coerência de ensinamentos que levaram o codificador Allan Kardec a destacar a universalidade dos ensinamentos como uma das principais características da Terceira Revelação. Vale lembrar que o alicerce doutrinário do Espiritismo representa a síntese de conhecimentos milenares das grandes religiões, integrando dessa forma povos e crenças de diversos pontos do planeta.
A visão kardequiana da nova era, da Terra elevada ao estágio de mundo de regeneração, é a de uma humanidade irmanada, acima dos estados nacionais. e consciente de sua relação com o cosmo. Não é o planeta do bem absoluto, mas o da prevalência da ética, da transparência nas relações entre os homens. É impressionante a antevisão de Kardec, há mais de 140 anos, e com ela coincide com os novos paradigmas
da atualidade, em especial o paradigma ecológico.
Vale também lembrar que Kardec deixou claro qual o campo de contribuição do Espiritismo à construção dessa nova era, evitando transformá-lo em panacéia para males que cabe ao homem resolver com o concurso da ciência e da técnica. Em A Gênese (cap. XVIII, item 25), assevera o codificador: "O Espiritismo não cria a renovação social; a madureza da humanidade é que fará dessa renovação uma necessidade. Pelo seu poder moralizador, por suas tendências progressistas, pela amplitude de suas vistas, pela generalidade das "questões que abrange, o Espiritismo é mais apto do que qualquer outra doutrina a secundar o movimento de regeneração".
É bom não perdermos de vista essas guias ao considerarmos a atuação do movimento espírita no mundo globalizado.
Vantagens e riscos - Algumas condições e situações geradas pela conjuntura mundial favorecem - e
muito - a divulgação doutrinária e a expansão do movimento espírita. O maior relacionamento entre países e povos, as facilidades de comunicação e transporte e o acesso universal às tecnologias de informação é certamente o fator preponderante. Há cinqüenta anos, por exemplo, o médium e tribuno Divaldo Franco percorria roteiros empoeirados em automóveis precários, locomotivas "Maria Fumaça" e até sobre jumentos. Conseguia ir pouco além de seu Estado Natal, a Bahia. Nos últimos anos, percorreu 52 países, pregando o Espiritismo para auditórios os mais diversos e através dos meios de comunicação de massa.
Em que pese a mistura de joio e trigo, das iniciativas sérias e dos interesses comerciais nem sempre éticos, é fato que há em todo o mundo uma busca acentuada de conteúdos espirituais pelo homem moderno. perplexo e ansioso ante conhecimentos e mudanças e que não consegue processar. O abalo dos velhos paradigmas, com o questionamento das "verdades" oficiais e acadêmicas, abriu caminho para o crescimento das fontes alternativas de conhecimento, entre elas o Espiritismo, hoje respeitado em círculos nos quais até há pouco era alvo de chacota.
É óbvio que nas circunstancias atuais, a Doutrina Espírita deverá interagir com outros conhecimentos de forma mais freqüente e imprevisível, o que nos coloca diante de variáveis que constituir-se em fator de enriquecimento da Doutrina e fortalecimento do movimento espírita ou em ameaças ao saudável desempenho da tarefa que nos foi confiada pela Espiritualidade.
Estamos preparados para empreender a divulgação da Doutrina Espírita dentro de novas condições globais? Eis a questão.
Em janeiro passado lancei esta pergunta para Divaldo Franco, após um workshop do médium em Natal RN. Divaldo não dissimulou sua preocupação. Ele acha que é melhor avançar nesse caminho com cautela, cuidando antes de investir na formação de trabalhadores, capacitando-os a entender e ensinar a Doutrina. Só partir para um novo passo após consolidar o anterior, pensar na qualidade do que vamos mostrar ao mundo e como vamos mostrar. Atitudes precipitadas podem resultar em prejuízos também em escala global.
Sábias palavras que não fazem mal a ninguém, nem mesmo ao mais entusiasta empreendedor do campo da divulgação espírita. A propósito, a divulgação e a prática do Espiritismo jamais deveriam ser dissociadas da ética cristã, e por isso nos remete a velha questão : propaganda ou ou difusão? Se quisermos tocar apenas os sentidos, induzir as pessoas ao "consumo" do Espiritismo, em busca de "milagres" ou de "novidades" que lhos abrandem momentaneamente a ansiedade, então poderemos aderir ao estilo raidoso e nem sempre honesto da propaganda. Se buscamos esclarecer, despertar consciências, certos de que trabalhamos com espíritos eternos, então haveremos de persistir na difusão séria e equilibrada dos princípios doutrinários, ainda que por todos os meios modernos de comunicação e com a utilização de técnicas que facilitem a compreensão e fixação dos ensinamentos, sem banalização ou deturpações.
A própria administração do movimento espírita exige cautela quanto à adoção de novas técnicas de gerenciamento por que aqui, como em tudo quanto diz respeito ao Espiritismo, a ética do Evangelho deve dar o tom. Não há dúvida de que precisamos aperfeiçoar estruturas administrativas pesadas, arcaicas, que impedem a agilidade do movimento, mas será que tudo o que é "verdadeiro" e eficaz numa empresa vale para o movimento espírita? A empresa moderna deve ser ágil e flexível, adaptando-se constantemente às expectativas e exigências do consumidor. Tom Peters, um dos gurus empresariais da era da globalização, sugere que as corporações admitam passar por uma revolução a cada semestre. O Espiritismo deve submeter-se às expectativas e exigências das massas ou educar o homem para o progresso moral? Empresas buscam resultados, lucros, quase sempre a curto ou médio prazos. O Espiritismo trabalha na perspectiva da eternidade. Não é mesmo um desafio fácil modernizar o movimento espírita sem descaracterizar o Espiritismo.
Quanto à interação da Doutrina Espírita com outras filosofias e disciplinas científicas, o bom senso nos pede agir sem preconceitos, porém com prudência. Costumamos repetir com Allan Kardec, em A Gênese: "Caminhando de par com o progresso, o Espiritismo jamais será ultrapassado porque se novas descobertas lhe demonstrassem estar em erro, ele se modificaria nesse ponto. Se uma verdade nova se revelar, ele a aceitará". É isso mesmo e não tem nada a ver o espírita mostrar-se receoso com descobertas e experiências científicas, a exemplo da ainda polemica clonagem. Mas vamos devagar com o andor.
É que ainda o bom senso de Kardec que nos avisa, em A Gênese: "O Espiritismo não estabelece como princípio senão o que se acha evidentemente demonstrado ou o que ressalta logicamente da observação. Entendendo-se com todos os ramos da economia social, aos quais dá o apoio das suas próprias descobertas, assimilará sempre as doutrinas progressivas, de qualquer ordem que sejam, desde que hajam assumido o estado de verdades práticas".
Vivemos um período de efervescência de experimentos, hipóteses e teorias, muitos dos quais são contraditados por outros estudos ainda quando são alvo da divulgação barulhenta da mídia. Que tal, então, encará-los com cautela até que o novo conhecimento esteja sedimentado e comprovado com todo o rigor da ciência?
Nesse campo temos algo a aprender com o Stanislav Grof, c pai da Psicologia Transpessoal. em sua avaliação da postura da ciência ante os fenômenos mediúnicos. Diz ele: "Até que a ciência ocidental moderna seja capaz de oferecer explicações plausíveis para todas as observações referentes a fenômeno como experiências espíritas e memórias de vidas passadas. os conceitos encontrados na literatura mística e ocultista devem ser encarados como superiores à abordagem atual da maioria dos cientistas ocidentais, que ou não conhecem fatos ou os ignoram".
A Codificação Kardequiana continua atualizada - em que pese alguma defasagem quanto à terminologia - e até agora nenhum de se pontos basilares foi sequer arranhado por algum conhecimento produzido no nosso século. A abertura do movimento espírita para o mundo deve se processar sem complexo de inferioridade, com segurança e sem os vícios do intelectualismo esnobe, arrogante, que subestima os valores morais, com o que tentando compensar, assim, nossas limitações na área do amor, da fraternidade.
Viver Jesus é e será sempre a melhor maneira de atestar a validade da doutrina espírita em seu campo primordial de ação: o da reforma moral da humanidade. Viver a espiritualidade em oposição aos valores materialistas, tantas vezes cultivados até em nome da religião. Qualquer adaptação às mudanças conceituais e tecnológicas do mundo globalizado, a meu ver, deve considerar esse detalhe que em suma, é a essência do ideal que cultivamos e com o qual esperamos melhorar o mundo.
E-mail: extrabr@summer.com.br
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008
UM OLHAR SOBRE A MEDIUNIDADE
Um olhar sobre a Prática Mediúnica: algumas considerações feitas no calor de uma vivência em construção no campo da Mediunidade.
Esta é uma discussão que vem sendo bastante desenvolvida nas Casas Espíritas entre os médiuns e dirigentes de grupo . Longe de esgotar a questão , quero apenas trazer algumas reflexões pertinentes ao tema na dupla condição de trabalhador em uma Casa Espírita e em um grupo de Apometria.Para começar quero colocar que na minha modesta experiência não observei nenhum campo de conflito entre as duas práticas espíritas. Muito pelo contrário , apesar de duas experiências distintas , estou podendo apreender e desenvolver a minha vivencia mediúnica de maneira bastante proveitosa.
Geralmente, nas duas experiências - são equipes distintas , reunimo-nos esperando que os nossos Amigos Espirituais se apresentem para o trabalho de assistência e/ou tragam os espíritos que vão ser atendidos. Na maior parte das situações tem-se uma mínina idéia do que vai acontecer , bem como o tipo de espíritos – encarnados ou desencarnados que vamos tratar.Essa condição nos é dada pelo acúmulo das situações já vividas nos grupos e principalmente pela nossa condição mediúnica. O atendimento se dá basicamente com a utilização de passes e tratamentos específicos , sendo utilizados recursos mediúnicos da psicofonia , da clarividência e da clariaudiência e eventualmente em cada oportunidade , de acordo com a situação é estabelecido com o espírito um dialogo doutrinador fundamentado na ética cristã ,sempre com a intenção de fazer com que este possa repensar as suas atitudes e retomar o seu caminho evolutivo. Esse diálogo costuma ser apoiado pelos orientadores espirituais de cada um dos grupos e no caso do surgimento de alguma entidade "hostil", o coordenador/doutrinador conta com sua condição moral para manter a ordem. No caso da manifestação de um obsessor declarado começa o trabalho de convencimento tentando a modificação das suas atitudes com argumentos cristãos (perdoar, amar o próximo, etc.). Neste caso , a meta a ser alcançada visa o recolhimento e encaminhamento desse(s) espírito(s) que estava(m) junto a um encarnado ou não com a devida orientação e esclarecimento.
Esclarecemos que quando falamos em obsessão, nos reportamos aos espíritos que vivem nas diversas regiões do mundo dos espíritos, e as ações que eles exercem sobre os encarnados, como também sobre os desencarnados. Sabemos também que a obsessão pode ser de encarnado para encarnado, como de encarnado para desencardo.Já como autobsessão,entendemos as ações que a própria criatura, encarnada exerce sobre si própria. Por processo de culpa, remorso, medo, rebeldia...
Prosseguindo nas minhas observações , acredito - é necessário de se frisar, que o bom resultado dos nossos trabalhos – nos dois grupos, depende da habilidade dos nossos coordenadores/doutrinadores e dos seus conhecimentos no que diz respeito à doutrina espírita e de suas particularidades no decorrer dos trabalhos e da assistência espiritual que a nossa sintonia pode alcançar. No caso , o coordenador/doutrinador acaba por se transformar em um bom advogado do Cristo, um mediador, e, com uma argumentação correta e precisa, dentro dos princípios evangélicos, vai convencendo os conflitantes a mudar, a se reconciliar. É importante que todos nós possamos nos manter sempre atualizados nos estudos e que principalmente, durante os trabalhos, vibremos no mesmo diapasão, para que tenhamos uma boa sintonia com o mundo espiritual e uma boa sincronia de pensamentos afim de que possamos colher bons frutos nas tarefas realizadas e somar mais conhecimentos para futuras experiências. Penso que nós - os trabalhadores do mundo encarnado, devemos preservar sempre o próprio equilíbrio particular. Entretanto, encontramos continuamente algumas dificuldades no nosso trabalho mediúnico . E não poderia ser diferente .
Agora ,falarei especialmente da minha condição para o trabalho tanto no Grupo de Apometria como no Grupo de Passes . Para vencer tais dificuldades procuro seguir alguns procedimentos. É fundamental manter permanente estado de prece e vigília individual e coletivamente afim de que todos nós estejamos em sintonia mediúnica .Tal propósito serve para que passemos ,uns aos outros, o apoio e a segurança necessários aos processos de “incorporação”, dos níveis de consciência e ao suporte que receberemos do plano espiritual.
Ao chegar no ambiente do trabalho , retomo a minha preparação propriamente dita. Cabe aqui um parêntesis para esclarecer que esse processo já se (re) iniciou em casa com os cuidados básicos necessários – leitura,alimentação ,etc. Dirijo o meu pensamento a Deus na condição de filho querido pedindo que a sua Misericórdia possa sustentar o trabalho que irá acontecer. Prosseguindo, peço licença ao nosso Mestre Jesus , na certeza do seu apoio e presença.Já com os pensamentos mais acalmados chamo à presença do nosso grupo o Mentor de nossa Casa e em especial o meu Amigo Espiritual , e , na confiança das suas presenças ,vou afastando todos os pensamentos estranhos ao trabalho.Aos poucos ,mais tranqüilo vou sendo “levado” pelo ritmo da minha respiração e com a ajuda do meu pensamento à tranqüilidade da minha mente.Neste ritmo ,vou deixando de lado as questões mais particulares , soltando a minha mente e o meu corpo e começo a “sentir” sutilmente a presença dos meus Amigos Espirituais. Em princípio pode parecer muito fácil, mas é muito complicado.
No inicio das minhas experiências , em muitas oportunidades, a ansiedade e o medo me assolavam a mente , e , me sentia muito inseguro . Atualmente, ainda persistem muitos desses sentimentos , mas aos poucos , vou aprendendo a confiar em mim , nos meus Amigos e na Casa Espírita . Pela nossa sintonia podemos chegar às vibrações necessárias ao trabalho que precisamos realizar.É o nosso pensamento que constrói a nossa ação. Por isso ,nós devemos exercitar o nosso pensamento sempre no Bem para que tenhamos sustentação e companhia na ocasião do desenvolvimento do trabalho mediúnico. Venho procurando , na medida do possível, identificar os distintos níveis de Consciência (nunca tinha lido nada sobre isso!). Isso é muito importante para que possamos “interpretar” quem é o corpo espiritual que está ali se apresentando e o que ele vai dizer, quem ele é, etc.Tal conhecimento pode apontar também mais claramente o que é produto da nossa mente e o que não é ; tenho observado e considerado que tal domínio não aparece de uma hora para a outra, por isso é interessante que eu - o médium , vá experimentando e (re) conhecendo em mim , cada nível de consciência, para que eu possa identificar as diversas situações em que terei de lidar e reconhecer espíritos com um grande esquecimento ou com grande bloqueio mental e que não conseguirão definir o seu nome e a sua história.
A literatura aponta que para facilitar a identificação podemos usar a seguinte técnica: o corpo astral tem uma grande ligação com o chacra cardíaco, e o médium vai sentir no cardíaco uma palpitação ou então uma ardência maior. Nos casos de incorporação de Mental Inferior, percebemos uma diferença de sensação no chacra laríngeo e, no frontal para Mental Superior. É claro que essa diferença é percebida com a vivência. Não podemos confundir pesado com energias negativas, que são coisas diferentes. Assim , na medida em que começamos a nos familiarizar com o trabalho – quer seja na “incorporação” ou no desdobramento anímico , por exemplo , podemos perceber quando se inicia a aproximação.Ainda a respeito das sintonias e vibrações , é importante perceber que cada um de nós pode “sentir” as sintonias e vibrações de forma diferente das que foram explicitadas acima , e que cada um de nós pode desenvolver a sua própria forma de “sentir” as “incorporações” , já que isso não é uma regra pois, em mediunidade existem muito mais exceções do que regras.
Uma outra questão bem importante diz respeito à Mistificação.Nós precisamos aprender a identificar e perceber uma Mistificação.Porém é importante que saibamos que para isso é fundamental o equilíbrio. Portanto e, se por um motivo ou outro estivermos passando por dificuldades interiores, devemos ter a humildade de registrar a nossa incapacidade eventual. Lembremo-nos da nossa condição limitada e que Mediunidade não combina com Vaidade.Devemos ter claro que a nossa participação nestas condições pode nos levar a mistificar uma “incorporação” mascarada pelo animismo.
Em cada oportunidade que o trabalho me apresenta surgem situações bem diferentes uma das outras .E isso é bem interessante de ressaltar , já que nesses casos aparecem muitas vezes , questões que precisam ser trabalhadas em mim. Daí , é que percebo o quanto é misericordiosa a Providência Divina.No atendimento prestado aparentemente ao outro , acabamos por nos aproximar dos nossos problemas .E isso só acontece somente naqueles níveis em que estivermos preparados para percebê-los. A maior parte dessas questões tem se apresentado sob a forma de episódios de convivência e relação entre irmãos – encarnados e/ou desencarnados , ligados a um passado e/ou presente , na busca da construção dos seus futuros.São , via de regra , casos de obsessão , perdão, vítimas , ódio , mágoas e ressentimentos entre um ou mais espíritos. Nestes casos , surge a necessidade do trabalho espiritual no qual somos usados e que são realizados pelos irmãos desencarnados. No decorrer deste tempo tenho percebido que as pessoas de um modo geral estabelecem dentro e fora de si um entendimento, afirmando e repetindo que tem certos problemas , quer sejam psíquicos ou psicológicos, ou mesmo físicos, que não podem ser mudados, e que de tanto pensarem e falarem, a respeito do assunto acabam somatizando algo mais grave e de difícil solução. Algumas até já possuem o merecimento para melhorar, entretanto, devido à falta de fé em si e de empenho vão continuar sofrendo. Assim,vejo o quanto a Doutrina Espírita dá suporte a nossa melhora e é importante subsidio a nossa mudança de comportamento para que se afastem de nós os maiores sofrimentos.No entanto ,vejo , que os sentimentos negativos e as baixas vibrações são empecilhos ao avanço do trabalho espiritual. Essa situação se expressa pela camuflagem dos próprios níveis de consciência feita por obsessores ou amigos de regiões negativas ligados aos irmãos que chegam a Casa Espírita, dificultando a ocorrência e a evolução do tratamento. Por isso , a importância da ambiência da Casa e da preparação cuidadosa que somos orientados a fazer para o trabalho alcançar bom termo.
É desta forma que consigo compreender a maneira como os nossos Amigos Espirituais esperam contar com a nossa responsabilidade para o trabalho e a tarefa que abraçamos . Tenho sentido que, se estamos preparados e conscientes das nossas possibilidades , podemos permitir a aproximação de espíritos que precisam da ajuda necessária as suas transformações , que ainda não retomaram a devida conscientização do mundo espiritual, que estão longe de suas verdadeiras mudanças, que ainda precisam resgatar vivencias e experiências perdidas , que ainda se encontram em níveis rebelados , que não se deixam ser atraídos para o diálogo, e que ainda permanecem apegados aos seus traumas e problemas. Esses irmãos ainda vivem contidos nas suas dificuldades , nos seus remorsos, nos seus medos e ódios. Devido as suas inseguranças e incertezas essas criaturas relutam em mudar. É nesta hora que me percebo sujeito de muitas dessas dificuldades e que longe da perfeição , estou tendo a chance de ver no outro a minha situação potencializada num futuro que só a mim interessa manter afastado. É nessa condição igual - de trabalhador e irmão que devemos colocar o nosso olhar e a nossa ação para com esses espíritos , garantindo o nosso melhor propósito e a mais especial atenção pautados no amor incondicional.
Tenho aprendido que nós devemos ter a consciência da importância do nosso trabalho mediúnico em todos os níveis e que o uso dessa nossa capacidade a serviço do Bem pode significar tanto para nós quanto para muitos espíritos um (re) início do aprendizado e da retomada das nossas transformação e evolução espiritual . Além disso , nunca é demais reforçar, também, que o nosso comportamento é fator importante para a doutrinação ou convencimento do espírito principalmente porque o exemplo é fator fundamental para a mudança.
Um outro ponto importante que tenho podido vivenciar é quanto ao esforço que devemos empreender para manter a vibração necessária ao fortalecimento do nosso grupo . Toda vez que vibramos ciúme, inveja, medo, desconfiança, vaidade etc. , somos candidatos perfeitos para atrair forças deletérias e negativas tanto para cada um de nós quanto para o grupo que compomos.Precisamos compreender a nossa condição mediúnica e aceitá-la e trabalhá-la da melhor maneira que pudermos. A Mediunidade não pode ser compreendida por nós como moeda de troca na nossa negociação com Deus . Se assim entendemos , estaremos fadados ao fracasso. Devemos acreditar primeiramente que Deus é nosso Pai Amado e nós somos seus filhos queridos .Como conseqüência disso ele nos quer a todos de maneira igual ,sem privilegiar a nenhum, de seus filhos.
A minha experiência também tem me levado a compreender que , se compomos determinados grupos e vivenciamos determinadas situações , nestas ocasiões somos levados a utilizar cada um de nós , os nossos talentos – produtos das nossas vivencias , do nosso aprendizado , da nossa formação, da nossa profissão ,das nossas tendências ,etc. , na nossa vida . Agora , se acreditamos que as nossas experiências se acumulam nas nossas diversas vidas , podemos compreender que a nossa condição mediúnica também é conseqüência dessas nossas vivências e oportunidades . Daí ,chego à conclusão que se cada um experimenta uma determinada aptidão mediúnica , essa condição é para uso e fortalecimento individual e coletivo . Essa questão – a da composição dos grupos e a harmonia entre os seus componentes é de vital importância para o trabalho . Percebo que o contrário pode trazer conseqüências muito ruins , acarretando muitas vezes, algum prejuízo individual e coletivo. Se nos deixamos levar por sentimentos mesquinhos , estaremos abrindo pela invigilancia a porta para aproximações nefastas ao trabalho . Na prática,o que pode acontecer são dificuldades de concentração, cansaço e até dores físicas após os trabalhos, em conseqüência dos desgastes de energia que o médium não pôde suprir decorrentes da sua baixa vibração.Quando saímos do trabalho com dores, podemos inferir que as energias negativas foram deixadas por sofredores - encarnados e desencarnados ou nós mesmos. Tenho aprendido que com o trabalho que podemos realizar – apoiado e orientado pelos nossos Amigos Espirituais , essas energias são naturalmente drenadas e transmutadas na proporção direta do nosso amor e da pureza de propósitos que trazemos no coração.Além disso, experimentamos em nós o nosso próprio resgate e nos curamos das nossas próprias mazelas.
Para terminar , acredito também que podemos desenvolver certas dificuldades no exercício do nosso mandato mediúnico causadas pela falta de estudo ou conhecimento do assunto tratado.Nessas situações, podemos passar por algum bloqueio na ocasião da “incorporação” ou da aproximação dos nossos Amigos Espirituais , não conseguindo acessar e/ou interpretar os sinais que recebemos , por total desconhecimento da forma com tratar e/ou ajudar no encaminhamento das necessárias resoluções. Por entender firmemente que Mediunidade é sintonia , compreendo que para o alcance desse propósito é necessário além de uma boa sintonia para a aproximação de bons Amigos Espirituais e uma boa harmonia entre os componentes do nosso grupo, já levantados por mim , a prática do estudo sistemático que qualifique positivamente a nossa intenção no trabalho.A nossa atuação não pode estar fundada apenas na obra que os nossos Amigos Espirituais puderem apresentar. Só se aproximam de nós , os nossos semelhantes .Atraímos para a nossa companhia os iguais a nós . Assim , se queremos aproveitar da melhor forma a oportunidade que recebemos através do trabalho mediúnico , precisamos nos preparar para esse trabalho .E ,não poderia ser de outra maneira , temos que investir na melhoria do nosso entendimento para o progresso das nossas ações. Por experiência própria , tenho podido entender um pouco mais das muitas questões estudadas, porque venho conseguindo observá-las no trabalho prático nos grupos em que participo e assim obtenho pouco a pouco , alguma qualidade , nas minhas investidas no campo da Mediunidade.É apenas o começo (ou será recomeço?) de uma nova (?) relação.Falo assim , entendendo que é dessa maneira que começo a apurar mais as características da minha condição mediúnica desenvolvendo-as , sempre com a ajuda dos Amigos Espirituais e companheiros encarnados pacientes e abnegados que contribuem pacientemente com a minha evolução no trabalho. E assim , tento tirar e aproveitar de todas as situações de aprendizado o que for possível , porque entendo que dessa forma , estarei aproveitando de maneira mais oportuna , na condição em que me encontro , o auxilio e a assistência que venho recebendo no trabalho a que me proponho realizar.
Marco Aurélio Faria Rezende
Esta é uma discussão que vem sendo bastante desenvolvida nas Casas Espíritas entre os médiuns e dirigentes de grupo . Longe de esgotar a questão , quero apenas trazer algumas reflexões pertinentes ao tema na dupla condição de trabalhador em uma Casa Espírita e em um grupo de Apometria.Para começar quero colocar que na minha modesta experiência não observei nenhum campo de conflito entre as duas práticas espíritas. Muito pelo contrário , apesar de duas experiências distintas , estou podendo apreender e desenvolver a minha vivencia mediúnica de maneira bastante proveitosa.
Geralmente, nas duas experiências - são equipes distintas , reunimo-nos esperando que os nossos Amigos Espirituais se apresentem para o trabalho de assistência e/ou tragam os espíritos que vão ser atendidos. Na maior parte das situações tem-se uma mínina idéia do que vai acontecer , bem como o tipo de espíritos – encarnados ou desencarnados que vamos tratar.Essa condição nos é dada pelo acúmulo das situações já vividas nos grupos e principalmente pela nossa condição mediúnica. O atendimento se dá basicamente com a utilização de passes e tratamentos específicos , sendo utilizados recursos mediúnicos da psicofonia , da clarividência e da clariaudiência e eventualmente em cada oportunidade , de acordo com a situação é estabelecido com o espírito um dialogo doutrinador fundamentado na ética cristã ,sempre com a intenção de fazer com que este possa repensar as suas atitudes e retomar o seu caminho evolutivo. Esse diálogo costuma ser apoiado pelos orientadores espirituais de cada um dos grupos e no caso do surgimento de alguma entidade "hostil", o coordenador/doutrinador conta com sua condição moral para manter a ordem. No caso da manifestação de um obsessor declarado começa o trabalho de convencimento tentando a modificação das suas atitudes com argumentos cristãos (perdoar, amar o próximo, etc.). Neste caso , a meta a ser alcançada visa o recolhimento e encaminhamento desse(s) espírito(s) que estava(m) junto a um encarnado ou não com a devida orientação e esclarecimento.
Esclarecemos que quando falamos em obsessão, nos reportamos aos espíritos que vivem nas diversas regiões do mundo dos espíritos, e as ações que eles exercem sobre os encarnados, como também sobre os desencarnados. Sabemos também que a obsessão pode ser de encarnado para encarnado, como de encarnado para desencardo.Já como autobsessão,entendemos as ações que a própria criatura, encarnada exerce sobre si própria. Por processo de culpa, remorso, medo, rebeldia...
Prosseguindo nas minhas observações , acredito - é necessário de se frisar, que o bom resultado dos nossos trabalhos – nos dois grupos, depende da habilidade dos nossos coordenadores/doutrinadores e dos seus conhecimentos no que diz respeito à doutrina espírita e de suas particularidades no decorrer dos trabalhos e da assistência espiritual que a nossa sintonia pode alcançar. No caso , o coordenador/doutrinador acaba por se transformar em um bom advogado do Cristo, um mediador, e, com uma argumentação correta e precisa, dentro dos princípios evangélicos, vai convencendo os conflitantes a mudar, a se reconciliar. É importante que todos nós possamos nos manter sempre atualizados nos estudos e que principalmente, durante os trabalhos, vibremos no mesmo diapasão, para que tenhamos uma boa sintonia com o mundo espiritual e uma boa sincronia de pensamentos afim de que possamos colher bons frutos nas tarefas realizadas e somar mais conhecimentos para futuras experiências. Penso que nós - os trabalhadores do mundo encarnado, devemos preservar sempre o próprio equilíbrio particular. Entretanto, encontramos continuamente algumas dificuldades no nosso trabalho mediúnico . E não poderia ser diferente .
Agora ,falarei especialmente da minha condição para o trabalho tanto no Grupo de Apometria como no Grupo de Passes . Para vencer tais dificuldades procuro seguir alguns procedimentos. É fundamental manter permanente estado de prece e vigília individual e coletivamente afim de que todos nós estejamos em sintonia mediúnica .Tal propósito serve para que passemos ,uns aos outros, o apoio e a segurança necessários aos processos de “incorporação”, dos níveis de consciência e ao suporte que receberemos do plano espiritual.
Ao chegar no ambiente do trabalho , retomo a minha preparação propriamente dita. Cabe aqui um parêntesis para esclarecer que esse processo já se (re) iniciou em casa com os cuidados básicos necessários – leitura,alimentação ,etc. Dirijo o meu pensamento a Deus na condição de filho querido pedindo que a sua Misericórdia possa sustentar o trabalho que irá acontecer. Prosseguindo, peço licença ao nosso Mestre Jesus , na certeza do seu apoio e presença.Já com os pensamentos mais acalmados chamo à presença do nosso grupo o Mentor de nossa Casa e em especial o meu Amigo Espiritual , e , na confiança das suas presenças ,vou afastando todos os pensamentos estranhos ao trabalho.Aos poucos ,mais tranqüilo vou sendo “levado” pelo ritmo da minha respiração e com a ajuda do meu pensamento à tranqüilidade da minha mente.Neste ritmo ,vou deixando de lado as questões mais particulares , soltando a minha mente e o meu corpo e começo a “sentir” sutilmente a presença dos meus Amigos Espirituais. Em princípio pode parecer muito fácil, mas é muito complicado.
No inicio das minhas experiências , em muitas oportunidades, a ansiedade e o medo me assolavam a mente , e , me sentia muito inseguro . Atualmente, ainda persistem muitos desses sentimentos , mas aos poucos , vou aprendendo a confiar em mim , nos meus Amigos e na Casa Espírita . Pela nossa sintonia podemos chegar às vibrações necessárias ao trabalho que precisamos realizar.É o nosso pensamento que constrói a nossa ação. Por isso ,nós devemos exercitar o nosso pensamento sempre no Bem para que tenhamos sustentação e companhia na ocasião do desenvolvimento do trabalho mediúnico. Venho procurando , na medida do possível, identificar os distintos níveis de Consciência (nunca tinha lido nada sobre isso!). Isso é muito importante para que possamos “interpretar” quem é o corpo espiritual que está ali se apresentando e o que ele vai dizer, quem ele é, etc.Tal conhecimento pode apontar também mais claramente o que é produto da nossa mente e o que não é ; tenho observado e considerado que tal domínio não aparece de uma hora para a outra, por isso é interessante que eu - o médium , vá experimentando e (re) conhecendo em mim , cada nível de consciência, para que eu possa identificar as diversas situações em que terei de lidar e reconhecer espíritos com um grande esquecimento ou com grande bloqueio mental e que não conseguirão definir o seu nome e a sua história.
A literatura aponta que para facilitar a identificação podemos usar a seguinte técnica: o corpo astral tem uma grande ligação com o chacra cardíaco, e o médium vai sentir no cardíaco uma palpitação ou então uma ardência maior. Nos casos de incorporação de Mental Inferior, percebemos uma diferença de sensação no chacra laríngeo e, no frontal para Mental Superior. É claro que essa diferença é percebida com a vivência. Não podemos confundir pesado com energias negativas, que são coisas diferentes. Assim , na medida em que começamos a nos familiarizar com o trabalho – quer seja na “incorporação” ou no desdobramento anímico , por exemplo , podemos perceber quando se inicia a aproximação.Ainda a respeito das sintonias e vibrações , é importante perceber que cada um de nós pode “sentir” as sintonias e vibrações de forma diferente das que foram explicitadas acima , e que cada um de nós pode desenvolver a sua própria forma de “sentir” as “incorporações” , já que isso não é uma regra pois, em mediunidade existem muito mais exceções do que regras.
Uma outra questão bem importante diz respeito à Mistificação.Nós precisamos aprender a identificar e perceber uma Mistificação.Porém é importante que saibamos que para isso é fundamental o equilíbrio. Portanto e, se por um motivo ou outro estivermos passando por dificuldades interiores, devemos ter a humildade de registrar a nossa incapacidade eventual. Lembremo-nos da nossa condição limitada e que Mediunidade não combina com Vaidade.Devemos ter claro que a nossa participação nestas condições pode nos levar a mistificar uma “incorporação” mascarada pelo animismo.
Em cada oportunidade que o trabalho me apresenta surgem situações bem diferentes uma das outras .E isso é bem interessante de ressaltar , já que nesses casos aparecem muitas vezes , questões que precisam ser trabalhadas em mim. Daí , é que percebo o quanto é misericordiosa a Providência Divina.No atendimento prestado aparentemente ao outro , acabamos por nos aproximar dos nossos problemas .E isso só acontece somente naqueles níveis em que estivermos preparados para percebê-los. A maior parte dessas questões tem se apresentado sob a forma de episódios de convivência e relação entre irmãos – encarnados e/ou desencarnados , ligados a um passado e/ou presente , na busca da construção dos seus futuros.São , via de regra , casos de obsessão , perdão, vítimas , ódio , mágoas e ressentimentos entre um ou mais espíritos. Nestes casos , surge a necessidade do trabalho espiritual no qual somos usados e que são realizados pelos irmãos desencarnados. No decorrer deste tempo tenho percebido que as pessoas de um modo geral estabelecem dentro e fora de si um entendimento, afirmando e repetindo que tem certos problemas , quer sejam psíquicos ou psicológicos, ou mesmo físicos, que não podem ser mudados, e que de tanto pensarem e falarem, a respeito do assunto acabam somatizando algo mais grave e de difícil solução. Algumas até já possuem o merecimento para melhorar, entretanto, devido à falta de fé em si e de empenho vão continuar sofrendo. Assim,vejo o quanto a Doutrina Espírita dá suporte a nossa melhora e é importante subsidio a nossa mudança de comportamento para que se afastem de nós os maiores sofrimentos.No entanto ,vejo , que os sentimentos negativos e as baixas vibrações são empecilhos ao avanço do trabalho espiritual. Essa situação se expressa pela camuflagem dos próprios níveis de consciência feita por obsessores ou amigos de regiões negativas ligados aos irmãos que chegam a Casa Espírita, dificultando a ocorrência e a evolução do tratamento. Por isso , a importância da ambiência da Casa e da preparação cuidadosa que somos orientados a fazer para o trabalho alcançar bom termo.
É desta forma que consigo compreender a maneira como os nossos Amigos Espirituais esperam contar com a nossa responsabilidade para o trabalho e a tarefa que abraçamos . Tenho sentido que, se estamos preparados e conscientes das nossas possibilidades , podemos permitir a aproximação de espíritos que precisam da ajuda necessária as suas transformações , que ainda não retomaram a devida conscientização do mundo espiritual, que estão longe de suas verdadeiras mudanças, que ainda precisam resgatar vivencias e experiências perdidas , que ainda se encontram em níveis rebelados , que não se deixam ser atraídos para o diálogo, e que ainda permanecem apegados aos seus traumas e problemas. Esses irmãos ainda vivem contidos nas suas dificuldades , nos seus remorsos, nos seus medos e ódios. Devido as suas inseguranças e incertezas essas criaturas relutam em mudar. É nesta hora que me percebo sujeito de muitas dessas dificuldades e que longe da perfeição , estou tendo a chance de ver no outro a minha situação potencializada num futuro que só a mim interessa manter afastado. É nessa condição igual - de trabalhador e irmão que devemos colocar o nosso olhar e a nossa ação para com esses espíritos , garantindo o nosso melhor propósito e a mais especial atenção pautados no amor incondicional.
Tenho aprendido que nós devemos ter a consciência da importância do nosso trabalho mediúnico em todos os níveis e que o uso dessa nossa capacidade a serviço do Bem pode significar tanto para nós quanto para muitos espíritos um (re) início do aprendizado e da retomada das nossas transformação e evolução espiritual . Além disso , nunca é demais reforçar, também, que o nosso comportamento é fator importante para a doutrinação ou convencimento do espírito principalmente porque o exemplo é fator fundamental para a mudança.
Um outro ponto importante que tenho podido vivenciar é quanto ao esforço que devemos empreender para manter a vibração necessária ao fortalecimento do nosso grupo . Toda vez que vibramos ciúme, inveja, medo, desconfiança, vaidade etc. , somos candidatos perfeitos para atrair forças deletérias e negativas tanto para cada um de nós quanto para o grupo que compomos.Precisamos compreender a nossa condição mediúnica e aceitá-la e trabalhá-la da melhor maneira que pudermos. A Mediunidade não pode ser compreendida por nós como moeda de troca na nossa negociação com Deus . Se assim entendemos , estaremos fadados ao fracasso. Devemos acreditar primeiramente que Deus é nosso Pai Amado e nós somos seus filhos queridos .Como conseqüência disso ele nos quer a todos de maneira igual ,sem privilegiar a nenhum, de seus filhos.
A minha experiência também tem me levado a compreender que , se compomos determinados grupos e vivenciamos determinadas situações , nestas ocasiões somos levados a utilizar cada um de nós , os nossos talentos – produtos das nossas vivencias , do nosso aprendizado , da nossa formação, da nossa profissão ,das nossas tendências ,etc. , na nossa vida . Agora , se acreditamos que as nossas experiências se acumulam nas nossas diversas vidas , podemos compreender que a nossa condição mediúnica também é conseqüência dessas nossas vivências e oportunidades . Daí ,chego à conclusão que se cada um experimenta uma determinada aptidão mediúnica , essa condição é para uso e fortalecimento individual e coletivo . Essa questão – a da composição dos grupos e a harmonia entre os seus componentes é de vital importância para o trabalho . Percebo que o contrário pode trazer conseqüências muito ruins , acarretando muitas vezes, algum prejuízo individual e coletivo. Se nos deixamos levar por sentimentos mesquinhos , estaremos abrindo pela invigilancia a porta para aproximações nefastas ao trabalho . Na prática,o que pode acontecer são dificuldades de concentração, cansaço e até dores físicas após os trabalhos, em conseqüência dos desgastes de energia que o médium não pôde suprir decorrentes da sua baixa vibração.Quando saímos do trabalho com dores, podemos inferir que as energias negativas foram deixadas por sofredores - encarnados e desencarnados ou nós mesmos. Tenho aprendido que com o trabalho que podemos realizar – apoiado e orientado pelos nossos Amigos Espirituais , essas energias são naturalmente drenadas e transmutadas na proporção direta do nosso amor e da pureza de propósitos que trazemos no coração.Além disso, experimentamos em nós o nosso próprio resgate e nos curamos das nossas próprias mazelas.
Para terminar , acredito também que podemos desenvolver certas dificuldades no exercício do nosso mandato mediúnico causadas pela falta de estudo ou conhecimento do assunto tratado.Nessas situações, podemos passar por algum bloqueio na ocasião da “incorporação” ou da aproximação dos nossos Amigos Espirituais , não conseguindo acessar e/ou interpretar os sinais que recebemos , por total desconhecimento da forma com tratar e/ou ajudar no encaminhamento das necessárias resoluções. Por entender firmemente que Mediunidade é sintonia , compreendo que para o alcance desse propósito é necessário além de uma boa sintonia para a aproximação de bons Amigos Espirituais e uma boa harmonia entre os componentes do nosso grupo, já levantados por mim , a prática do estudo sistemático que qualifique positivamente a nossa intenção no trabalho.A nossa atuação não pode estar fundada apenas na obra que os nossos Amigos Espirituais puderem apresentar. Só se aproximam de nós , os nossos semelhantes .Atraímos para a nossa companhia os iguais a nós . Assim , se queremos aproveitar da melhor forma a oportunidade que recebemos através do trabalho mediúnico , precisamos nos preparar para esse trabalho .E ,não poderia ser de outra maneira , temos que investir na melhoria do nosso entendimento para o progresso das nossas ações. Por experiência própria , tenho podido entender um pouco mais das muitas questões estudadas, porque venho conseguindo observá-las no trabalho prático nos grupos em que participo e assim obtenho pouco a pouco , alguma qualidade , nas minhas investidas no campo da Mediunidade.É apenas o começo (ou será recomeço?) de uma nova (?) relação.Falo assim , entendendo que é dessa maneira que começo a apurar mais as características da minha condição mediúnica desenvolvendo-as , sempre com a ajuda dos Amigos Espirituais e companheiros encarnados pacientes e abnegados que contribuem pacientemente com a minha evolução no trabalho. E assim , tento tirar e aproveitar de todas as situações de aprendizado o que for possível , porque entendo que dessa forma , estarei aproveitando de maneira mais oportuna , na condição em que me encontro , o auxilio e a assistência que venho recebendo no trabalho a que me proponho realizar.
Marco Aurélio Faria Rezende
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